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Sites-espelho: o que muda para quem aposta no futebol com a nova plataforma do SRIJ

Redação BnR · 3 min

Bola da Champions
Foto: Pedro Barrelas/Bola na Rede

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No futebol, a odd muda a cada golo, cartão ou substituição, e quem aposta ao vivo raramente pensa no endereço do site onde o faz. É esse endereço que decide se o operador pode receber apostas em Portugal. Em setembro de 2026, o Turismo de Portugal, que integra o SRIJ, contratou uma plataforma para procurar sites ilegais de forma automática, com os sites-espelho no centro das atenções.

Sites-espelho: o mesmo site com outro endereço

A plataforma é da empresa francesa Sharp Vision. Segundo o ECO, o contrato publicado no portal Base custa 19.990 euros por um ano, prorrogável por mais um.

Quando o SRIJ manda bloquear um site ilegal, o operador pode lançar o mesmo site com outro endereço. É isso que são os sites-espelho: a mesma plataforma, um domínio novo, e os jogadores portugueses continuam a ser atendidos. Até agora, apanhá-los era sobretudo trabalho manual.

De acordo com o comunicado da Sharp Vision, a ferramenta deteta operadores ilegais cujos sites continuam acessíveis em Portugal, verifica junto dos fornecedores de internet se os bloqueios foram mesmo executados, ajuda a reunir provas para os processos de contraordenação e mede quantos jogadores passam para a oferta legal. O presidente da empresa, Cyril Casanova, resume o objetivo numa expressão: «sair do modo manual». A decisão de bloquear continua nas mãos das autoridades.

Esse último indicador toca diretamente o adepto. Quem perde o acesso a um site bloqueado tem de escolher outro, e a escolha faz-se por critérios práticos, como o método de pagamento. Quem precisa de trocar de operador pode partir de um site de comparação que reúne os casinos online em Portugal com o MB WAY, o Multibanco e a média de pagamentos de cada um lado a lado, para não escolher às cegas.

O risco recai também sobre quem joga

O problema não é só do operador. Segundo o SRIJ, quem joga num casino online sem licença pode sujeitar-se a uma coima de 2.500 a 25.000 euros. E sem enquadramento legal, o saldo pode perder-se se o site for bloqueado ou mudar de endereço, sem ninguém a quem reclamar.

No live betting, como as odds mudam a cada lance, quem aposta tem de ler o jogo em tempo real. Isso passa por perceber a diferença entre transição ofensiva e contra-ataque e por saber como se decidem os lances polémicos, que a rubrica Jogo Limpo analisa jornada a jornada. Com tão pouco tempo para pensar, o site deve ser verificado antes de o jogo começar, não a meio.

Três verificações antes de depositar

Antes de abrir conta num casino online em Portugal, o Portal da Queixa lembra o essencial. Primeiro, o operador tem de constar da lista oficial do SRIJ: «se não está na lista, é ilegal». Segundo, o endereço das plataformas legais termina em .pt. Terceiro, o rodapé do site mostra o logótipo do SRIJ, o número da licença e as credenciais de jogo responsável do SICAD.

Uma licença estrangeira não serve: não é válida em Portugal. Um site-espelho falha logo a verificação do domínio, mas um logótipo copia-se com facilidade, por isso a lista do regulador fica como confirmação final.

O que a plataforma não resolve

No relatório do segundo trimestre de 2026, citado pelo Portal da Queixa, o SRIJ indica que desde 2015 enviou 1.834 notificações a operadores ilegais e pediu 3.043 bloqueios de sites. Há mais pedidos de bloqueio do que operadores notificados, o que ajuda a perceber como o mesmo operador regressa com novos endereços.

Casanova admite os limites. À Lusa disse que a ideia «não é completamente destruir o mercado ilegal de jogo» e que, durante muito tempo, o tamanho desse mercado foi «completamente subestimado». O bloqueio continua a depender dos fornecedores de internet e de uma validação humana. Quem encontrar um site suspeito pode denunciá-lo, de forma anónima, no formulário online do SRIJ.

Redação BnR

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