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Há Taça ou não há Taça?

Gaspar Ribeiro Lança · 2 min

Há Taça ou não há Taça?

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Desejado por muitos, odiado por outros, a verdade é que o Estádio Nacional do Jamor tem um significado especial para o futebol português. É lá que termina a época a nível interno, mas apenas para dois clubes. A grande questão que aqui se coloca baseia-se na ausência do Futebol Clube do Porto dos palcos a um jogo na última época. Há Taça ou não há Taça?

2013/2014 foi terrível e não há como o contornar. Desde o terceiro lugar no campeonato às meias-finais das duas Taças perdidas com o eterno rival (e isto apenas no panorama nacional), o único ponto positivo resumiu-se mesmo à conquista da Supertaça num começo de época que por algumas semanas parecia promissor. Resumindo, foi uma época terrível e com ela veio uma pouco habitual ausência da primeira competição da temporada.

Como um grupo de crianças perdido no meio de uma floresta que tanto lhes devia dizer, os comandados de Paulo Fonseca e, mais tarde, Luís Castro, falharam redondamente. Mas são águas passadas. Este ano, o barco é outro e o mesmo se aplica ao capitão e à ‘turma’. Os fatores são outros. Tudo é diferente. E com isto vêm as primeiras perguntas. Uma vez mais, este ano há ou não há taça?

Sempre foi objectivo de Pinto da Costa dominar a nível interno. É assim há dezenas de anos, assim será nas próximas. Como tal, a Taça de Portugal tem de ser um dos principais objectivos dos Dragões para esta época e o primeiro desafio está à porta. Depois de mais uma paragem extremamente oportuna e bem posicionada no calendário, como todas (percebe­se a ironia?), a competição de clubes regressa igualmente de forma oportuna, com… uma eliminatória da Taça de Portugal frente ao Sporting e, pouco depois, uma jornada dupla com o Athletic Bilbao para a Liga dos Campeões. Mas aqui não há desculpas.

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Em 2013/2014, a campanha azul e branca ficou manchada de vermelho, tanto numa como noutra taça. Este ano, é obrigatório remediar a situação
Fonte: impresa.pt

É mais do que evidente que o Porto joga à Porto quando tem calendários apertados, ao invés de defrontar equipas de nível inferior. Como tal, não há nada a esperar senão uma boa exibição e, atrevo­me a afirmar, uma vitória em pleno Estádio do Dragão rumo à quarta eliminatória daquela que é (talvez) a mais emblemática prova do futebol português.

Mas com quem, em que condições e com que facilidades? Será este, mesmo sendo frente a um dos ‘três grandes’, um daqueles jogos em que a equipa principal aparece maioritariamente escalada para o banco? Mais, acontecerá o mesmo do outro lado? E, acontecendo ou não, quão fácil será o duelo?

Encaro o regresso à Taça cheio de dúvidas mas acima de tudo como uma enorme vontade de ver mais um jogo. Afinal, é mais um título que dentro de alguns meses se pode juntar às centenas de troféus que este ano observei no tão apaixonante museu.

Gaspar Ribeiro Lança

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Opinião

Quando a bancada tenta jogar: uma reflexão de João Carlos Gameiro, coordenador técnico da Academica Sporting Aurélio Pereira

Passar uma manhã de sábado à beira de um campo de futebol devia ser um exercício simples: ver os miúdos crescerem. O desporto na infância é, ou devia ser, o espaço por excelência para aprender a falhar, a cair, a levantar-se e a decidir sozinho, em frações de segundo. No entanto, quem anda pelos campos de norte a sul do país, sabe que a realidade é outra. O ruído que vem de fora não é de incentivo, é um bombardeamento constante de ordens diretas: "Passa!", "Chuta!", "Dribla!". Esta obsessão cega pelo resultado imediato, disfarçada de apoio paternal, está a matar o que o jogo tem de mais sagrado: a autonomia de quem joga.  Na cabeça do pai que grita, aquela instrução é uma ajuda preciosa. Ele está genuinamente convencido disso. Mas quem está lá dentro percebe o bloqueio imediato que o berro provoca. O jogo é demasiado rápido. No instante em que o miúdo recebe a bola e tenta ler o espaço, se ouve a ordem do pai para mudar o que ia fazer, a jogada já morreu. O prejuízo imediato é a perda da bola, mas o verdadeiro estrago é o que fica para o futuro. Quando a solução vem sempre mastigada de fora, a criança deixa de pensar o jogo; passa apenas a executar ordens. 

João Carlos Gameiro · 4 min de leitura
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