Publicidade

Touré e a Teoria do Caos

Pedro Machado · 3 min

Touré e a Teoria do Caos

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

cab premier league liga inglesa

É intrigante e apaixonante verificar como uma pequena mudança numa peça de um sistema complexo pode alterá-lo de forma tão drástica… para o mal ou para o bem. Desde o início dos tempos que isso acontece, mas só Edward Lorenz teve o fascínio suficiente para desenvolver essa ideia,  tornando-se o pai da Teoria do Caos.

Esta aplica-se e abrange vários campos de estudo mais susceptíveis a mudança (pela sua interacção com fenómenos sociais), como a Economia ou a Sociologia, ou outros mais deterministas, como a Engenharia ou a Física. Uma alteração ínfima nas condições iniciais de um sistema dinâmico pode provocar alterações tão grandes que tornam praticamente impossíveis as tomadas de decisão baseadas em previsões de longo prazo.

O futebol também é “atingido” pela teoria do caos. Não pela interacção com o seu ambiente externo, mas sim pelo seu núcleo. Um sistema tático e respectivos princípios de jogo, trabalhados durante centenas de treinos, ao sofrer uma ligeira alteração no seu dinamismo no meio de uma época pode causar mossa e colocar em “cheque” os objectivos que uma equipa possa ter, sejam eles a manutenção ou a conquista de um título.

É, portanto, crucial, no futebol tal como em outras áreas, estar preparado para eventuais contrariedades, e o orçamento estabelecido terá de contemplar isso mesmo – a lesão ou o castigo de um jogador fundamental ou a adaptação a um adversário com um estilo de jogo radicalmente diferente daquele com que a equipa habitualmente se depara.

A avaliar pelas exibições anteriores ao encontro com o Stoke, na jornada anterior à deste fim-de-semana, parecia não exisiir um plano de contingência para a mudança dentro do sistema de jogo do Manchester City. Saiu uma única peça do seu onze, e as coisas alteraram-se drasticamente – Yaya Touré seguiu para a CAN, e a equipa, sem a ajuda do costa-marfinense, perdeu dois jogos e empatou três, cedendo muito terreno para o Chelsea e saindo da Taça de Inglaterra.

A vitória no Britannia Stadium aconteceu diante de um Stoke fragilizado (e que fora goleado, dias mais tarde, pelo Blackburn, de escalão inferior) e que, por isso, ainda não convencera os mais cépticos sobre a forma de jogar do City e do regresso às boas exibições da equipa…

… porém, o encontro com o Newcastle terá desfeito essas dúvidas. A equipa voltou a ser esmagadora no seu processo ofensivo e o Etihad voltou a assistir a um Manchester City alegre no seu futebol, com grande envolvência dos laterais no processo ofensivo e a genialidade de peças como David Silva, Agüero ou Nasri a emergirem, proporcionando, outra vez, o entusiasmo há muito desaparecido dos olhos e das bocas dos adeptos dos citizens.

Com Yaya, a equipa parece outra Fonte: Facebook do Man City
Com Yaya, a equipa parece outra
Fonte: Facebook do Man City

O que mudou? Exactamente. Yaya Touré. Entrou o costa-marfinense, e o processo ofensivo voltou a ser o rolo compressor que se fizera respeitar perante a Europa inteira. A frente de ataque ganhou um guarda-costas, a defesa ganhou o equilíbrio, o sistema voltou às suas configurações originais … e voltou a funcionar como antigamente, porque regressou Touré. Com ele, Dzeko, Agüero, Nasri e Silva, os quatro homens da frente, marcaram e assistiram, voltaram àquilo que era suposto ser, Fernandinho, Kompany e Mangala equilibraram-se tactica e emocionalmente, e Zabaleta e Kolarov puderam subir desalmadamente, como tanto gostam.

Touré voltou. Uma peça, somente, em onze, mas muitas dinâmicas a ela associada. O sistema City voltou a funcionar com Touré e, aproveitando o deslize caseiro do Chelsea, ameaça seriamente relançar o campeonato inglês.

Foto de Capa: Facebook do Man City

Pedro Machado

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Sporting

A nova fase do leão | Shakhtar Donetsk x Sporting CP 

Anunciada a saída de Rui Borges do comando do Sporting e com Paulo Fonseca de malas feitas, os verdes e brancos preparam-se para enfrentar o Shakhtar Donetsk, em solo inglês, em embate relativo à quarta jornada da Liga dos Campeões. Ainda na ressaca do primeiro desaire europeu, sofrido em Alvalade diante do LASK por 3-2, os pupilos orientados por Tiago Fernandes, treinador interino que vai constar no banco de Stamford Bridge, apontam as suas fichas ao regresso aos triunfos, numa fase em que vão entrar num ciclo completamente exigente na prova milionária, com encontros marcados com gigantes do futebol europeu.

Inês Flores · 3 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

Depois do Halloween, apareceu um Diablito para evitar uma ida do Benfica às bruxas

Uma equipa grande também se faz naqueles jogos mais chatinhos, onde a inspiração se perde nos poros de suor e nada parece correr bem. Será algo do género que Andreas Schjelerup terá ecoado ao intervalo, quando ficou no balneário, ou quando Gianluca Prestianni, talvez já moldado pelo peso do brilhantismo, enfrentou pela frente mais uma muralha de jogadores adversários. Se no final da época for feita uma compilação dos grandes momentos do Benfica, será pouco provável ver muitos lances deste jogo, talvez apenas aquele em que o argentino com um toque de classe fez a bola passar por entre as pernas de Touaizi, perdido no meio de tamanho inconformismo. O retrato geral, não o escondeu Marco Silva, numa dose de realismo que já há muito não se via nos corredores da Luz, foi desinspirado. Felizmente para os encarnados, há Echeverri. Não é o primeiro momento de brilhantismo desmedido do reforço de verão por quem a cláusula de opção de compra já se afigura uma mera formalidade, mas, fosse esse o caso, seria quase poético. Depois de se celebrar o Dia das Bruxas, Halloween para os falantes de inglês, brilhou no Estádio da Luz um Diablito, que impediu Marco Silva de procurar explicações para o tropeço nas bruxas e dissipou qualquer questão sobre os fantasmas do empate que assombraram o Benfica na última época. Quem tem um Joker assim, pode sempre sorrir.

Diogo Ribeiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.