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O declínio dos Indiana Pacers de 2013-14 #2 | NBA

Diogo Valente Vieira · 8 min

O declínio dos Indiana Pacers de 2013-14 #2 | NBA
Foto: NBA

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CAPÍTULO 3: A RIVALIDADE COM LEBRON JAMES E OS MIAMI HEAT

A temporada 2011-12 não só confirmou o bom momento de forma de Indiana, como também iniciou uma rivalidade com a maior superpotência da liga, o “Big Three” de Miami (LeBron James, Chris Bosh e Dwyane Wade).

Liderados por Danny Granger, o melhor marcador da equipa pela quinta temporada consecutiva (18.7 pontos por jogo), os Pacers tiveram um bom desempenho na temporada regular, terminando com um registo de 42 vitórias e 24 derrotas, o melhor recorde desde a temporada 2003-04. Por sua vez, Paul George encerrou a sua segunda temporada na liga com médias de 12.1 pontos, 5.6 ressaltos e 2.4 assistências, tendo sido titular em todos os seus 66 jogos realizados por Indiana.

Para além destes dois, Indiana possuía um plantel vasto, composto pelo monstro defensivo Roy Hibbert, os promissores bases George Hill e Darren Collison, além de Tyler Hansbrough, David West, Josh McRoberts e o sempre irreverente Lance Stephenson. Como resultado do seu trabalho, Larry Bird ganhou o prémio de Executivo do Ano, superando a concorrência de Pat Riley que havia alcançado o mesmo feito com os Heat no ano transato.

Os Pacers foram para os playoffs com a terceira melhor campanha da Conferência Este e, a 8 de maio de 2012, derrotaram os Orlando Magic, sem Dwight Howard, por 105–87 para vencer a sua primeira eliminatória desde 2005. Nas semifinais da Conferência Este, encontrava-se à espera de Indiana o conjunto de Miami, que terminou a temporada regular com um registo quase idêntico ao do seu adversário (46-20).

Depois de eliminar categoricamente os New York Knicks na primeira ronda, e apesar de uma série muito disputada frente aos resilientes Pacers, os Heat venceram a eliminatória em seis jogos graças à excelência do “rei” Lebron James, que liderou Miami nas três principais categorias estatísticas em três ocasiões. Os Heat acabariam por conquistar o seu primeiro título da década, diante dos Oklahoma City Thunder.

Apesar da derrota, os Pacers eram vistos pelos analistas como a maior ameaça às chances do “Big Three” de Miami revalidar o título em 2012-13. As expectativas em torno de Indiana aumentaram ainda mais com a afirmação de Paul George enquanto principal estrela da equipa na ausência do lesionado Danny Granger, que só conseguiu jogar apenas 5 partidas.

Selecionado para o seu primeiro All-Star Game e nomeado como o Jogador Que Mais Evoluiu em toda a liga (Most Improved Player), George registou na sua terceira época médias de 17.4 pontos, 7.6 ressaltos e 4.1 assistências, tendo sido também o único jogador na liga a alcançar a marca dos 140 roubos de bola e 50 desarmes de lançamento. Nos playoffs, George teve o seu primeiro triplo-duplo da carreira, com 23 pontos, 11 ressaltos e 12 assistências na vitória por 107–90 diante dos Atlanta Hawks.

Miami terminou com um recorde de 66-16, mas duas dessas derrotas foram frente aos Pacers, que terminaram com um recorde de 49-32, o terceiro melhor da Conferência Este. As duas superpotências encontraram-se nos playoffs pelo segundo ano consecutivo, desta feita naquela que foi a primeira Final de Conferência de Indiana desde 2004.

Hibbert, Hill, George e West deixaram a alma em campo contra o trio dominante de James, Bosh e Wade. Hibbert, especialmente, era um dos melhores pivots da liga na época e procuravam terminou a série com 22.1 pontos, 10.4 ressaltos e 1.0 desarmes de lançamento por jogo. Já “PG13” marcou 19.4 pontos por jogo e o jovem Lance Stephenson manteve a boa forma dos últimos jogos nos playofffs, onde registou 9.4 e 7.6 ressaltos por jogo.

Foi necessária uma força sobrenatural para os Heat superarem os Pacers em 7 jogos, mas o domínio imparável de LeBron com 29 pontos, 7.3 ressaltos, 5.3 assistências, 1.4 roubos de bola e 1.4 bloqueios por jogo foi a salvação de um plantel que viria a ganhar o título da NBA de 2013 frente aos San Antonio Spurs.

CAPÍTULO 4: UMA OPORTUNIDADE DESPERDIÇADA

À entrada para a época 2013-14, os Pacers estabeleceram-se como os principais arqui-inimigos dos Heat na Conferência Este e os comandados de Frank Vogel procuravam vingar-se a todo o custo do desfecho da temporada passada. Indiana teve uma primeira metade da temporada quase imaculada, alcançando um recorde de 33–7 graças à consistência ascensão de Paul George e Roy Hibbert  (ambos selecionados para o All-Star Game) e à ascensão de Lance Stephenson.

George obteve médias de 21.7 pontos, 6.8 ressaltos e 3.5 assistências, ajudando os Indiana Pacers a obterem a melhor campanha do Este. Por sua vez, Stephenson registou os seus melhores números da carreira no segundo ano como titular, terminando a temporada regular om cinco triplos-duplos, para além do segundo lugar na votação para o Most Improved Player Award.

No entanto, após a paragem para o All-Star Game, a equipa entrou em colapso. Constantes rumores sobre desavenças no balneário representaram uma das principais causas para a queda de produção de uma equipa até então excecional.

O ambiente entre jogadores e a direção ficou ainda mais tenso devidoao tratamento de Danny Granger, um dos jogadores mais acarinhados pelos adeptos e um dos líderes mais respeitados da equipa. Granger regressou de lesão durante a temporada de 2013–14, mas não conseguiu recuperar a sua excelente forma das temporadas anteriores. Consequentemente, Larry Bird decidiu então enviar um dos jogadores mais experientes do plantel para os Philadelphia 76ers, recebendo em troca Evan Turner e Lavoy Allen.

Um negócio aparentemente lógico em termos de produtividade em campo, mas que danificou gravemente um espírito de equipa que já se encontrava fragilizado. Independentemente disso, os Pacers conseguiram garantir a melhor campanha da Conferência Este e terminaram a temporada com um recorde de 56–26.

Isto, claro, culminou em mais um confronto na final da Conferência Este frente aos Heat. Apesar de uma vitória surpreendente no Jogo 1 por 107-95, Miami venceu a eliminatória sem as grandes dificuldades que enfrentou em 2012-13. Tanto Wade quanto James marcaram acima ou perto de 20 pontos por jogo, com a dupla a combinar para um registo de 42.6 pontos, 10.6 ressaltos, 10.2 assistências, 3.5 roubos de bola e um desarme de lançamento por jogo.

Paul George terminou a pós-temporada com médias de 22.6 pontos, 7.6 rebotes e 3.8 assistências, naquela que foi a sua coroação enquanto um dos jogadores de elite da NBA. Infelizmente, não foi capaz de impedir sozinho a terceira eliminação consecutiva dos Pacers contra Lebron e companhia.

Este derradeiro confronto foi o último da década na pós-temporada entre Pacers e Heat antes dos playoffs de 2020. Uma rivalidade feroz que é muitas vezes esquecida quando se fala sobre as grandes rivalidades da história da NBA.

CAPÍTULO 5: O COLAPSO

A offseason de foi quando tudo começou a desmoronar. Os Pacers ofereceram a Lance um contrato avaliado em 44 milhões de dólares por cinco anos. Mas Stephenson não estava pronto para permanecer imediatamente em Indiana, pelo que decidiu recusar a oferta e testar outras equipas no mercado.

No final, acabou por aceitar um contrato de dois anos e de 18 milhões de dólares dos Charlotte Hornets. Em Charlotte, Lance jogou apenas 61 jogos no total pela equipa, marcando mais de 20 pontos apenas uma vez durante toda a sua estadia antes de ser trocado para o Clippers por Spencer Hawes e Matt Barnes no verão de 2015.

Já David West, um dos elementos mais subestimados desta histórica equipa dos Pacers, optou por receber apenas 11 milhões de dólares em 2015 para jogar pelos Spurs, na esperança de ganhar um título.

Outra razão para o colapso desta equipa foi a drástica quebra de produção de Roy Hibbert. Em 2012-13, mesmo com a derrota diante dos eventuais campeões, o sistema defensivo dos Indiana Pacers passou a ser enaltecido como um dos mais fortes da liga e até mesmo da história, com Hibbert sendo apontado como a «âncora» dessa defesa.

Duas vezes selecionado para a equipa do All-Star Game e  membro da All-Defensive Team de 2013, Hibbert parecia estar encaminhado para uma possível carreira digna do “Hall of Fame”. Mas quando as equipas da NBA começaram a transitar para um estilo de jogo mais focado nos lançamentos de média e longa distância, as melhores qualidades de Hibbert – o seu tamanho e comprimento – foram desvalorizados e o seu estilo de jogo lento foi rapidamente ofuscado pelos melhores e mais atléticos pivots que lhe sucederam.

Após sair dos Pacers para os Los Angeles Lakers em 2015, Hibbert saltitou de lá para Charlotte, de Charlotte para Milwaukee e de Milwaukee para Denver, com médias de 5.5 pontos e míseros 4.3 ressaltos por jogo.

Por fim, talvez o argumento mais utilizado para justificar a queda dramática de Indiana seja a horrível lesão de Paul George. A 1 de agosto de 2014, George, que se encontrava em preparação para o Mundial de Basquetebol, sofreu uma fratura catastrófica na perna direita (tíbia e fíbula) enquanto tentava marcar o companheiro de seleção, James Harden.

Devido à gravidade da lesão, o extremo perdeu toda a temporada de 2014-15 e os Pacers terminaram a época com um recorde de 38-44, não se classificandopara os playoffs. “PG 13” ainda recuperou totalmente a tempo de integrar a equipa do All-Star Game de 2015 e de conduzir Indiana aos playoffs com um recorde de 45-37.

Apesar do registo vitorioso, Larry Bird anunciou que o contrato do técnico Frank Vogel não seria renovado, citando a necessidade de “uma nova voz” para liderar os jogadores. No mesmo mês, o ex-treinador dso Seattle SuperSonics e Portland Trail Blazers, Nate McMillan, foi promovido para substituir Vogel.

Os Pacers voltaram a classificar-se para os playoffs da NBA em 2016 com um recorde de 42-40, o que lhes rendeu a 7ª melhor campanha da Conferência Este. Porém, foram eliminados rapidamente por Lebron James e os futuro campeões, Cleveland Cavaliers, em quatro jogos.

A 30 de junho de 2017, depois de anos sem conseguir voltar às finais de conferência, Paul George foi negociado com os Oklahoma City Thunder em troca de Victor Oladipo e Domantas Sabonis, um negócio que foi alvo de várias críticas por parte do mundo da NBA. Até 2020, os Pacers permaneceram como presença assídua nos playoffs, mas sem nunca conseguir ultrpassar a primeira eliminatória.

Agora, em 2022, Indiana prepara-se para aquela que deverá ser a sua terceira temporada sem se classificar para a fase eliminar da NBA. O que poderia, e possivelmente deveria ter sido, o início de uma dinastia para os Pacers terminou antes mesmo de atingir todo o seu potencial.

Foto de Capa: 

Diogo Valente Vieira

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