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José Mourinho leva uma carreia repleta de sucessos e conquistas por todos os clubes que passou, desde a saída do FC Porto. Foi nos dragões que se elevou ao topo da Europa, depois da conquista da Taça UEFA e da Liga dos Campeões em dois anos consecutivos, além dos títulos nacionais coletados. Mourinho teve passagens pelo Chelsea, Inter de Milão, Real Madrid, novamente Chelsea e Manchester United. Em todos esses clubes deixou a sua marca, venceu a prova internacional mais importante ao serviço dos italianos, depois de o fazer nos azuis e brancos e só não foi campeão nacional pelos red devils.
Além destas proezas, rentabilizou uma série de jogadores e conseguiu tirar o melhor deles, mesmo que já estivessem no topo.
Mourinho teve incidentes com alguns jogadores, por ter uma personalidade característica. Embora isso aconteça, o técnico português por onde passou teve equipas vencedoras e relações especiais com vários membros do plantel.
É dos poucos treinadores do mundo que se pode dar ao luxo de treinar tantos jogadores de qualidade. A realidade é que Mourinho procura características específicas em atletas que correspondem à sua estratégia tática. Por vezes, Mourinho encostava ou dava menos tempo de jogo a alguém com reconhecimento, apenas por não ser aquilo que pretendia.
O técnico de 56 anos pegou agora no projeto do Tottenham e conta com um plantel de enorme qualidade com possibilidade de evolução e conquista de troféus.
Por essa razão, é difícil escolher o melhor onze de atletas treinados pelo Special One, devido às inúmeras opções para todas as posições do campo, sem exceção.
1.

Petr Cech – É uma escolha difícil entre Cech, Júlio César e Vítor Baía, embora a balança descaia um pouco mais para o lado do checo. Foi uma das primeiras contratações de Mourinho quando chegou ao Chelsea em 2004 e assumiu-se como uma peça fundamental para o clube durante anos. Cech permaneceu na equipa até 2014/2015, portanto acompanhou as duas passagens do Special One nos blues. Foi essencial para o sucesso nos primeiros três anos do português e coincidiu com o crescimento europeu dos londrinos. É o guarda-redes da Premier League que precisou de menos jogos para alcançar as 100 clean sheets (jogos sem sofrer) – 180. Na primeira época esteve 1025 minutos seguidos com a baliza inviolável, recorde apenas batido por Edwin Van der Sar em 2009/2010.
2.

Paulo Ferreira – A vaga de lateral-direito é ocupada por Paulo Ferreira. “É um jogador que nunca vai ser o melhor em campo, mas vai ter sempre uma nota individual de 7 em 10”. É um jogador acarinhado por Mourinho, que o contratou logo na primeira janela de transferências no FC Porto e adaptou-o de imediato para lateral-direito, pois Paulo Ferreira atuava como médio. A relação era tão especial e o jogador tão cumpridor que Mourinho levou-o para Inglaterra, para representar os blues, onde acabou por ficar sete épocas. Era regularmente opção e sem dar muito nas vistas, assumia-se como uma figura importante na ala direita do Chelsea.
3.

Ricardo Carvalho – É impensável não estar nesta lista, a partir do momento em que acompanhou o técnico desde o FC Porto até ao Real Madrid. O defesa central já pertencia aos quadros dos dragões, embora tenha começado a ser opção da equipa principal a partir de 2002, aquando da chegada de José Mourinho. Depois da conquista da Liga dos Campeões e de rumar ao Chelsea, Mourinho não partiu sem o seu patrão da defesa e “obrigou” os blues a desembolsarem 30 milhões de euros o levar. Quando o Special One abandonou o Chelsea, Ricardo Carvalho permaneceu no clube, embora tivesse interesse do Real Madrid durante os anos seguintes. Foi então em 2010, quando Mourinho assinou pelos merengues, que se completou a transferência do defesa para os blancos.
4.

John Terry – Mourinho levou Ricardo Carvalho para o Chelsea, no entanto, o patrão da defesa era John Terry. O Special One via nele um líder exemplar do plantel. Terry contabilizou um total de 711 partidas ao serviço do Chelsea, com 66 golos marcados. É o capitão com mais sucesso do clube, com uma Liga dos Campeões conquistada, assim como cinco Premier League, tornando-se no primeiro capitão a somar esse número. É o modelo de defesa central de Mourinho, pelo facto de ser consistente, ter qualidade de passe com os dois pés e ser agressivo no momento certo. O Chelsea de 2004/2005 sofreu apenas 15 golos em 38 jogos e obteve 25 clean sheets… 25!
5.

Ashley Cole – O lateral esquerdo inglês rumou ao Chelsea em 2006 e lá permaneceu até 2014. O acordo entre os dois foi feito, enquanto era jogador do Arsenal, e foram ambos multados por negociarem sem o conhecimento dos gunners. A sua transferência foi polémica e um pouco conturbada na altura. Quando trocou o Emirates por Stamford Bridge, denotou uma evolução acentuada no posicionamento, preenchendo o corredor dos blues com uma enorme vontade. Quando Mourinho regressou ao Chelsea, Cole tinha 33 anos e era poucas vezes utilizado, no entanto, o Special One deu-lhe a oportunidade de usar a braçadeira de capitão no seu último jogo em 2013/2014.
6.

Frank Lampard – Mais um jogador do Chelsea. Este é inevitável estar num onze de jogadores orientados por José Mourinho, a partir do momento em que o próprio José Mourinho o identificou como o Special One e referiu que o ia suceder como treinador dos blues nos anos seguintes. A verdade é que Lampard é atualmente o técnico do Chelsea. O médio inglês é considerado por muitos o melhor jogador da história do clube. Se não for, pelo menos é o maior marcador de sempre, com 210 golos marcados num total de 648 partidas. José Mourinho chegou a refeir em 2006 que Lampard era o melhor jogador do mundo.
7.

Wesley Sneijder – Muitos dizem que devia ter ganho a Bola de Ouro em 2010, depois do brilhante ano ao serviço do Inter de Milão de José Mourinho. Foi uma das primeiras contratações de Mou e assumiu um papel brilhante na conquista do triplete dos italianos, em ano de chegada à final do Mundial 2010 pela Holanda, derrotada pela Espanha. A verdade é que Sneijder era muito acarinhado pelo técnico português e em 2011 na gala da FIFA, o médio holandês emocionou José Mourinho no discurso, quando falou da importância que este teve para o sucesso na carreira.
8.

Deco – Era o craque do FC Porto nas épocas vitoriosas de Mourinho. Os dragões contrataram o médio português ao SL Benfica em 1999 e Mourinho tornou-o num dos melhores do mundo. Na época em que os azuis e brancos conquistaram o sonho europeu, Deco foi crucial para esse feito e assumiu-se como o patrão do meio-campo e o líder do processo ofensivo do Porto. Isso fez com terminasse em 2º lugar na Bola de Ouro nesse ano e rumasse ao Barcelona por 21 milhões de euros, um número bem considerável para a altura. Os colegas confiavam ao máximo em Deco e quando a bola passava pelos seus pés, algo de mágico ia acontecer. Um dos responsáveis pelo sucesso de Mourinho.
9.

Cristiano Ronaldo – É mais um português na lista e este não é qualquer um. Ronaldo já foi considerado o melhor do mundo por cinco vezes, inclusive antes de ser treinado por José Mourinho. Quando Cristiano rumou ao Real Madrid ainda realizou uma época sem Mourinho. Este orientou os merengues a partir de 2010 e Cristiano apresentou uma média superior a um golo por jogo nesse tempo. Os números falam por si e justificam a presença do astro português neste onze. Embora a relação entre eles não tenha sido a melhor, é difícil encontrar uma dupla de jogador-treinador tão mortífera como esta.
10.

Samuel Eto’o – A relação entre ambos ficou marcado por amor e ódio e ambos reconhecem isso. Em 2005, depois de um jogo entre o Chelsea de Mourinho e o Barcelona de Eto’o, o avançado camaronês revelou que preferia vender amendoins na terra dele do que jogar por uma equipa patética como o Chelsea. Em 2009, Eto’o foi treinado pelo técnico no Inter de Milão e Mourinho tornou-o um avançado letal, a partir do lado direito do ataque, beneficiando o clube e o jogador. Foi crucial para a conquista da Liga dos Campeões de 2009/2010. “Como adversário pode-te irritar e podes acabar por odiá-lo. Mas se ele estiver do teu lado, sabes que é o melhor pela maneira como te motiva”.
11.

Didier Drogba – O típico avançado de José Mourinho. Uma força bruta que consegue arrumar os adversários da frente, mas que consegue causar perigo ao mínimo espaço concedido. Um atirador nato, com uma qualidade técnica acima da média. Drogba fez uma campanha europeia estupenda em 2004, no entanto, Mourinho só precisou de o ver uma vez, no jogo contra o FC Porto para o levar para o novo clube nesse ano. Foi o pedido especial do técnico à direção e o investimento de quase 40 milhões de euros foi justificado por aquilo que Drogba ofereceu ao Chelsea, e não só com Mourinho, apesar de que com ele era mais fácil, como revelou Drogba após a saída do treinador de Inglaterra. “Muitos de nós jogamos pelo Mourinho. Agora temos de esquecer os sentimentos e encontrar outro tipo de motivação”.
Foto de Capa: Tottenham Hotspur FC
Artigo revisto por Diogo Teixeira









