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Qualquer pessoa que goste de jogar futebol para ganhar, para provar que é melhor do que o melhor jogador da outra turma, para tefgstar novas jogadas, e chegar a ser tão bom que, para além da simples tarefa de ajudar a equipa a marcar, pretende embelezar o jogo, acrescentando detalhes. Detalhes que, ao longo de uma longa prática futebolística se vão aprofundando, sendo que quem mais capricha neste domínio, é quem hoje pisa os relvados mais verdes e cuidados.
E pisar uma vida inteira os mesmos relvados? Mesmo sendo os mais bonitos? Não parece divertido se tomarmos a pergunta pelo seu sentido literal. Sendo o Homem um ser que, a certo ponto, se farta de fazer sempre o mesmo, de ver sempre os mesmos, a verdade é que o jogador não pensa no facto de, por exemplo, ter jogado sempre na liga italiana. Pensa é no que tem de fazer, contra quem vai jogar, as circunstâncias e o contexto. É um ser ambicioso e pragmático, atua ao seu melhor nível seja onde for. E como bem se sabe, a “paisagem” vai- se alterando… Há jogadores, treinadores, presidentes que partem, outros que vêm. Na massa adepta é o mesmo. A diferença é que, venham ou partam, o acto é sempre definitivo, pois uma vez adepto, sempre adepto: “ Podes mudar de mulher, mas não podes mudar de clube.” Só mesmo a morte para terminar o vínculo que o liga ao clube do coração.
Do passado, um jogador que se preze deve retirar o real contributo à evolução, e esquecer o inútil, o que não lhe serve de nada. Por exemplo, ter conquistado a liga em nada ajuda a ganhar a do próximo ano. Pode motivar, ou dar-se ao respeito perante os concorrentes à corrida, mas efectivamente não se começa o campeonato com pontos a mais, nem mais golos marcados, não é verdade?

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O desafio, junto com o sentimento pelo emblema que se carrega ao peito é algo que cria uma espécie de futebolista cada vez mais em vias de extinção, embora em certos casos se possa especular, na análise ao perfil do jogador, elementos inerentes à natureza humana, como o medo de arriscar/falhar, estando o atleta num nível de conforto e desportivo tão estável que o próprio jogador afasta por completo a opção de mudar de ares. Algo sobre o qual não me irei pronunciar nesta ocasião. Num mundo assumidamente cada vez competitivo, não são só os reais competidores que competem, eclodem também competidores que prestam vassalagem a determinados dogmas, sob a forma de clubes de futebol. São aqueles que especulam sobre tudo o que se passa atrás da cortina vermelha, que se aproveitam deste desporto que foi criado e constantemente desenvolvido pela Humanidade, para fins lucrativos. A essência deste desporto vai se desvanecendo, com tamanha parcela de investidores que em nada pretendem melhorar o modo de jogar em si, mas com o intuito de aumentar o volume de negócios, a vertente do futebol jogado é intrinsecamente melhorada, o que já não me deixa tão desagradado…
Parte desses “competidores mediáticos”, lançam teorias, escrevem novelas de jogadores irem para ali, outros para aqui, ou um para muitos sítios ao mesmo tempo. Esta tamanha facilidade em comunicar, faz com as pessoas circulem rápido, pois as distâncias vão sendo cada vez mais encurtadas dia após dia. Como tal, é cada vez mais raro um profissional de futebol se prender a um único clube, por mais forte que seja a paixão que se tenha pelo mesmo, já que as vontades, quer do jogador, quer dos adeptos seja cada vez mais desprezada.
Escapando a esta tendência, existem jogadores que nenhuma força os move de dentro do forte onde se tornaram guerreiros. Jogadores que todos os dias têm motivação, não de ganhar uma competição nova, de provar o seu valor num ecossistema diferente, mas de fazer a equipa por quem nutrem sentimentos mais forte, de serem melhores do que os oponentes, que queiram o seu clube com uma sala de troféus muito preenchida. Atletas que reúnem o dito conforto, segurança, felicidade, que atingiram um autêntico clímax de realização pessoal. Junta-se a tudo isto o privilegiado estatuto de ídolo aos olhos dos seus fiéis discípulos, os adeptos, o elemento mais importante para a lógica de toda a modalidade, depois dos jogadores.
O que dizer dos jogadores adeptos que se seguem, que sentem e aplicam esse mesmo sentimento no seu jogo?
10. Luisão

Fonte: SL Benfica
Mesmo tendo iniciado a carreira no Cruzeiro, chegou à Luz em 2003, e desde então tornou-se um pilar do tetracampeão nacional, sendo a par de LFV uma testemunha do processo de transição que se observou no Benfica desde então. Merece lugar neste top, segundo os meus parâmetros de análise.
9. Hamsik

Fonte: SS Napoli
O Nápoles conta com jogadores com bastante mercado. Entre os quais está Henrik Hamsik, jogador eslovaco que se dedica ao clube napolitano desde os tempos em que o clube não tinha as ambições desportivas que tem hoje. Um lider.
8. Rogerio Ceni

Fonte: São Paulo FC
O São Paulo teve um guarda redes que, para além de segurar resultados, marcava golos decisivos. Especialista a bater livres diretos, contabiliza mais de 100 golos pelo “time” paulista!
7. Messi

Fonte: FC Barcelona
Um dos melhores de sempre ainda tem muito futebol para mostrar. O jogador mais virtuoso que vi jogar! Há quem diga que necessita de provar o seu valor numa outra liga, mas eu defendo que a um atleta como este, nada lhe é exigido. Absolutamente intocável. Ocupa o modesto 7° posto neste top, mas é daqueles que chegam facilmente à minha preferência pessoal neste âmbito. Para tal, basta cimentar o seu estatuto, ao encher o olho a todo o adepto mais difícil de se render às qualidades de um jogador. Acredito que ainda tem muito para dar com a camisola “blaugrana”.
6. Gerrard & Lampard

Fonte: Liverpool FC
Liverpool e Chelsea, respetivamente, contaram com duas grandes figuras do futebol inglês. Talvez se Gerrard tivesse traído os torcedores de Anfield Road, no Chelsea teríamos visto o meio campo mais eficiente de todos os tempos. Tal meio campo seria tão único, que nem o clube com todo o dinheiro do mundo, muito possivelmente, seria capaz de o ter, dada a ligação tão familiar que cada um deles nutria pelo clube. Nem as saídas para a MLS da parte do primeiro, como a aquisição do segundo por parte do rival City apagam o historial apresentado pelos dois centro campistas nos clubes em questão.
5. Scholes

Fonte: Telegraph
Foi logo na infância que Scholes saiu de casa dos pais. Chegou a Old Trafford e foi difícil sair… Visto já após ter anunciado a sua retirada do jogo das quatro linhas, foi “reforço” do seu clube de sempre, envergando o dorsal 22, ao invés do habitual 18.
4. Andrés Iniesta

Fonte: UEFA
Um daqueles jogadores que, não se consegue explicar por que motivo nunca ganhou a Bola de Ouro. Um mago, que organizava o jogo de passe do célebre “tiki taka”.
3. Giggs

Fonte; Manchester United
O veloz jogador galês, que desorientava qualquer um que fosse o seu oponente direto, teve de recorrer a consultas de psiquiatra para se mentalizar que a sua vida iria deixar de girar em torno do Man. United. Foram décadas onde as suas ações eram modeladas segundo regras do clube inglês…
2. Buffon

Fonte: F51
Será injusto um dos melhores “keepers” da história arrumar as luvas sem ter erguido a Champions. Pode ser apenas um troféu, mas todo o jogador de topo que atue na Europa almeja ser consagrado como campeão europeu de clubes.
1. Totti

Fonte: wallshed.com
Todos se levantam para aplaudir a entrada deste homem. O que mais rapidamente é associável à A.S. Roma, é o seu nome. Uma referência não apenas do clube, ou da cidade, ou do país, como de todo do universo do futebol. Um jogador que é apreciado por qualquer espetador. É, reconhecidamente, o Deus de Roma e ninguém quer que chegue a inevitável hora de o ver partir.
Será raro o jogador que aposte numa carreira assim, tendo em conta o panorama tão à base do negócio, em que o futebolista é tido como um produto de investimento, e não como um jogador, no sentido lato do termo. O jogador adepto vai sempre existir, só duvido que seja forte o suficiente para resistir a pressões financeiras, desportivas ou familiares, e se manter fiel às suas verdadeiras cores, e jogar por elas como se disso a sua vida dependesse.
Imaginem um futebol em que os atuais “monstros” em atividade fossem ferrenhos do clube que representam. Aí sim, jogos partidos, que por sinal são os meus favoritos, em que todos os jogadores se transcendessem, ultrapassavam o que achavam ser os seus limites. Defender uma coisa que é nossa é totalmente diferente. Por exemplo, geralmente, uma pessoa contratada para gerir um negócio não tem o rigor que o tradicional patrão tem. Mandão, intransigente, mal disposto, que abusa da autoridade que detém sobre os empregados… Os patrões de hoje em dia são bem mais brandos, já que as despesas ou o risco não são da sua parte.

Fonte: Telegraph
É verdade que, em caso de sucesso não ganhem tanto como os reais chefes, mas em caso de fracasso, o que está no seu bolso não está em causa. E isso passa-se nos jogadores. Em certos momentos da partida, da temporada, muitos jogadores abrandam e não mantêm os níveis de intensidade, não demonstram o que dizem quando recebem o prémio de assinatura: “morrer em campo”. Talvez se fossem fanáticos pela sua equipa, nesses mesmos momentos os seus pulmões se multiplicariam ao invés de desaparecerem. Mas isto sou eu a divagar… Tenho perfeita noção dos limites do nosso organismo, que por vezes exigimos demasiado aos atletas.
Mas mesmo assim, insisto na seguinte tese: Chegam a ter tantos bens, contas bancárias recheadas, que se for preciso até perdem o prazer de praticar futebol, para se dedicarem a coisas que talvez não necessitem, mas uma força invisível os faz acreditar cegamente que sim.
Ainda bem que existem as seleções nacionais para sentirmos um cheirinho do que seria a minha utopia apresentada. E já me contento, o que senti com a conquista do Euro 2016 por parte da selecção de todos nós, que foi algo adiado no ano de 2004, foi um sentimento de felicidade e euforia que na minha curta vida só senti nesse mesmo momento, em que, por semanas a fio, as razões para ter orgulho em ser português se multiplicaram graficamente, e que nem as lágrimas de alegria me tiraram o sorriso nos lábios.
Foto de Capa: AS Roma












