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As 4 equipas sensação da década

André da Silva Amado · 6 min

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Quais serão as equipas sensação? Nesta viagem ao passado recente recordo aquelas equipas que muito poucos imaginariam o sucesso que vieram a alcançar. São as chamadas equipas que por vezes aparecem e povoam a Liga com níveis de qualidade que fazem o adepto ficar rendido e não mais se esqueça de certos jogadores ou mesmo do timoneiro que guiou as tropas naquele ano histórico.

O problema para alguns destes clubes é o ano seguinte, em que o cenário europeu e a saída de jogadores nucleares costumam afetar o desempenho e o foco vira-se somente para a luta pela permanência. Pelo menos, a classificação histórica ninguém lhes tira ou a oportunidade de jogarem desafios europeus, que é o sonho de muitos dos clubes mais pequenos. Na última década tivemos alguns exemplos de sucesso que ficaram na memória coletiva. Não precisariamos de recuar muito nesta viagem ao passado, pois na presente temporada, estavam reunidas todas as condições para se acrescentar mais um, porém a recente pausa nas competições vem pelo menos adiar a possibilidade de o FC Famalicão se juntar a este lote.

Quem não se lembra do FC Paços Ferreira de Paulo Fonseca ou do GD Estoril-Praia de Marco Silva? E o FC Arouca de Lito Vidigal ou até o Moreirense FC do ano passado? Vamos então recordar as temporadas marcantes destes clubes que obtiveram as suas melhores classificações de sempre. Que comece então esta viagem ao passado.

FC Paços Ferreira 2012/2013

Fonte: FC Paços de Ferreira

A nossa viagem sobre as equipas sensação começa com o FC Paços de Ferreira. Depois de um bom trabalho no CD Aves, em que alcançou o terceiro posto e ficou a dois escassos pontos da subida, Paulo Fonseca preparava-se para pegar nos castores e assim estrear-se no escalão principal. E um ano depois seguiria para o campeão nacional FC Porto.

Tudo por causa de um excelente ano conseguido na Mata Real, agora Capital do Móvel. Naturalmente, ninguém previa tamanho sucesso e os dois empates nas duas primeiras jornadas seguiam, pode dizer-se, a tendência normal. A primeira vitória vem na terceira jornada frente ao SC Braga e a primeira derrota acontece duas rondas depois, frente ao SL Benfica. Depois, só voltariam a ser derrotados após três meses e para a Taça da Liga contra o Sporting CP. Durante esse período sucederam-se várias vitórias em todas as competições, o que confirmava estar-se perante uma formação em evidência.

A verdade é que as únicas seis derrotas averbadas durante a época inteira foram contra os três grandes, num ano que terminou com 41 jogos oficiais e 22 triunfos, o que constitui um grandíssimo feito, coroado com o histórico terceiro lugar no campeonato e qualificação para o playoff da Champions. A caminhada até às meias finais da Taça de Portugal acrescenta ainda mais valor a esta temporada que se pode definir como extraordinária e extremamente difícil de repetir, ou se quiserem, irrepetível.

Além de Paulo Fonseca, que ganhava assim notoriedade entre a nova escola de treinadores, destacaram-se jogadores como André Leão, Ricardo, Cícero, Hurtado, Vítor Silva, Josué, Manuel José, Tony, Diogo Figueiras, entre outros, que acabaram por merecer lugar na história dos pacenses.

GD Estoril 2013/2014

Marco Silva levou o GD Estoril ao quarto lugar, depois do quinto posto no ano anterior
Fonte: UEFA

Os canarinhos podem ser considerados uma das equipas sensação depois de uma excelente temporada no primeiro ano depois de terem subido e em 2013/2014 conseguiram superar o registo. Sob o comando de Marco Silva, que era o técnico principal desde há dois anos, o clube estreou-se na Liga Europa fruto da grande campanha interna. A estreia correu da melhor maneira com a presença na fase de grupos assegurada, depois de quatro jogos e dois adversários afastados.

Além disso, o início de campeonato também seguia o mesmo rumo, com sete pontos em três partidas. O pior veio a seguir, quando registaram quatro desaires em seis partidas, com um empate frente ao FC Porto pelo meio. Neste caso, os compromissos europeus vieram dificultar o trajeto de uma equipa disciplinada e bem organizada e o saldo na Europa ficou-se por três derrotas e outros tantos empates, entre os quais em Espanha frente ao Sevilha FC que viria a conquistar a prova. Não foi, de todo, uma má campanha para um clube que não estava habituado a estas andanças e que começava a despontar em Portugal.

Depois da saída da Liga Europa, o GD Estoril só perdeu mais quatro vezes, duas delas para o campeonato, e atingiu os quartos da Taça de Portugal. Numa época com 47 jogos oficiais, 22 triunfos e 11 desaires, salientam-se ainda as vitórias no Dragão e em Alvalade e a confirmação de que Marco Silva estava preparado para voos mais altos, após conduzir os canarinhos a um extraordinário quarto lugar, igualando a sua melhor classificação de sempre. Muitos se recordam de Yohan Tavares, Evandro, Gonçalo Santos, Mano, Balboa, entre outros, que entraram diretamente para a história dos estorilistas.

FC Arouca 2015/2016

Fonte: FC Arouca

O FC Arouca contabiliza apenas quatro presenças no principal escalão e no terceiro ano, após a subida de divisão, chegou a melhor época de sempre. Com seis desaires no campeonato e o quinto lugar alcançado, os arouquenses fizeram história e entraram assim para o lote das sensações da década. Lito Vidigal e os seus pupilos conseguiram o impossível ou, pelo menos, era aquilo que a maioria julgava no início da temporada, que começou em grande com um triunfo frente ao campeão SL Benfica em casa emprestada. Com sete pontos em três jornadas estava dado o mote.

Entretanto, as coisas mudaram depressa e, entre setembro e novembro, só conseguiram vencer por uma vez e para a Taça de Portugal. Refira-se que a campanha nesta competição foi bastante interessante com a chegada aos quartos de final, igualando o seu melhor registo de sempre. O mês de Dezembro veio atenuar a situação com três vitórias alcançadas, mas o mês de Janeiro trouxe de novo os maus resultados e apenas um triunfo em nove desafios.

A partir daqui, a equipa soltou-se e arrancou para uma fase de grande fulgor. Nos últimos 14 jogos da Liga, o FC Arouca obteve oito triunfos, um dos quais em pleno Dragão, e somou apenas um desaire, o que ajuda a explicar a classificação final. Esta fase final teve um peso decisivo no sucesso obtido e permitiu ao conjunto do distrito de Aveiro estrear-se em compromissos europeus na época seguinte. Com certeza que os adeptos não irão esquecer este ano de ouro e atletas como Bracali, Hugo Basto, Nuno Coelho, Lucas Lima, Ivo Rodrigues, Maurides, entre outros, que ficam perpetuados na história e daí a importância de os recordarmos também neste lote de equipas sensação.

Moreirense FC 2018/2019

Fonte: Moreirense FC

A melhor classificação de sempre do Moreirense FC no primeiro escalão aconteceu justamente na época passada ao terminar em sexto lugar. Claramente uma das equipas sensação. Antes disso, apenas um nono lugar combatia com épocas de sofrimento no histórico de presenças na Primeira Liga.

Para tal, foi preciso recorrer a Ivo Vieira, que já tinha alguma experiência em orientar formações de primeiro e segundo escalão e que em Moreira de Cónegos efetuou o seu melhor trabalho. Suportado por um plantel com jogadores de qualidade, com Chiquinho à cabeça, os cónegos arrancaram para uma temporada fantástica e lutaram pela quinta posição até à última jornada. Também Heriberto, Arsénio, Ângelo Neto, Fábio Pacheco ou Jhonatan foram bastante importantes neste percurso que culminou na saída da maioria destes no final do ano.

Um dado curioso foi o elevado número de derrotas que a equipa registou, embora o número de vitórias tenha sido superior para alcançar esta posição. Somente quatro empates foi o total obtido, num ano que conheceu a melhor fase entre outubro e novembro, com cinco triunfos seguidos, entre os quais em plena Luz. Depois, entre o final de Janeiro e o início de Março, registaram quatro vitórias e dois empates naquela que foi a última grande fase. O final do campeonato foi algo sofrido, com apenas um triunfo nos derradeiros seis encontros e também foi por aqui que não conseguiram algo mais nesta bonita campanha.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

André da Silva Amado

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