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O FC Porto venceu o Marítimo, por 1-2, na 8.ª jornada da Liga, num encontro em que esteve longe de apresentar a sua melhor versão
O FC Porto venceu, este sábado, o Marítimo, por 1-2, na 8.ª jornada da Primeira Liga, num encontro em que esteve longe de apresentar a sua melhor versão, mas conseguiu transformar uma exibição irregular numa vitória importante.
Depois de uma primeira parte marcada pelas dificuldades na construção e pela chegada à vantagem por parte dos madeirenses, os dragões, que empataram ainda antes do descanso, cresceram após o intervalo, assumiram o controlo e chegaram ao triunfo com um momento de talento individual de Oskar Pietuszewski. Entre a inspiração do jovem polaco, a influência das substituições de Francesco Farioli e os problemas que a equipa voltou a revelar, o resultado acabou por sorrir ao líder, embora o caminho até aos três pontos tenha sido mais complicado do que precisava.
Ora, a entrada portista foi positiva. Com pressão alta, recuperação rápida da bola e intenção de instalar o jogo no meio-campo adversário, a equipa de Farioli procurou, desde cedo, assumir o comando. O problema surgiu quando essa superioridade inicial não se traduziu em ocasiões claras e, sobretudo, num golo que obrigasse o Marítimo a alterar o plano. Assim, à medida que os minutos passaram, os insulares conseguiram libertar-se da pressão, ganhar metros e encontrar soluções para sair a jogar. O remate de Gábor Szalai, defendido por Diogo Costa, foi um primeiro aviso de que o encontro não seria tão simples como a entrada dos dragões prometia.

Deste modo, também se foi percebendo que o Marítimo tinha estudado bem o adversário. A equipa orientada por Mitchell van der Gaag procurou condicionar as referências individuais do FC Porto e explorar o seu lado mais forte, dificultando a circulação portista e reduzindo o espaço disponível nas zonas interiores.
A recuperação de Raphael Guzzo para o meio-campo e o posicionamento de Ibrahim Alani ajudaram a baralhar a pressão dos visitantes. Maxime Domínguez também teve um papel importante na ligação entre setores, mostrando que precisa de liberdade para fazer valer a sua capacidade com bola. Já Adrián Butzke, pela força física e pela capacidade de segurar os duelos, foi permitindo à equipa subir e respirar em momentos de maior aperto.
O golo dos madeirenses surgiu num período em que o FC Porto já estava a perder algum controlo e confiança. Szalai, novamente fora de área, atirou perante um Diogo Costa que ficou mal na fotografia, numa intervenção pouco habitual para um guarda-redes da sua qualidade. O remate acabou por entrar sem que o internacional português conseguisse reagir como seria esperado, dando a sensação de que não viu a bola partir. De resto, foi uma tarde rara por parte do coletivo azul e branco, na qual também houve outros momentos em que transmitiu menos segurança e tranquilidade do que é habitual.

Em desvantagem, o FC Porto viu-se, naturalmente, obrigado a arriscar mais. Começou a procurar com maior insistência a largura e a explorar os espaços interiores, mas continuou a revelar dificuldades para criar vantagens através da circulação e das associações entre os médios.
Nesse aspeto, Alan Varela esteve particularmente apagado, pouco influente na construção e incapaz de dar à equipa a clareza de que precisava. Inbeom também não encontrou o seu melhor nível, enquanto Froholdt, apesar da energia, alternava decisões acertadas com momentos de alguma precipitação. A diferença entre Varela e Pablo Rosario, que viria a entrar na segunda parte, acabaria por ser bastante evidente.
Perante uma equipa organizada e confortável com a vantagem, o FC Porto encontrou nomeadamente duas formas de criar perigo: as conduções de Pepê e as arrancadas de Alberto Costa. À imagem do que costuma ser na esmagadora maioria das partidas dos dragões, o brasileiro foi o elemento mais desequilibrador, capaz de ultrapassar adversários no drible curto e de acelerar quando a equipa parecia presa numa circulação demasiado previsível.
Alberto, por sua vez, procurou atacar as costas de Martín Tejón com desmarcações profundas, sendo um dos poucos jogadores a conseguir escapar de forma consistente ao controlo madeirense. No fundo, são necessários mais movimentos deste género, porque, quando não se encontram vantagens dinâmicas, posicionais ou associativas no corredor central, a equipa torna-se demasiado fácil de ler.

Em contrapartida, William Gomes, que acabaria por sair lesionado na segunda metade, teve dificuldades para fazer a diferença na direita. A exigência de pressão e de disponibilidade defensiva que Farioli impõe aos extremos tem contribuído para o crescimento competitivo do jovem brasileiro, mas, como nem tudo é um mar de rosas, parece igualmente retirar-lhe alguma espontaneidade e magia no último terço.
Neste sentido, o empate da formação portista chegou ainda antes do intervalo e teve a assinatura de Froholdt. Apesar de uma primeira parte algo irregular, o médio apareceu no momento certo para resgatar o FC Porto e impedir que a equipa chegasse ao descanso numa situação ainda mais desconfortável. O golo nasceu de uma fase em que os dragões conseguiram acelerar e aproveitar melhor os espaços, com Pepê e Alberto a assumirem a iniciativa.
A igualdade no marcador não apagou os problemas da equipa, mas alterou o enquadramento do jogo, até porque o Marítimo perdeu parte da vantagem emocional que tinha construído, ao passo que o FC Porto pôde regressar aos balneários com a certeza de que continuava a depender de si próprio.
A segunda parte foi, portanto, praticamente toda azul e branca. O Marítimo abdicou de atacar durante largos períodos e concentrou-se em proteger a sua baliza, permitindo que o FC Porto instalasse o jogo no último terço. A equipa visitante foi aumentando a intensidade, passou a recuperar a bola mais rapidamente e empurrou os madeirenses para junto da área. Primeiro, tentou resolver através de cruzamentos e de uma presença mais numerosa na zona de finalização. Depois, foi encontrando outras formas de chegar à baliza, obrigando Fran Vieites a uma sucessão de intervenções que impediram a reviravolta mais cedo.
Aliás, o guarda-redes espanhol foi, durante largos minutos, o principal obstáculo à vitória portista. Com experiência em clubes históricos, como o Real Bétis e o Leicester City (embora não tenha chegado a jogar neste último), e uma prestação segura, pareceu ser uma melhoria em relação ao compatriota Alfonso Pastor e mostrou que o Marítimo pode ter aqui uma solução de maior fiabilidade entre os postes. Vieites foi travando o que pôde, mas a pressão dos dragões tornou-se demasiado constante, com sucessivas aproximações à baliza e oportunidades que poderiam ter resolvido o encontro antes do golo decisivo.
Foi também nesta fase que se tornou evidente a importância do banco de suplentes. Farioli mexeu bem e melhorou a equipa com as alterações. Rosario trouxe maior controlo e clarividência à circulação, retirou tempo e espaço a Maxime Domínguez e ajudou a impedir que o Marítimo voltasse a encontrar saídas limpas. Além disso, a sua entrada foi especialmente importante depois de Varela ter visto o cartão amarelo, num momento em que a substituição do médio já parecia aconselhável.
De notar que o treinador italiano continua a gerir Rosario com prudência e tem sido cauteloso com Gabri Veiga, ao mesmo tempo que procura dar oportunidades a Varela. A gestão do plantel exige equilíbrio, mas este encontro mostrou que algumas escolhas têm consequências imediatas no funcionamento coletivo.

Quando Rosario entrou, o FC Porto passou a controlar melhor a bola e o Marítimo deixou praticamente de criar perigo com posse. Também Francisco Moura surgiu mais confiante e seguro, enquanto Jan Bednarek voltou a destacar-se pela força nos duelos e pela capacidade de dominar a área defensiva. O defesa-central foi uma das figuras mais consistentes de uma equipa que, apesar de ter sofrido, soube evitar que o adversário transformasse as poucas oportunidades em algo mais.
Do lado madeirense, Van der Gaag demorou a introduzir Simo Bouzaidi para tentar travar as incursões de Alberto Costa, que continuava a explorar o espaço nas costas da defesa. A titularidade de Tomás Tavares já tinha sugerido uma preocupação em reforçar a estrutura defensiva, mas o Marítimo passou demasiado tempo a tentar sobreviver em vez de procurar uma forma de voltar a discutir o encontro. É certo que a organização da primeira parte foi meritória, mas a incapacidade de manter alguma ameaça ofensiva depois do intervalo acabou por empurrar a equipa para uma defesa prolongada.
Neste contexto, o FC Porto precisava de algo distinto para ultrapassar um bloco tão compacto e fechado. A circulação, por si só, não chegava. Era necessário um jogador capaz de receber, acelerar e desafiar diretamente o adversário, sem ficar preso às rotinas coletivas. Esse jogador foi Oskar Pietuszewski. Num jogo em que os dragões já tinham acumulado ocasiões e insistido por diferentes caminhos, o talento bruto do polaco acabou por ser a chave para abrir a porta.
Tinha entrado aos 79’ e não demorou a aparecer. Cerca de cinco minutos depois, recebeu a bola do lado esquerdo, rodeado de adversários, puxou para dentro e rematou em arco, tão bem colocado que Vieites, até ali o melhor em campo, só pôde vê-la entrar.

Após um excelente passe de Jakub Kiwior, num movimento-padrão da turma portista, o lance confirmou aquilo que o seu perfil já sugeria: é um extremo com fantasia, coragem e recursos técnicos para desmontar defesas que parecem não conceder oportunidades. Decisivo num contexto de pouco espaço e muita pressão.
Pelo meio, a celebração ainda teve de esperar. Inicialmente assinalado fora de jogo, o lance ficou sob análise do VAR, que acabou por validar o golo por uma margem mínima: apenas um centímetro manteve o jovem polaco em posição legal.
Feliz do treinador que tem um Oskar Pietuszewski no banco para resolver o jogo, uma solução de enorme valor, que não deve ser desperdiçada, nomeadamente em partidas nas quais a equipa sente dificuldades para criar vantagens no ataque posicional.
Foi, portanto, mais uma jornada em que ficou bem vincada a profundidade do plantel azul e branco. Samu, Gabri, Borja, Rosario e Pietuszewski foram opções vindas do banco (ainda há Santiago Giménez, Gabriel Mec e Souza), num período em que o desgaste acumulado pela pausa para as seleções podia complicar a tarefa de uma equipa com vários internacionais.
Há, contudo, um padrão que merece atenção. Nos últimos quatro jogos para o campeonato, o FC Porto sofreu primeiro em três, sendo que, entre provas nacionais e internacionais, já sofre golos há cinco jogos consecutivos. A habitual imagem de uma equipa que marca cedo e depois controla a vantagem não corresponde ao que tem acontecido.
Os dragões têm sido obrigados a aumentar o ritmo e a agressividade para recuperar resultados, colocando mais jogadores em zonas de finalização e recorrendo à qualidade individual para resolver partidas. De facto, essa capacidade de reação é uma virtude, mas não pode servir para esconder os problemas que se repetem na primeira parte, principalmente quando o adversário consegue fechar os corredores interiores e obrigar o FC Porto a atacar de forma mais previsível.
O triunfo no Funchal foi, por isso, simultaneamente importante e um aviso, na medida em que o FC Porto mostrou personalidade para reagir, qualidade no banco e talento para encontrar uma solução quando o plano inicial não chega. Por outro lado, também voltou a complicar um jogo que poderia ter encaminhado mais cedo, com dificuldades na construção, erros individuais e pouca influência de alguns médios.
No geral, a exibição esteve abaixo do esperado, embora a segunda parte tenha sido de sentido único e pudesse ter permitido uma vitória mais confortável, não fossem as intervenções de Vieites e as oportunidades desperdiçadas.
Enfim, depois de uma pausa internacional, nem sempre é simples recuperar de imediato a melhor dinâmica coletiva, sobretudo para equipas com tantos jogadores chamados às seleções, pelo que é precisamente nestes momentos que a profundidade do plantel faz a diferença.
O FC Porto teve-a e Farioli soube utilizá-la para alterar o rumo do encontro. Segue-se um novo desafio, com o Real Bétis, para a fase regular da Champions League, no horizonte, num calendário que exigirá mais solidez e menos dependência de reações tardias.
No fim, os três pontos são o que mais importa para um líder que continua a encontrar diferentes formas de vencer. No entanto, esta vitória no “caldeirão” dos Barreiros não deve ser lida como apenas mais uma demonstração de força. Foi, acima de tudo, a confirmação de que, quando a equipa se prende demasiado às suas rotinas e perde clareza no meio-campo, precisa de individualidades capazes de quebrar o guião. Desta vez, foi Pietuszewski, por um centímetro e com um golpe de génio, quem o fez.










