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Cássio revela: «Tínhamos ganho a Taça do Rei pelo Al Taawon com seis meses de salários em atraso»

Ricardo João Lopes · 4 min

Cássio Anjos
Foto: Cássio Anjos

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Cássio concedeu uma entrevista ao Bola na Rede, onde abordou uma série de temas sobre a sua carreira desportiva.

Cássio deu uma entrevista ao Bola na Rede. O guarda-redes representou o Al Taawon, turma da Arábia Saudita e contou algumas peripécias da aventura no Médio Oriente, assumindo que o emblema era desorganizado.

Bola na Rede: Seguiste para a Arábia Saudita, onde voltaste a ter treinadores portugueses, no Al Taawoon, como o Pedro Emanuel, o José Gomes… sentiste muita diferença cultural? Levaste a tua família?

Cásssio:  Levei, não ficava lá sem a minha família. Respeito cada colega que tive lá, que não levavam a família. Eu levei, muito por insistência da minha mulher. Ela achou por bem sempre estarmos juntos e eu louvo a Deus por isso. A minha família mais velha estudava por videoconferência num colégio aqui de Portugal. A minha filha mais nova apenas fez o primeiro ano assim. Não há comparação entre as coisas de aqui e as da Arábia Saudita. É o mesmo que comparar o preto com o branco (risos). Não tem como. O contexto do clube passava pela saída do José Gomes e a entrada do Pedro Emanuel. Chegamos lá e o choque cultural foi tremendo. Eu lembro-me que falei que o Arouca era ótimo a nível de grupo, mas o clube não tinha organização nenhuma. O Al Taawon tinha nenhuma de nenhuma. Era surreal. Falar o que acontece na Arábia Saudita hoje, não tem nada a ver. Eu fico feliz porque vejo que o clube melhorou muito. A nível estrutural, de pensamento, de organização, em coisas relacionadas com viagens, jogos, etc.. Posso dar um exemplo: uma parte dos jogadores foi num voo e a outra parte foi noutro. A nível de material era péssimo. Não tinha e quando tinha era como se fosse uma feira. Quem pegou primeiro, pegou o melhor. Havia muitas coisas. Se eu fosse falar as cosias todas que aconteciam lá… eram coisas surreais.

Bola na Rede: Davam para um documentário…

Cássio: Sem dúvida. Por exemplo, o Al Taawon tinha ganho a Taça do Rei e tínhamos seis meses de salário atrasado. Eu falava que precisávamos do dinheiro e eles dizem: se Deus quiser, amanhã. Eu já sabia que era mentira, eles são muito mentirosos.

Bola na Rede: Como era o nível futebolístico por lá?

Cássio: No primeiro ano foi mau. Eles tinham qualidade e até me surpreenderam positivamente. São jogadores rápidos, levezinhos, têm um nível de comprometimento dentro do jogo relativamente alto. Tu vês certas vezes que aquele jogador não está a dar tudo. Eles davam tudo o que tinham. Mas eles tudo o que tinham era relativamente pouco. Havia muita vontade e pouca organização. Fomos campeões com o Pedro Emanuel batendo muito em organização. E depois vem a qualidade. Eles são muito afoitos. Por exemplo: é o lugar do mundo onde tem mais carrinhos. Toda a hora do jogo eles estão no chão. O Pedro Emanuel num dos treinos prometeu que se fizessem carrinhos era falta contra a equipa infratora. Era para os educar. Nem toda a hora tinha que ter cortes de carrinho ou ter que dar uma bicicleta. Quando estás sozinho podes dominar e jogar, eles não são afoitos. O futebol tinha nível porque havia vontade, mas pouca lucidez. Hoje em dia já vemos alguns bons jogadores a irem para lá, assim como bons treinadores. A nível organizacional está muito melhor, em todos os sentidos, dentro de campo, fora de campo, as infraestruturas. O Cristiano Ronaldo e a sua chegada elevaram para um patamar excelente. Mas ainda falta muito caminho para chegar a um futebol que atraia totalmente. Quando o Ronaldo e o Neymar saírem, o futebol vai perder atração. Há muito por percorrer.

Bola na Rede: Imaginavas que o governo da Arábia Saudita ia realizar esta inversão que acabou por fazer?

Cássio: Quando eu chego lá, ainda não era nada assim. Porém, já se falava que eles queriam rivalizar com outros campeonatos da zona, como o dos Emirados, do Catar… no Catar ia ter Mundial e isso fazia com que se falasse mais do Catar do que da Arábia Saudita. Eles começaram a ter um grande projeto, a nível de media e de exposição. Eles estão a usar e muito bem a vertente do futebol.

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Ricardo João Lopes

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