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Tribuna VIP: Euro Sub-21 – Portugal quer mandar num lago de «pequenos grandes tubarões»

Redação BnR · 11 min

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Inicia-se esta quarta-feira mais um Europeu de sub-21, disputado este ano num molde peculiar e adaptado às circunstâncias da pandemia. Dividido entre dois países (Hungria e Eslovénia), o torneio vai ter um hiato de pouco mais de dois meses entre a fase de grupos, disputada neste final de mês, e a fase a eliminar (que vai ser jogada entre o final de maio e os primeiros dias do mês de junho, de forma a não coincidir com o Europeu dos «grandes»).

Portugal vai voltar a estar presente na prova mais importante de seleções jovens da UEFA, depois de uma qualificação bem conseguida, na qual venceu nove partidas e perdeu uma (fora de casa, perante os Países Baixos). A seleção de Rui Jorge terminou com os mesmos pontos dos holandeses, mas o confronto direto ditou que a equipa das Quinas tivesse concluído o apuramento na segunda posição. Nada de aflitivo em termos concretos, porque já se sabia que o sorteio da fase de grupos do Europeu seria muito provavelmente bastante exigente. E tal dado, de resto, acabou por se confirmar, com Portugal a ficar emparelhado com Inglaterra, Croácia e Suíça no Grupo D da competição.

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E o que podemos esperar da prestação dos rapazes de Rui Jorge durante a semana que aí vem? O percurso recente dos sub-21 portugueses abre margem para uma confiança forte, embora com traços de moderação, olhando à dificuldade dos adversários logo nesta primeira fase. Portugal possui uma geração de grande talento, apesar de vários dos convocados não estarem a ser aposta regular nas equipas que representam. E isso pode pesar de forma ainda mais vincada, numa prova que ao contrário do que é usual, vai começar a ser disputada em plena época de clubes.

O grupo não sofre mudanças demasiado significativas por comparação com a equipa que terminou a fase de apuramento, apesar de algumas ausências relevantes (desde logo, Jota e Rafael Leão por lesão e Nuno Mendes e Pedro Neto, que passaram a fazer parte do figurino da seleção principal). No sector mais recuado, prevê-se que «os Diogos» (Costa, Dalot, Queirós e Leite) continuem a ter um papel relevante, com Tiago Djaló, Tomás Tavares e Thierry Correia (titular na grande maioria dos últimos jogos do Valência) a ocuparem o outro lugar na linha defensiva.

Do meio-campo para a frente, a base do apuramento mantém-se também, com a entrada de «substitutos» que aproveitaram lesões e ausências para apanhar a «ponte aérea» para a Eslovénia. Florentino, Fábio Vieira e Vitinha devem manter o protagonismo que lhes foi dado durante a fase de qualificação, com Pedro Gonçalves a poder saltar para primeiro plano, dada a temporada tremenda ao serviço do Sporting. Filipe Soares, Gedson Fernandes e Daniel Bragança acrescentam soluções de crédito firmado à zona intermediária, com o ataque a contar com nomes de qualidade indiscutível mas que nem sempre jogaram no caminho para a fase final, como Trincão, Gonçalo Ramos (o substituto de Rafael Leão) ou João Mário, além do mais regular Dany Mota e das revelações Tiago Tomás e Francisco Conceição (convocados como consequência de uma temporada de alto nível nos respetivos clubes).

O jovem portista tem sido peça fundamental na seleção sub-21
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O grupo de convocados dá garantias de competitividade a Rui Jorge, apesar de algumas das prestações mais recentes da equipa de sub-21 portuguesa não terem sido totalmente convincentes. E pela frente, vão estar na fase de grupos três adversários de elevada monta. A Croácia vai ser a primeira oponente de Portugal, na quinta-feira dia 25, seguindo-se no dia 28 a partida frente a Inglaterra e o derradeiro encontro da primeira fase do Euro a ter lugar no dia 31, perante a Suíça.

A formação balcânica, orientada pelo antigo internacional Igor Biscan, fez uma fase de apuramento personalizada num grupo competitivo (com República Checa, Grécia ou Escócia) e apresenta um grupo de jogadores de bastante potencial, que inclui os talentosos Nikola Moro, Luka Ivanusec e Lovro Majer (com formação no Dinamo Zagreb) e elementos com experiência em alguns dos principais campeonatos, como Domagoj Bradaric (Lille) ou Petar Musa (Union Berlin, embora cedido pelo Slavia Praga). Os croatas jogaram durante a fase de qualificação em 4-3-3, com pontuais passagens pelo 4-4-2.

Já a Inglaterra beneficia de possuir hoje em dia uma ampla base de talento, o que permite levar uma equipa recheada de talento jovem para a seleção principal e ao mesmo tempo não desguarnecer a formação sub-21. Basta passarmos uma vista de olhos pelas escolhas de Aidy Boothroyd para ficarmos com a noção do nível desta seleção: para o meio-campo e ataque, há nomes como Curtis Jones (Liverpool), Conor Gallagher (West Brom), Eberechi Eze (Crystal Palace), Emile Smith Rowe (Arsenal), Callum Hudson-Odoi (Chelsea), Dwight McNeil (Burnley) ou Rhian Brewster (Sheffield United). No setor defensivo, há nomes apelativos e com experiência nos dois principais campeonatos do futebol inglês, como Aaron Ramsdale (Sheffield United), Ben Godfrey (Everton) ou Lloyd Kelly (Bournemouth), além dos promissores laterais Max Aarons (já associado ao Barça) e Ryan Sessegnon. No apuramento, somaram nove triunfos e apenas um empate, tendo atuado maioritariamente em 4-3-3, mas com passagens por uma defesa a três nos jogos finais da fase classificatória.

Depois, há também uma seleção da Suíça muito competitiva e pronta a mostrar o que vale em território dos Balcãs. Habitualmente estruturada entre um 4-4-2 e um 4-3-3, a turma de Mauro Lustrinelli apenas perdeu na última jornada da fase de qualificação, perante a poderosa França (fora de casa), tendo vencido os restantes nove encontros do grupo. Equipa equilibrada, capaz de defender compacta e assumir o protagonismo dos jogos perante adversários mais débeis, a formação helvética tem no central Leonidas Stergiou (St. Gallen), no lateral-direito Jordan Lotomba (dos franceses do Nice), nos médios Simon Sohm (Parma) e Bastien Toma (Genk) e nos avançados Andi Zeqiri (Brighton) e Felix Mambimbi (Young Boys) os principais destaques para um torneio no qual partem em teoria como «outsiders».

Olhando para o restante enquadramento deste Campeonato da Europa, vemos grupos e seleções muito interessantes, que podem potenciar uma das melhores provas a este nível dos últimos anos. Logo no grupo A, encontramos uma Alemanha que tem sempre uma palavra a dizer neste tipo de competições, ainda que alguns jogadores que podiam disputar este troféu, já se exibam na seleção maior. Havertz, Wirtz ou Musiala elevariam a jovem Mannschaft a um estatuto de candidata muito séria a arrebatar o troféu, mas foram citados por Joachim Low. Ainda assim, muita atenção a elementos como Youssoufa Moukoko (Borussia Dortmund), Ridle Baku (Wolfsburgo), Lukas Nmecha (Anderlecht) ou Ismail Jakobs (Colónia), que podem desequilibrar contendas a favor dos germânicos.

Neste primeiro agrupamento, está também uma das anfitriãs, a Hungria, orientada pelo mítico Zoltán Gera, que beneficia do estatuto de anfitriã para estar presente no torneio. Os prognósticos não se afiguram favoráveis, até porque a formação magiar apenas venceu um jogo na categoria (entre partidas oficiais e de preparação) desde 2018. Contudo, há que ter em atenção jogadores como o central do Parma, Botond Balogh, o lateral do Féhérvár, Bendegúz Bolla ou o avançado dos holandeses do Heracles, Adrián Szőke. Por aqui, figuram também a temível seleção holandesa e a Roménia.

A jovem Laranja Mecânica, companheira de grupo de Portugal no caminho para a fase final, possui uma geração luxuosa, na qual pontificam craques como Sven Botman (central-revelação da época na Ligue 1, ao serviço do Lille), Teun Koopmeiners (AZ Alkmaar) e os prodigiosos atacantes Noa Lang (Club Brugge), Justin Kluivert (Leipzig), Myron Boadu (AZ) ou Cody Gakpo (PSV). O primeiro adversário da equipa às ordens de Erwin van de Looi vai ser um conjunto romeno recheado de ausências. As figuras da companhia (Ianis Hagi, Florinel Coman, Dennis Man ou Valentin Mihăilă) vão jogar os encontros de apuramento para o Mundial com a seleção A e desfalcam o grupo de Adrian Mutu, que tem em Olimpiu Morutan e Octavian Popescu, ambos do FCSB, as principais promessas para a competição.

Depois, temos o grupo B, que junta as poderosas Espanha e Itália a República Checa e à outra anfitriã, Eslovénia. A Rojita é sempre vista como candidata à conquista deste troféu (soma já cinco ao longo da história). Apesar de faltarem nomes que podiam fazer a diferença (como os convocados para a seleção principal Ferrán Torres, Pedri, Bryan Gil, Pedro Porro ou Eric García), imaginar um meio-campo com elementos como Gonzalo Villar, Martín Zubimendi e Riqui Puig mostra como os espanhóis podem sonhar de olhos bem abertos. E além desses nomes para o eixo, há ainda jogadores de técnica elevada como Brahim Díaz ou Ander Barrenetxea e nomes sólidos e fiáveis como Marc Cucurella, Óscar Mingueza ou Fran Beltrán.

A Itália, também cinco vezes campeã desta categoria, apresenta um grupo muito compacto em solo esloveno. Sob o comando de Paolo Nicolato, a jovem Squadra Azzurra tem um grupo de centrocampistas bastante promissores, como o duo do Spezia Tommaso Pobega-Giulio Maggiore, o excecional Sandro Tonali do AC Milan e dois elementos da geração-2001, Nicolò Rovella (Genoa) e Samuel Ricci (Empoli). Para o ataque, há quatro pontas-de-lança para atacar a competição, de um lote no qual se destacam Patrick Cutrone, Gianluca Scamacca e Giacomo Raspadori.

A anfitriã Eslovénia não possui um grupo de elevada experiência mas os centrais Žan Zaletel e Dušan Stojinović (ambos do Celje) podem aproveitar este palco para se mostrar, bem como o médio Timi Elsnik (Olimpija Ljubljana), o versátil extremo Aljosa Matko (Maribor) ou a promessa de golos Nik Prelec, da equipa Primavera da Sampdoria. Já a turma checa, orientada por Karel Krejci, entra com expectativas de poder surpreender, com nomes fortes para o meio-campo (um possível trio Ladislav Krejci, Michal Sadilek, Pavel Bucha desperta entusiasmo), embora registe baixas consideráveis (David Zima ou Alex Král vão jogar pela equipa principal e Adam Hlozek está de fora).

Temos ainda o grupo C, que é aquele no qual surge a que é apontada por muitos como a principal candidata ao título nesta edição de 2021: a França. Sylvain Ripoll, selecionador gaulês, conta com um plantel de respeito para atacar um troféu que apenas por uma vez foi ganho pelos Bleus (e em 1988). O habitual titular do Leeds United, Illan Meslier, deve ser o dono da baliza e à frente pode ter como centrais Jules Koundé, Wesley Fofana, Ibrahima Konaté ou Benoit Badiashile. Coisa pouca, não é? Como se isso não bastasse, para a zona intermediária, há mais-valias como Boubacar Kamara (que também pode jogar como defesa-central), Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga, Mattéo Guendouzi ou Romain Faivre. E à frente, Amine Gouiri promete partir a loiça toda, num grupo que viu saltar de última hora elementos como Hossam Aouar e Moussa Diaby.

Como adversários, os gauleses vão encontrar a Dinamarca, a Rússia e a Islândia. Os dinamarqueses contam nas fileiras com alguns talentos que vão marcar certamente uma geração nos principais campeonatos durante os próximos anos. Magnus Kofod Andersen, Anders Dreyer, Jesper Lindström ou Mohammed Daramy (que ainda atuam todos na Superligaen) podem sair altamente valorizados do Euro, bem como o guarda-redes Oliver Christensen e o imponente central Victor Nelsson.

A equipa russa também possui qualidade, desde logo pela presença forte de jogadores já destacados no campeonato local. Ivan Oblyakov (CSKA Moscovo) e Nail Umyarov (Spartak Moscovo) prometem sustentar a equipa no meio terreno, com nomes como Shapi Suleymanov (Krasnodar), Denis Makarov (Rubin Kazan) ou Daniil Lesovoy (Dynamo Moscovo) a poderem fazer a diferença na zona mais adiantada do terreno. A Islândia vai certamente agarrar-se às botas do jovem prodígio Ísak Bergmann Jóhannesson, médio criativo que acabou de completar 18 anos e já foi uma das figuras do último campeonato sueco. O canhoto promete dar show durante a próxima semana, coadjuvado pelos dinâmicos Mikael Anderson (Midtjylland) e Jón Dagur Thorsteinsson (Aarhus).

5 nomes a acompanhar nesta fase de grupos:

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Filipe Soares (Portugal/Moreirense): Um dos médios mais promissores do futebol nacional, pode vir a ser uma das surpresas na equipa de Rui Jorge. Autor de uma temporada majestosa em Moreira de Cónegos, já viu o nome associado a gigantes como o Sevilha ou o Mónaco. Médio dinâmico com bola e capaz de pressionar o adversário no momento defensivo, destaca-se pela fineza no passe e capacidade no transporte de bola, podendo também aparecer em zona de remate.

Armand Laurienté (França/Lorient): Chamado à última hora para substituir Moussa Diaby, o extremo formado no Rennes está a ser um dos principais destaques da recuperação do Lorient na Ligue 1. Corpulento mas ágil e com facilidade em soltar-se com fineza da marcação contrária, tem velocidade, técnica para romper em espaços mais curtos ou abertos e executa de forma primorosa na meia-distância (também em situações de bola parada).

Wahid Faghir (Dinamarca/Velje): Chega a este Europeu sem qualquer minuto pelos sub-21, o que não surpreende dada a tenra idade (17 anos). Atacante forte em termos físicos, é muitas vezes comparado a Zlatan Ibrahimovic. Com a devida distância face aos habituais exageros, exibe traços interessantes, como a potência de remate, técnica para se livrar de situações de aperto e capacidade de controlo de bola. Até pode não ser titular, mas deve somar alguns minutos.

Arsen Zakharyan (Rússia/Dynamo Moscovo): Saltou diretamente dos sub-17 russos para o escalão sub-21, fruto da época de excelência entre a segunda equipa e a formação principal do Dynamo, pela qual tem vindo a ganhar protagonismo (aposta mais frequente de Sandro Schwarz, recentemente). Sai bem no drible e encontra linhas de passe com facilidade, podendo jogar entre a direita e o corredor central. Veremos se vai ter minutos, mas se isso acontecer, pode muito bem brilhar.

Vitaly Janelt (Alemanha/Brentford): Mais uma prova do scouting acertado dos Bees. Chegou por menos de um milhão de euros do Bochum para jogar num candidato à subida à Premier League e depressa se impôs como titular no miolo, à conta da tremenda consistência em termos defensivos, a que alia um sentido de organização criteriosa com bola no pé e capacidade para se desprender em momentos esporádicos para a carreira de tiro. Estreou-se pela seleção de sub-21 precisamente na última fase de qualificação.

Artigo de opinião de Francisco Pinho Sousa
narrador e comentador ELEVEN


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