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10 Craques do CM 96/97 – Edição Portuguesa

Pedro Machado · 9 min

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Cabeçalho Futebol Nacional

Chegados os meados de Novembro, é altura de muitos adeptos de futebol colocarem de lado a sua vida pessoal, deixando-se levar por um vício que já terá destruído muitas relações e, quem sabe, algumas vidas. Os divórcios nesta altura do ano, bem como as notas final do primeiro período do ano letivo e do primeiro semestre e os resultados do último trimestre de muitas empresas, refletem-no. Há estudantes e trabalhadores mergulhados num mundo virtual onde lá são aclamados como os treinadores que admiram na vida real ou onde vêm ser legitimadas as críticas aos treinadores das suas equipas – eles, de facto, fariam melhor.

Esse vício têm um nome e chama-se Football Manager (FM), mas já se chamou Championship Manager (CM). Uma droga que começou a entrar, com especial incidência, em Portugal, no ano de 1996, quando foi lançada a primeira versão do jogo traduzida e com o campeonato português.

Essa versão não tinha tanto glamour como as atuais. O desenrolar de cada jogo estava limitado a um conjunto de frases pré-formatadas (e algo confusas), não havia cláusulas negociáveis nos contratos dos jogadores, as táticas eram muito limitadas (não havia lugar a instruções individuais, por exemplo) e as mensagens que o treinador virtual recebia apareciam no mesmo ecrã das condições das transferências ou dos resultados das outras equipas do jogo.

No fundo, o jogo era muito mais simples que os de hoje, mas não quer dizer que fosse menos viciante. Reformulando: o jogo É muito mais simples que os de hoje, o que não quer dizer que não SEJA menos viciante. É que ainda há quem o jogue, 21 anos depois do seu lançamento. O redator deste artigo, acusa-se.

Aproveitando o lançamento do FM 18, decidimos não deixar cair no esquecimento o nascimento do vício imposto pelo cargo de treinador virtual, começando, neste artigo, uma viagem pelos primórdios deste flagelo, e que terá continuidade em edições especiais no podcast 120s de Bola.

O pontapé de saída será dado pelos 10 melhores jogadores do campeonato português que muitos dos primeiros “agarrados” tentaram adquirir para os clubes com que iniciaram esta jornada decadente… mas cuja eventual contratação fazia merecer a pena todos os minutos gastos nela.

10.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Jamir (SL Benfica) – Lembram-se de Freddy Adu? Craque no FM, que nunca o foi na vida real? Jamir era uma espécie de Freddy Adu dos tempos antigos.

O habitual número 6 do SL Benfica era um dos melhores jogadores do jogo, tendo um alto rating de de posicionamento e de visão do jogo, que ajudavam a que a equipa onde jogava sofresse poucos golos, sobretudo se se adoptasse uma tática mais defensiva, e que contemplasse um parceiro de meio-campo. Bruno Caires, também do SL Benfica, era quase ideal nesse aspecto.

Ao aspecto defensivo, o jogador acrescentava uma excelente propensão ofensiva, assinalada nas altas notas atribuídas à Desmarcação, à Finta e ao Passe e que se consubstanciava nas várias assistências e até nos golos marcados pelo brasileiro.

9.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Paulo Alves (Sporting CP) – No jogo, era uma chamada constante à Seleção Nacional, onde costumava fazer dupla com Domingos Paciência naquela que era uma dupla de ataque de luxo.

No Sporting, jogava ao lado de Sá Pinto (ou era servido por ele, caso este atuasse sobre o lado esquerdo do ataque) e era sempre candidato a terminar a época com o título de melhor marcador, ainda que tivesse uma dupla de peso, do FC Porto, a concorrer com ele,

Os atributos “mentais” era determinantes (visíveis nos “20” dados à Influência e à Determinação) para os excelentes desempenhos de Paulo Alves, que aliava aos golos (a que também não serão alheios o “18” no cabeceamento e o “17” no remate) uma boa classificação média.

8.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Vitor Vieira (CS Marítimo) – O avançado do Marítimo na época 1996/97 é um daqueles jogadores que padece do síndrome “Freddy Adu”, já que também prometia muito, no jogo virtual, ao ponto de ser chamada frequente à Seleção Nacional, mas nunca conseguiu atingir esse patamar na vida real (pesquisem “Vitor Vieira” no Google para confirmar.

Apesar de não apresentar características com valores elevados(só a Desmarcação e o Remate saltam à vista) Vitor Vieira era um jogador que atingia, quase sempre, no final da época, muitos golos, assistências e prémios de homem-do-jogo, revelando-se uma peça importante em qualquer equipa do jogo, sobretudo se jogasse sob o lado direito do ataque de um 4x3x3.

 7.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Carlos Cunha Carlitos (Gil Vicente CF) – O (na altura) jovem do Gil Vicente era contratação obrigatória para qualquer treinador que começasse nos três grandes. Na primeira época podia não render muito, mas com o passar dos anos era frequente ganhar o prémio de Melhor Jogador do Ano.

O jogador que viria a assinar pelo Benfica na vida real, ainda que não tivesse uma característica que sobressaísse, era, provavelmente, o avançado mais completo do jogo, encaixando que nem uma luva num esquema de três avançados, tal como, por exemplo, fazia no Gil Vicente, onde jogava ao lado de outro dois craques, Paulo Vida e Robinho, que merecem menção honrosa.

6.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Paulinho Santos (FC Porto) – A versatilidade de Paulinho Santos era algo que o fazia sair do FC Porto logo no início da época. O FC Barcelona, por norma, estava sempre interessado no internacional português e não era de admirar. Afinal, as classificações médias do final de época oscilavam entre os 7.50 e os 8.00, jogasse ele no centro, no lado direito ou no lado esquerdo da defesa… e do meio-campo!

Se juntarmos a isto, o valor da stamina do jogador e a baixa propensão a lesões, tínhamos ali um jogador que durava a época toda e que servia para remediar, com qualidade, qualquer lesão ou suspensão.

No fim da época, era quase sempre o jogador mais utilizado da sua equipa.

Nota: A cabeçada a João Vieira Pinto e outros episódios por si protagonizados deram a fama de “arruaceiro” a Paulinho Santos. Uma fama… com proveito e que envergonha o “15” atribuído à agressividade. 20 era o mínimo!

 5.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Sá Pinto (Sporting CP) – Utilizado, muitas das vezes, como um dos três avançados de um eventual 4x3x3 ou como extremo esquerdo de um 4x4x2 atacante (uma tática pré-formatada que mencionaremos nos episódios do 120s de Bola relativos ao tema), Sá Pinto era o melhor jogador do Sporting CP e, por inerência do jogo.

Era um jogador com boa relação com o golo, contribuindo para alguns campeonatos conquistados pelo Sporting. Porém, a propensão a lesões (avaliada em 20) tornavam-no num elemento, muitas vezes indisponíveis para os técnicos leoninos.

Nota: A forma aguerrida com que, de facto, se batia em campo não se coaduna com o “7” atribuído à “Determinação”

4.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Mario Jardel (FC Porto) – Este era um dos dois jogadores que, à partida, iria vencer o título de melhor marcador do campeonato. Utilizado num 3x5x2 formação atacante, com Domingos Paciência ao lado e Rui Barros nas costas, Jardel marcava que se fartava, fosse de cabeça ou através dos “estoiros” que por vezes apareciam no “relato” de cada jogo, dando coerência aos números atribuídos à capacidade de remate e cabeceamento.

Quem quisesse fazer batota, criando um treinador do FC Porto para o depois dispensar e tentar contratá-lo via “transferência livre” quase nunca era bem sucedido. Aparecia sempre um clube brasileiro ao qual “Super-Mário” dava preferência.

Nota: Quem viu jogar Jardel, sabe que aquele “14” atribuído à Técnica é um pouco exagerado.

3.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

José Paciência Domingos (FC Porto) – Domingos (sim, o atual treinador do Belenenses) era, normalmente, o jogador português mais bem cotado no mercado de transferências, estando avaliado, no início do jogo por valores que rondavam os três milhões de contos… isto é, 15 milhões de euros.

No ano de 1996, este valor era absurdo, mas havia quem pagasse por ele e, normalmente no final da época, saia do FC Porto para rumar a um Manchester United, Real Madrid ou AC Milan.

A par de Jardel, era o jogador que mais probabilidade tinha de se sagrar melhor marcador do campeonato, fazendo jus à sua capacidade de desmarcação.

Nota: O “6” atribuído à finta é mauzinho. Domingos não era propriamente “um tosco”.

2.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

Nuno Gomes (Boavista FC) – Este era um jogador sempre pretendido pelos três grandes, porém, talvez pelo maior poderio financeiro de que o FC Porto dispunha, só aceitava mudar-se para os dragões (experimentei várias vezes com os três, acreditem).

A capacidade de remate, o cabeceamento, a desmarcação e a determinação faziam de Nuno Gomes uns dos avançados mais completos do jogo e que, por vezes, ajudava o Boavista a fazer uma gracinha na Taça UEFA.

Juntamente com Jimmy Hasselbaink, formava uma dupla temível na frente de ataque do Boavista. Jogar no Bessa e sair de lá sem sofrer golos era quase um milagre.

Nota: Nuno Gomes foi um dos melhores avançados portugueses, mas durante o segundo período ao serviço do Benfica pecou tanto na finalização que o 19 atribuído ao remate parece muitíssimo inflacionado.

1.

Fonte: Championship Manager 2
Fonte: Championship Manager 2

João Pinto (SL Benfica) – Na altura era tido como Extremo Esquerdo, podendo, também fazer o papel de segundo avançado (Médio Atacante Centro do jogo vera um pouco isso) e era, tal como Sá Pinto, o melhor jogador de um dos grandes e, por inerência, um dos melhores do jogo.

Somava classificações médias sempre acima dos 7 valores, era muitas das vezes considerado o homem-do-jogo nos encontros em que participava, mesmo não marcando nem assistindo (normalmente era El Hadrioui, lateral-esquerdo o responsável pelas bolas paradas encarnadas) com frequência.

Costumava ser usado sobre o lado esquerdo do ataque, ganhando normalmente o lugar a um Valdo na fase descendente da carreira e a um romeno chamado Bassarab Nica Panduru.

Nota: Aquele “8” (em 20) atribuído ao cabeceamento fica mal ao lado do golaço que ele marcou à Inglaterra no Euro 2000.

Chegados os meados de Novembro, é altura de muitos adeptos de futebol colocarem de lado a sua vida pessoal, deixando-se levar por um vício que já terá destruído muitas relações e, quem sabe, algumas vidas. Os divórcios nesta altura do ano, bem como as notas final do primeiro período do ano letivo e do primeiro semestre e os resultados do último trimestre de muitas empresas, refletem-no. Há estudantes e trabalhadores mergulhados num mundo virtual onde lá são aclamados como os treinadores que admiram na vida real ou onde vêm ser legitimadas as críticas aos treinadores das suas equipas – eles, de facto, fariam melhor.

Esse vício têm um nome e chama-se Football Manager (FM), mas já se chamou Championship Manager (CM). Uma droga que começou a entrar, com especial incidência, em Portugal, no ano de 1996, quando foi lançada a primeira versão do jogo traduzida e com o campeonato português.

Essa versão não tinha tanto glamour como as atuais. O desenrolar de cada jogo estava limitado a um conjunto de frases pré-formatadas (e algo confusas), não havia cláusulas negociáveis nos contratos dos jogadores, as táticas eram muito limitadas (não havia lugar a instruções individuais, por exemplo) e as mensagens que o treinador virtual recebia apareciam no mesmo ecrã das condições das transferências ou dos resultados das outras equipas do jogo.

No fundo, o jogo era muito mais simples que os de hoje, mas não quer dizer que fosse menos viciante. Reformulando: o jogo É muito mais simples que os de hoje, o que não quer dizer que não SEJA menos viciante. É que ainda há quem o jogue, 21 anos depois do seu lançamento. O redator deste artigo, acusa-se.

Aproveitando o lançamento do FM 18, decidimos não deixar cair no esquecimento o nascimento do vício imposto pelo cargo de treinador virtual, começando, neste artigo, uma viagem pelos primórdios deste flagelo, e que terá continuidade em edições especiais no podcast 120s de Bola.

O pontapé de saída será dado pelos 10 melhores jogadores do campeonato português que muitos dos primeiros “agarrados” tentaram adquirir para os clubes com que iniciaram esta jornada decadente… mas cuja eventual contratação fazia merecer a pena todos os minutos gastos nela.

Foto de capa: Championship Manager 2

Pedro Machado

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