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Tornaram-se os relatórios dos árbitros públicos, apostou-se no vídeo-arbitro, profissionalizaram-se os árbitros… Tudo isto contribuiu de certa forma para ajudar na credibilização do futebol português, mas a verdade é que a FPF, nomeadamente o seu órgão do Conselho de Arbitragem, tem dado passos atrás nessa credibilização nos comportamentos que têm adotado com o vídeo-arbitro. Foi tornado público o áudio entre o árbitro e o VAR no jogo do SL Benfica – PortimonenseSC , e na minha opinião, muito bem, mas o presidente do CA falhou redondamente ao rejeitar tornar público mais áudios, tendo uma resposta arrogante de “eu quero, posso e mando” que em nada contribuiu para o clima que se vive atualmente no futebol português, indo em contramão com as politicas que está Federação tem tentado tomar.
O problema é tão que grande que para mim já não chega a atuação da FPF, é preciso também uma atuação por parte do Governo português, que têm tentando passar sempre ao lado do mundo desportivo. Este clima de hostilização chegou a um ponto que afeta inclusive a segurança dos espectadores de futebol e é função do Governo atuar para restabelecer um nível aceitável de ambiente no futebol português. Irei dizer aquelas que são para mim as 8 decisões que ajudariam o futebol português no caminho da pacificação (a pacificação completa nunca será possível) e na credibilização.
1.

Remodelar o papel da Liga no futebol português – Pedro Proença tem sido um presidente “fantoche” nas mãos dos clubes. Sem nunca adotar uma postura assertiva e de pulso forte para com os clubes, preferindo sempre defender-se e esconder-se, Pedro Proença tem optado por tratar destes assuntos sempre à margem. Isto leva-nos à questão, qual a utilidade da Liga? Não seria melhor acabar com a Liga e absorver os campeonatos profissionais na Federação? Se tal não fosse possível, pelo menos seria necessário repensar-se o papel da Liga no futebol português, porque a Liga nos atuais moldes é apenas organização de clubes e que muitas vezes serve de próprio arremesso e guerrilhas entres os clubes.
2.

Os clubes deixarem de decidir os regulamentos – Em Portugal são os próprios clubes profissionais que, em assembleia geral, decidem os regulamentos das competições a cada época, isto leva-nos ao problema, não existirá um conflito de interesses aqui? Decidiriam os clubes aprovar regulamentos que punam exemplarmente os seus comportamentos ao longo da época? Claro que não. E é aqui que está um claro obstáculo para a credibilização e pacificação do futebol português, enquanto forem os clubes a decidirem os seus próprios castigos e regulamentos, teremos sempre diretores de comunicação e presidentes a falarem sem medo das consequências porque sabem que os castigos são leves e pouco eficazes, foram eles que os aprovaram. A organização de um regulamento deveria estar a cargo de uma equipa instruída pela Liga ou pela Federação aparte dos interesses clubísticos, não totalmente porque os regulamentos também devem defender os próprios clubes, principalmente os pequenos, mas nunca deixando isso a cargo dos clubes, porque já se percebeu que os clubes não querem usar os regulamentos para o bem do futebol português, mas para o bem da sua própria estratégia de comunicação ou demonstração de poderes.
3.

Punições fortes aos clubes que praticam uma comunicação agressiva e aos clubes que comprovadamente praticaram situações ilícitas extra-futebol – Já não chega suspender os presidentes, diretores de comunicação e obrigar os mesmos a pagar multas de valores irrisórios. É preciso também começar a castigar os clubes que optam por uma estratégia de comunicação agressiva e que contribui para a escalada de violência no futebol português, quando fala em punições fortes falo em multas de valores muito mais elevado, seja para os clubes seja para quem dentro dos clubes os pratica, só assim levaremos os presidentes e os diretores de comunicação a pensarem duas vezes antes de falarem seja o que for. Para uns isto pode significar retirada da liberdade de expressão, para mim significaria deixar de assistir a cenas em que os presidentes dos clubes vão para a televisão a insultarem-se uns aos outros, alguns fazem-no até sob suspensão, demonstrado a alto e bom som que existe impunidade na Liga e que não temem as consequências, isto tem que acabar. Da mesma maneira que é preciso investigar a fundo e punir quem realmente praticou ilegalidades extra-futebol, sem medo de ir contra os interesses instalados no futebol português.
4.

Clarificar o papel dos diretores de comunicação – O cargo de diretor de comunicação nos clubes profissionais foi uma “consequência” dos tempos, e hoje em dia, em todo o mundo, a grande maioria dos clubes profissionais possuem dentro das suas estruturas, o departamento de comunicação que é presidido por alguém. O que não se vê em mais lado nenhum, mas só em Portugal, é os diretores de comunicação assumirem um papel para além daquelas que são as suas competências, temos diretores de comunicação que semana após semanas distribuem mensagens de ódio nas redes sociais, temos diretores de comunicação que até já lançam livros, parece-me que temos os papeis completamente invertidos no nosso futebol e o cargo de diretor de comunicação talvez adequa-se mais com o cargo de diretor de propaganda ou diretor de claque. Meus senhores, o vosso papel é o de trabalhar a comunicação dos clubes, na obscuridade, não serem vocês os protagonistas, mas sim os jogadores. Alguém conhece o diretor de comunicação do Real Madrid ou do Barcelona? Pois… Talvez seja preciso também regular as competências deste cargo e deixarmos de ter “moços de recados” nestes cargos. Porque há alto que quem gere o nosso futebol têm que entender, o futebol tem uma grande importância na nossa população e mexe com os sentimentos de muitos adeptos, se a comunicação de um clube se torna agressiva, será normal termos adeptos mais agressivos também. É por isso urgente regular-se o papel dos diretores de comunicação e acabar-se com aquilo a que assistimos hoje de quem está nestes cargos, principalmente nos três grandes.
5.

Haver um maior controlo sobre os programas televisivos – Em Portugal temos duas entidades que regulam a comunicação social: a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista(CCPJ) . E estas duas entidades estão completamente acomodadas e pouca ou nenhuma atividade têm perante aquilo que se passa no mundo dos media. Hoje temos muitas televisões que em busca das audiências praticam uma violência visual, onde assistimos muitas vezes em horário nobre a violência verbal entre comentadores, sem que haja punições por parte de quem regula a comunicação social e de quem regula o papel dos jornalistas, aos jornalistas e à televisão que pratica este tipo de programas. Vemos hoje constantemente por parte de jornalistas e dos próprios meios de comunicação, o código deontológico dos jornalistas ser constantemente atacado e infringido, e o bom senso que deveria imperar também ele a ser atacado. Temos programas na televisão que são um incentivo á violência no nosso futebol, temos jornalistas e comentadores nos canais dos clubes que usam uma linguagem excessiva e violenta. Tudo isto passa completamente ao lado das duas entidades que regulam estas situações, compactuando elas próprias, assim com estas situações. Quem perde é o futebol e o próprio mundo dos media que atravessa também ele uma crise e precisa também de uma nova credibilização.
6.

Criminalizar e regularizar o papel das claques – Atualmente ouvimos muito falar do facto do Benfica não ter qualquer das suas claques legais, e muito bem, mas o facto de termos claques legais no Sporting e no Porto altera alguma coisa em relação às do Benfica? Sim altera que são legais, mas a criminalidade que existe dentro das claques ilegais do Benfica não é igual à criminalidade que existe dentro das claques legais? Todos nós sabemos daquilo que se passa dentro das claques dos três grandes, tráfico de droga, de armas, de influências… Isto passa-se nas claques ilegais do Benfica e nas claques legais do Sporting e Porto, vemos a claque do Porto ou do Sporting ser punida pela criminalidade que representa apesar de serem legais? É aqui que tem que haver uma mudança, primeiro que tudo, o Benfica obviamente terá que legalizar as suas claques ou então não pode continuar a facilitar na venda de bilhetes a grupos de adeptos, entre outras coisas… Após este passo é preciso regular e criminalizar as claques, as claques são hoje um antro de violência e um grande obstáculo a que as famílias se desloquem ao futebol, o nosso Governo não pode continuar a fazer de conta de que não sabe do que se passa dentro das claques e tem que criminalizar quem está por dentro das claques com objetivos ilícitos e quem usa as claques para situações ilícitas, o papel da claque é o de apoiar o seu clube fervorosamente, não o de praticar violência e de traficar droga e armas.
7.

Punir os árbitros com jornadas de suspensão em caso de erros grosseiros mesmo após o recurso ao VAR – Tivemos um exemplo flagrante, Rui Costa, árbitro do Sporting vs Chaves não marcou grande penalidade sobre Gelson Martins após ter visualizado ele próprio as imagens, quando as imagens são claras da infração que ocorreu sobre Gelson Martins. O que há a dizer sobre um caso destes? Os árbitros tem sido muito mais vitimas do que culpados neste clima de hostilização do futebol português, mas não podem continuar a passar constantemente o papel de “coitadinhos”, pois também têm a sua quota-parte de culpa sobre o que se está a passar. Rui Costa nunca poderia ter estado no VAR de um Sporting – Braga depois do que fez no jogo com o Chaves, nunca. Rui Costa deveria ter sido colocado à parte por umas jornadas, longe dos grandes palcos, entende-se o papel da APAF e do CA de tentar proteger os árbitros, mas estas entidades têm que também entender que nem sempre os árbitros são as vitimas e em alguns casos são também culpados devendo haver uma reflexão interna e uma punição.
8.

Haver uma comunicação ativa por parte da FPF sobre aquilo que se passa no futebol nacional – Já se falou de que o presidente da Liga, Pedro Proença, tem sempre passado ao lado das questões e das polémicas que rodeiam o futebol português. Chegou agora a vez de falar do presidente da FPF, Fernando Gomes, que apesar de ter tido uma intervenção bastante assertiva e oportuna na Assembleia da República à umas semanas atrás, também tem preferido sempre passar ao lado das polémicas e raramente comenta nas intervenções públicas alguma coisa sobre isso. Fernando Gomes deveria ter um papel mais ativo na credibilização do futebol português, não dando mais tempo de antena ás polémicas, mas tendo um discurso firme e pondo os pontos nos is. É preciso que alguém venha ocupar também um pouco do espaço televisivo dando o contraditório daquilo que tem sido o espaço televisivo nos últimos anos, pedindo bom-senso a todos os intervenientes e explicando os problemas que as suas escolhas acarretam para o futebol português e para os adeptos. As pessoas precisam também elas de ver uma mensagem pacifica de alguém dentro do futebol.
Foto de Capa: FPF








