Recordar é Viver | 20 anos da conquista do FC Porto em Gelsenkirchen

    FC Porto Cabeçalho

    26 de maio de 2004, o dia que ficou marcado na história do FC Porto e de todos os portistas. Os dragões venceram a Liga dos Campeões pela segunda vez na história depois de derrotarem o Mónaco por 3-0 na final.

    Mas para perceber como tudo se sucedeu, temos de perceber como tudo começou. O FC Porto havia vencido a Taça UEFA na época transata, o que lhe valeu o bilhete para disputar a Supertaça Europeia, onde saíram derrotados pelo AC Milan. Já o sorteio da fase de grupos ditou que o FC Porto iria jogar com o Partizan, o Marselha e o Real Madrid.

    Os portistas estavam longe de ser considerados favoritos, apesar da conquista europeia da temporada anterior, e tinham como objetivo atingir a fase a eliminar. Nos dois primeiros jogos os dragões tinham amealhado apenas um ponto, fruto de um empate na Sérvia frente ao Partizan conquistado na 1.ª jornada. Na segunda ronda, perderam nas Antas perante o poderosíssimo Real Madrid.

    Nos três seguintes jogos a equipa comandada por José Mourinho fez o pleno e conseguiu nove pontos, seis perante o Marselha e três frente à turma sérvia, o que lhes valeu o bilhete para os oitavos de final. Já na última jornada o FC Porto foi ao Santiago Bernabéu empatar a uma bola.

    A partir daqui era outra competição e não interessava nome, nem história, mas sim o que se fazia dentro de campo. É certo que o FC Porto e os monegascos estavam longe de ser os grandes candidatos, mas eliminatória a eliminatória foram mostrando que mereciam chegar à final.

     A caminhada não foi fácil. O Mónaco começou por eliminar o Lokomotiv de Moscovo nos oitavos de final, antes de deixarem pelo caminho o Real Madrid nos quartos e o Chelsea na meia-final.

    Já o FC Porto começou por eliminar o Manchester United com uma vitória no novíssimo Estádio do Dragão, naquele que foi o primeiro jogo europeu no recinto, por 2-1 e um empate muito saboroso a uma bola no Old Trafford, graças a um golo marcado por Costinha no último minuto, que levou Mourinho e todos os portistas à loucura. Seguiu se o Lyon, vitória no Porto por 2-0 e empate na cidade francesa (2-2). Os dragões estavam nas meias-finais da liga dos campeões e iriam defrontar o Deportivo La Coruña, que eliminou o Milan de forma épica nos quartos de final, revertendo uma derrota no San Siro por 4-1 para um 5-4 no agregado, fruto de uma vitória em casa por 4-0.

    O primeiro jogo no Estádio do Dragão foi amarrado e o único ponto de destaque desse 0-0 foi a expulsão de Jorge Andrade à passagem do minuto 87, de forma até caricata depois de pontapear Deco. Na segunda mão no Riazor, Derlei conseguiu desfazer o nulo e marcou o único golo da eliminatória através de grande penalidade e colocou os dragões na final pela segunda vez na história.

    Chegado o dia do jogo decisivo e ninguém pensaria que seriam estes dois emblemas (FC Porto e Mónaco) a jogar a grande final, na nova e moderna Arena Auf Schalke em Gelsenkirchen, com lotação para 52 mil espetadores.

    Pelo historial e peso dos dois clubes, os dragões eram os grandes favoritos a vencer, mas os monegascos, comandados por Didier Deschamps e que contavam com jogadores como Giuly, Morientes e Evra nas suas fileiras, queriam fazer história e levar o troféu pela primeira vez na história para o principado.

    O FC Porto entrou em campo com Vítor Baía na baliza, Paulo Ferreira, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Nuno Valente no setor mais recuado, Maniche, Costinha e Pedro Mendes no miolo, e com Deco nas costas de Derlei e Carlos Alberto.

    A equipa francesa entrou melhor no jogo e foi Ludovic Giuly que ameaçou a baliza portista por quatro vezes no espaço de três minutos.

    Os portistas iam sofrendo, tendo alguns calafrios, até que Giuly, que esteve em dúvida até à hora de jogo, ressente-se da lesão que tinha e é substituído aos 22 minutos. A partir daí o FC Porto tomou conta das rédeas no jogo e aos 39 minutos chega ao golo através de um belo remate do brasileiro Carlos Alberto.

    Os monegascos acusaram o golo, começaram a sentir a pressão daquilo que é um jogo daquela importância e entraram na segunda parte quase que a medo. À passagem do minuto 64, com a entrada de Nonda para o lugar de Cissé, a equipa francesa expôs-se mais, e os contra-ataques dos dragões passaram a ser uma constante.

    Foi num desses contra-ataques que Deco serviu de maneira pitoresca o russo Alenichev, que devolveu a bola ao luso-brasileiro para o mesmo fazer o 2-0. Quatro minutos depois, Derlei colocou a bola em Alenichev que à lei da bomba fixou o resultado num 3-0

    A partir desse momento, o FC Porto colocou “gelo” no jogo e Mourinho fez entrar Pedro Emanuel e McCarthy para os lugares de Derlei e Deco. Quando o árbitro dinamarquês Kim Milton Nielsen apitou para o fim do jogo, os portistas começaram a festa, e instalou-se a loucura.

    17 anos depois da final de Viena o FC Porto voltava a ser campeão da Europa e igualava o registo do Benfica, com duas conquistas cada.

    O FC Porto tornou-se então a primeira equipa em 27 anos a vencer a Taça UEFA e a Liga dos Campeões em dois anos consecutivos, tendo igualado o Liverpool, que entre 1976 e 1977 conquistou as duas provas da UEFA.

    Os dragões foram também a primeira equipa a ganhar a Liga dos Campeões no formato que sempre conhecemos da prova, e que na próxima época mudará e ainda a primeira equipa (até agora a única), que não pertence às cinco principais ligas europeias, a vencer a prova milionária após a entrada em vigor da “Lei Bosman”.

    26 de maio de 2004 ficou na história do FC Porto e catapultou aquela equipa para a eternidade do futebol nacional e europeu. 20 anos depois o FC Porto volta a jogar uma final a 26 de maio, desta vez da Taça de Portugal frente ao Sporting e os dragões terão uma alusão no seu equipamento ao aniversário de duas décadas da conquista de Gelsenkirchen.

    Quanto ao feito dos portistas, não saberemos quando será repetível. Nestes 20 anos, nenhuma equipa portuguesa foi além dos quartos de final da competição, e cada vez será mais difícil lograr tal conquista devido ao negócio em que o futebol se está a tornar e ao monopólio cada vez maior dos grandes clubes, mas como há 20 anos, nem sempre os favoritos ganham e há que acreditar sempre que é possível e nunca que é irrepetível.

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