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Euro 2020 | O melhor 11 do torneio

Francisco Moreira e Silva · 9 min

Foto: UEFA

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O Euro 2020 chegou, embora com um ano de atraso, e culminou com a Itália a ser coroada, em Wembley, a nova campeã da Europa, sucedendo a Portugal que havia vencido em 2016.

Uma edição diferente, disputada em onze cidades, ao contrário do formato habitual, fator que motivou mais desgaste devido às viagens, mas não foi sinónimo de falta de entrega e de qualidade por parte dos principais intervenientes.

Alguns nomes conhecidos, outros nem tanto, compõem assim um onze que foi escalado em 4-4-2, com dois médios e dois extremos, e que conta com jogadores de seis seleções diferentes.

Em jeito de despedida deste Europeu de futebol, elejo assim o melhor onze da competição.

Guarda-redes

Gianluigi Donnarumma – Numa competição onde brilharam guarda-redes, casos de Sommer, Unai Simon e Kasper Schmeichel, Gigi Donnarumma foi o expoente máximo desse mesmo brilho. Não sofreu golos na fase de grupos e apenas foi batido quatro vezes na fase a eliminar, uma vez em cada jogo.

Foi decisivo em ambos os desempates por grandes penalidades, tanto nas meias-finais como na final, tendo defendido cinco dos dez penaltis a que foi sujeito em todo o Europeu: sofreu ainda na primeira parte frente à Bélgica, defendeu dois em quatro frente a Espanha e três em cinco na grande final, frente à Inglaterra.

Com um porte físico invejável por grande parte dos guarda-redes, Gigio conjuga um ótimo jogo dentro dos postes com uma capacidade incrível de jogar fora da sua baliza.

Foi o terceiro guarda-redes a ser eleito o melhor jogador do torneio, apenas atrás de Lev Yashin, em 1960, e Peter Schmeichel, em 1992 (rica herança!).

Defesa direito

Denzel Dumfries – Num Europeu onde deram nas vistas laterais de pé direito, mas à esquerda, na posição de defesa à direita não houve assim tantos jogadores a destacarem-se. Nesse capítulo, ninguém impressionou mais que Dumfries.

Apesar de não ir longe na competição (ficou-se pelos oitavos), Denzel Dumfries fez um Europeu de enorme valia. Com três vitórias nos primeiros três jogos da competição, o lateral do PSV Eindhoven entrou a todo o gás, com golos nos primeiros dois jogos e grande dinâmica ofensiva na asa direita da “laranja mecânica”.

Forte, rápido e inteligente a entrar em zonas de finalização, o lateral de 25 anos beneficiou da sua equipa jogar com uma linha de três centrais para sobressair mais em zonas ofensivas.

Caíram aos pés da República Checa nos oitavos, muito por causa de uma expulsão de de Ligt ainda cedo no jogo, mas o Euro de Denzel Dunfries fica imortalizado como uma campanha de sucesso.

Defesa central

Leonardo Bonucci – Uma das pedras basilares da defesa Azzurri, Leo Bonucci formou com Chiellini a melhor dupla de centrais do Campeonato da Europa. Apenas não jogou quarenta e cinco minutos no último jogo da fase de grupos e foi obrigado a jogar 120 minutos por três vezes.

Aos trinta e quatro anos, o central da Juventus FC vingou-se da derrota na final de 2012, frente à Espanha (onde também estavam Chiellini e Sirigu), com um golo e o prémio de MVP da final em Wembley.

Experiente, mostrou que “velhos são os trapos” e brilhou a grande altura com e sem Chiellini, que esteve de fora por lesão. Com a já habitual qualidade na saída de bola, aliada a uma capacidade defensiva e de leitura do jogo acima da média, foi o melhor central da competição.

Defesa central

John Stones – Central totalista da equipa menos batida da competição. Após épocas em que ficou abaixo das espectativas em Manchester, Stones foi um dos esteios do setor defensivo da seleção dos “três leões” e fez lembrar o momento de forma que levou os “citizens” a contratá-lo por 55 milhões de euros.

Juntamente com Maguire, formou uma das melhores duplas do Campeonato da Europa e acabaram por sofrer o primeiro golo apenas nas meias-finais (por uma obra de arte de Damsgaard).

Forte na antecipação, rápido e com uma boa saída de bola, conseguiu colmatar algumas das debilidades de Maguire com bons comportamentos e disciplina defensiva.

Aos 27 anos, este Europeu bem conseguido pode ser um impulso para o central dar um novo alento à sua carreira, que parecia ter estagnado há algum tempo.

Defesa esquerdo

Joakim Maehle – Havia Spinazzola, Luke Shaw ou até mesmo Zuber, mas o escolhido para melhor de uma das posições onde tivemos mais qualidade foi Mæhle.

Uma das revelações do Europeu, Mæhle mostrou-se uma verdadeira ameaça a partir do corredor esquerdo, mesmo jogando com o pé direito, o que foi também uma espécie de fetiche de algumas das seleções nesta competição.

Tal como Dumfries, a defesa a três potenciou a sua capacidade ofensiva e mostrou a melhor versão do seu jogo. Rápido, joga por dentro ou por fora e decide bem no último terço. Marcou nas goleadas dinamarquesas à Rússia e ao País de Gales e protagonizou uma das assistências do Euro, com uma trivela para o segundo golo da sua equipa frente à República Checa.

Peça importante da equipa revelação da competição, chegou à meia-final e foi totalista. Não será fácil a Atalanta BC segurá-lo neste defeso.

Médio centro

Pierre-Emile Hojbjerg – Mais um dinamarquês no onze, mas desta vez uma cara bem mais conhecida no panorama do futebol europeu. Højbjerg foi um dos destaques da Liga Inglesa e voltou a ser destaque no Euro 2020, mas desta vez já sem tanta surpresa.

O verdadeiro pêndulo ofensivo e defensivo da seleção dinamarquesa, jogou e fez jogar. Um jogador de equilíbrios, que percebe o jogo e que também deixou a sua marca ofensivamente, com três assistências na competição.

Juntamente com Kjaer, foi o líder vocal de um grupo que tinha tudo para abalar depois do que aconteceu no primeiro jogo. Fez uma parceria brutal com Delaney no meio-campo da equipa mais entusiasmante do Europeu.

Médio centro

Jorginho – Foi campeão da Europa de clubes e seleções, sendo um dos mais importantes em ambas as conquistas. Um daqueles jogadores raros no futebol, que mesmo não tocando na bola consegue jogar bem e quando toca, dificilmente decide mal.

A seleção italiana jogou ao ritmo de Jorginho, e bem. Parece um daqueles jogadores a quem não lhes podes ensinar nada sobre o jogo. Com bola é um tratado, dificilmente perde a posse, faz a equipa jogar e diz aos colegas para onde devem ir; sem bola tem uma noção absurda dos espaços e recupera a posse devido a essa mesma capacidade.

Jorginho foi o jogador de campo que mais minutos jogou, o que mais correu e o segundo que mais passes certos completou. Bateu o penalti decisivo nas meias e assumiu a mesma responsabilidade na final, embora sem o mesmo desfecho positivo. Não precisou de golos e assistências para ser, para mim, o melhor jogador do torneio.

Extremo direito

Federico Chiesa – Até começou o Europeu como suplente de Berardi, mas na fase a eliminar assumiu o lugar e foi decisivo na equipa Azzurri. A partir do flanco direito, Chiesa mostrou recursos para desmontar qualquer defesa.

Saiu do banco nos dois primeiros jogos, foi titular no último da fase de grupos, mas voltou a ser suplente nos oitavos, frente à Austria, jogo esse em que saiu do banco aos 85 minutos para ser o “joker” que iria inaugurar o marcador, já no prolongamento. A partir daí, não saiu do onze, e voltou a marcar nas meias-finais, frente à Espanha.

Uma ameaça a qualquer adversário, Chiesa é um ambidestro que tem uma grande facilidade em driblar com qualquer pé e uma capacidade de remate acima da média. Vertical, trás o jogo para a frente quando a equipa mais precisa e, embora pareça que joga muito com a cabeça para baixo, tem uma grande perceção de onde se encontram os colegas. Tem uma entrega ao jogo muito caraterística.

Foi um dos melhores da final, desgastando-se muito no trabalho defensivo, mas sempre com grande critério com a bola nos pés.

Extremo esquerdo

Raheem Streling – O melhor inglês do Euro 2020. Sterling foi a peça desequilibradora de Southgate neste Europeu, sendo que confiou nele muito do sucesso do jogo inglês. Até aos oitenta e seis minutos do jogo dos oitavos de final, apenas Sterling tinha marcado pela Inglaterra no Euro 2020, tendo apontado três tentos.

O extremo da seleção dos “três leões” foi a figura maior numa seleção que coletivamente não era a melhor. Sempre em alta velocidade, Sterling era a maior arma no ataque à profundidade. Desconcertante com a bola nos pés, mudava de direção com uma facilidade enorme e deixava adversários de cabeça perdida com a sua velocidade estonteante.

Assistiu para o primeiro frente à Ucrânia e ganhou o penalti que deu a vitória contra a Dinamarca, num jogo em que foi o melhor em campo. Ele e Kane levaram Inglaterra até até à final, mas não foi suficiente para fazerem com que o futebol “voltasse a casa”.

Ponta-de-lança

Patrik Schick – Este Euro 2020 foi também o Europeu de Patrik Schick. Numa República Checa sem referências de outros tempos, como Poborsky e Nedved, e de quem não se esperava muito, o avançado do RB Leipzig surgiu como a principal referência checa.

Cinco golos marcados, os mesmos que Cristiano, em cinco jogos disputados e só não marcou na derrota frente à seleção inglesa. Iniciou a competição da melhor maneira, com um bis frente à Escócia e com o golo do torneio, um torpedo apenas uns passos à frente do meio-campo a surpreender Marshall e todos os que se encontravam no Hampden Park.

Rápido, forte no jogo aéreo e com golo, Schick mostrou-se um avançado completíssimo neste Europeu e abriu portas a um caminho ascendente na carreira, que nos últimos anos tem estado um pouco estagnada.

Ponta-de-lança

Cristiano Ronaldo – Não é preciso dizer muito sobre a grandeza de Cristiano Ronaldo. Em mais um Europeu disputado, o seu quinto (recorde na competição), o astro português foi pela primeira vez o melhor marcador do torneio, com os seus cinco golos.

Tornou-se no melhor marcador de sempre em Europeus e no primeiro a marcar em cinco edições. Embora Portugal não tenha ido tão longe quanto se esperava na competição, o avançado de trinta e seis anos foi, como sempre, o melhor jogador da seleção das quinas. Dois golos na estreia nesta edição, um golo na fatídica derrota frente à Alemanha e mais dois no jogo da decisão da fase de grupos frente à seleção gaulesa.

Portugal caiu aos pés da Bélgica nos oitavos, mas o Euro 2020 de Cristiano não vai ser esquecido por todos os records batidos pela lenda viva da seleção portuguesa.

 

Artigo da opinião de Francisco Silva

Francisco Moreira e Silva

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