A arte de dominar sem esmagar | Braga 1-0 Dínamo Minsk

- Advertisement -

Numa eliminatória, a eficácia é a linha que separa a tranquilidade do sobressalto. Frente ao Dínamo Minsk, a turma de Vicens deu uma verdadeira demonstração de domínio, transformando o relvado da Pedreira num monólogo com bola e demonstrando a superioridade individual e coletiva que já esperada. Contudo, a margem mínima de 1-0 ficou longe de traduzir a disparidade de argumentos entre as duas equipas e a hegemonia absoluta que o Braga impôs do início ao fim.

O onze inicial minhoto voltou a contar com os reforços Sergio Barcia, Gabriel Silva e Denis Huseinbasic, promovendo ainda a entrada do suíço Adrian Barisic, para o lugar do habitual titular Bright Arrey-Mbi. Do lado bielorrusso, o técnico Aleksandr Shagoyko surpreendeu ao deixar Karen Vardanyan no banco de suplentes, apesar o jovem de 22 anos ser o elemento mais produtivo do ataque, com 8 golos e 5 assistências. Porém, as maiores mudanças relativamente ao último jogo vieram no plano tático, onde as novas nuances posicionais e dinâmicas de ligação desmontaram por completo qualquer tentativa do Dínamo Minsk de manter um bloco defensivo sólido.

Braga x Dínamo Minsk
Fonte: Braga

Na primeira fase de construção, o Braga desmantelou o 4-2-3-1 do Dínamo Minsk através dos corredores. Do lado esquerdo, Gabriel Silva fixava o lateral contrário, enquanto Ricardo Horta recuou e deu largura numa posição invulgarmente baixa, muitas vezes alinhado com o duplo pivô do Braga. Visto que os bielorrussos tinham um grande foco em cobrir o espaço em frente aos centrais com os dois médios, estes movimentos acabavam por arrastar a marcação de um dos médios, deixando esse mesmo espaço vulnerável ou forçando a linha defensiva adversária a subir.

Pela direita, Víctor Gomez foi um dos alvos de pressão do Minsk, mas o timing e a precisão de passe do espanhol estavam num ‘dia sim’, quebrando linhas seja através do jogo interior ou de Denis Huseinbasic. O papel do bósnio foi essencial para a dinâmica ofensiva bracarense, aproveitando a pressão agressiva e pouco regrada do lateral-esquerdo adversário para fazer diagonais em largura nas suas costas. Esta ligação foi várias vezes utilizada, criando várias oportunidades que foram sendo desperdiçadas, uma após a outra. desperdício. Num jogo assim, nada seria mais adequado que um lance de inspiração de Gabriel Silva no 1v1 resultar num penálti por mão na bola, convertido pelo habitual salvador, Ricardo Horta.

Ricardo Horta, Braga
Fonte Braga

Após a paragem, os gverreiros entraram com um ritmo reduzido, como quem sabe que o arranque da Primeira Liga está à porta, contando ainda com a entrada de Travassos para o lugar de Gabriel Silva, que deixou indícios de desconforto muscular. O jovem formado no Sporting não foi capaz de oferecer a mesma verticalidade e a tendência para utilizar o pé direito, forçando-o para zonas interiores, limitou as suas ações. Num dia de inspiração, talvez uma das poucas chances criadas na segunda parte pudessem dilatar a vantagem, mas a produtividade ofensiva nunca chega a atingir os níveis dos primeiros 45 minutos.

Ainda assim, mantiveram o controlo do jogo, com João Moutinho e Gorby cada vez mais familiarizados como dupla no centro do terreno. No aspeto defensivo, o trio de Barisic, Vitor Carvalho e Sergio Barcia voltou a ter a difícil tarefa de estar num 3v3 com o ataque adversário durante a maioria do tempo da partida, mas a falta de recursos na saída de bola bielorrussa facilitou muito a tarefa. Com as entradas de Tiknaz, Diego Rodrigues e Fran Navarro, Vicens apostou ainda mais num jogo posicional, conservando as energias para o próximo desafio.

Em suma, a exibição do SC Braga roçou a perfeição durante longos períodos, pecando apenas pela falta de contundência na hora de traduzir o avassalador domínio com bola em números redondos. O deslize para o ‘modo poupança’ na segunda parte acabou por anestesiar o espetáculo e deixou um resultado que não bate certo com a diferença de patamares observada na Pedreira. A margem de um golo é indiscutivelmente curta para o volume de jogo produzido, mas a superioridade demonstrada não deixa dúvidas sobre o favoritismo bracarense. Na segunda mão, disputada na ‘casa emprestada’ do Dínamo Minsk, na Bulgária, caberá aos gverreiros manter a compostura, apurar a pontaria e carimbar sem sobressaltos uma qualificação que já poderia ter ficado arrumada em Braga.

Pau Víctor, Braga x Dínamo Minsk
Fonte: Braga

Bola na Rede na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Os movimentos sem bola dos dois jogadores atrás de Pau Víctor destabilizaram o bloco do Dínamo, com Ricardo Horta a oferecer mais largura na saída de bola e Huseinbasic a fazer diagonais nas costas do lateral. O que procurava com estas dinâmicas?

Carlos Vicens: Um pouco daquilo que dizias na pergunta. Tentar desfazer a organização defensiva do Dínamo de Minsk e poder encontrar os nosso jogadores entre-linhas com certa vantagem e certo tempo. Se não conseguíamos era porque o adversário estava muito compacto e então temos de utilizar os jogadores em largura. Conseguimos algumas chegadas à área porque tínhamos gente por dentro que os deixava compactos e encontrámos a vantagem por fora. Em certos momentos faltou um pouco mais de velocidade a levar a bola ‘de ponto A a ponto B’. O futebol é muito baseado no timing e aquilo que ás vezes parece uma vantagem, se falhas por um segundo e demoras um pouco mais no passe ou na receção ou dás um toque a mais, essa vantagem desaparece. Houve situações no jogo que isso nos faltou um pouco: mover a bola com velocidade para aproveitar essa vantagem. O que procurávamos era isso, encontrar os nossos jogadores da frente com tempo para jogar.

Subscreve!

Artigos Populares

Anatoliy Trubin deixa mensagem antes dos compromissos da Ucrânia: «Confia no trabalho»

Anatoliy Trubin deixou uma mensagem de confiança nas redes sociais, após rumar à seleção ucraniana.

«Quero abrir o leque e explorar mais a qualidade dos jogadores de outros países e continentes» | Entrevista Bola na Rede a Ricardo Pessoa

Ricardo Pessoa é um antigo internacional jovem português, com vários anos de experiência nos relvados da Primeira Liga, muitos deles ao serviço do Portimonense. No final da carreira, desempenhou funções como treinador-adjunto no clube algarvio, antes de iniciar o seu percurso como treinador principal. Destacou-se no comando do Lusitânia dos Açores, promovendo o emblema açoriano até à Liga 3, com passagens pelo Lusitano de Évora, Amora e um regresso ao Portimonense, onde assumiu a liderança da equipa principal.

Fábio Silva recorda saída do FC Porto: «É uma mágoa muito grande para mim a forma precipitada como saí»

Fábio Silva falou aos jornalistas e recordou a saída do FC Porto, rumo ao Wolverhampton em 2020/21.

Santiago Giménez no México: «A seleção vai num bom caminho»

Santiago Giménez está entre os convocados da Seleção do México para os próximos jogos e já se encontra pelo país.

PUB

Mais Artigos Populares

Kylian Mbappé explica escolha pelo PSG e revela que esteve perto de um clube da Premier League: «Sim, estive perto»

Kylian Mbappé recordou as negociações com o Liverpool em 2017 e explicou que chegou a ouvir o projeto de Jurgen Klopp antes de ir para o PSG.

Fábio Silva: «Sou um jogador que pode recuar no campo para fazer ligações»

Fábio Silva projetou o encontro entre Portugal e País de Gales, referente à 1.ª jornada da Liga das Nações.

Antigo internacional italiano analisa as decisões de Ruben Amorim: «Há muitos jogadores bons e acho que colocou em campo os melhores»

Giuseppe Bergomi deixou a sua opinião sobre as decisões de Ruben Amorim. O antigo jogador do AC Milan falou após a vitória dos rossoneri frente ao Lecce.