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O melhor 11 de Portugal que vi jogar

Tiago Ferreira · 8 min

Euro 2020 Ronaldo hattricks
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Percorrem a minha memória algumas das mais brilhantes jogadas das últimas décadas do nosso futebol, sobretudo imagens da nossa selecção. Revejo o Euro 2004, o Euro 2000, o ‘nosso’ Euro, ou o Mundial onde fomos até às meias. Encontro, no nosso futebol, memórias maravilhosas, de momentos épicos, mesmo até de lágrimas derramadas para a mão de Abel Xavier ou para a nuca de um grego. Relembro grandes penalidades perdidas ou aquelas sem luvas. Encontro até verdadeiras guerras dignas de um ampo de batalha. Noites suecas, humilhações alemãs e um careca que só nos marca da marca dos onze metros.

Por fim, encontro nas botas de Éder a felicidade suprema de ter durante anos acompanhado alguns dos melhores jogadores do mundo. Assim sendo, aqui vos deixo o meu melhor onze de Portugal que vi jogar.

Guarda-redes

 

Rui Patrício – Uma difícil escolha para este melhor 11 de Portugal. De entre Vítor Baía, Ricardo Pereira e Patrício, optei por escolher este último. Ricardo nunca me convenceu nas suas saídas. Acho mesmo que o golo sofrido na trágica final grega se deveu, em parte, a ele mesmo. Assim sendo, ‘toma lá que não vais para o meu onze!’.  Estive por optar por Baía, afinal de contas foi sem dúvida um nome que deixou uma grande marca de qualidade no nosso futebol. Mas à última da hora, Patrício assumiu a nossa baliza.

Nos últimos largos anos, Portugal tem sido Ronaldo, Patrício e mais nove. E o guarda-redes de Portugal bem o merece. A baliza é dele. Nas saídas, entre os postes e até nas grandes penalidades o nosso guarda-redes brilha. Na selecção fica sempre a sensação que Rui Patrício só não defenderá o que não tiver defesa. E afinal de contas, até na marca dos onze metros já sabemos que o homem apanha sempre uma… Daí ter que estar presente neste melhor 11 de Portugal.

Defesa Direito

Miguel – Para além da baliza, as laterais defensivas foram os locais onde tive mais dificuldade em encontrar o homem certo para o lugar.

Ao longo dos últimos anos, passaram pela selecção homens como Abel Xavier, Paulo Ferreira, Cédric, Nélson Semedo ou Cancelo, entre outros. No entanto, parece-me justo atribuir ao melhor Miguel que vi jogar, o lugar do lado direito da nossa defesa. Miguel foi o nosso titular no Euro 2004 e no Mundial 2006, e a verdade é que era um verdadeiro atleta atacante naquele voador flanco direito. Miguel, outrora extremo, foi uma adaptação fantástica, e que fez relegar para o banco Paulo Ferreira que havia sido um dos esteios do FC Porto campeão europeu.

Defesa-esquerdo

Raphael Guerreiro – Se do lado direito do melhor 11 de Portugal não foi fácil escolher, do lado esquerdo também não. Não contando com adaptações, coloquei-me entre Dimas, Nuno Valente, Rui Jorge, Fábio Coentrão e Rafael Guerreiro.

Por fim, escolhi Rafael Guerreiro para tomar conta do lado esquerdo da nossa defensiva por agora e durante mais alguns anos. Portugal dos últimos anos nunca teve um defesa esquerdo que não suscitasse dúvidas à maioria dos adeptos. Talvez apenas Coentrão tenha, durante algum tempo, aliviado as preocupações nacionais. Ainda assim, Guerreiro parece-me ser o melhor que vi jogar naquele lugar: de pé esquerdo fantástico, bom a atacar, bom a defender, com uma grande qualidade e habituado a um dos campeonatos mais competitivos do mundo, Guerreiro irá provavelmente e durante largos anos, tomar conta de um lugar tão ‘especial’ quanto o cantinho esquerdo da nossa defensiva.

Defesa Central

Fernando Couto – Couto impressionava. Com a sua cabeleira, o seu porte físico que impunha respeito, o seu jogo aéreo, posicionamento e capacidade de antecipar lances, Fernando Couto terá composto com Jorge Costa a dupla nacional que mais fez temer os atacantes adversários. Impossível de não o colocar neste melhor 11 de Portugal e impossível também de esquecer as suas exibições ao lado do defesa central do FC Porto no célebre Euro 2000. Vejam ou revejam as exibições de Couto e deliciem-se. Fernando Couto era um verdadeiro defesa ‘italiano’… só que era português.

Defesa Central

Ricardo Carvalho – Poderia estar aqui Jorge Costa, Jorge Andrade, ou até mesmo Pepe. Porém, optei por Ricardo Carvalho, porque com Couto ao lado preferi usar um defesa que soubesse sair a jogar melhor que os demais.

Mesmo não tendo feito uma longínqua carreira pela selecção, Ricardo Carvalho deixou para sempre a sua marca. Que jogador fantástico Portugal teve nos seus quadros. Não estaria ele neste melhor 11 de Portugal, não é verdade? Ricardo era classe, qualidade técnica, posicionamento e um ‘príncipe’ no meio de leões. Fez com Jorge Andrade uma das duas melhores duplas de centrais da nossa história. Só talvez tenha ‘terminado’ um pouco cedo de mais.

Médio Centro

Costinha – Costinha ‘mostrou-se’ ao mundo ao carimbar, no último minuto, o apuramento da nossa selecção no grupo da morte, ao segundo jogo, nesse já comentado Euro 2000. Mais tarde, mostrou-se ao universo em pleno Old Trafford, naquele que foi provavelmente o jogo mais épico do percurso portista até à final daquela Champions que haveria de ser dos azuis e brancos. Exímio cabeceador na área contrária, Costinha será para sempre lembrado como ‘o ministro’. Afinal de contas, ministrava o nosso meio campo com todas as qualidades que um verdadeiro ministro deveria ter.

Médio Centro

Paulo Sousa – O melhor médio defensivo nacional que vi jogar e também um dos jogadores presentes neste melhor 11 de Portugal. Não me recordo de muitas das suas exibições como de outros aqui presentes, afinal de contas, eu ainda era um menino quando Paulo Sousa venceria, em anos consecutivos, duas Liga dos Campeões. Paulo Sousa é mais um daqueles fabulosos jogadores da era de Couto, Jorge Costa, Figo ou Rui Costa. Era (quase) tudo dele!

Paulo Sousa enchia o campo com a sua presença. Não era um destruidor, mas antes um homem que fazia o que poucos, naquela altura, faziam na sua posição. Fisicamente bem, Paulo Sousa podia ser titular em qualquer equipa do mundo. E a verdade é que o era mesmo.

Número 10

Rui Costa – Rui Costa foi, sem dúvida, o número dez. Um verdadeiro, daqueles que já não se fazem. Mesmo parecendo por vezes ‘lento’, Rui Costa estaria somente a enganar os adversários, para depois, por entre eles, inventar um passe ou um movimento em meio metro que deixaria de fora os adversários mais próximos.

Não há muito a dizer de Rui Costa que não tenha já sido dito: aquele golo à Escócia quase do meio campo naquela noite histórica de Portugal (início de longas caminhadas europeias e mundiais), ou o golo à Inglaterra naquele épico jogo do Euro 2004, foram somente duas das dezenas de imagens que poderíamos ter de um jogador que marcará para sempre a nossa história como um dos melhores jogadores portugueses de sempre e também presente, claro está, neste melhor 11 de Portugal.

Extremo

Luís Figo – É preciso dizer mais que o nome dele? Figo marcou o nosso futebol: o nacional e o internacional. Talvez o primeiro português a transformar-se, além fronteiras, num dos melhores do mundo. Figo foi, antes de Ronaldo, o expoente máximo da nossa selecção. Lembro-me, como se fosse hoje, daquele golo à Inglaterra, no reinício da reviravolta do Euro 2000. Nesse remate, a bola levava tudo o que era de Luís Figo: qualidade, remate, técnica, presença, e carisma. O mesmo carisma e qualidade que haveriam de o tornar épico ao mudar-se de Barcelona para Madrid. A estreia dele em Nou Camp foi  um dos momentos que nunca esquecerei. Lembro-me de onde estava, com quem estava e daquele jogo em que Figo se transformou na celebridade mais odiada por metro quadrado de todo o mundo. Figo nessa noite, nas seguintes noites e durante anos a fio mostrou sempre que aliado aos seus pés magníficos, estava uma personalidade que haveria de guardar até aos dias de hoje. Uma personalidade digna de melhor do mundo.

Extremo

João Vieira Pinto – O ‘menino de ouro’ não podia faltar neste onze. Brilhou ao mais alto nível nos dois clubes da segunda circular, e maravilhou os adeptos de ambos os clubes, bem como os de todo o Portugal. Parecia pequeno, mas era enorme na qualidade. Levou durante anos o SL Benfica ao colo e às suas cavalitas e depois tornou-se o ‘pai’ de Mário Jardel. Na selecção, primeiro ao lado de Sá Pinto, depois atrás de Nuno Gomes ou descaído para a ala, brilhou num tridente que ainda hoje ‘faz chorar’ os portugueses de saudade: Figo-Rui Costa-João Pinto. Os seus mergulhos de cabeça e a sua capacidade técnica quer a rematar, quer a colocar a bola nos colegas, fizeram dele um dos melhores jogadores nacionais que já vi jogar.

Ponta de Lança

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Cristiano Ronaldo –  Parece-me que o mais óbvio de todos. Não preciso justificar nada. Afinal, o melhor do mundo e talvez de sempre…

Mas talvez deva ‘justificar’ a ausência de Pauleta neste onze. Porque não colocar Pauleta na frente de ataque e deixar Ronaldo na ala, retirando João Pinto do onze? Por duas razões: primeiro porque João Pinto foi tremendo durante anos e anos a fio no nosso futebol nacional. Depois, porque Pauleta nunca me convenceu na totalidade, mesmo com os não sei quantos golos marcados pela nossa selecção. E a mim, ninguém me tira da cabeça que com um ponta de lança melhor, teríamos ganho aquele Europeu. Como poderíamos ter sido campeões da Europa se o nosso ‘9’ não fez nem um golo?

Tiago Ferreira

Redação Bola na Rede · ver artigos