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O melhor 11 do Sporting com nacionalidades diferentes

Nuno Almeida · 7 min

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Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Desde que comecei a acompanhar jogos do Sporting que me habituei a ver grandes jogadores a desfilar a sua classe no antigo relvado de Alvalade, assim como no atual Alvalade XXI. Alguns deles tornaram-se mesmo Bola de Ouro e/ou Bota de Ouro. Infelizmente, nem todos poderão ser incluídos neste “onze”, mas são as condicionantes que nos impomos para a criação desta equipa de estrelas. Assim, para escalonar esta “Dream Team” tenho de ter em consideração o melhor jogador que vi jogar em cada posição, sem que possa haver dois da mesma nacionalidade.

Pode parecer fácil, mas esta última condicionante obriga a deixar muitos jogadores de enorme qualidade fora desta equipa. Relembro que vou só escalonar atletas que me lembro de ver jogar pelo Sporting, pelo que, a título de exemplo, não surgirá nenhum dos Cinco Violinos e mesmo que os tivesse visto jogar, não os poderia incluir todos.

Dito isto, vem descobrir a minha selecção de craques, podendo aceitar muitas outras sugestões da tua parte. Podes fazer também este exercício, mas não te esqueças de não repetir dois jogadores do mesmo país. (E não vale “batota” com duplas nacionalidades 😉).

1.

Guarda-redes: Peter Schmeichel (Dinamarca) – Nesta posição muitos lembrarão Vítor Damas, no entanto eu não tive a honra de ver jogos dessa lenda, pelo que apresento aqui outro “monstro” das balizas. Peter Schmeichel, apesar de ter vindo para o Sporting já nos últimos anos da sua carreira, veio ainda a tempo de se tornar um dos melhores guarda-redes que defendeu as nossas balizas.

Como qualquer grande jogador nesta posição, tinha um pouco de loucura, o que o obrigava a presentear-nos com algumas saídas bem excêntricas que nos arrepiavam, mas por outro lado arrepiava também os adversários. E só de imaginar um gigante como o Peter a correr na nossa direção de braços abertos, desconcentrava qualquer avançado. A sua envergadura ajudava-o também a ir buscar bolas impossíveis. Era um líder, comandava a defesa leonina como ninguém e foi a começar pela baliza que nos tornámos campeões 18 anos depois.

2.

onze posição
Fonte: Liga Portugal

Defesa direito: Cristiano Piccini – Nesta posição foi difícil escolher alguém, até porque tinha um jogador português e outro brasileiro como as melhores opções, no entanto tinha de guardar essas nacionalidades para outras posições como poderão verificar à frente.

Esta minha escolha boicota, lá na frente, um jogador que eu também gostaria de escalonar. Falo de Ivone De Franceschi. Mas a vida é feita de escolhas e a posição que Ivone ocupava também será ocupada por um jogador que eu adorava ver jogar.

Quanto a Piccini, apesar de ser um jogador que nunca foi consensual junto dos adeptos Sportinguistas, era um defesa muito equilibrado. Não era o melhor a defender, nem o melhor a atacar, mas não comprometia em nenhum dos momentos do jogo. É um jogador que não envergonharia esta equipa de estrelas.

3.

Defesa Esquerdo: Rodrigo Tello (Chile) – Também para esta posição, como na anterior, foi difícil encontrar um jogador completo que cumprisse todos os requisitos. E apesar de poder indicar alguns que talvez pudessem ser mais completos, como Rui Jorge ou César Prates, estes já não eram elegíveis por existirem outros que ocuparão o lugar português e brasileiro. Tello é então o escolhido, e com isso ficam a perceber que Matias Fernández não fará parte dos eleitos. Para o lugar desse tenho o nosso “Messi”.

O chileno Rodrigo Tello podia fazer a posição de extremo ou mesmo médio interior, no entanto cumpriu com qualidade a posição de defesa esquerdo. Era rápido, subia bem, cruzava muito bem também, e a defender não comprometia. Era bom tecnicamente, e por isso podia ocupar todas as posições identificadas antes.

Podem dizer que Acuña será melhor, no entanto, para mim não será muito melhor, e tem contra si o temperamento que o desconcentra em momentos críticos. Para além de que, Acuña é argentino e dessa nacionalidade já teremos o nosso médio-defensivo.

4.

onze posição
Fonte: Sporting CP

Central: Stan Valckx (Holanda) – O holandês era o central que faria uma excelente dupla com André Cruz, mas não foi o caso. E não o será também neste caso. Mas ainda fez dupla com Marco Aurélio que não devia muito ao seu conterrâneo.

Valckx comandava a defensa numa equipa recheada de estrelas. Mas craques como Luís Figo, Balakov, Cherbakov, Iordanov tinham toda a liberdade de colocar a sua qualidade a atacar por saberem que tinham esta fortaleza holandesa lá atrás como guarda de honra.

5.

Central: Noureddine Naybet (Marrocos) – Central internacional Marroquino chegou para ocupar lugar ao lado de Valckx. Qualidade não lhe faltava e era mais um esteio que a equipa leonina ganhava lá atrás. Na época de 1994/1995 tínhamos na defesa Valckx, Naybet, Marco Aurélio e Budimir Vujacic. Não se pode dizer que faltasse qualidade na defesa. No ataque também não. Naybet era mais uma torre de segurança na defesa leonina. E apesar do marroquino só estar neste onze por imposições dos pressupostos, sabia tudo sobre a arte de defender: rápido, forte, alto e bom na antecipação.

6.

Médio defensivo: Aldo Duscher (Argentina) – Este argentino tinha uma qualidade superior. Bom a posicionar-se e ótimo tecnicamente, era um médio que podia facilmente fazer também a posição 8. Gosto deste jogador a ponto de me fazer descartar Acosta, Romagnoli, Acuña ou Insúa. Forte a defender, também dava uma excelente ajuda no ataque com o seu poderoso remate, quando lhe era permitido chegar à frente. Qualquer linha defensiva com este argentino na sua frente tinha mais possibilidades de ser considerada melhor, já que tinha pulmão para correr o jogo todo em compensações, apoios e transições.

7.

Médio Esquerdo: Emmanuel Amunike (Nigéria) – Este internacional nigeriano era um dos meus jogadores preferidos, pela rapidez, pela verticalidade, técnica, e principalmente para fazer uma homenagem ao meu avô.

O meu avô não tinha clube, mas apoiava o Benfica por causa dos filhos, e o Sporting para agradar aqui ao neto. Sempre que eu entrava lá em casa e começávamos a falar de futebol, a primeira coisa que ele me dizia era “Nuno, e aquele escurinho pequenino e rápido? Que jogador”, “O Amunike, Avô”, – “Sim, esse”. Amunike furava qualquer defesa, pela sua rapidez, e principalmente por conseguir fintar em corrida.

8.

Médio Direito: Luís Figo (Portugal) – No meu “onze” não podia faltar um “melhor do mundo” formado na Academia leonina. E Figo ganhou a Cristiano Ronaldo na minha preferência porque fez várias épocas na equipa principal do Sporting, tendo tido um papel mais relevante ao serviço do clube. De Figo todos ainda se lembram, conhecem a sua carreira, as suas conquistas, mas já no Sporting se percebia a sua qualidade a segurar a bola, colocando-a onde queria, com excelente visão de jogo.

Não vou aqui indicar o seu palmarés, mas apenas recordar que tivemos no nosso clube, a defender o leão rampante, nada mais nada menos que este jovem de cabeleira farta, cujo penteado tantos adolescentes tentaram imitar e que espalhou magia nos relvados portugueses com a verde e branca listada no corpo e que depois se tornou um dos Galácticos e foi considerado “melhor do mundo”.

9.

Médio Ofensivo: Krassimir Balakov (Bulgária) – Este búlgaro era o nosso “Messi”, a jogar ao lado de Figo, Cherbakov e Iordanov, formavam um ataque de Luxo. Balakov era acima da média. Com uma qualidade técnica incomparável, conseguia sozinho inventar uma jogada de golo. Fintava dois ou três e marcava golo. Ia buscar a bola lá atrás e transportava-a como ninguém. Tinha uma visão de jogo como poucos e merecia ter ganho mais do que ganhou.

Ele “obrigou-me” a prescindir, neste onze, de um dos meus eternos capitães, o senhor Ivaylo Iordanov, o que não quer dizer pouco do quanto gostava de o ver jogar. Para Balakov não basta ilustrar com foto. Teremos de ilustrar com imagem, movimentos de classe.

10.

Avançado Centro: Sergey Cherbakov (Ucrânia) – Este ucraniano jogava a médio, mas como chegou a jogar com o número 9 nas costas, e para o enquadrar neste onze, coloco-o como segundo avançado, no apoio ao ponta de lança. E não é tão descabido assim, uma vez que tinha uma técnica apuradíssima, a jogar bem de costas para a baliza, no apoio aos avançados, no primeiro toque, e com uma visão de jogo excelente. Este poderia ter sido também um fora de série, não fosse o grave acidente que o colocou numa cadeira de rodas. E por ter ficado para sempre ligado à história do Sporting, não podia faltar nesta equipa.

11.

Ponta de Lança: Mário Jardel (Brasil) – Porque será? Este brasileiro fez com que vários brasileiros não pudessem entrar neste onze, mas não poderia deixar de fora um ponta de lança que nunca marcava menos de 30 golos por época.

Podiam chamá-lo coxo, desajeitado, mas sempre que a bola o encontrava perto da baliza, era sentença para o adversário. De cabeça ou com os pés, Jardel era letal. E com um jogador como João Pinto a colocar-lhe as bolas redondinhas, era sempre mais fácil. Por alguma razão Jardel dizia que João Pinto era seu “pai”.

Este não era daqueles pontas de lança que só marcava no campeonato português. Também nas competições internacionais tinha a mesma eficácia. E não terá tido outra carreira pelos problemas que teve fora dos relvados e também porque era jogador que precisava de uma equipa montada para trabalhar para ele.

Nuno Almeida

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