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Que jogos devo rever nesta quarentena? FC Basileia 2-1 Vitória SC

Diana Oliveira · 4 min

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Foto: UEFA

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O mês de agosto de 2008 parecia bem encaminhado para entrar na história do Vitória SC. No dia 13, os vimaranenses conseguiram um empate a zero suado frente ao FC Basileia no Estádio D. Afonso Henriques, num jogo a contar para a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. 14 dias depois, teriam a oportunidade de fazer o jogo das suas vidas e levar a armada preta e branca a sentir o sabor (e os milhões) do torneio onde estão os melhores dos melhores.

A tarefa não se adivinhava fácil para a turma liderada por Manuel Cajuda. Apesar de precisarem “apenas” de um empate com golos para selarem a passagem à fase de grupos (teriam vantagem por golos fora de casa), os vitorianos sabiam que os suíços iriam entrar fortes para conseguir o primeiro golo e abanar a confiança dos portugueses, naturalmente beliscada por jogarem no território do inimigo.

E assim foi. O FC Basileia cumpriu o que lhe era esperado e aos 11 minutos já estava na frente do jogo e da ronda: Valentin Stocker emendou da melhor forma um remate falhado do colega Ivan Ergic, enviando a bola para o fundo da baliza vimaranense.  O plano elaborado por Cajuda e os seus assistentes para a partida parecia ir por água abaixo logo nos primeiros minutos de jogo, mas Fajardo entregou o comando da eliminatória para o Vitória SC apenas dois minutos depois do golo sofrido, ao converter da melhor forma uma grande penalidade conquistada por Marquinho.

À tranquilidade conseguida com o golo do médio português, seguiram-se uns minutos certamente pouco recomendáveis para os corações dos adeptos vitorianos, no final da primeira parte. Os suíços, desesperados por um golo que os colocasse de novo na frente, acercaram-se da baliza defendida por Nilson, obrigando a defesa vitoriana a manter-se em sentido para impedir o tento que estragava as contas para os portugueses.

Contudo, apesar da mestria dos jogadores vimaranenses em gerir a partida a seu favor, a sorte do jogo fugiu-lhes, mais uma vez, “por entre os dedos”. Depois de duas tentativas falhadas no regresso dos balneários que dariam o 1-2 e que enterrariam bem fundo as esperanças do FC Basileia de seguir em frente na eliminatória, o Vitória SC permitiu, novamente, que os suíços tivessem vantagem na partida. Num lance que envolveu (outra vez) Valentin Stocker, este assistiu Eren Derdiyok para o golo que gelou os cerca de dois mil adeptos portugueses no St. Jakob-Park.

O resultado no marcador não agradava de forma alguma ao Vitória SC, pelo que Manuel Cajuda decidiu colocar a “carne toda no assador”, esgotando todas as substituições ao tentar dar maiores caraterísticas ofensivas à equipa. O nervosismo dos jogadores vitorianos era notório à medida que o relógio andava, mas, com muito querer à mistura, conseguiram fazer jus à alcunha de Conquistadores.

Ainda que já completamente esgotados emocionalmente, os pupilos de Cajuda arranjaram forças para um lance que marcaria a sua história e a do Vitória SC. Aos 87 minutos, Luciano Amaral arranca pela esquerda e cruza da melhor forma para um cabeceamento perfeito de Roberto, sem hipótese para o guarda-redes Franco Costanzo. Os jogadores vitorianos e os seus fiéis adeptos festejaram efusivamente o golo que, provavelmente, traria a fase de grupos da Liga dos Campeões para Guimarães pela primeira vez na sua história, mas rapidamente a alegria deu lugar a um sentimento de impotência.

O árbitro auxiliar da partida invalidou o golo por alegado fora de jogo do número 18. As repetições do lance na televisão para quem estava a assistir em casa não deixaram dúvidas que a decisão fora errada – e nem sequer pareceu uma diferença de poucos centímetros a colocar Roberto em jogo -, prejudicando irremediavelmente o Vitória SC que se viu afastado da liga milionária.

O erro tremendo que decidiu a partida, motivou uma reação do então presidente da UEFA, Michel Platini, que disse estar “desolado” com a falha que ditou o afastamento da equipa portuguesa. Já o árbitro principal, ao cruzar-se com a comitiva vitoriana no aeroporto, acabou mesmo por lamentar o momento junto dos responsáveis da equipa. Segundo Emílio Macedo, o presidente do Vitória SC na altura, “o árbitro teve a dignidade de ir falar com Manuel Cajuda e pedir-lhe desculpa pelo seu erro”.

Após a eliminação, o Vitória SC acabou por seguir para a Taça UEFA, onde não foi além da primeira ronda. Contudo, uma eventual passagem à fase de grupos da Liga dos Campeões teria significado, além do marco histórico, a entrada de vários milhões nos cofres vitorianos que, certamente, dariam uma folga ao orçamento da equipa. Por isso mesmo, esta partida ainda hoje causa um amargo de boca aos adeptos vimaranenses, muito provavelmente convictos que a tecnologia do vídeo-árbitro, que os salvaria nesse jogo, veio com cerca de dez anos de atraso.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Diana Oliveira

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