Última horaO regresso após lesão, os elogios ao Lens e as lesões: tudo o que João Simões e Rui Borges disseram na antevisão do próximo jogo do Sporting na Champions League
Publicidade

Desafios adultos de um jovem atleta – Entrevista a Francisco Ferreira “Ferro”

André Eusébio · 5 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

entrevistas bola na rede

Francisco Ferreira é, a par de Florentino, duas das caras novas do plantel principal dos encarnados e conta com dois golos em outras tantas presenças na Primeira Liga. O jovem que fez grande parte da formação no Seixal sempre mostrou o desejo e ambição de representar o SL Benfica e recuperamos hoje uma entrevista antiga de Ferro ao Bola na Rede.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Francisco Reis Ferreira, defesa central que veste a camisola do SL Benfica há três épocas, conta com três internacionalizações ao serviço da equipa das Quinas.

Recentemente, tem sido destacado pelas suas prestações, a mais relevante fruto dos dois golos que marcou no derby de Juvenis A e pela notícia do contrato profissional assinado no passado dia 6.

Com seis anos de ligação ao SL Benfica, tomou o gosto pelo futebol na União Desportiva Oliveirense, clube onde jogava quando recebeu o primeiro convite, em 2009, para vestir a camisola de águia ao peito.

Vamos conhecer dimensões da vida deste jogador que extravasam os relvados. O desafio de viver longe da família, a sua forma de estar e de ser, e as suas expectativas para o futuro.

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Facebook oficial de Francisco Reis Ferreira

BnR: Como foi o início da tua história no S.L Benfica?

Francisco Ferro [FF]: Quando tinha 12 anos, recebi o primeiro convite para integrar a equipa do SL Benfica e residir no centro de estágio. Porém, estive lá apenas dezoito dias… Não me adaptei porque nunca tinha estado tanto tempo longe dos meus pais. Não estava habituado a ter tanta autonomia e, com esta separação, não me senti preparado para dar este passo. Integrei a equipa da Associação Desportiva de Taboeira mas o Benfica continuou a acompanhar o meu percurso.

BnR: Quando voltaste? Que mudanças ocorreram?

[FF]: Mudou muita coisa… Voltei aos 14 anos. Aprendi a ser autónomo e a decidir com mais segurança. O Benfica trabalhou muito bem comigo porque me levou a muitos torneios com o objectivo de me integrar progressivamente na equipa, adaptar-me a estar com os meus colegas e menos dependente da minha família. Apesar da separação precoce, sinto que não abdiquei da minha infância porque fui eu que escolhi isto para a vida! Hoje, claro que não posso sair à noite nem fazer metade do que muitos dos meus colegas fazem, mas eles não sonham com o mesmo que eu sonho, que é ser profissional de futebol.

BnR: Aos 16 anos, como vês esta situação de viveres longe da tua família?

[FF]: Agora já era estranho voltar a viver com a minha família… Claro que me fazem muita falta mas cresci e sinto-me uma pessoa responsável, independente, madura e melhor preparada para o que a vida me pode proporcionar.

 

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Facebook oficial de Francisco Reis Ferreira

BnR: Estando longe dos teus pais, a tua responsabilidade em relação à escola é acrescida?

[FF]: Claro que sim! Continuo a contar com o apoio dos meus pais e do Benfica. Apesar do pouco tempo que tenho para estudar, tenho conseguido boas notas. Não sendo a escola a minha principal prioridade, sinto que é importante porque neste mundo do futebol nada é certo. O próprio clube também nos incentiva a conciliar os dois mundos.

BnR: De que forma veio a tua vinda para o Seixal alterar as rotinas da tua família?

[FF]: A minha família já tinha o hábito de ver jogos de futebol ao fim de semana, os do meu irmão. A partir do momento em que vim para cá, os fins de semana são diferentes. Vêm ao Seixal e passam o sábado ou o domingo, dependendo do dia do meu jogo. Sendo mais cansativo para eles, é imprescindível para mim o seu apoio. Eles sabem-no e, por isso, fazem-no com muito gosto.

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Facebook oficial de Francisco Reis Ferreira

BnR: Em termos quantitativos, quanto tempo, por ano, estás com a tua família? E qualitativamente, como defines esse tempo?

[FF]: Estou uma vez por semana e nas férias escolares. Não é muito tempo, mas o suficiente para me darem forças para continuar. O tempo que passo com eles e fantástico! Brincamos, rimos, falamos (a brincar ou até mesmo a sério!) e aproveitamos ao máximo! Graças a Deus, somos uma família muito feliz!

BnR: Qual o conselho mais frequente que eles te dão?

[FF]: Dizem-me muitas vezes “Mantém os pés assentes no chão e, acima de tudo, tem humildade! Ainda não és ninguém! Lembra-te de onde vieste”.

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Facebook oficial de Francisco Reis Ferreira

BnR: Do que sentes mais falta da tua terra?

[FF]: Da família, dos meus amigos e das minhas amigas, do cabeleireiro e das francesinhas!

BnR: Amigos à distância é sinónimo de distância na amizade?

[FF]: Não! Claro que não! A distancia não significa nada! Os meus melhores amigos continuam a ser do norte. A distância afasta corpos mas não afasta sentimentos.

BnR: O que é, para ti, a saudade?

[FF]: É algo que não se descreve mas se sente, muito mesmo! Nada melhor que esta frase do Bob Marley para descrever o que é, para mim, a saudade: “Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.”

BnR: No que te refugias quando sentes saudades?

[FF]: A conversar com os meus amigos, ligando aos meus pais e mantendo-me muito ocupado.

BnR: Qual é o teu lema de vida?

[FF]: “Não cruzes os braços diante uma dificuldade pois o maior homem do mundo morreu de braços abertos”, é o meu lema.

BnR: Terminamos com a pergunta 13, número que representa, para ti, o peso da camisola de Portugal. Quais são as tuas ambições no futebol?

[FF]: A curto prazo, continuar a crescer como jogador e evoluir, porque ainda há um longo caminho para percorrer. A longo prazo, espero ser jogar na equipa A do Benfica e representar a selecção nacional A.

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira

Crescer com bases sólidas no futebol e na vida é uma tarefa do clube e das famílias que superam distâncias para estarem constantemente perto.

A separação precoce da família é, muitas vezes, o primeiro embate na carreira de um jogador, processo altamente altamente competitivo, de superação e de auto-conhecimento. Uma criança que se tornou jovem mais cedo, um jovem que encara desafios adultos.

Este foi o relato, na primeira pessoa, de Francisco Ferreira.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

André Eusébio

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Lens | A ligação de uma cidade a um clube

Em Lens, não é preciso olhar para o marcador para perceber o que o clube significa para a cidade. Basta entrar no Stade Bollaert-Delelis, ouvir milhares de adeptos a cantar Les Corons e observar as bancadas pintadas de vermelho e amarelo. Num futebol cada vez mais dominado pelo dinheiro, pelos grandes investidores e pelos clubes globais, o Racing Club de Lens mantém uma ligação às suas raízes que resiste ao tempo. Mas como é que um clube de uma cidade do norte de França, marcada pela indústria mineira, se tornou um símbolo de uma comunidade inteira? Para perceber esta ligação, é preciso recuar a 1906, ano em que o clube foi fundado. Naquela altura, Lens era uma cidade profundamente ligada à exploração mineira. O carvão sustentava famílias, movimentava a economia e fazia parte do quotidiano de milhares de pessoas. Foi neste contexto que o futebol começou a ganhar espaço, acabando por aproximar o clube da população local. Com o passar dos anos, o Lens deixou de ser apenas uma equipa da cidade para se tornar uma parte da sua identidade.

Diego Tamaian · 4 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

O preço do sucesso: caso Manchester City

Há vitórias que ficam para a história, equipas que atravessam gerações. E há clubes que, mesmo depois de conquistarem tudo aquilo com que alguma vez sonharam, falham em manter o que de bonito o futebol tem. O Manchester City habituou-nos a ganhar, a dominar campeonatos, a empilhar títulos, a transformar finais em rotina e a fazer do futebol de Pep Guardiola uma referência mundial. Durante anos, a discussão em torno do clube centrou-se na qualidade do seu plantel, na genialidade do treinador e na capacidade de impor uma identidade de jogo que parecia estar vários passos à frente da concorrência. E nada disso se apaga, mas hoje há outra discussão que não pode ser ignorada.

Francisca Marafona Graça · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.