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Recordar é Viver: SL Benfica vs Sporting CP

João Rodrigues · 5 min

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recordar é viver

Fim-de-semana diferente, tensão no ar, cafés em alvoroço, discussões mais agrestes no barbeiro, trocas de “picanços” entre amigos, apostas, orações, isolamento, promessas, sonhos; enfim, toda uma panóplia de termos da nossa língua que podem ser utilizados para descrever o ambiente que se vive em Portugal antes de um dérbi entre Benfica e Sporting. E ainda para mais quando está tanta coisa em jogo, como no encontro deste domingo, mas isso deixo para os competentes redactores do Bola na Rede analisarem.

Eu vou recordar aqui três clássicos que foram apaixonantes, como todos o são, respondendo ao apelo dos diretores deste deste projecto, que tal como previ em 2013… Vingou.

Fui salomónico na escolha dos desafios e por isso mesmo abordarei resultados diferentes, para agradar a gregos e troianos, tentando retratar dérbis que se disputaram sensivelmente a meio da temporada e na Luz, e que tiveram o bónus de se terem revelado espectaculares.

SL Benfica 2-1 Sporting CP: 1993/1994

Resumo do jogo

Noite de 18 de Dezembro de 1993, 13.ª jornada, cerca de 80 mil espectadores nas bancadas da velhinha Luz.

Benfica e Sporting encontravam-se com os mesmos pontos, sendo que os “leões” eram orientados, de há uma jornada àquela parte, por Carlos Queiroz, chegado depois do surpreendente despedimento de Bobby Robson, enquanto nos “encarnados” era Toni quem tinha a função de comandar um grupo acossado pelos graves problemas financeiros vividos no clube, problemas esses que haviam resultado nas célebres saídas para Alvalade de Paulo Sousa e Pacheco, símbolos benfiquistas, com João Pinto também a ficar muito perto do rival da 2.ª Circular, não fosse o “resgate” de Jorge de Brito.

Por tudo isto, era simplesmente escaldante aquele dérbi de ’93, mas a semana antecedente ao jogo ficaria marcada por algo muito mais importante, e triste: o grave acidente de viação sofrido por Cherbakov, extraordinário jogador leonino, que o atirou para uma cadeira de rodas.

Isaías, com o seu lendário pé canhão, desequilibrou Fonte: SAPO Desporto
Isaías, com o seu lendário pé canhão, desequilibrou
Fonte: SAPO Desporto

E, sendo assim, não foi de estranhar que Luís Figo tenha festejado o golo do Sporting, que inaugurou o marcador aos 29’, com toda a emoção, numa bonita homenagem ao avançado ucraniano.

Mas o Benfica revelou-se superior na maior parte de um desafio emotivo e marcado pelas assobiadelas monstras a Paulo Sousa, acabando por não ser de estranhar o empate aos 50’, por intermédio de Yuran, e o tento da vitória obtido pelo inevitável Isaías, aos 84’, com um daqueles seus coelhos tirados da cartola, numa altura em que o Sporting já estava reduzido a dez unidades há algum tempo, devido à expulsão de Capucho.

O Benfica ganhava, ficava isolado na primeira posição e seguiria embalado para o título, quase confirmado com o… 3-6 em Alvalade, num daqueles duelos que entraram na história do nosso país.

– Vídeo relativo ao jogo aqui.

SL Benfica 2-2 Sporting CP: 2001/2002

Resumo do jogo

Eis um daqueles jogos que ainda hoje motivam discussão, disputado a 15 de Dezembro de 2001 e que foi o último com o antigo Estádio da Luz inteiramente construído.

O Sporting, comandado por Laszlo Boloni, tinha uma super equipa, na qual pontificava a dupla João Pinto/Mário Jardel, enquanto o Benfica procurava revigorar-se depois do humilhante sexto lugar alcançado na temporada anterior, sendo orientado por Toni.

Pois bem, este foi um daqueles dérbis da capital simplesmente electrizantes, repletos de oportunidades de golo e de nuances, e com uma arbitragem de Duarte Gomes catastrófica, que resultou em conversas acaloradas de café para toda uma eternidade.

Os “encarnados” entraram bem e aos 11’ já venciam, depois de Simão cobrar exemplarmente uma grande penalidade. Os donos da casa tinham de triunfar, visto terem entrado para o clássico com quatro pontos de desvantagem, e a verdade é que a “águia” até parecia estar bem lançada para um bonito voo.

Já na segunda parte, aos 55’, Zahovic aumentou para 2-0, mesmo estando o Benfica a jogar com dez, depois da expulsão de Andrade, mas esse foi o sinal de alarme para os “verdes e brancos”, que a partir daí encostaram o rival às cordas.

Mas, numa altura em que já se cantava vitória num anfiteatro repleto que nem um ovo, Mário Jardel decidiu cavar um penálti que se tornaria numa lenda, ludibriando assim Duarte Gomes e reduzindo distâncias aos 85’ para apenas dois minutos, depois de assinar o empate, num lance que foi a imagem desse campeonato: o ponta-de-lança brasileiro, bem ao seu estilo, furtivo, a cabecear com sucesso e a deixar o Benfica em maus lençóis nas contas da classificação.

Muitos estariam era longe de sonhar que este seria o último título nacional conquistado pelos “leões” até hoje. Esperemos pelo desenrolar desta temporada…

Vídeo relativo ao jogo aqui. 

SL Benfica 1-3 Sporting CP: 2005/2006

Resumo do jogo

29 de Janeiro de 2006, noite muito chuvosa na Luz, 20.ª ronda. O Benfica, orientado por Ronald Koeman, atravessava a melhor fase da época, vindo de sete vitórias consecutivas, e tinha pela frente um Sporting que parecia quase moribundo, então com o jovem Paulo Bento ao leme.

Portanto, confiança era algo que não faltava no reino da “águia”, mas… Estamos a falar de futebol, e como tal a imprevisibilidade tomou conta do assunto, ou seja, acabou por se assistir a um autêntico “assalto” leonino, que dominou por completo as operações.

O golo inaugural do dérbi, para o Benfica, obtido por Simão da marca de grande penalidade aos 27’, foi quase um acidente, estranhando-se apenas que o Sporting não tenha concretizado nenhuma das suas grandes chances até ao intervalo.

Liedson arrasou e silenciou a Luz Fonte: Fórum Sporting CP
Liedson arrasou e silenciou a Luz
Fonte: Fórum Sporting CP

Porém, na etapa complementar a história seria outra, com um nome a surgir em elevadíssimo plano: Liedson. Esse mesmo, o homem que fez parte dos pesadelos benfiquistas durante anos e que “partiu a loiça toda”, apontando os segundo e terceiro golos do Sporting, já depois de Ricardo Sá Pinto ter empatado a contenda.

Com este claro resultado no reduto do rival de sempre, o Sporting ganhava nova vida e até viria a ser o maior opositor do FC Porto na sua corrida para o título, ao passo que o Benfica acabaria por se “entreter” com a Liga dos Campeões, competição na qual deslumbrou a Europa com uma chegada aos quartos-de-final, depois de bater equipas como Manchester United e Liverpool.

Vídeo relativo ao jogo aqui.

Foto de capa: Armazém leonino

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

João Rodrigues

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