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O 11 do século XXI do Arsenal FC

Filipe Carvalho · 6 min

O 11 do século XXI do Arsenal FC
Foto: Arsenal FC

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O presente século mostrou-nos um Arsenal de duas faces. Uma primeira década gloriosa, e uma segunda, desastrosa. É de destacar o feito dos Invencíveis de 2004, que conquistaram a Liga Inglesa após 26 vitórias e 12 empates, com o melhor ataque e melhor defesa da prova.

Na última década, os gunners fizeram da Taça de Inglaterra uma prova “fetiche”, tal como da Supertaça, vencendo por três vezes cada uma. Os campeonatos nacionais é que têm fugido ao clube londrino. A deficiente gestão financeira da administração do Arsenal traduz-se em muitos milhões e poucos resultados. Se compararmos a dimensão qualitativa do ataque e da defesa atuais, é díspar. Mas, se formos a ver, foi sempre assim.

Desta forma, apresento aquele que é, na minha opinião, o onze do século deste grande clube, montado em 4-2-3-1, super ofensivo e talhado para o futebol espetáculo.

GUARDA-REDES

Jens Lehmann – O gigante alemão chegou ao Arsenal em 2003, oriundo do Borussia Dortmund. Peça fundamental nos Invencíveis, foi escolha óbvia para este onze. Nem Bernd Leno, Wojciech Szczeny ou David Seaman chegaram ao nível de Lehmann.

LATERAL ESQUERDO


Ashley Cole – O antigo internacional inglês é também um dos indiscutíveis neste lote. Uma lufava de ar fresco, quando comparado ao típico lateral da época. Competente a defender, eficaz no apoio ao ataque. Seria hoje um símbolo do clube, não fosse a transferência para o Chelsea FC em 2006.

DEFESA CENTRAL


Kolo Touré – O seu 1,78m fora da caixa para um central, deixavam antever dificuldades perante jogadores de outra estampa física. Porém, o costa-marfinense era dono de outras caraterísticas que lhe valeram a titularidade no Arsenal, Manchester City FC e Liverpool FC (ainda que na fase decadente da carreira). A mestria na antecipação e a agilidade no desarme, eram as suas armas prediletas.

DEFESA CENTRAL


Sol Campbell – Formado no rival Tottenham HFC, Campbell era o parceiro ideal de Touré, na época dos Invencíveis. Mais alto, imponente no jogo aéreo – o central de choque. Em 2005, o seu valor de mercado atingiu os 20,5 milhões de euros (segundo o Transfermarkt), ao nível dos melhores defesas naquela época.

LATERAL DIREITO


Bacary Sagna – Na ala direita, escolhi aquele que, para mim, é dos jogadores mais subvalorizados da história do Arsenal. Após sete temporadas no Arsenal, Sagna troca os gunners pelos citizens em 2014. Apesar de não ser um dos melhores da sua era na posição, a intensidade, bem como a garra que colocava em cada lance, aliada à capacidade técnica, tornam-no no dono desta posição.

Menção honrosa: Lauren

MÉDIO DEFENSIVO


Patrick Vieira – Indiscutível nos clubes por onde passou, tal como na seleção gaulesa. Vieira revolucionou a posição do “trinco”. Era bem mais que isso. Um autêntico “comboio” nas incursões ofensivas. Claro que, primeiro defendia (com qualidade). Mas quem não se lembra da velocidade com que chegava de uma área à outra? Dos melhores da sua geração, deixou marcas e influências às gerações seguintes.

MÉDIO CENTRO


Cesc Fàbregas – Chegou a Londres em 2003, ainda a tempo de receber a medalha de campeão. Aos 17 anos, já demonstrava maturidade suficiente para ser titular na Liga Inglesa. Muitas vezes, o “maestro” (vindo de zonas mais recuadas), Cesc deixou um legado no Arsenal, onde permaneceu até regressar à casa-mãe, entenda-se FC Barcelona, em 2011.

MÉDIO/EXTREMO ESQUERDO


Robert Pirès – Só de pensar que podia ter jogado pela seleção das quinas dá-me arrepios. Tecnicamente virtuoso, não precisava de dar muitos toques na bola para brilhar. O seu 1,87m retirar-lhe-ia alguma velocidade, mas a passada larga estava sempre presente. Dos primeiros extremos a jogar com o “pé trocado” ao mais alto nível.

MÉDIO/EXTREMO DIREITO


Robin Van Persie – Sim, na ala. Quando chegou ao Arsenal, era muitas vezes relegado para as laterais, porque lá na frente estavam dois Senhores do futebol. Veloz, de jogo simples, e, sobretudo, objetivo. Ao longo dos anos, foi aprimorando a sua capacidade goleadora, que lhe valeu aquele golo memorável contra a Espanha no Mundial 2014. Porém, foi preciso sair para o Manchester United FC para se tornar campeão inglês.

Menção honrosa: Fredrik Ljungberg

 

MÉDIO OFENSIVO/SEGUNDO AVANÇADO


Dennis Bergkamp – Muito provavelmente, o melhor segundo avançado que os estádios britânicos viram jogar. Formado no AFC Ajax, teve uma passagem fugaz por Itália antes de chegar a Highbury.  Conhecido em Inglaterra como o Iceman, Bergkamp era futebol dos pés à cabeça. Golos de todas as maneiras e feitios, mas sobretudo assistências magistrais. O tecnicista poderoso.

Menções honrosas: Tomas Rosicky e Santi Cazorla

 

PONTA DE LANÇA


Thierry Henry – Diria que é o mais unânime deste onze. Ora não fosse ele um dos melhores marcadores da história do Arsenal. Rápido, agressivo, mortífero. Com ou sem bola. Não sobram elogios à capacidade de Henry. Dos avançados mais completos que vi jogar.

TREINADOR


Arsène Wenger – Foram 22 anos ao serviço do mesmo clube. Algo impensável nos dias que correm. Traduzidos em 17 títulos. Conseguiu a proeza de conquistar um campeonato inglês sem qualquer derrota. Não é para qualquer um. Ainda assim, no final, saiu algo “desgastado” e pela porta “pequena”. Ter-lhe-á faltado um título de campeão depois do de 2004.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Filipe Carvalho

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