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A ligação divulgada entre pessoas associadas ao investimento no Amora e a auditoria à Cedae Saúde coloca o clube sob escrutínio mediático
Dois nomes ligados ao grupo brasileiro que adquiriu a maioria do capital da SAD do Amora em 2025 surgem associados a uma auditoria que aponta indícios de irregularidades superiores a 400 milhões de reais (cerca de 71,6 milhões de euros) na Cedae Saúde. A informação foi divulgada este domingo, 11 de outubro, pelo jornal brasileiro Agenda do Poder.
Eric Frederik Gualberto e Antônio Carlos dos Santos, antigos responsáveis da Cedae Saúde, são identificados pela publicação como nomes ligados à aquisição da SAD do clube português. A auditoria, realizada pela consultora Grant Thornton, identificou indícios de irregularidades financeiras na entidade brasileira.
A Cedae Saúde assegura assistência médica a funcionários, aposentados, pensionistas e dependentes da companhia estadual de águas do Rio de Janeiro. Segundo a informação divulgada no Brasil, a auditoria identificou indícios de irregularidades superiores a 400 milhões de reais (cerca de 71,6 milhões de euros). Entre os movimentos analisados estão pagamentos de 95 milhões de reais (cerca de 17 milhões de euros) a quatro empresas associadas a uma estrutura offshore alegadamente ligada a Eric Gualberto, nas Ilhas Virgens Britânicas.
Os auditores assinalaram ainda questões relacionadas com procedimentos de contratação, controlo interno e prestação de serviços. Entre junho de 2023 e junho de 2026, duas empresas de tecnologia, ZIL Projetos e T7, terão recebido, em conjunto, 48 milhões de reais (cerca de 8,6 milhões de euros) da entidade.
O relatório deverá ser encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para análise das suspeitas e eventual apuramento de responsabilidades. A defesa de Gualberto contestou as conclusões da auditoria e questionou a sua legalidade e imparcialidade.
A ligação ao Amora e o que falta apurar
Em agosto de 2025, a Abreu Advogados confirmou ter assessorado a Peninsular Soccer na venda de uma participação maioritária na SAD do Amora. A sociedade Orla Tentadora, Lda. foi identificada pela imprensa portuguesa como compradora. A informação de transparência da Federação Portuguesa de Futebol relativa à época 2025/26 atribui à empresa 72% do capital da SAD, ficando os restantes 28% associados à Peninsular Soccer.
A reportagem do Agenda do Poder associa nomes ligados ao grupo investidor a antigos responsáveis de uma entidade brasileira cuja gestão está sob escrutínio.
A auditoria abrange um período que inclui a aquisição da SAD do Amora. Contudo, não foi apresentada prova pública de que fundos da Cedae Saúde tenham financiado a operação, nem há indicação, nos elementos divulgados, de que a SAD seja formalmente visada pela investigação.
A eventual existência de ilícitos e as responsabilidades individuais terão de ser determinadas pelas autoridades brasileiras. Para já, a ligação divulgada entre pessoas associadas ao investimento no Amora e a auditoria à Cedae Saúde coloca a operação portuguesa sob escrutínio mediático, mas a extensão dessa ligação permanece por esclarecer.












