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Resistir e Sonhar | Ferencváros x Torreense

Pedro Cantoneiro · 5 min

Luís Tralhão e Carlos Simões
Foto: Pedro Barrelas/Bola na Rede

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A ANTEVISÃO: EQUIPA DE JOÃO TRALHÃO QUER VOLTAR A SURPREENDER FORA DE PORTAS

Depois dos baldes de água fria frente a Tondela e sobretudo Sunderland, o Torreense vê nova oportunidade de espantar a Europa a ser providenciada por um dos mais rodados adversários que lhe calhou em sorteio. O histórico Ferencváros participa em fases de grupos ou liga europeias consecutivamente desde 2020 e ganhou a liga húngara sete vezes seguidas, até se deixar surpreender a época passada pelo Györ – ora, como grande dominador daquele futebol, restava apenas ao Ferencváros dar uma de Bayern, absorvendo o talento que se atreveu a meter em causa a hegemonia. E assim substituiu o lendário Robbie Keane por Balász Borbély, o eslovaco de 47 que cometeu a proeza (regressando assim a casa, ele que já tinha treinado juniores e equipa secundária do Ferencváros entre 2019 e 2022).

 Antecipava-se, por isso, conto de fadas. Que Borbély conseguisse imprimir o registo dominador de outrora em contexto nacional e manter o sucesso recente fora-de-portas, conciliando harmoniosamente os índices competitivos. Enquanto se tem conseguido cumprir com a segunda expectativa (veja-se o percurso dos húngaros, que ultrapassaram todas as rondas de qualificação), as coisas não vão de feição na Liga, com cinco empates em nove jornadas. «Nem tudo correu como planeado nesta temporada», explicou assim na antevisão ao encontro desta quinta-feira. «Os resultados na Liga Europa são bons, mas não acho que exista uma grande diferença na forma como jogamos para as duas competições».

A termos de encontrar razões para a dualidade húngara, não podemos apontar um eventual desencontro entre as ideias de Borbély e o plantel – no empate deste fim-de-semana em casa do Kisvárda, o Ferencváros teve 2,72 de expectativa de golo, 73% de posse, 29 remates, 51 toques na área adversária, 12 cantos e cinco grandes oportunidades. Por isso, Torreense e portugueses, tomemos em consideração quando Borbély diz que está «confiante» de que a sua equipa jogará de forma… «muito mais eficaz que no último jogo»!  

Mas, como aliás tem sido hábito, em Torres Vedras não se tem medo de ninguém. Noção das diferenças em qualidade individual claro, mas são onze contra onze, como fez bem questão de frisar Carlos Simões, o adjunto de Tralhão. «Começámos de forma histórica e mostrámos logo o que queremos fazer nesta competição. Sabemos que temos um jogo complicado. Pelo ambiente, porque a equipa é uma das maiores da Hungria, mas temos o nosso plano e sabemos o que temos de fazer: sermos nós próprios e fazer o que nos compete».

Pela mesma toada se cingiu João Marques, o craque emprestado pelo Braga e que já conquistou o lugar como organizador de jogo. «Tentamos dar o nosso melhor. Ficámos também orgulhosos pelo que fizemos no segundo jogo porque jogámos contra uma equipa da Premier League e todos viram do que fomos capazes».

E se foi por questão de segundos que não se conseguiu obrigar uma equipa inglesa a dividir pontos, há razões para não esperar o melhor desta viagem à Hungria? E, a conseguir-se sair vivo de Budapeste, não é natural sonhar-se com a qualificação? Claro que sim, que o calendário ajuda!

A ajuizar a partida estará um francês, de seu nome Jérôme Brisard.  

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Tanto Braga (2025-26) como FC Porto (1994-95), os únicos portugueses a jogar em casa do Ferencváros, perderam (2-0) em Budapeste.
  2. Nesta temporada, o Ferencváros só perdeu uma vez em 20 jogos (logo na 1.ª jornada do campeonato, a 26 de Julho)
  3. É a melhor equipa da Europa em termos de sequência de resultados internacionais, invencível (8 vitórias e 2 empates) desde a 1.ª pré-eliminatória.
  4. Não perde no Groupama Aréna desde 25 de Janeiro, na 19.ª jornada da Liga 2025-26. São 18 jogos consecutivos.
  5. Não perde no Groupama para as competições europeias desde… 19 de Agosto de 2025, quando se deixou surpreender pelo Qarabag no play-off da Champions (1-3). São 11 jogos sem perder desde aí (Viktoria Plzen, Ludogorets duas vezes, Rangers, Panathinaikos, Braga, Vojvodina, Twente, Górnik Zabrze, Trabzonspor e Plzen novamente)
  6. Na fase de liga do ano passado, chegou invencível à última jornada (quatro vitórias e três empates), só aí claudicando para o Nottingham Forest.
  7. Jogadores mais presentes nesta época? Corbu, Zachariassen e Yusuf, os três com 19 participações.
  8. Mais golos? Zachariassen, com nove, Yusuf com cinco e Lenny Joseph com quatro.
  9. O Ferencváros é, em Outubro, a única de quatro equipas húngaras ainda na Europa. É muito graças à consistência da equipa que o país acaba de ultrapassar a Áustria no 17.º lugar do ranking da UEFA: dos 28 pontos conquistados pela Hungria no ranking a cinco anos, 24 são responsabilidade do Ferencváros!
  10. Jérôme Brisard só apitou portugueses duas vezes: uma vitória da Selecção sub-19 frente à Eslováquia na qualificação para o Euro 2019 e uma derrota dos juniores do Porto na Rússia, frente ao Lokomotiv, na Youth League do mesmo ano. Com húngaros, o registo contém quatro jogos (duas vitórias e duas derrotas)

JOGADORES A TER EM CONTA

https://twitter.com/EuropaLeague/status/2102715348839460876

Daniel Arzani – Birmancevic assistiu para os dois golos de Zachariassen com que se derrotaram o Plzen na segunda jornada; Yusuf é dos mais presentes e segundo na contagem de goleadores; Lenny Joseph é a primeira escolha para fazer esquecer Barnabás Varga, que saiu para o AEK no Inverno depois de 20 golos entre Julho e Dezembro. Em condições normais, são estes quatro os titulares da frente – mas atenção, que como alternativa há um australiano de sangue persa, com passagem pelo Manchester City, que em dez participações em 2026-27 conseguiu ser três vezes o MVP. Um golo (e que golo no Celtic Park!) e três assistências em 539 minutos, sendo ele o responsável pelo ponto ganho no fim-de-semana frente ao Kisvárda. Perigoso extremo-esquerdo, confirma qualidades com as 11 internacionalizações pelos Socceroos.

João Marques – O mais irrequieto contra o Sunderland, ainda que inconsequente – não conseguiu com o seu talento contrariar os 0,04xG do Torreense, o recorde negativo da competição – vai-se agora consolidando no onze, depois de ter chegado em cima do fecho da janela. Confiando na técnica de João, será importante para os portugueses conseguir roubar e reter a bola, acalmando as ânsias magyares. Se não for possível sobreviver de pé para pé… ganhar faltas é sempre uma solução.  ra ser assim continuar a ser um dos elementos ativos na caminhada em direção ao Campeonato do Mundo..

XI´s PROVÁVEIS

Ferencvaros: Dibusz; Osvath, Raemaekers, Gomez e Cadu; Corbu e Adam Nagy; Arzani, Zachariassen e Birmancevic; Lisztes

Treinador: Balázs Borbély

«Não existem jogos fáceis a nível europeu. Penso que o jogo vai ser idêntico à Liga húngara, porque espero uma defesa bem organizada do outro lado. Estou confiante de que vamos jogar de uma forma muito mais eficaz do que no último jogo».

Torreense: Lucas Paes; David Bruno, Diadie, Volnei e Javi Vazquez; Oudrhiri e Alfaro; Pozo, João Marques e Quintero; Danny Jean

Treinador: Luís Tralhão

«Nos últimos oito anos, o Ferencváros foi sete vezes campeão e isso são indicadores da grandiosidade do clube. Vai ser um desafio muito difícil, mas é mais um e todos os jogos vão ser muito difíceis».

PREVISÃO DE RESULTADO: Ferencvaros 1-1 Torreense

Pedro Cantoneiro

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