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As 10 maiores surpresas da Liga dos Campeões na última década

João Pedro Rocha · 10 min

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O futebol europeu sofreu alterações significativas ao longo dos anos, principalmente a nível monetário, o que provocou cada vez mais o afastamento dos gigantes europeus das restantes equipas. Na Liga dos Campeões, o lote de favoritos a vencer a competição reduziu e as surpresas passaram a ser menos frequentes nos tempos modernos. Antes desta disparidade entre os clubes, uma equipa não favorita tinha maior possibilidade de chegar longe na competição.

Desde a vitória do FC Porto em 2004, os únicos vencedores da competição foram o Barcelona, o Real Madrid, o Liverpool, o AC Milan, o Chelsea, o Manchester United, o Bayern de Munique e o Inter de Milão, ou seja, equipas com capacidades financeiras elevadas. Não é tarefa fácil competir com os melhores da atualidade, devido à diferença de qualidade dos plantéis e, prova disso, é a dificuldade de um ‘outsider’ em conseguir vencer ou jogar uma final europeia.

As equipas selecionadas nas páginas seguintes são as maiores surpresas da Liga dos Campeões na última década, tendo em conta o desempenho realizado, em função da fase alcançada.

10.


APOEL 2011/2012 – Os cipriotas tiveram de eliminar três equipas para marcar presença na fase de grupos da competição, antes do sorteio ditar que os adversários seriam o FC Porto, o Zenit e o Shakhtar Donetsk. Conseguindo bons resultados contra essas equipas, um primeiro lugar no grupo elevou o nome do APOEL ao topo do futebol do Chipre, tornando-se no primeiro clube do país a qualificar-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

A bela história do APOEL continuou a ser positiva. O adversário seguinte foi o Lyon, que levou a melhor na primeira mão, mas em frente aos seus adeptos, a equipa de Nicósia igualou o resultado e levou a decisão para os penáltis, nos quais saíram vencedores, dando seguimento a uma brilhante caminhada europeia. Nos quartos-de-final, pouco havia a fazer, pois o adversário foi o poderoso Real Madrid, que dizimou o conjunto cipriota. No entanto, o APOEL conseguiu fazer dois golos no Santiago Bernabéu, o que por si só já é um grande feito adquirido, tendo em conta a disparidade entre os plantéis das equipas.

9.


Leicester 2016/2017 – Depois de viver um conto de fadas na época anterior com a conquista do título de Inglaterra, o que o Leicester fez na Europa em 2016/2017 é igualmente de enaltecer pela condição de ser a estreia do clube na prova e pelo facto de o plantel não ter qualquer experiência neste calibre, o que tornava difíceis as hipóteses de se manter viva na prova.

A realidade é que a equipa ficou em primeiro lugar no grupo do FC Porto e seguiu firme para os ‘oitavos’ da prova. Nessa fase, tombou o Sevilha com uma exibição competente no King Power Stadium, quebrando a desvantagem da primeira mão. Nos quartos-de-final, apanhou o Atlético de Madrid, finalista da edição anterior, e bateu-se com toda a garra, perdendo apenas por um golo de desvantagem. Esta prestação por parte do Leicester é de tirar o chapéu pela evolução denotada no clube ao longo do tempo.

Nos anos seguintes, os foxes ainda não marcaram mais nenhuma presença numa competição europeia, embora atualmente se encontrem no 3º lugar da classificação em Inglaterra, ou seja, com fortes possibilidades de mostrarem de novo o que valem à Europa.

8.


Wolfsburgo 2015/2016 – Esta equipa é um belo exemplo da capacidade dos clubes alemães na emancipação europeia, muito graças ao futebol dinâmico ofensivo praticado na sua liga. O Wolfsburgo conseguiu ficar em primeiro lugar do grupo, à frente do PSV, do Manchester United e do CSKA Moscovo, o que por si só já é um dado refletor da qualidade deste plantel. Nos oitavos, o adversário foi outra surpresa desta edição, o Gent, e os alemães triunfaram nas duas partidas com objetividade, seguindo para os quartos-de-final com olhar atento dos tubarões.

Apesar da equipa não se ter apurado para as ‘meias’, uma das razões válidas para a sua seleção nesta lista está relacionada com a postura frente a um clube como o Real Madrid. O Wolfsburgo venceu a primeira mão por 2-0, no entanto Cristiano Ronaldo vestiu a capa de herói em Madrid e arrumou com as esperanças do conjunto alemão, orientado por Dieter Hecking. Sem grandes estrelas, os lobos da Alemanha contavam com um coletivo forte, com a presença de nomes como Luiz Gustavo, Dante, Ricardo Rodríguez, Draxler, Schurrle e até o português Vieirinha e o atual avançado do Flamengo, Bruno Henrique.

7.


Tottenham 2018/2019 – Os Spurs foram uma surpresa da edição passada da Liga dos Campeões e com muita emoção proporcionada. Após deixarem para trás o Inter de Milão graças à vantagem de golos na fase de grupos, a equipa de Pochettino eliminou tranquilamente o Borussia Dortmund nos oitavos-de-final por um agregado de 4-0. Na fase seguinte, Tottenham e Manchester City proporcionaram um dos melhores jogos da temporada, com os Spurs a qualificarem-se graças à vantagem do golo fora e ao ver um golo do Manchester City nos descontos ser anulado pelo vídeo-árbitro.

A estrelinha continuou do lado dos ingleses nas meias-finais, e depois de perder 1-0 na primeira mão, foram à Holanda derrotar o Ajax por 3-2, com destaque para um golo de Lucas Moura no final do encontro, que enviou o clube para a primeira final da Liga dos Campeões da sua história.

Para mal do Tottenham, a equipa sentiu a inexperiência nestes momentos e viu o Liverpool a levantar o troféu pela sexta vez na sua história. Com efeito, verificou-se uma ousadia dos “Lilywhites” no contexto europeu, visto que apesar da consistência a nível interno, uma final europeia concedeu outro estatuto a um clube histórico com sede de títulos.

6.


Borussia Dortmund 2012/2013 – Além do Tottenham, é o outro finalista selecionado para este top. Esta equipa do Borussia Dortmund é um caso de excelência que perdeu todas as competições nessa temporada para o Bayern de Munique. Apesar de ser um finalista, esta escolha deve-se ao facto de o clube ter regressado à Liga dos Campeões apenas na época anterior, depois de vários anos sem lá competir, e pelo trabalho realizado por Jurgen Klopp. A equipa redimiu-se da eliminação na fase de grupos na temporada transata e foi capaz de terminar em primeiro lugar no grupo de Real Madrid, Ajax e Manchester City.

Nos oitavos-de-final arrumou tranquilamente o Shakhtar Donetsk e, na fase seguinte, o Dortmund viveu um momento impróprio para cardíacos. O Málaga encontrava-se com dois golos de vantagem na eliminatória e os alemães necessitavam de faturar para seguir em frente. Marco Reus e Felipe Santana deram conta do recado após 90 minutos jogados e o submarino amarelo avançava de forma emocionante para as meias-finais.

O Dortmund voltou a defrontar o Real Madrid nessa fase e Lewandowski, “sozinho”, enviou a equipa para a primeira final da competição desde 1997, marcando um póquer na primeira mão.

Na derradeira partida, o conjunto de Klopp esteve ao nível do Bayern, no entanto, um golo de Arjen Robben, perto do final da partida, deitou por água abaixo o sonho europeu do Borussia. No entanto, a equipa saiu pela porta grande e com o estatuto de elite europeia devolvido, depois de fortes participações nos anos 90.

5.


Málaga 2012/2013 – O Málaga conseguiu a proeza de se qualificar pela primeira vez na sua história para a Liga dos Campeões e a equipa mostrou desde cedo ter objetivos mais altos do que apenas uma participação na prova, quando avançou na primeira posição na fase de grupos. De seguida, eliminou o FC Porto, mesmo tendo perdido a primeira mão no Estádio do Dragão. Na próxima fase, a equipa esteve a poucos minutos de conseguir uma histórica meia-final, quando sofreu dois golos nos descontos em casa do Borussia Dortmund.

Os malaguistas sentiram-se tremendamente injustiçados nesse momento, alegando supostos erros de arbitragem cometidos, como um golo de Felipe Santana em claro fora-de-jogo. A turma de Isco, Joaquín, Saviola, Júlio Baptista, Toulalan, Demichelis, entre outros, teve tudo para alcançar as meias-finais nesta estreia europeia. De qualquer das formas, a sua caminhada ficou marcada na história do futebol europeu.

4.


AS Mónaco 2016/2017 – A época dos monegascos foi quase perfeita para uma equipa jovem e com poucas presenças na prova desde a final de 2004. Lideraram um grupo composto por Tottenham, Bayer Leverkusen e CSKA Moscovo e marcaram encontro com o poderoso Manchester City nos oitavos-de-final.

Essa eliminatória é relembrada como uma das melhores da edição moderna da Liga dos Campeões. O Etihad Stadium viveu a primeira mão de forma eletrizante, com 5-3 no marcador a favor dos citizens. No Principado, a história foi diferente e o Mónaco estendeu a equipa de Pep Guardiola no tapete, garantindo a qualificação, após uma vitória por 3-1. Falcao e Kylian Mbappé fizeram furor na frente de ataque dos monegascos.

Nos ‘quartos’, a equipa foi competente nas duas mãos contra o Borussia Dortmund e seguiu em frente por um agregado de 6-3. Nas meias-finais, encontrou uma Juventus muito forte, que não concedeu grandes hipóteses em nenhuma das partidas. O destaque desta edição foi sem dúvida para o conjunto orientado por Leonardo Jardim, que também foi campeão de França, travando a hegemonia do Paris SG. Outros nomes como Bernardo Silva, João Moutinho, Bakayoko, Benjamin Mendy, Fabinho e Thomas Lemar ficam na retina desta surpreendente equipa.

3.


AS Roma 2016/2017 – O percurso da Roma iniciou-se da melhor forma possível, liderando o grupo de Chelsea e Atlético de Madrid, dois clubes com bom historial na prova. Seguidamente, o conjunto italiano eliminou os ucranianos do Shakhtar Donetsk nos oitavos-de-final, e revelou-se uma ameaça para os tubarões.

A grande razão para a colocação da Roma neste posto está relacionada com um dos momentos mais emblemáticos da história da Liga dos Campeões. A Roma perdeu a primeira mão dos ‘quartos’ em casa do Barcelona por 4-1 e a eliminação era um cenário quase garantido. No Olímpico de Roma, os “giallorossi” elevaram-se perante o poderoso Barcelona e o jogo sorriu-lhes da melhor forma possível. Com 2-0 no marcador a favor dos romanos, o Olímpico de Roma estava em euforia tremenda. Uma cabeçada de Manolas garantiu o apuramento no final da partida e a respetiva qualificação para as meias-finais.

Nessa fase, a Roma teve uma prestação digna contra o Liverpool e conseguiu marcar seis golos nos dois jogos. No entanto, os reds fizeram mais um e deixaram para trás uma equipa cheia da garra, que esteve perto de fazer história no torneio.

2.


Schalke 04 2010/2011 – O Schalke é outro grande caso de sucesso nesta última década, ao conseguir alcançar umas honrosas meias-finais da Liga dos Campeões.

Na fase de grupos, fez parte da regra quase geral dos “outsiders” e liderou o grupo à frente de Lyon, Benfica e Hapoel Tel Aviv. A época foi estranha no comando técnico do clube, tendo em conta que o técnico Felix Magath tinha colocado a equipa nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, após triunfo sobre o Valencia (agregado 4-2) e na final da Taça da Alemanha, e foi despedido em março. Ralf Rangnick assumiu o posto e deu continuidade ao bom trabalho, eliminando surpreendentemente o Inter de Milão. Os Royal Blues venceram a primeira mão por 5-2 em noite de gala da equipa e colocaram um pé nas meias-finais da competição. A segunda partida, voltou a sorrir aos alemães e levaram a melhor sobre os “nerazzurri”, desta vez por duas bolas a uma.

De seguida, já não aguentaram com o poderio do Manchester United, no entanto este conjunto com nomes como Neuer, Matip, Draxler, Howedes, Raúl e Farfán ficará relembrado como um dos principais outsiders da história desta competição europeia.

1.


Ajax 2018/2019 – Apesar de já ter vencido a prova quatro vezes no século passado, o feito do Ajax na temporada transata foi sensacional, pois esteve a segundos de conseguir marcar novamente presença numa final da Liga dos Campeões.

Na fase de grupos, seguiu em frente juntamente com o Bayern de Munique num grupo onde o Benfica ficou em 3º lugar, mas a magia ficou guardada para a fase a eliminar. O conjunto holandês ultrapassou o Real Madrid, campeão europeu em título, nos oitavos-de-final, e a Juventus de Cristiano Ronaldo, nos quartos-de-final, decidindo ambas as partidas em casa dos adversários de forma categórica. Nas meias-finais, só uma noite inspirada de Lucas Moura, que marcou um hat-trick e um golo na última jogada do encontro, travou a caminhada da equipa orientada por Erik ten Hag.

Na memória, fica relembrada uma mítica equipa perto de fazer história e que encarou cada jogo olhos nos olhos com qualquer adversário. Com o seu estilo próprio foi cativando a Europa, mesmo tendo um valor de plantel, orçamento e uma média de idades bem abaixo dos clubes que jogou. A maior parte dos atletas do Ajax tinha menos de 24 anos e, conciliando a irreverência de David Neres e Ziyech, a genialidade de Frenkie de Jong e Donny van de Beek, a imponência de Matthijs de Ligt e a experiência de Tadic, Blind e outros, montaram uma estrutura vencedora, que tinha capacidades para vencer a competição.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

João Pedro Rocha

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