Publicidade

Salvem o nosso Futebol

Pedro Castelo · 3 min

Tribuna VIP Pedro Castelo La Liga

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

TRIBUNA VIP é um espaço do BnR dedicado à opinião de cronistas de referência para escreverem sobre os diversos temas da atualidade desportiva.

Ainda vamos em setembro e o futebol português já tem muito para contar: a jornalista Rita Latas levou com um processo de inquérito (felizmente já arquivado) por fazer uma pergunta fora do contexto do jogo numa flash-interview; todas as semanas existem acusações sobre a grande penalidade que foi ou não foi marcada, sobre o fora de jogo que existiu ou não existiu; depois há quem teime em encontrar bodes expiatórios para desviar as atenções após uma derrota; pelo meio temos tido a rábula das camisolas (ou falta delas) de clubes adversários na bancada e as provocações com crianças envolvidas no meio de tudo isto; voltou também a “alegria” por um resultado menos bom de um rival interno nas competições europeias; finalmente, as reações carregadas de “clubite aguda” ao anúncio de Rafa em relação à seleção nacional (não está aqui em causa essa decisão, completamente legítima, mas sim as reações).

De tudo isto, salta à vista um ponto em comum: a cultura de ódio que está instalada no futebol português. E fica uma pergunta: isso beneficia quem? Por mais que tente, não consigo encontrar uma resposta para esta questão. E quem sai mais prejudicado? Parece-me bem mais fácil encontrar uma resposta: o futebol, na sua essência. Todos, sem exceção.

Rafa Silva SL Benfica
Fonte: Carlos Silva/ Bola na Rede

Porque a partir do momento em que uma decisão de um árbitro tem sempre uma leitura transviada da realidade, a partir do momento em que um adepto desrespeita ou é desrespeitado por vestir uma camisola de cores diferentes da maioria dos adeptos presentes em determinada bancada, a partir do momento em que se festejam resultados negativos de equipas portuguesas nas provas da UEFA e se uma equipa ganha é porque o adversário está muito fraco, ou a partir do momento em que deixa de ser seguro ir a um estádio em família, nada está dentro do que devia ser a festa do futebol.

Não sendo muito antigo, já posso utilizar o termo “sou do tempo em que”. E, de facto, sou do tempo em que se podia ir várias horas antes para as imediações de um estádio, instalar um fogareiro e conviver com quem se aproximasse, fosse do clube visitado ou do visitante. A única condição seria, talvez, uma contribuição para os stocks de comida e bebida. E mesmo se não houvesse essa possibilidade, não me lembro de alguém ter sido sequer olhado de lado, quando mais insultado ou agredido.

Estamos a chegar a um ponto em que talvez só uma intervenção estatal possa ser suficiente para ajudar a controlar este clima de desrespeito pelo que deve ser o futebol. No entanto, como canta o Carlão, só ouvimos assobiar para o lado. A situação é grave, há que agir, há que estudar, mas nunca acontece nada. Aqui há tempos ouvia o Ricardo Araújo Pereira e ele referiu algo que, de facto, é comum a todos os problemas que acontecem neste país: quer seja referente aos incêndios, à seca, à falta de professores, ao caos nos hospitais, seja referente ao que for, há sempre três expressões que são aplicadas: o problema é sempre “estrutural”, é sempre necessário “um debate alargado” e o objetivo é sempre um “amplo consenso”. Claro que, no fim, fica tudo na mesma.

Termino com uma experiência que finalmente consegui ter a oportunidade de concretizar: ir ver um jogo do RC Betis ao Benito Villamarín. Num jogo com o Osasuna, estavam 53 mil adeptos nas bancadas. Claro que é importante recordar que não estamos a falar de um clube candidato ao título. Uma verdadeira festa, dentro e fora do estádio, com vários adeptos do Osasuna com as camisolas vermelhas e azuis vestidas a passearem tranquilamente entre os verdiblancos. Um exemplo! E, já agora, uma experiência que recomendo.

Durante aquelas horas vivi um clima que gostava de ver por cá. Salvem o nosso futebol. Porque tem de ser possível gostar de um clube sem odiar os outros.

Pedro Castelo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.