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«Golo ao Benfica foi um presente na minha carreira» – Entrevista BnR com Bruno Moraes

Nélson Mota · 30 min

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Bola na RedeQuem é que partia mais vasos lá em casa, tu ou o teu irmão [Júnior Moraes]?

Bruno Moraes: É uma boa pergunta (risos). Na verdade, acho que era a minha irmã (risos). O meu pai diz que ela é melhor jogadora do que eu e do que o meu irmão. Na altura o futebol feminino não era como os dias de hoje, ela não se sentia bem nesse ambiente e resolveu não seguir carreira.

Bola na RedeUma família de futebolistas…

Bruno Moraes: É isso, uma família de futebolistas. Isso veio do meu pai, apesar da família dele não ser futebolista ele se tornou jogador de futebol profissional e passou esse ADN para os três filhos.

Bola na RedeEram muito competitivos?

Bruno Moraes: Sim eramos muito competitivos, passávamos grande parte do dia a jogar futebol. Naquela época tínhamos oportunidade de jogar em vários tipos de terreno e pisos. Tanto jogávamos na relva, como na rua, lugares encharcados de água, terrenos com muita oscilação, às vezes em campos sintéticos, na areia, numa série de terrenos que nos forçava a adaptar e isso é um ganho muito grande para qualquer jogador.

Bola na RedeComo é que foi crescer nas ruas da cidade de Santos?

Bruno Moraes: Eu sou um privilegiado, posso dizer isso. Santos é uma cidade litorânea, tem praia muito perto e foi muito bom crescer lá. Para além de praia, naquela época, os clubes eram sociais que tinham por norma uma equipa de futsal e a competição era muito cerrada. Montavam boas equipas e o futsal em Santos era muito forte. A maioria dos clubes tinha pavilhões e alguns deles tinham campos com enorme qualidade da relva. Proporcionou muitos jogos, muita brincadeira, eu passava a minha semana no clube. Tive uma infância ao ar livre e isso foi muito bom.

Bola na RedeFalaste há pouco do teu pai, Aluísio Guerreiro, ele que é um ex-jogador. De que forma é que ele influenciou a tua ida para o futebol?

Bruno Moraes: O meu pai foi a minha referência. Como eu sou o filho do meio, eu ainda o apanhei um pouco no final da carreia e já nesse final ele me levava para o treino e para ver alguns jogos. Isso tudo foi-me cativando e despertando interesse, até que chegou uma determinada altura que tive que decidir por mim mesmo se queira continuar no futebol ou não e acho que decidi bem. Era o meu sonho, era o que eu queria fazer. O meu pai só me mostrou o caminho e me deu as orientações que eu precisava.

Fonte: Instagram Bruno Moraes

Bola na RedeComo é que te destacaste no meio de tantos miúdos nas captações e garantiste a tua oportunidade de representar o Santos?

Bruno Moraes: Eu vou falar um pouco do meu pai porque eu assim consigo explicar melhor o que ele me transmitiu. O meu pai teve uma infância difícil e tudo o que ele conquistou foi à base de muita luta. Como eu falei, os pais deles não tinham muitas condições, teve uma infância pobre e ele conseguiu se tornar um jogador no Rio de Janeiro que é o sonho de milhões de jogadores. Ele conseguiu se tornar jogador profissional e teve destaque em vários clubes do Brasil. Tudo o que ele aprendeu nessa passagem, tudo que adquiriu de conhecimento e o que aprendeu com a vida, ele me passou e eu acho que quando se tem assim uma referência e quando se tem alguém que já traçou um caminho, fica mais fácil se você absorver as ideias. Foi isso que ele me passou, não só a parte técnica de como fazer golos e cabecear a bola, mas mais importante, ele me incutiu que nada na vida vem fácil se não formos atrás. Se você levar a vida fácil ela depois vai-se tornar difícil, foi esse o tipo de coisa que aprendi com ele. Quando cheguei no Santos, fui num autocarro com mais de 30 meninos e tive pouco tempo para me mostrar, mas tive sorte e quando a bola chegava mostrava um pouco do meu futebol e fui aceite no Santos. Como me comecei a destacar no Santos, tive convites para ir para vários clubes na Europa, fui convocado para a seleção brasileira, o que é muito difícil e o Santos já não tinha um jogador da formação convocado há muito tempo.

Bola na RedeLembras-te do teu jogo de estreia com a camisola do Santos?

Bruno Moraes: Lembro-me. Foi muito bom, numa partida contra o Flamengo. Estávamos a ganhar por 3-0 e a torcida começou a pedir a minha entrada. Eu que cresci na cidade, sempre tive o sonho de jogar no Santos, assistia aos jogos quando era pequeno o meu pai me levava sempre a ver e para mim foi muito boa essa estreia. Entrei no jogo, fiz uma boa jogada mesmo sem ter muito tempo para mostrar, mas já deu para perder aquele “friozinho” na barriga na estreia. Tenho pena de não ter jogado mais no Santos, era a minha equipa do coração, mas a vida profissional é diferente daquilo que se sonha.

Bola na RedeFizeste parte de uma geração de luxo da equipa do “Peixe” ao lado de jogadores como Diego e Robinho, conquistando no primeiro ano de sénior o título de campeão brasileiro. Apesar de não teres sido uma aposta regular, certamente que deve ter sido uma época memorável.

Bruno Moraes: Tínhamos um grupo bom onde se misturavam jovens jogadores com jogadores experientes. O Santos estava numa busca de 19 anos sem títulos e a maioria da equipa era formada com jogadores da formação. Foi algo que deu certo, não era o planejamento do Santos nesse ano, eles iam contratar outros jogadores, mas as contratações não deram certo e o treinador optou por ir com os jogadores que tinha e foi feliz nesse sentido.

Bola na RedeAinda antes dessa conquista, representaste as cores da canarinha na Sudamericano Sub 17 e no Mundial sub 17, sendo que nesta competição, apontaste um golo na fase de grupos frente à Croácia. Para ti, foi a concretização de um sonho vestires e marcares um golo ao serviço do teu país?

Bruno Moraes: Eu sempre fui muito ambicioso, nunca coloquei limites na minha carreira. Nas conversas com o meu pai eu nunca me deslumbrei muito com aquilo que eu tinha conquistado, eu já olhava para o próximo desafio e qual o próximo objetivo a conquistar. As coisas foram acontecendo naturalmente. Eu nem imaginava jogar na seleção do Brasil, eu gostava de jogar, queria ter um futuro bom, queria ser um jogador profissional de qualidade, aplicar tudo o que aprendi na formação e mostrar o meu futebol. Depois claro, queria ter uma melhor condição financeira, proporcionar um padrão de vida melhor e as coisas foram acontecendo por consequência. A seleção do Brasil trazia sempre uma grande multidão nos jogos, quando íamos jogar fora em torneios nós eramos sempre reconhecidos e as pessoas queiram tirar fotos, autógrafos e estar sempre perto dos jogadores. Era uma instituição muito grande, as pessoas associam muito o futebol ao Brasil. Fiquei muito feliz em ir para a seleção brasileira, mas já pensava no próximo desafio. Na altura o objetivo era jogar na equipa principal do Santos, mas eu e o Santos não nos entendemos para renovar contrato e durante esse capítulo apareceu o FC Porto que foi a minha primeira casa na Europa.

Bola na RedePegando já por aí, como é que surgiu o interesse do FC Porto?

Bruno Moraes: Num desses torneios na Europa, eu tinha conhecimento que estava a ser observado, mas não fazia ideia que era pelo FC Porto. Eu tive alguns interessados de Itália porque o Santos foi fazer um torneio em Viareggio numa cidade pequena, mas era um torneio importante com grandes equipas como o Milan, Juventus, Parma, entre outras. Eu tive um bom desempenho e algum destaque e chamei a atenção de alguns clubes como a Lázio. Até hoje eu tenho uma camisa da Lázio na altura em que o meu pai era o meu empresário e ele foi reunir com eles e a Lázio levou uma camisa com o meu nome para me convencer a assinar com eles. Mas o meu pai, como tinha muita experiência não se deslumbrou muito com as propostas dos clubes de Itália e achou que, para eu ter uma melhor adaptação e pela facilidade da comunicação, a minha entrada no futebol europeu seria numa primeira fase jogar no FC Porto. Soube que a minha ida para o FC Porto teve a ver com o interesse do José Mourinho. Ele viu os meus vídeos e na altura o Hélder Postiga ia ser transferido, por isso ele quis ir buscar um jogador com as mesmas características: um ponta de lança técnico que finalize bem. Foi através desse interesse do José Mourinho que eu pude fazer parte do FC Porto.

Bola na RedeComeças por te destacar na equipa B e alinhas num plantel com algumas promessas que se viriam a tornar figuras do nosso campeonato, como Ricardo Costa, Vieirinha e Hugo Almeida. Como é que foi essa adaptação e de que forma é que esses jogadores te receberam e ajudaram a conhecer a realidade do clube?

Bruno Moraes: Sendo sincero me causou um pouco de choque porque na altura que me contrataram, eu tinha a esperança, e a promessa que foi feita, era de eu ingressar na equipa principal. Eu cheguei com essa ilusão de jogar, ou pelo menos ir para o banco, mas na verdade, o Mourinho me chamou várias vezes para conversar e o FC Porto tinha uma estratégia de me irem lançar aos poucos. Nessa altura, como era jovem e como eu já disse que era muito ambicioso, achava que já estava preparado, mas não estava. Então foi necessário eu fazer alguns jogos pela equipa B, foi necessário ir entrando aos poucos na equipa principal do FC Porto, mas na altura para mim foi difícil porque durante a semana eu treinava com os seniores e no final da semana ia jogar pela equipa B. Para mim isso era muito doloroso e muito difícil de assimilar porque eu queria muito jogar. Mas respeitei a opção do treinador, eu ia para os jogos da equipa B e acho que acabei marcando 12 golos em 10 jogos pela equipa B, até dezembro eu fiz bons números. A partir de dezembro/janeiro eu já participei na equipa A e não voltava a jogar na equipa B. Foi assim que eu ingressei no FC Porto, com essa adaptação ao futebol europeu que é um pouco diferente do nosso futebol no Brasil pela forma de jogar, no sentido em que nós no Brasil “com bola jogamos muito e sem bola jogamos pouco”, aqui na Europa é diferente, quando perdemos a bola temos de reagir à perda e temos de nos posicionar. Trabalhamos muito sem a bola e eu demorei algum tempo para aprender isso, mas consegui aprender e ganhar essa mística no FC Porto de querer ganhar tudo, querer ganhar logo, custe o que custar, sempre com vontade de ganhar e me comecei a dedicar ao clube e até hoje, em tudo o que faço, essa mística do FC Porto me ajuda a querer sempre ganhar.

Bola na RedeNessa época de estreia em Portugal, em 2003/04, representaste a equipa principal em oito ocasiões e estreaste-te a marcar frente ao Rio Ave na Taça de Portugal. O que é que o jovem Bruno Moraes com 19 anos sentia ao estar rodeado de um lote de craques que marcou uma geração do futebol português?

Bruno Moraes: É verdade, como eu já disse, tudo na minha carreira aconteceu muito rápido. No Santos tive num grupo de jogadores consagrados no meu primeiro ano como sénior e pude aprender coisas. Quando eu vim para o FC Porto, no meu segundo ano de sénior, eu apanhei também jogadores com muita história e prestígio. Vítor Baía, Deco, Derlei, Costinha, Maniche, Alenitchev… jogadores de seleção com muita qualidade que me ajudaram a aprender muita coisa. Para além da qualidade do campo, eram mais velhos e aconselhavam bastante os jogadores mais novos. Foi muito bom esse ano que eu joguei no FC Porto em que vencemos a Liga dos Campeões e o campeonato e foi muito bom eu ter participado nisso com eles.

Bola na RedePor falar em Liga dos Campeões, tu estreaste-te na Liga dos Campeões no Santiago Bernabéu frente ao Real Madrid e fazes mais alguns minutos no Dragão frente ao Manchester United. Recordas-te do ambiente vivido nesses jogos?

Bruno Moraes: Jogar a Liga dos Campeões é o sonho de muitos meninos. Só pela apresentação, as estrelas, a música, é um ambiente totalmente diferente e ali estão reunidos os melhores. É um nível muito alto e com certeza fica na memória todos os momentos e jogos. Nesse ano de 2003/04 eu participei em alguns jogos e foi maravilhoso estar ali naquele ambiente fervoroso e ver os craques, como os jogadores do Real Madrid que eu sempre admirei. Nesses jogos que falaste eu tive com jogadores que nunca imaginei estar perto: Roberto Carlos, Ronaldo, Figo, Beckham, Zidane. Contra o Manchester United tive oportunidade de jogar contra o Cristiano Ronaldo, Giggs, Scholes, uma série de jogadores lendários. Eu fui um privilegiado por estar lá e foi muito satisfatório chegar até a esse momento na minha carreira.

Bola na RedeLembras-te com quem estavas no balneário a ver o jogo da final da Liga dos Campeões em Gelsenkirchen?

Bruno Moraes: [Bruno Moraes fica pensativo] Com o Ninja?

Bola na RedeO Maciel disse-me que estava contigo nesse momento.

Bruno Moraes: Ah, o Maciel! O Maciel também é ninja.

Bola na RedeApesar de não terem estado no banco, como foi vivida a festa no relvado e a chegada à Invicta?

Bruno Moraes: Foi tudo maravilhoso. O facto de eu não ter sido convocado foi menos bom porque eu queria estar lá a jogar, mas só de fazer parte desse plantel já me deixa bastante contente e poder comemorar com eles esse título foi gratificante. Tínhamos uma equipa fabulosa, o Maciel ficou de fora também, um grande jogador que era muito rápido e fazia muitos golos na Liga Portuguesa, mas faz parte do futebol, um treinador não pode escolher todos para jogar. Têm de ser feitas escolhas e hoje eu aceito isso, mas jogador quer sempre jogar. Eu estava ali, estava feliz, mas se estivesse no jogo era melhor.

Bola na RedeComo foi ter sido treinado por José Mourinho?

Bruno Moraes: Foi especial, tanto pelas correções como quando ele nos elogiava de um modo muito particular. A psicologia que ele emprega no trabalho dele é muito boa. No caso dele, ele chamava-nos quando percebia algum tipo de comportamento, quando um jogador andava desanimado ou quando andava motivado e treinava bem, ele sempre fez questão de chamar na sala dele e conversar sobre isso. Era um treinador que na altura já estava muito à frente dos outros treinadores. Como o Mourinho foi o meu primeiro treinador, eu tive sempre uma referência muito alta na Europa. Quando fui treinado por outros, era lógico que havia coisas boas, mas o padrão Mourinho foi sempre difícil depois de encontrar no futebol.

Bola na RedeÉs cedido por empréstimo na época seguinte para o Vitória de Setúbal, naquela que foi uma época de transição do pós-Mourinho no FC Porto. Era difícil conquistar um lugar naquele plantel que contava com Mccarthy, Postiga, Hugo Almeida, Luís Fabiano, Jankauskas?

Bruno Moraes: Era difícil por várias razões, não só pela parte desportiva, mas também pelo clube, como SAD e empresa que tem de gerar lucro. Eu como era novo e tinha um contrato longo decidiram que ainda havia tempo para me avaliar. Logo no meu primeiro ano surgiu um interesse muito forte para eu poder jogar mais e ser emprestado, só que optei por ficar no FC Porto porque quis fazer parte daquele grupo que viria a ser campeão europeu e acreditava que poderia fazer alguns jogos. Acho que ainda fui importante em alguns jogos da Taça de Portugal, fiz esse golo, tive em alguns jogos na Liga dos Campeões e no campeonato. No meu segundo ano o FC Porto ainda comprou mais jogadores para a posição de ponta de lança e os treinadores que vieram também não me conheciam. Abriu uma janela para eu ser emprestado e eu queria jogar, queria me afirmar como jogador e precisava disso. Saí ainda com um pouco de relutância no empréstimo para o Setúbal, mas foi importante para mim esse empréstimo em que eu pude jogar, ter oportunidades, fiz bastantes jogos, bastantes minutos na Primeira Liga Portuguesa, só que no final da primeira época tive um pouco de infelicidade com a lesão e não pude jogar na final da Taça de Portugal.

Bola na RedeNesse ano em Setúbal és treinado por José Couceiro e divides o balneário com Jorginho, Meyong, Moretto, Hélio Sousa, Sandro e muito mais, um grupo que viria a ganhar a Taça de Portugal. Que momentos guardas dessa época em que, ainda apenas com 20 anos, conseguiste ter maior destaque em Portugal ao apontares nove golos?

Bruno Moraes: É verdade, eu fui muito bem recebido e bem tratado por todos em Setúbal. A minha ida para o Setúbal foi muito bem conseguida desde o começo e desde as negociações do empréstimo. Não foi um empréstimo qualquer, foi bom para eles e bom para mim. Fiz parte de um balneário muito bom com grandes jogadores como falaste. O Sandro, o Auri, o Jorginho que foi contratado pelo FC Porto, o mister José Couceiro que me proporcionou bons momentos na equipa e que me integrou facilmente no plantel, o Meyong que era uma referência da seleção dos Camarões e era o meu parceiro do ataque em muitos jogos e muitos mais jogadores. Tínhamos uma equipa muito forte em Setúbal em que ganhamos a Taça de Portugal e em que fizemos uma boa figura no campeonato.

Bola na RedeO Vitória de Setúbal foi um clube que marcou a tua carreira, onde tiveste duas passagens por empréstimo. Como reagiste este ano, ao ver o clube viver um dos momentos mais negros da sua história e a ser despromovido ao Campeonato de Portugal?

Bruno Moraes: Fiquei triste. Infelizmente eu passei por clubes que tiveram uma má administração em que as pessoas colocaram os seus interesses financeiros em cima do clube e depois, ao não terem retorno, acabam por lesar o clube. Acho que isso é muito complicado porque as pessoas passam e o clube continua. Chegas a um clube, o clube está estável, está bem e depois deixam o clube nesse estado. Eu não estou a falar especificamente do Setúbal porque eu não tenho conhecimento de tudo o que se passou lá, mas de uma forma geral é muito mau isso. Não só para o clube, como também para a família dos jogadores já que na maioria dos casos os jogadores ficam sem receber. Aconteceu isso comigo no União de Leiria, em que eu fiquei sem receber o meu ordenado durante seis meses e o clube simplesmente fechou e abriu com outro nome e tudo continuou como se nada tivesse acontecido. Mas deixo esses casos para outras pessoas, eu só fico vendo e nesse caso do Setúbal foi algo que me deixou muito triste porque é um clube que sinto que faz parte da minha história e também sinto que fiz parte da história do clube.

Bola na RedeRegressas ao FC Porto e, após uma longa paragem em 2005/05, voltas a vestir a camisola dos Dragões em 2006/07 e tens a tua época mais produtiva no FC Porto. Qual foi o papel do mister Jesualdo Ferreira nessa época? Foi determinante para te devolver a confiança?

Bruno Moraes: Sim, claro que foi. O Mister Jesualdo foi muito importante nessa integração. Antes do mister Jesualdo chegar, tem pessoas importantes que eu não posso esquecer. O departamento médico do FC Porto, o Dr. Nélson Puga, o Braga, todos os massagistas, também não posso esquecer o António Dias que hoje trabalha com o Nuno Espírito Santo no Wolves e o mister Co Adriaanse que me facilitou a integração no FC Porto mesmo eu voltando da lesão, ele sempre gostou de mim, do meu futebol e isso se notou na minha pré-época onde marquei muitos golos e me estava afirmando no ataque do FC Porto. A chegada do Jesualdo também foi importante e, apesar de eu não ser titular habitual, era uma peça importante no grupo no sentido e que eu era quase o 12º jogador. Além de ser o primeiro a entrar na maioria dos jogos, entrava muitas vezes em funções diferentes que não eram a minha. Pela confiança que depositava em mim, o Jesualdo me via quase como parte do grupo inicial. É um treinador que eu me lembro bem porque trouxe estabilidade ao clube, era um treinador que minimizava os problemas e deixava os jogadores à vontade para jogar o futebol e aprendi muitas coisas com ele.

Bola na RedeAinda nessa época, assumes o estatuto de herói improvável e marcas o golo da vitória no Clássico frente ao SL Benfica aos 92’. Como é que tu te sentiste no dia seguinte, quando foste tomar o pequeno almoço naquele café perto do Olival e todas as pessoas que lá estavam levantaram-se e aplaudiram-te por causa do golo que marcaste ao Benfica?

Bruno Moraes: Esse golo ao Benfica foi um presente que eu tive na minha carreira. Na minha carreira tive uma ascensão rápida e antes desse golo ao Benfica eu tive as lesões, tive períodos que tive de ficar longe da minha família para estar aqui em Portugal e uma série de dificuldades que eu fui superando. Como eu falei, nesse ano eu não era titular no FC Porto, era como se eu estivesse jogando do banco. Nesse jogo contra o SL Benfica eu tinha até comentado com alguém que eu ia entrar e fazer golo. Mesmo faltando pouco tempo eu nunca deixei de acreditar e a recompensa veio com o golo que, tal como o golo do Kelvin, vai ficar sempre guardado na memória dos adeptos. Foi um momento especial que eu tive com o FC Porto por tudo aquilo que eu passei desde a minha chegada e ainda bem que aconteceu porque eu gostaria de ter dado muito mais pelo FC Porto, gostaria de ter cumprido o meu contrato e de ter seguido a minha trajetória no clube, que era a de ter jogado mais três anos e ser transferido. Mas saí pela porta grande, mesmo com as lesões que tive. Foi um dos meus momentos grandes pelo FC Porto e vai ficar guardado para sempre. Tenho até aqui um quadro, não sei se posso mostrar…

Bola na RedeClaro, faço questão.

Bruno Moraes: [Bruno Moraes mostra o quadro na parede do festejo do golo com os adeptos] É justamente do golo ao SL Benfica, quando estou a voltar do golo no meio dos adeptos com o segurança a ter de me segurar e a torcida atrás de mim feliz e um ponta de lança gosta de proporcionar estes momentos aos torcedores.

Bola na RedePassado cerca de quatro dias desse jogo, ainda de pé quente, voltas a sair do banco e assinalas mais um feito importante na tua carreira: marcas o teu primeiro golo na Liga dos Campeões, na Alemanha, frente ao Hamburgo. Podemos dizer que o Bruno Moraes de 2006/07 estava a viver o melhor momento de forma da carreira?

Bruno Moraes: Sim, com certeza. Até me arrepiei agora ao lembrar do golo e de tudo aquilo que eu vivi naquele momento, foi um momento mágico. Estava no auge da minha carreira. Estava numa idade boa, já não era miúdo já estava mais maduro, já sabia o que queria e já tinha passado por algumas dificuldades que me deixaram mais forte. Eu estava a entrar forte nos jogos, estava a ser um jogador que solucionou muitos problemas do FC Porto nessa altura e fazer golo nesse jogo da Liga dos Campeões, estar na assistência também, enfrentar jogadores desse nível e ainda ganhar alguns jogos, foi muito bom. A nossa equipa era muito forte, apesar de ter poucos jogadores experientes. Se não me engano o mais velho era o Pedro Emanuel, o Helton também e o Paulo Assunção, mas a maioria era tudo jovem, com 23/24 anos, mas com uma força e qualidade enorme. O mister Jesualdo conseguiu criar uma trajetória de vitórias no FC Porto durante esses anos.

Bola na RedeInfelizmente, é impossível desassociar o nome Bruno Moraes das lesões. Como é que um jogador se consegue reerguer ao fim de tantas lesões?

Bruno Moraes: “Ressurgir das cinzas” é talvez das melhores qualidades que eu tenho. Talvez tenha deixado algumas coisas atrapalharem a minha carreira, podia não ser nada de especial, mas hoje eu teria alguns cuidados se tivesse nova oportunidade, teria mais cuidado na alimentação e na parte física. Eu sempre tive essa capacidade de me reerguer e depois das quedas que eu tive isso é muito difícil. Por exemplo, depois das lesões que eu tive ainda faço uma época no Trofense já no final da minha carreira com 18 golos no CNS, que é um campeonato difícil. É fruto do meu trabalho e da minha crença. Eu sempre acreditei muito em Deus e mesmo a minha mãe tenta passar mensagens de fé para nós acreditarmos sempre e não desistir. Sem dúvida que a parte familiar e a minha esposa sempre me apoiaram com as lesões e nunca deixaram de apoiar. Sou um privilegiado por ter essas pessoas por perto e acho que esse é o segredo: acreditar, ter fé e estar rodeado de pessoas que agregam valor para nós.

Bola na RedeNo teu caso, afetou-te mais a condição física ou psicológica?

Bruno Moraes: Uma coisa acaba por estar associada à outra, o psicológico é que manda no corpo. Eu tive que superar muita dor, tem dias em que ainda sinto dor por causa do meu joelho e mesmo o meu final de carreira foi muito na base da adaptação devido às lesões que tive. Acho que o psicológico é fundamental para que o corpo, mesmo com algumas limitações, consiga desempenhar a função que pretendemos.

Bola na RedeCostuma ouvir-se muitas vezes quando os jogadores se lesionam: “Vou voltar ainda mais forte”. Isso é algo que acontece ou é uma tentativa de auto-motivação do jogador para não se deixar ir abaixo?

Bruno Moraes: De facto, acho que acontece. Fisicamente depende muito da lesão que estamos a falar, mas com certeza que a nível psicológico um jogador se torna mais forte. Ele já conhece o corpo dele e vai ter muito mais cuidado na parte física, na alimentação e no descanso. Então isso vai proporcionar para ele um melhor descanso e não ter mais lesões a partir disso seria o culminar de uma aprendizagem importante para o resto da vida do atleta.

Bola na RedeJá te passou alguma vez pela cabeça pensares até onde poderia ter ido o Bruno Moraes que despontou no Santos com apenas 17 anos e que apareceu no FC Porto com 19 anos, se não fossem as lesões?

Bruno Moraes: Penso, penso sim. Penso até onde poderia ter chegado, mas também penso que não posso fazer mais nada. O passado eu não controlo, mas eu posso controlar o futuro e controlo o futuro fazendo o melhor no presente. Quero estar a trabalhar nem que seja 24 horas a ter os cuidados para que tudo corra bem no futuro. Eu já estou a preparar o futuro, nunca esperei ser treinador, mas fiz o 1º nível em 2012, em novembro comecei a treinar uma equipa e estou a treinar os sub16 do Canidelo e estou a gostar muito.

Bola na RedeJá vou chegar a esse teu novo desafio na carreira. Para encerrar o capítulo das lesões, que conselho darias para os jogadores que possam estar a passar por um período longo de paragem ou que possa vir a passar no futuro?

Bruno Moraes: Sobretudo é a aprendizagem. É a prevenção e aprender que de alguma forma a lesão não veio por acaso e pensarem que a lesão já chegou, não há mais nada a fazer sem ser a fisioterapia e recuperar. Dali para a frente o atleta tem de pensar o que pode fazer dali para a frente para não ter mais a lesão, quais os cuidados que pode ter e onde pode melhorar para prevenir a lesão.

Bola na RedeAo fim de sete anos em Portugal, tens uma breve passagem no campeonato romeno ao serviço do Gloria Bistrita. O que é que aprendeste nessa experiência na Roménia?

Bruno Moraes: A experiência na Roménia foi através do meu irmão, o meu irmão jogava nessa equipa. Eu não tinha qualquer pretensão de ir para a Roménia, mas fiquei aqui um pouco sem mercado por causa das lesões. Tive proposta do Portimonense, mas financeiramente não era muito atrativa. Na altura eles estavam se reerguendo, a começar um novo projeto, mas apareceu essa proposta da Roménia que financeiramente era mais lucrativa e ainda para mais tinha essa oportunidade de jogar com o meu irmão e fazer história junto com ele. Era uma experiência diferente, de crescermos juntos e jogar profissionalmente lado a lado na Europa, poderia até remeter para a nossa infância e resolvi ir para lá. Apanhei lá muito frio, apanhei um campeonato diferente não tão conhecido, fui para uma cidade pequena, passei lá cinco meses, mas depois quis voltar para Portugal e jogar aqui de novo.

Bola na RedeRegressas ainda nessa mesma época à Liga Portuguesa para representar o Naval e o Leiria, voltas a ter uma experiência no estrangeiro na Liga Húngara ao serviço do Újpest FC e regressas novamente a Portugal para assumir a titularidade no Gil Vicente. No entanto, uma vez mais, uma lesão grave trava o teu sonho de completar uma época sem problemas físicos. Com 29 anos, na altura, sentiste que aquela era a derradeira hipótese para te destacares na Liga Portuguesa?

Bruno Moraes: Sim, acho que sim. Andei sempre nesse vaivém de altos e baixos, procurava estabilidade e o Gil Vicente era um clube que me poderia proporcionar isso e tinha tudo para ser uma época muito boa desportivamente, mesmo a nível pessoal também poderia ser uma época de crescimento. Infelizmente, mais uma vez tive uma lesão grave. Íamos para o oitavo jogo da época, estávamos muito bem no 4º lugar do campeonato, fizemos grandes jogos, ganhamos ao Braga, na Luz estivemos a ganhar até a minuto 90’, tínhamos o João de Deus como treinador que hoje em dia é o adjunto do Jorge Jesus, tínhamos um plantel misto com jogadores experientes como o César Peixoto e o Danielson e jogadores mais jovens despontando. Só que infelizmente eu tive essa lesão que prejudicou um pouco o Gil Vicente e na segunda metade do campeonato “caiu por tabela” e no final do campeonato estavam quase a lutar para não descer.

Bola na RedeA partir dos teus 30 anos a tua carreira prosseguiu por ligas secundárias. Primeiro no Portuguesa (Série B do Brasil), Varzim (Liga de Honra) e ENP (2ª Liga Cipiriota). Porque é que em cada experiência que tinhas no estrangeiro, acabavas por voltar a Portugal na temporada seguinte?

Bruno Moraes: Isso coincidiu pelo facto de eu ter uma história cá em Portugal, eu quando joguei no FC Porto acabei comprando uma casa em Gaia e a minha vida passou sempre por Portugal. Eu já não ia mais para o Brasil, só de férias, acabei me mudando mesmo, adquiri nacionalidade portuguesa, os meus filhos nasceram em Portugal e todas as vezes que eu tive uma experiência fora sempre quis voltar para a minha base.

Bola na RedeGanhas uma segunda vida no campeonato de Portugal e mostras em campo a raça Vareira do Espinho apontando dez golos, naquela que foi a tua primeira época da carreira a chegar à dezena de golos na carreira. Como é que foi passar de jogar num Clássico frente ao SL Benfica com o Dragão lotado para um campo com condições difíceis como era o caso do Estádio Comendador Manuel de Oliveira Violas?

Bruno Moraes: Eu olhando positivamente posso dizer que sou um privilegiado. Há jogadores de alto nível que já começaram em clubes grandes e permaneceram por lá que nunca conheceram um pouco dessa raça Vareira do pessoal mais pobre e da terra, que fazem um ambiente espetacular para a equipa da casa. Foi muito bom para mim ter encontrado o Espinho no final da carreira. Em termos de condições, infraestruturas e material era muito fraco e difícil trabalhar ali nesse aspeto, mas no aspeto do tratar das pessoas, do ambiente de trabalho e a estabilidade que eles proporcionavam a nível de salários, tudo isso resultava num bom resultado em campo. Era uma mistura da raça, dos adeptos, de uma equipa competitiva e também tive a oportunidade de ter um treinador que acreditou em mim no final da minha carreira mesmo depois de tantas lesões e ele me ajudou a melhorar o meu jogo posicional.

Bola na RedeTens a tua melhor época da carreira na temporada seguinte ao serviço do Trofense e és o segundo melhor marcador do Campeonato de Portugal com 17 golos. Como te sentiste no fim dessa época a olhar para esses números acima da média?

Bruno Moraes: Eu tenho até um quadro aqui que eu fiz nessa época, que era o quadro dos objetivos e eu estava muito motivado e focado. Acho que foi o ano em que tive mais focado em toda a minha carreira, aprendi até algumas fórmulas de como atingir objetivos e a verdade é que resultou e eu fiquei muito feliz no final da época. Infelizmente não conseguimos atingir o objetivo da equipa que era subir de divisão, mas isso não depende só dos jogadores, está relacionado com o clube e infelizmente nesse ano perdemos muitos jogadores importantes, principalmente da defesa, por má gestão e acabamos o ano com um lateral adaptado a central. Perdemos um central, o Asprilla, por problemas de saúde, mas os outros dois perdemos por opção e essa estabilidade faltou-nos no final. Nós tínhamos uma equipa forte, tínhamos tudo para ir aos playoffs e subir, mas infelizmente não fomos. Este ano também tive um castigo que foi uma coisa ridícula, fora do normal e atrapalhou a equipa, mas a nível pessoal foi um ano muito bom porque eu atingi as metas que estabeleci e para mim o mais importante é olhar para trás com orgulho para isso tudo e ver que não me deixei abalar pelas lesões, não atirei a toalha ao chão e tenho orgulho nisso. Posso deixar o esse legado para os meus filhos e para os meus fãs que me seguem, está aí o resultado de que é possível, mesmo com inúmeras adversidades, se tivermos a mente forte e estivermos focados, podemos alcançar coisas que nem imaginamos.

Bola na RedeDe que forma é que a pandemia afetou o campeonato do Trofense na época passada?

Bruno Moraes: Eu acho que a pandemia ajudou o Trofense. O Trofense fez uma má gestão no sentido em que tinha uma equipa forte, competitiva, já tinha a equipa montada e só ficou com dois jogadores de uma época para a outra. Um deles era reserva, era eu e era o Mika, o capitão, o resto foi tudo embora. Quiseram montar uma equipa do zero e entregou de bandeja os bons jogadores às outras equipas porque a maioria desses jogadores continuaram no CNS em equipas que pagavam igual ou menos. Nesse ano o Trofense fez uma época muito má, com muita instabilidade, tínhamos um balneário em que nem sabíamos quem vinha entrar para treinar, tivemos mudança de treinadores, treinadores que estavam do outro lado da porta à espera do outro ser despedido para entrar. Tivemos coisas assim que mostra toda a falta de competência dos administradores do clube. Infelizmente foi isso que aconteceu e quando é assim, quando a liderança já não passa os valores e a liderança, fica difícil saber para onde é que o barco vai. Era um barco à deriva do mar, era o Trofense na época passada.

Bola na RedeQuem achas que é favorito a vencer o campeonato desta época?

Bruno Moraes: O favorito é o FC Porto por já ter uma equipa campeã e também pela demonstração que deu, não só pelo grupo de trabalho dentro de campo, mas também pela sua estrutura e isso no final deu para notar. O FC Porto se ajustar o plantel e fizer as contratações certas vai ser um forte candidato ao título.

Bola na RedeSurpreende-te ver as mexidas no mercado de transferências neste ano? Desde o investimento do Benfica, as apostas para a frente de ataque no FC Porto, o Boavista a reforçar-se com nomes de peso, o Quaresma no Vitória, o Gaitán no Braga…

Bruno Moraes: Acho interessante, acho que o poder aquisitivo dos clubes aumentou. O facto de o Benfica ter investido muito vai obrigar o FC Porto e Sporting CP a reforçarem-se. O Braga e o Vitória também esticaram o seu orçamento para poderem fazer face a uma possível entrada na Liga dos Campeões ou a manterem-se na Liga Europa. Acho que é bom para o campeonato e vai ser bem atrativo esta época a nível de espetáculo, de jogadores e estamos todos à espera que volte o futebol com os adeptos nos estádios. Todo o mundo que gosta de futebol está na expectativa de voltar a ver os grandes jogos.

Bola na RedeO que é que achaste da contratação do Taremi e do Evanílson? Achas que vão ser bons reforços para o ataque do FC Porto?

Bruno Moraes: Acho que sim. O Taremi destacou-se no Rio Ave, é raro ver um atacante com a frieza e a finalização dele, por isso acho que é uma boa aposta. O Evanílson vem do Brasil, talvez não tenha tanta experiência, não o conheço muito bem, não posso falar muito dele, mas é um jogador que pelo que eu ouvi é um jogador que se vai tentar afirmar no FC Porto, claro que precisa de uma adaptação, mas tem tudo para ser uma opção de qualidade no plantel.

Bola na RedeQue mensagem é que o Bruno Moraes de 36 anos transmitiria ao Bruno de 17/18 anos? Terias feito algo diferente?

Bruno Moraes: Talvez um pouco mais de foco e resiliência no trabalho, principalmente nos cuidados com o corpo. Naquela época nós também não tínhamos tanta informação como tem hoje, mas era se eu tivesse esse tipo de cuidado era possível não ter tido tantas lesões.

Bola na RedeO que podemos esperar do Bruno Moraes para esta temporada como treinador?

Bruno Moraes: Estou procurando a evolução, acho que é totalmente diferente o futebol para um jogador e para um treinador. Um jogador só se preocupa com as tarefas dele, procurar exponenciar isso ao máximo e mostrar para o treinador aquilo que tem de melhor. O treinador é ao contrário, tem de pensar em todos os jogadores, tem de pensar na equipa, no adversário, na organização do treino, na estrutura do clube, enfim, em várias outras coisas. É muito mais um trabalho mental e organizacional do que físico. Eu estou a gostar da experiência, sinto que estou a evoluir, quero continuar esse crescimento e evoluir sem pressa para estar preparado e adquirir outras competências até chegar a altura de aparecer uma oportunidade. Quero estar pronto para ser um treinador de nível altíssimo e de excelência.

Nélson Mota

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