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Mínimo olímpico num exercício de serviços mínimos | Dínamo Minsk 0-0 Braga

Duarte Rêgo · 2 min

Carlos Vicens, equipa técnica Braga
Foto: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

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Serviço cumprido, mas sem ponta de rasgo ou brilhantismo. O Braga empatou a zero na Bulgária, em terreno neutro, no Estádio Beroe, devido às sanções aplicadas à Bielorrússia, garantindo o passaporte para o playoff da Conference League graças ao golo solitário de Ricardo Horta, de grande penalidade, na primeira mão.

Numa noite cinzenta e sem público nas bancadas, o conjunto de Carlos Vicens carimbou o objetivo essencial, mas deixou no ar mais dúvidas do que certezas quanto ao seu momento de forma e à maturidade coletiva. Apesar de ser teoricamente muito superior, a equipa arsenalista entrou em campo com rotação baixa e um futebol extremamente errático. Com cinco alterações promovidas por Carlos Vicens em relação à estreia na Primeira Liga, o Braga revelou sérias dificuldades para ligar o seu jogo no meio-campo ofensivo e atacar os espaços no último terço.

A posse de bola foi quase sempre bracarense, mas tratou-se de uma posse improdutiva, sem agressividade nem capacidade de rutura. Apenas no período de descontos do primeiro tempo é que surgiu o único remate enquadrado, num desvio de Víctor Gómez após bola parada, travado por Ivan Shimakovich. Valha a verdade, no meio de tanto passe falhado e desconcentração, João Moutinho voltou a ser a exceção à regra. O internacional português foi o único a dar sobriedade, leitura de jogo e capacidade de travagem nos momentos de recuperação.

Atletas do Braga
Fonte: João Pedro Nunes/Bola na Rede

A etapa complementar começou com a promessa de uma postura diferente. Aos 48 minutos, na sequência de uma bela combinação com Pau Víctor, Ricardo Horta atirou a bola ao poste, num lance que poderia ter resolvido a eliminatória e serenado a equipa. Pouco depois, o árbitro chegou a assinalar grande penalidade a favor do Braga, mas a decisão acabou revertida com a intervenção do VAR.

A partir daí, o jogo voltou a cair numa toada perigosa. Sem conseguir fechar o resultado, o Braga foi permitindo que o Dínamo Minsk ganhasse audácia. Um erro crasso de Vítor Carvalho (que tinha entrado ao intervalo) isolou Leonard Gweth aos 66 minutos, valendo a mancha rápida de Bernardo Fontes para evitar o desastre. O guardião bracarense, de resto, voltou a ser chamado a intervir em remates de Vladislav Kalinin e Moustapha Djimet, mantendo a baliza a zeros num período em que a defesa minhota tremeu mais do que devia.

Na frente de ataque, Demir Tiknaz e Fran Navarro ainda tiveram nos pés a oportunidade de matar o jogo em transição, mas a falta de eficácia manteve a incerteza até ao apito final. Perante o crescimento dos bielorrussos e a incapacidade de controlar a partida através da posse, Carlos Vicens acabou o jogo a gerir a vantagem do agregado com quatro defesas centrais em campo.

A passagem ao playoff está consumada, mas o Braga continua a encarar este ciclo europeu quase como um prolongamento da pré-época. O problema é que a margem para erro está a encolher. Frente ao vencedor do duelo entre o Austria Viena e o Beitar Jerusalém, este nível de desatenção e a falta de capacidade para matar eliminatórias podem custar caro. O bilhete está entregue, mas a exibição em solo búlgaro é um aviso sério para o que aí vem.

Duarte Rêgo

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