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José María Gallego e o negócio de Geny Catamo com o Sporting: «Não é normal que em Portugal que um clube como o Amora tivesse um duelo com o Sporting e se mantivesse firme»

Ricardo João Lopes · 2 min

Geny Catamo Sporting x Arsenal
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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José María Gallego negociou com o Sporting a venda de uma grande percentagem do passe do extremo aos leões.

José María Gallego era o presidente da SAD do Amora quando o Sporting quis comprar uma maior fatia do passe de Geny Catamo, que estava nas mãos do emblema de Margem Sul. O empresário explicou a negociação, admitindo que os clubes portugueses em certas ocasiões não têm capacidade de negociação com clubes de outra envergadura, numa entrevista exclusiva ao Bola na Rede:

«O tema Geny foi algo recorrente nos quatro anos que estive no Amora. Dava visibilidade ao Amora, não te posso negar. Ainda assim, 70% das notícias eram inventadas, não sei de onde saíam, era ruído. O Geny marcava um golo contra o Benfica e saía uma notícia de que o Amora estava a negociar por não sei quantos milhões. Não havia nada. Mantivemos uma postura de força, sendo uma equipa pequena. O produto tinha um valor. O contrato inicialmente não estava bem feito e tinha que se solucionar o problema. Era uma questão de tempo. Não é normal que em Portugal que um clube como o Amora tivesse um duelo com o Sporting e se mantivesse firme. É algo que os clubes portugueses têm de fazer mais. Há uma tirania dos grandes: Benfica, Sporting e FC Porto, mas também o Braga é um clube grande e entra nesta conversa. Eles sentem que têm um certo direito sobre os jogadores que estão no país e que podem gerir a situação conforme os respetivos desejos. Muitas vezes se os clubes mantivessem as suas peças, o produto teria um outro valor e tem que se pagar. Havia uma direção desportiva do Sporting com a qual não existia uma relação tão fluída, com capacidade de entendimento. Com a chegada do Bernardo Palmeiro tudo de agilizou bastante, quase de forma natural. Sempre digo que estávamos condenados a chegar a um acordo. O Sporting queria ter mais do que 20% de um dos seus melhores jogadores. O Amora também queria resolver a situação para fazer caixa, era o que fazia sentido. Pelo meio estava o Geny, que queria a situação resolvida para melhorar o seu contrato com o Sporting. O Bernardo Palmeiro teve a sensibilidade necessária para entender que o Amora não queria chatear o Sporting, mas somente defender os seus interesses, como obrigação. Eles entenderam que o jogador tinha um valor e tinha que o pagar. Quando falo em sensibilidade, não falo em facilidade. O Bernardo negociou duro, saiu na defesa da instituição que representa. Acho que ficámos todos contentes. No Amora também éramos conscientes da nossa posição. Trava-se de um clube de Liga 3 e ia ser a maior venda da história da competição. Vão passar anos para que este recorde se supere. Oxalá não, seria sinal que o futebol português cresceu. Foi uma operação muito boa para todos».

Podes ler a entrevista completa.

Ricardo João Lopes

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