Publicidade

Queda em alta rotação | Sporting CP

Ricardo Gonçalves · 5 min

Antonio Adán Sporting CP
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Sporting CP é eliminado da Taça de Portugal pelo Varzim SC e já não sofria tantos golos desde a época do 7.º lugar

Se o Sporting CP conseguiu continuar a carburar no aspecto ofensivo, mesmo com a saída de Pablo Sarabia, com 24 golos marcados até ao momento em 13 jogos (Liga Portuguesa, Liga dos Campeões e Taça de Portugal, que vão ser os termos de comparação nesta peça em alguns momentos, com a época anterior), a verdade é que a defesa leonina apresenta o pior registo de golos sofridos desde o início da era Amorim com 19 golos sofridos.
Se, outrora, era este um dos ex-libris da turma de Alvalade, neste momento é um dos pilares mais frágeis da formação, e os motivos, vai ser o que vamos tentar desvendar a partir de agora.

Passemos então a bola para o sector defensivo leonino.

Entre os postes

Antonio Adán, apesar de erros pontuais, creio que continua a ser uma aposta válida para guardar as redes verde e brancas. Algumas foram as dúvidas levantadas sobre a sua (ainda) qualidade após os dois erros na visita a Marselha, dúvidas essas que creio que foram silenciadas após a enormíssima exibição do espanhol no reduto do CD Santa Clara, sendo mesmo considerado o homem-do-jogo.

Antonio Adán Sporting CP
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Dono já de uma vasta experiência, apresenta ainda ótimos reflexos, estiradas monumentais, contudo, a pecar por alguma displicência na abordagem a alguns lances. Quanto à sua sombra, Franco Israel, por aquilo que já demonstrou, parece-me ainda acusar demasiado o peso da camisola, a responsabilidade e a falta de experiência, motivo pelo qual acho que seja uma opção muito curta para aquilo que são os serviços mínimos.

A “maldita” linha central

Se há três posições que têm sido alvos de uma “maldição” de qualquer forma que seja, essas têm sido a das três do eixo defensivo. Se até à pouco tempo havia uma estabilidade nessa linha defensiva, com Coates ao centro, acompanhado por G. Inácio e M. Reis, um de cada lado, atualmente o mesmo não acontece.

Por essas três posições (quer por lesões, quer por opções técnicas), já passaram até ao momento sete jogadores, contando a par dos três atletas que referi anteriormente, ainda com  St. Juste, Luís Neto, Marsá e R. Esgaio.

FC Porto x Sporting
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Analisando o tempo de jogado por cada um até ao momento, notamos que há uma verdadeira inconsistência naquelas que são as opções aos três principais (ainda não está contabilizado o tempo de jogo deste último Domingo contra o Varzim SC), que passo a enumerar: St. Juste – 327 minutos; Luís Neto – 292 minutos; José Marsà – 172 minutos; Matheus Reis – 1069 minutos; Seba Coates – 916 minutos; Gonçalo Inácio – 984 minutos.

Daqui podemos retirar, que apesar do enorme assombro que têm sido as lesões nos defesas centrais do Sporting, não existem opções viáveis no banco para poder corrigir estas eventualidades, quer por falta de qualidade, quer por predisposição para lesões.

Flanco direito

Ricardo Esgaio, camisola 47 dos leões, tem sido o principal alvo das críticas. A verdade é que no mesmo número de jogos no ano passado (contas feitas com os primeiros nove jogos da Liga Portuguesa e quatro da Liga dos Campeões), ele somou 482 minutos, contra os 502 desta época até ao momento, motivo pelo qual me leva a pensar que ele não é único e exclusivamente o problema, mas sim, parte dele.

Apesar do seu péssimo momento de forma, a verdade é que o jogador, apesar de ser uma peça importante para Rubén Amorim pela sua polivalência (pode actuar como DC e DD), apresenta imensas limitações.

É fraco a defender: apresentando uma leitura de jogo abaixo da média resultante num mau cálculo de timing’s de entradas, como aconteceu em Alvalade contra o Olympique de Marselha, mau posicionamento e acompanhamento constante face ao adversário directo, como foi o caso do 3.º golo em Braga onde foi facilmente ultrapassado; é fraco a atacar: baixa velocidade, drible, envolvimento ofensivo previsível e uma eficácia de passes/cruzamentos que chega a ser doloroso de ver.

Ricardo Esgaio
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

Por outro lado, e enquanto primeira opção no Sporting, Pedro Porro tem estado também uns furos abaixo daquilo a que nos tem habituado, com exibições intermitentes, podendo ser resultado da baixa de forma consequente à lesão que sofreu ou até mesmo do período anímico menos bom que se vive no reino do Leão.

Contudo, ao contrário de Ricardo Esgaio, apresenta rasgos e momentos individuais de quando em quando, que mostram que a qualidade continua lá e quem sabe não esquece. Espera-se um Pedro Porro mais consistente daqui para a frente.

Flanco Esquerdo

Para mim é sem dúvida nenhuma, o posto mais bem assegurado até ao momento. Com jogadores como Nuno Santos, Matheus Reis e ainda Flávio Nazinho que começa a aparecer, existem alternativas viáveis a quaisquer problemas físicos que possam surgir com algum dos atletas acima mencionados, sem sofrer na excelência que é aquele lado esquerdo defensivo.

Nuno Santos Sporting
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Nuno Santos é o habitual detentor da posição, e tem-na desempenhado com uma força, garra e querer que lhe é já característica. Detentor de um pulmão incansável, percorre todo aquele flanco como se o jogo ainda mal tivesse começado, com uma precisão e toques deliciosos, tem sido, para mim, sem dúvida um dos homens mais desta versão 22/23 do Sporting, a par de Morita e daquele que é o tridente ofensivo regular desta época, composto por Francisco Trincão, Pedro Gonçalves e Marcus Edwards.

Meio-campo defensivo

Detentor da posição já desde a época passada, em que relegou João Palhinha (atualmente no Fulham FC) para o banco e assumiu um papel importante no esquema tático de Ruben Amorim, Manuel Ugarte tem crescido a olhos vistos e possui já com tenra idade (21 anos) características que lhe espreitam um grande futuro.

Com um elevado sentido posicional/tático, eficácia de passe incrível, leitura e visão de jogo, transformam-no numa das peças basilares daquilo que é a tática do Sporting, notando-se sobretudo este ano, um pouco à semelhança de Pedro Porro, alguma insegurança no aspecto defensivo que por vezes lhe toldam o pouco o discernimento na disputa da bola.

Ugarte Sporting sportinguistas
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Quanto àquela que tem sido a segunda linha da posição, Sotiris (contratado no último dia de mercado após a saída de Matheus Nunes), tem dado boas indicações. Não se esconde do jogo, pega no jogo, defende, ataca, remata, e um pouco igual à margem de Ugarte, o jovem grego (20 anos), deixa um pouco de água na boca relativamente ao que poderá fazer quando tiver a sua adaptação feita a 100% e mais minutos de jogo. Não creio que seja por esta posição que o Sporting esteja a passar por este momento.

Ricardo Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos