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Capitão à procura de lugar ao sol no banco – Entrevista a Beto

Diogo Janeiro Oliveira · 15 min

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Beto já foi jogador e dirigente do Sporting CP. Agora tenta a sorte como treinador. A experiência no 1.º Dezembro já terminou, mas o antigo capitão dos leões tem ambição de crescer no meio desportivo.

BnR: Depois de terminar a carreira de jogador, já foi dirigente no Sporting e é agora treinador. Acha que o seu futuro passa pelo banco ou pelos bastidores?

Beto: Pelo banco, sem dúvida. Quando eu saí do cargo de diretor, sentia que me faltava alguma coisa. é muito giro estar como diretor do Sporting, para mim foi uma experiência gratificante e muito boa, uma aprendizagem muito forte. Mas depois falta o balneário, a adrenalina dos jogos. Não há nada que pague isso. Espero, sem dúvida, que o meu futuro e o meu caminho passe pelo banco.

BnR: Qual é o maior sonho que tem como treinador? Treinar o Sporting, estar pelo estrangeiro?

Beto: É óbvio que todos nós temos ambição na vida. Quem não a tiver, não está cá a fazer nada, seja profissional ou pessoalmente. A realidade é que eu acho que não devemos por grandes metas, devemos viver o dia a dia, pois não sabemos o dia de amanhã. Com tudo o que nós vemos a passar à nossa volta, não devemos estar a colocar metas muito elevadas. Acho que todos devemos ter um objetivo, sem dúvida. Mas eu sou uma pessoa ponderada e tranquila nessas coisas, acima de tudo acho que temos de ir com calma e com os pés bem assentes na terra para chegar o mais longe possível que é o desejo, obviamente, de qualquer treinador de futebol.

Beto está na sua primeira experiência como treinador de uma equipa sénior Fonte: número f/Bola na Rede
Beto está na sua primeira experiência como treinador de uma equipa sénior
Fonte: Número F/Bola na Rede

BnR: Com esta experiência que teve, como é que qualifica o Campeonato de Portugal, onde esteve a treinar, em comparação, por exemplo, com a Segunda Liga? Ultimamente até tivemos o bom exemplo do Caldas na Taça de Portugal. Existe assim tanta diferença entre a qualidade das equipas nos dois escalões?

Beto: Não creio, sinceramente. Pela qualidade que eu vi, por exemplo, na nossa série, há muito bons executantes, bons jogadores, jovens com muito talento. O Campeonato de Portugal é bastante competitivo. É óbvio que as condições das equipas de Primeira e Segunda Ligas, a nível de condições de trabalho, de infraestruturas e até mesmo de jogadores, são diferentes. Mas na realidade, não existe assim tanta diferença entre Campeonato de Portugal e Segunda Liga. Há diferença, mas não muito significativa, do meu ponto de vista.

BnR: Entrando agora mais no tema Sporting, o Beto é uma referência, jogou muitas épocas no clube, foi capitão. Como vê a temporada da equipa até agora? Já venceram um troféu e estão em três frentes. Será que podem voltar aos grandes títulos este ano?

Beto: Assim o desejo, como sportinguista. Eu acredito que o Sporting, pela temporada que está a fazer, pelo bom desempenho que está a ter, jogo após jogo, semana após semana, pode regressar aos títulos, e assim o desejo. Agora, não é por estar bem nesta fase, que possa ser um dado garantido. Acho que ainda tem muito para dar. Vão haver momentos muito complicados para o Sporting, existem picos de forma das equipas, e eu acredito que o Sporting também vai passar por momentos menos bons. Espero que não, mas é a realidade do futebol e das equipas. Se esse momento menos bom for superado de uma forma positiva, e o mais rápido possível, eu acredito que o Sporting possa conquistar títulos, sem dúvida.

Beto continua a seguir atentamente a realidade do Sporting Clube de Portugal Fonte: número f/Bola na Rede
Beto continua a seguir atentamente a realidade do Sporting Clube de Portugal
Fonte: Número F/Bola na Rede

BnR: Olhando em particular para os centrais, que foi um dos problemas do Sporting na época passada, como vê as prestações de Coates e Mathieu até ao momento? Eles formam uma das duplas mais elogiadas dos últimos anos, talvez a mais elogiada desde a dupla Beto/André Cruz.

Beto: Eles fazem uma boa dupla, são ambos grandes jogadores, com alguma experiência e maturidade. Sabem ler o momento do jogo, o que é muito importante para um central. Sabem quando devem acalmar, sabem quando devem esticar o jogo, quando devem “dar uma porrada”, como se costuma dizer. Eu acho que eles sabem isso tudo, pois são jogadores com bastante tarimba no futebol e têm feito uma grande época. O Mathieu acaba por ser uma surpresa, até depois dos últimos anos no Barcelona, onde também é difícil jogar e estar tão bem. Aqui ele está a fazer uns meses muito positivos e tem sido uma mais valia para a equipa, sem dúvida.

BnR: Sendo sportinguista, como foi a sensação de utilizar a braçadeira de capitão durante tantos anos?

Beto: Só tenho uma palavra quando me falam sobre isso: orgulho. Foi o realizar de um sonho jogar no Sporting, foi um orgulho ser capitão.

BnR: O Beto foi formado no Sporting, capitaneou a equipa muitos anos e foi campeão. Jogou também em Espanha e França, foi internacional A. Qual foi o melhor momento da sua carreira?

Beto: O título que ganhei no Sporting, quando o clube estava há dezoito anos sem ganhar títulos. Teve um sabor especial, pela ausência de títulos que o Sporting tinha e pela alegria que vi nos adeptos nesse dia.

BnR: E o melhor golo? É bom recordar que o Beto marcou ao FC Porto, ao Benfica, um golo mítico ao Newcastle…

Beto: Acredito que por ter sido na estreia em dérbis, escolho um golo ao Benfica num jogo em que ganhámos 1-0. Foi após um livre lateral do Oceano. Por ter sido o primeiro, penso que foi o mais importante, foi o lançar de uma carreira.

(Golo de Beto a partir do minuto 8:50)

BnR: Se tivesse de escolher uma dupla de centrais composta apenas por jogadores que jogaram consigo, quem seriam?

Beto: Marco Aurélio e André Cruz. Um porque me ensinou bastante e que era fantástico como homem e como jogador, o senhor Marco Aurélio. E o André pela qualidade que acho que todos nós vimos. Para mim, não desfazendo de todos porque tive bons colegas no eixo defensivo, o André foi o melhor.

BnR: Que comentário faz atualmente ao campeonato português?

Beto: Acaba por ser um pouco mais do mesmo, são os três eternos candidatos ao título. Muitas vezes aparece, como neste momento, o SC Braga a fazer bons campeonatos. Mas acredito que o título será sempre disputado entre os “três grandes”. Cada vez mais há um desnível entre os “grandes” e as equipas médias ou pequenas, como queiram chamar. Acredito que está mais equilibrado, mas onde os “três grandes” continuam a ser reis e senhores.

BnR: O futebol português também tem sido assolado por polémicas. Como é possível cativar os jovens para o desporto-rei com este ambiente?

Beto: Sabem uma coisa que digo? E não levem a mal isto que vou dizer, mas cada vez mais os protagonistas deixaram de ser os jogadores. É importante que os miúdos vejam as referências a falar, porque os jogadores são as verdadeiras estrelas. E cada vez mais vejo toda a gente a falar à volta do futebol. Existem agora outros “Domingos Desportivos” mas não a falar de futebol. Acha que esses programas de segunda a sexta são benéficos para o futebol?

BnR: De todo…

Beto: Tiraram o protagonismo às estrelas do futebol. Eu joguei em Espanha, como disse há pouco, e se eu perguntar quem é o presidente do Sevilha ou do Málaga, vocês sabem? Mas se eu perguntar quem é o presidente ou o diretor desportivo, por exemplo, do Feirense ou quem era o presidente ou o diretor desportivo do Arouca… Entendem onde eu quero chegar? Não é ser cínico ou puxar a brasa à minha “ex-sardinha”, como se costuma dizer, mas é a realidade do futebol português. Neste momento, não tem o protagonismo quem o deveria ter. Todos os dias existem polémicas, o “diz que disse”, e aquilo que os meninos gostavam de ver e ouvir eram os jogadores.

O treinador do 1º Dezembro considera que os jogadores devem voltar a ser or principais protagonistas do futebol português Fonte: número f/Bola na Rede
O ex-treinador do 1º Dezembro considera que os jogadores devem voltar a ser or principais protagonistas do futebol português
Fonte: Número F/Bola na Rede

BnR: Passando agora para o campo da seleção nacional, campeã da Europa em 2016 e apurada para o Mundial a disputar na Rússia. Quais são as expectativas para a competição?

Beto: As expectativas são muito boas, eu acredito que Portugal possa fazer um grande mundial. Acho que não podemos elevar a fasquia e dizer que somos um candidato ao título mundial, acho que não devemos entrar nessa arrogância por termos sido campeões da Europa. Mas podemos ter uma palavra a dizer, o que é diferente. Agora acho que é muito cedo para nos pormos num patamar de candidatos ao título mundial. Mas eu acredito que, com a qualidade que a equipa tem, e conhecendo bem o mister Fernando Santos, porque fui treinado por ele, com o espírito de grupo que ele forma, Portugal pode ter um desempenho muito bom no Mundial da Rússia.

BnR: E olhando para os centrais, temos elementos mais experientes, como o Pepe ou o Bruno Alves, mas depois também existem alguns jogadores a aparecer, como Rúben Dias, Rúben Semedo…

Beto: Sim, Portugal sempre teve bons centrais. Acaba por ser, como disseste, uma mescla de centrais com alguma idade, experientes e com maturidade, que podem aportar à equipa coisas muito boas, com uma irreverência de centrais novos, que se querem afirmar e mostrar ao mundo do futebol. Por isso acredito que, independentemente de quem vá ao Mundial, Portugal tem centrais com qualidade e que podem fazer um bom desempenho no Mundial, sem dúvida.

BnR: Quais acha que são os pontos fortes do treinador português? Temos vários exemplos de treinadores reconhecidos no estrangeiro, como Leonardo Jardim, Jorge Jesus, José Mourinho…

Beto: Eu acredito que a grande vantagem do treinador português é que é um treinador dedicado, que gosta de aprender também. E é um treinador que se sacrifica. Agora, como em tudo na vida, é preciso sorte. Eu acredito que o treinador português tem a sorte, mas também o mérito de trabalhar e de se dedicar à sua profissão.

Beto, como treinador, pode ser um dos nomes a ter em conta no futuro do futebol português  Fonte: número f/Bola na Rede
Beto, como treinador, pode ser um dos nomes a ter em conta no futuro do futebol português
Fonte: Número F/Bola na Rede

BnR: Quais foram os treinadores mais especiais que teve ao longo da sua carreira?

Beto: Costumo dizer que todos os treinadores foram especiais, de uma forma ou outra. Mas se calhar quem mais me marcou foi o mister Octávio Machado porque, na altura, foi quando eu apareci. Depois todos os outros, de uma forma diferente… O mister José Peseiro, Fernando Santos, Laszlo Bölöni pelas suas posturas e maneiras de estar. O próprio mister Mirko Jozic, António Oliveira, Artur Jorge. Todos foram importantes, de uma forma ou outra. O mais humano que apanhei, sem dúvida, foi o mister Fernando Santos. Foi a pessoa mais humana que apanhei. Não quer dizer que os outros não o sejam, mas ele tem essa característica, como vocês já se devem ter apercebido também. É uma pessoa de fácil trato e tem uma excelente comunicação com o grupo de trabalho. E depois tem a tal parte humana e uma sensibilidade enorme, talvez por ter sido jogador também. Tem um conhecimento maior do balneário. Não quer dizer que os outros não o tenham, atenção. Mas ele dizia isto, e é verdade: há um conhecimento maior, e isso tornava-o mais desperto e mais comunicativo no balneário. Se analisarem bem, todos os jogadores falam bem de Fernando Santos.

BnR: Acha que isso tem muito que ver com a questão do Euro’2016?

Beto: Tenho a certeza. Eu acho que a imagem que ele transmitiu quando foi à conferência de imprensa e disse que só voltava dia 11 para Portugal, foi um voto de confiança ao grupo. Ele sabe que o grupo está com ele, e os jogadores sentiram que o treinador também estava com o grupo, que está ali para os bons e os maus momentos. Penso que essa união fez a força, sem dúvida alguma.

BnR: Numa escala diferente, Fernando Santos conseguiu fazer o que Scolari tentou fazer em 2004?

Beto: Não fez, não fez. Falando abertamente, Scolari fê-lo de forma mais mediática. Scolari passou a mensagem para fora, mas depois não a passou para dentro. Eu acho que é muito mais importante passar isso para os jogadores. Eu penso que o Fernando Santos, quando foi à conferência de imprensa dizer que só voltava para Portugal no dia onze de julho, já teria dito isso aos jogadores.

BnR: Voltando ainda ao Sporting, naquele jogo com o Newcastle… Como é que foi para o Beto marcar naquele jogo? Sentia-se desde o início do jogo que o Sporting tinha de passar, estava um ambiente anormal no estádio. Foi uma explosão de alegria, nunca tinha visto o Beto tão expansivo no festejo de um golo.

Beto: Era um grupo bastante unido e a união é bastante importante dentro do grupo, com os jogadores. A empatia dos jogadores com os adeptos, a atmosfera que se viveu em determinados jogos. Como tu disseste há pouco, e muito bem, eu fui para o aquecimento nesse jogo e estava o estádio já completamente cheio. Normalmente, só enche mais perto do jogo, os adeptos estão nas roulotes ou chegam em cima da hora. Naquele jogo, por curiosidade ou não, na hora em que entrámos em campo para aquecer, o estádio já estava completamente cheio. E eu vi a equipa a sofrer um golo e os nossos adeptos a bater palmas. E os adeptos, muitas vezes, só têm de dar coisas positivas. Há vezes em que vamos para o jogo e as coisas não correm como nós desejamos. E isto acontece no futebol e na vida, em qualquer atividade. Se tu estás a perder 1-0, em casa, e ainda tens os adeptos a insultarem e a assobiarem, não são uma mais valia. E eu acredito que as televisões, por um lado, são muito positivas mas, por outro, tiraram muita gente dos estádios. Tirando os grandes, e mais um ou outro clube, a média dos espetadores em Portugal é muito baixa, até quando olhamos para a segunda liga francesa, espanhola ou inglesa. Existem muitos casos, como por exemplo o Belenenses ou o Vitória, nos jogos em casa. Não acham que deveria também alguém a pensar nisso?

Imagens do Sporting 4-1 Newcastle, em que Beto marca o 3-1 leonino (minuto 13:00)

BnR: Mas aí voltamos à questão dos bastidores, de quem está envolvido e prefere transmitir jogos às nove da noite…

Beto: Então e o protagonismo? Vão-me desculpar, mas volto a insistir nisto. Eu tenho um filho, o mais velho com catorze anos, que adora o Sporting… Ele diz uma coisa que é verdade: vemos sempre os dirigentes a falar, o dirigente A, o dirigente B, o presidente, o diretor de comunicação, o diretor de imprensa… E os jogadores? Eu gostava de ouvir o William a falar, o Rui Patrício a aparecer mais vezes, o Mathieu, Coates, Piccini, etc.

BnR: Nós, há umas semanas, entrevistámos o guarda redes Moreira, do Estoril, e ele também falou sobre isso. Ele esteve no Championship e na Premier League com o Swansea… Lá é obrigatório haver um jogo em canal aberto e depois todos os jogos são à tarde.

Beto: Este ano, o campeonato espanhol tem sido mais atípico por causa do Mundial de Clubes e dos acertos de calendário. Mas normalmente, em Espanha, tirando dois jogos que são à noite, os outros são todos durante o dia. E isso faz as pessoas irem aos estádios, obriga as pessoas a irem aos estádios. Aqui não acontece isso. Praticamente todos os jogos têm transmissão televisiva. Há um afastamento daquilo que, para mim, é o mais giro do futebol, o ambiente.

BnR: Há pouco falou do seu filho e dessa experiência atual. Anteriormente, víamos os jogos no pelado, íamos para a Nave de Alvalade e depois para o jogo dos seniores no futebol. Dava para estar desde manhã até ao final da tarde nas imediações do estádio a acompanhar o clube…

Beto: Exatamente, era o dia todo. Mesmo quando eu era juvenil, tínhamos jogo às onze horas, depois havia outro jogo, à tarde havia basquetebol, andebol, hóquei em patins na Nave e ficávamos ali até às oito da noite, até ir para casa. Atualmente, existem as academias. As academias são muito boas, com condições de trabalho fantásticas para quem as utiliza. Mas a realidade é que existe um afastamento perante os sócios. Quando treinávamos em Alvalade, eu lembro-me de treinos com cinco ou seis mil pessoas a assistir, às vezes à chuva. E na altura, era com as mínimas condições. Agora acaba por haver um afastamento e isto é a realidade. As equipas estão bem e as pessoas assim vão aos jogos. Se a equipa estiver menos bem, não vão ver. O Sporting felizmente está bem, mas acreditas que, se estivesse numa fase menos boa, teria uma média de quarenta mil espetadores?

BnR: Vemos isso pelos bês. O Sporting B, na época passada, era a equipa que tinha a menor assistência média na Segunda Liga. É certo que é muito longe, mas o Seixal é tão longe para um benfiquista como Alcochete para um sportinguista.

Beto: Acaba por haver um afastamento. Eu culpo muito o facto de não aparecerem os jogadores. Não é por culpa dos jogadores, atenção. Culpo muito o protagonismo que todos têm, menos quem devia ter.

BnR: Até porque, atualmente, as palavras que são ditas por um jogador são muito mais escrutinadas do que há uns anos atrás…

Beto: São muito mais controlados. Antigamente, e falando por mim, eu tinha a minha liberdade de expressão. Havia uma ou outra coisa em que eu tinha de ter cuidado a falar, mas isso vai de cada um. Agora já vês que há jogadores que têm um discurso programado, como o “Levantar a cabeça” ou “Vamos fazer melhor na próxima semana”. Não quer dizer que nós não o disséssemos, mas eu acho que agora é muito mais controlado aquilo que um jogador diz à imprensa, seja antes ou depois de um jogo, ou numa zona de entrevistas rápidas.

Beto falou sobre as diferenças entre o futebol atual e a altura em que era jogador Fonte: número f/Bola na Rede
Beto falou sobre as diferenças entre o futebol atual e a altura em que era jogador
Fonte: número f/Bola na Rede

BnR: Nessa questão dos espetadores, ainda pode haver outro motivo, que é a proximidade das pessoas ao clube da terra. Dou o exemplo do Farense, que deve ter uma média de espetadores superior a muitos clube da Primeira Liga. É certo que os jogos do Campeonato de Portugal não têm transmissão televisiva como têm os da Primeira Liga, mas a questão da proximidade dos adeptos aos clubes é algo que quase não se vê atualmente em alguns clubes da Primeira Liga, como o exemplo do Belenenses.

Beto: O Farense, do meu amigo Rui, é um velho histórico do futebol português e sempre teve uma massa associativa muito boa. É uma equipa que leva sempre muitos adeptos fora de casa. Já no meu tempo era assim. E agora, depois de uma situação menos boa que passaram, em que estão no Campeonato de Portugal, no mesmo campeonato que eu, continuam a levar muita gente. Ainda recentemente, além do jogo com o Caldas, mas na eliminatória anterior, no campo do Praiense, voltaram a levar muita gente ao estádio.

BnR: Também porque, ao contrário de clubes como a União de Leiria ou o Beira-Mar, não adotaram o estádio construído no Euro’2004 e mais afastado da cidade, como a sua casa…

Beto: Sim, sim. Eu acredito que o Farense, mais cedo ou mais tarde, vai voltar ao seu vigor. Por tudo o que representa para o futebol português, pela sua gente, pela vontade que o clube tem de voltar outra vez à ribalta, acredito que mais cedo ou mais tarde, terão esse prémio.

Foto de Capa: Número F/Bola na Rede

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Diogo Janeiro Oliveira

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