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A temporada 2020/21 começa a retomar a sua normalidade, apesar de se ter iniciado bem mais tarde do que aquilo que é habitual. A Primeira Liga Portuguesa não foge à regra deste arranque, até no fator “jogos adiados” devido a casos positivos de Covid-19 nos plantéis: Sporting CP vs Gil Vicente FC não se jogou, pelo que irá ser disputado numa data mais tardia.
O que me proponho, com esta condicionante de ainda faltar uma partida, é sublinhar dois grandes destaques e duas grandes desilusões desta primeira jornada do nosso campeonato. Vamos a isso.
DESTAQUES
1.
Prémio Mérito e Valores Porto ⭐Otávio
🎙”Controlámos o jogo e fizemos uma boa partida. Estamos focados no que temos pela frente e vamos em busca disso. Jogamos sempre a imaginar que o Dragão está cheio a apoiar”#FCPorto #FCPSCB #NaçãoPorto #NBFootball pic.twitter.com/HlFqgsqW5m
— FC Porto (@FCPorto) September 19, 2020
SL Benfica e FC Porto: Candidatura ao título confirmada – Os dois principais clubes portugueses de sempre, facto que se acentuou ainda mais neste século com o enfraquecimento do Sporting CP (em termos gerais), continuam a assumir a batuta da nossa Primeira Liga Portuguesa. Na primeira jornada, SL Benfica e FC Porto deram duas boas demonstrações de força, com vitórias contundentes frente a dois dos projetos mais aliciantes do nosso cantinho à beira-mar plantado.
Os “encarnados” entraram primeiro em campo, num terreno onde no ano passado tiveram muitas dificuldades, e mandaram durante 90 minutos nos acontecimentos do jogo. O FC Famalicão foi impotente perante tal dinâmica ofensiva, com bolas pelo centro, pelas alas… Pressão alta, sufocante. Enfim, uma ideia do que podemos esperar com Jorge Jesus. Aliás, com o placard fixado em 1-5 e 87 minutos, o técnico pedia “mais golos”.
Já o FC Porto, apesar de ter tido como adversário o excelente SC Braga, não teve o início tão fulgurante, mas ganhou como tem conseguido nos últimos: mais na raça, que na qualidade futebolística. Essa é, na minha opinião, a sua principal qualidade, que faz deles um adversário capaz de levar de vencida qualquer encontro que disputem. No entanto, ter Alex Telles e Corona nas suas fileiras dá um “extra” de qualidade a essa raça. O resultado ficou em 3-1, com os primeiros três pontos no “saco”.
2.
1️⃣9️⃣:0️⃣4️⃣ O golaço do aniversariante!#DeTodosUm pic.twitter.com/N6GOIXkDQs
— SL Benfica (@SLBenfica) September 20, 2020
Golos, golos, golos! – Esta pode ser a temporada que muda a forma como encaramos a nossa liga e, consequentemente, como ela é vista lá fora. Há muito bons projetos a despontar, excelentes contratações feitas, treinadores muitíssimo competentes e o resultado disto tudo somado são partidas mais competitivas, com mais golos. Esta primeira jornada foi um bom exemplo disso mesmo: com oito dos nove jogos efetuados, estamos a falar de 25 golos! Uma marca impressionante, com uma média de mais de três tentos por jogo (3,12 aprox.).
Destaco o SL Benfica, que marcou cinco, mas principalmente o CD Nacional vs Boavista FC, onde houve seis golos, três para cada lado. Muita atenção a estas duas equipas, que têm treinadores de grande qualidade, planteis muito equilibrados e vontade de garantir a permanência cedo. Apenas um dos jogos com apenas um golo, a vitória tangencial da Belenenses SAD de Petit.
DESILUSÕES
1.
Foco na próxima jornada, já na Pedreira 👊
Juntos nesta caminhada, Legião 🇮🇩Crónica do jogo 👉 https://t.co/0dYrlc4PXF pic.twitter.com/NXSWI43Djj
— SC Braga (@SCBragaOficial) September 19, 2020
Os rivais do Minho entram com o pé esquerdo – Nas últimas épocas, confesso, fiquei mal habituado com a qualidade de jogo e com o entretinimento que SC Braga e Vitória SC me trouxeram durante vários minutos (horas, na verdade). Por isso, fiquei desiludido com as duas entradas em prova dos rivais do distrito de Braga.
No caso dos “Gverreiros do Minho”, não gostei da forma como Carlos Carvalhal abordou a partida no Dragão. Nem parecia o técnico que tão bem conhecemos, demasiado conservador. Claro, estava sem Paulinho e sem Gaitán, mas deixar Galeno e André Horta no banco, bem como atuar com uma linha de cinco defesas, parece-me que foi um erro. Ainda assim, creio que foi “um erro episódico”, que iremos ver um SC Braga fortíssimo e mais objetivo daqui para a frente.
Quanto ao Vitória SC, a estreia de Tiago Mendes não deixou boas impressões. Vou deixar um ponto prévio: sou um fã da carreira de Tiago enquanto jogador, dos médios nacionais que mais gostei de ver jogar (e tivemos/temos muitos e bons). No entanto, como treinador, tenho algum receio que esteja a querer enveredar pela escola Simeone, que acho ser um erro crasso.
Tem muita juventude no plantel e estar a prender taticamente os seus jogadores a uma ideia rígida, com ideias simples no ataque, não é positivo. São jovens, querem ataque desenfreado, não querem contra-ataque, querem inventar espaço: no fundo, querem passar mais tempo a atacar do que a defender. Cabe-lhe a si encontrar um equilíbrio que resulte, porque so a atacar ninguém consegue objetivo nenhum. Ainda assim, não perco a esperança em jogos melhor conseguidos da sua parte nos próximos duelos da Liga.
2.
🛎 | SEGUNDA PARTE – SECOND HALF | 🛎
45’ Estamos de volta à partida!#LigaNOS | 0-0 | #VSCBSAD pic.twitter.com/pWZraDWBMU
— Vitória Sport Clube (@VitoriaSC1922) September 18, 2020
Temos bom futebol, mas estádio vazios – Bem sei, não é fácil seguir o modelo alemão, onde há muito mais dinheiro para infra-estruturas com tecnologia de ponta, que garantem a segurança da percentagem de adeptos que podem ir aos estádios. França é outro dos países que também já deixa que os seus estádios estejam “compostos”, e creio mesmo que a médio-prazo, pelo menos Primeira Liga Inglesa vai permitir o mesmo.
A segunda vaga de Covid-19 está a causar um aumento dos casos em todo a Europa, mas isso não impede que decisões deste tipo sejam tomadas. Em Portugal já temos touradas com público, temos espetáculos de música, stand-up comedy, festivais que são na verdade “comícios festivos” com milhares de pessoas, convenções políticas, manifestações onde há tudo menos distanciamento social (seja de Direita e ou de Esquerda)… Mas o futebol continua sem adeptos nos estádios.
Não entendo este “bode-expiatório” que se tenta fazer do “desporto-rei” no nosso país. O que eu acho é que os nossos intérpretes merecem público – ainda que reduzido – nas suas bancadas, principalmente num ano que se adivinha muito positivo para a Liga e para o futebol português, pelo menos no que ao “jogo jogado” diz respeito.












