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Pablo Fuentenebro em exclusivo ao Bola na Rede: «Veremos um melhor Real Madrid e inclusivamente um melhor José Mourinho com o passar das jornadas»

Ricardo João Lopes · 7 min

José Mourinho, Real Madrid
Foto: Real Madrid

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O Bola na Rede conversou com Pablo Fuentenebro, jornalista do Diario As. Foram discutidos alguns temas relacionados com o futebol português e espanhol.

O Bola na Rede esteve à conversa com Pablo Fuentenebro, chefe de secção de Futebol Internacional do Diario As, uma referência em Espanha. Foram debatidos vários temas, desde a chegada de José Mourinho ao Real Madrid, passando pela situação da seleção nacional. Tudo isto, sem esquecer alguns jogadores castelhanos que atuam na Primeira Liga e que cada vez mais são uma referência do campeonato.

Bola na RedeJosé Mourinho regressou ao Real Madrid. Como vês esta volta ao Bernabéu?

Pablo Fuentenebro: A chegada de Mourinho ao Real Madrid mudou muitas coisas. Fez alguns ajustes em relação a temporadas passadas. Começou bem, ainda que tenha tropeçado duas vezes: contra o Bétis e Atlético Madrid, os dois fora de casa. Nos jogos em casa, resolve-os bem. Como ele próprio já o disse em várias conferências de imprensa: o seu projeto tem de ter tempo. Eu entendo que veremos um melhor Real Madrid e inclusivamente um melhor José Mourinho com o passar das jornadas. No Real Madrid já sabes como funciona. Tudo é medido pela Champions League. O desempenho nessa prova será vital.

Bola na RedePergunto-te sobre a chegada de Bernardo Silva ao Real Madrid, numa fase em que ainda não o vimos tantas vezes como titular…

Pablo Fuentenebro: A verdade é que o Bernardo não tem uma tarefa simples. José Mourinho gosta de o colocar num duplo pivot no seu 4x2x3x1 e ele já mostrou bons rasgos. Porém, nessa zona estamos a ver Aurélien Tchouaméni, que está recuperado, além de Federico Valverde. Em princípio, Bernardo Silva parte do banco. Pela direita o Bernardo Silva também pode jogar, mas o lugar é de Arda Guler. Além disso, José Mourinho considera que o português é algo lento, não tem a capacidade de ultrapassar adversários em velocidade que o Arda Guler tem. Por isso, tem apostado mais nele no duplo pivot. Será complicado ver o Bernardo a titular. Porém, a época é muito larga e com altos e baixos por parte de jogadores e das próprias equipas. Seguramente que o Bernardo dará aos adeptos do Real Madrid boas tardes no Bernabéu.

Bola na RedeMantendo-nos a falar de jogadores portugueses, mas viajando para a Catalunha, o João Cancelo voltou pela terceira vez ao Barcelona. O que achaste do seu regresso? Acreditas que vai superar Xavi Espart no que diz respeito à titularidade?

Pablo Fuentenebro: João Cancelo tem quase ADN blaugrana. Já esteve em outras duas ocasiões, mas esta é a primeira vez que chega ao Camp Nou em definitivo. É propriedade do Barcelona. Sempre que entrou na equipa rendeu muito bem. Fez um grande golo nas últimas jornadas. Eu considero que o lateral tem uma virtude que no Barcelona é muito apreciada: tem qualidade. Ao ter qualidade, Hansi Flick consegue trabalhá-lo sem qualquer problema. Além disso, pode jogar em várias posições e isso é muito importante, sobretudo na defesa do Barcelona. Eu vejo-o mais a lateral esquerdo, ainda que possa jogar à direita. Neste caso não há como enganar. João Cancelo vai jogar várias partidas, terá direito a muitos minutos. Vai ser fundamental no Barcelona.

Bola na RedeA 25 de outubro teremos um Barcelona x Real Madrid. Na tua visão há um favorito?

Pablo Fuentenebro: Eu acho que um El Clásico não tem um favorito. É um jogo que se joga no limite, a 120 pulsações. Também te digo que é no Camp Nou, a equipa local quiçá parte com um pouco de vantagem. Quero ver como as equipas evoluem durante as próximas semanas de competição até ao jogo. O Barcelona tem saídas complicadas, vai ao terreno do Real Bétis, também tem de ir jogar contra o PSG para a Champions mesmo antes do Real Madrid. Ainda assim, acredito que haja um pouco de favoritismo do Barcelona, sempre sem esquecer que o Real Madrid é o Real Madrid. Vimos em outras ocasiões que os merengues rendem bem no Camp Nou. A La Liga decide-se nesse encontro? Isso parece-me muito mais difícil. É uma competição na qual existirá um sprint pelo campeonato.

Bola na RedeNestes últimos dias vimos Pedro Porro lesionar-se e Luis de la Fuente chamou Iván Fresneda para o seu lugar (n.d.r. à data da entrevista, o lateral do Sporting ainda não se tinha estreado). Acreditas que o jogador vai ter nível para ser mais vezes convocado e com consistência?

Pablo Fuentenebro: Iván Fresneda tem uma vantagem: conhece perfeitamente o que é a seleção espanhola. É utilizado nos Sub-21. Isso é muito apreciado por Luis de la Fuente. As laterais em Espanha vivem fases distintas. À esquerda, temos a Marc Cucurella e a Alejandro Grimaldo. Já pela direita, desde a saída de Dani Carvajal e da retirada de Marcos Llorente, passou a existir uma vaga, que pode ser coberta por vários atletas. A lesão de Pedro Porro levou a que Iván Fresneda fosse promovido. Ele tem nível, já mostrou ter qualidade. Acho que não será a primeira vez que jogará por Espanha. No Sporting está a jogar em alto nível. Iván Fresneda pode dar o salto a outra liga de um patamar distinto. Pode vir a ser um jogador de muito futuro, tanto em Espanha como na Europa.

Bola na RedeFicaste surpreendido com a chamada de Roberto Fernández, ponta de lança que passou pelo Braga?

Pablo Fuentenebro: Luis de la Fuente procura sempre um 9 distinto. No Mundial foi o Borja Iglesias chamado e agora está lesionado, além de que está mais velho. Essa posição de ponta de lança pode ser uma das que mais varie a curto/médio prazo. Agora está o Roberto Fernández, que foi está a mostrar a sua melhor versão pelo Espanyol. Porém, existem alternativas como o Carlos Espí (n.d.r. foi chamado mais tarde para colmatar a saída de Ferran Torres, depois da realização desta entrevista) que está a começar muito bem no Real Madrid. O Gonzalo García do Fulham também é uma alternativa válida. O Roberto tem qualidades e vai certamente jogar na Liga das Nações. Se faz o mesmo que tem feito no Espanyol, tem a possibilidade de ser mais vezes convocado.

Bola na RedeUm dos craques da Primeira Liga é Gabri Veiga, médio do FC Porto, mas que não foi chamado por Luis de la Fuente. Parece-te que vai conseguir dar o salto?

Pablo Fuentenebro: Gabri Veiga tem uma vantagem: molda-se bem a qualquer lugar. Esteve no Celta. Quando ninguém esperava decidiu ir para a Arábia Saudita. Depois regressou à Europa, pelas portas do FC Porto, onde está a ser o melhor jogador. Ele tem qualidade suficiente para dar o salto a outros clubes da Premier League ou da La Liga, até mesmo a outras ligas de maior peso. A história é que quem aposta por Gabri Veiga sai a ganhar. No entanto, temos de ver quanto dinheiro o FC Porto vai pedir para libertar o espanhol. Isso determinará se Gabri Veiga rume a uma equipa que possa até mesmo lutar pela Champions League.

Bola na RedeEm Espanha estão atentos a este regresso de Samu Aghehowa aos relvados, depois de alguns meses lesionado?

Pablo Fuentenebro: Samu Aghehowa, como disse sobre Roberto Fernández, podia ser perfeitamente ser chamado ao Mundial, se não se tivesse lesionado no joelho. Era um dos pontas de lança que estava na luta por esse lugar que ficou por Borja Iglesias. Inclusivamente, já tinha sido chamado por Luis de la Fuente em outras ocasiões. Tanto para Espanha, como para Portugal, estamos todos felizes pelo regresso do Samu, quase em tempo record, esteve sete meses de fora. Sei que trabalhou para acelerar essa recuperação para ajudar o FC Porto. No futuro, se tiver minutos e golos, estará com a seleção de Espanha. Ele é um valor do FC Porto, certamente vai dar muitas alegrias na Primeira Liga e mesmo em Espanha no futuro.

Bola na RedeEm Portugal assistimos a uma mudança de ciclo com a saída de Roberto Martínez e a entrada de Jorge Jesus. Que avaliação fazes ao trabalho do catalão?

Pablo Fuentenebro: Roberto Martínez chegou a Portugal com uma bitola pelo que fez na Bélgica. Não se mexeu dos seus princípios, apostou nos seus ideais. Tinha uma boa equipa em Portugal. Mas nas grandes competições os pequenos detalhes são os que contam. Roberto Martínez é o vigente campeão da Liga das Nações, não nos podemos esquecer. No Mundial enfrentou-se com a Espanha. Esse jogo teve um golo de Mikel Merino mesmo no final. Quem sabe o que aconteceria se esse jogo não tivesse contado com um prolongamento e/ou penáltis? Portugal poderia ter ganho o Mundial. Roberto Martínez fez um bom trabalho, mas a Federação apostou em Jorge Jesus que é um técnico consagrado, que conhece muito bem a idiossincrasia do jogador português. Veremos um Portugal distinto, como já estamos a assistir. Em relação a Roberto Martínez, vai encontrar rapidamente outro banco para estar.

Bola na RedeComo têm assistido em Espanha a este Caso ‘Cristiano Ronaldo’?

Pablo Fuentenebro: Estamos ansiosos porque, afinal, o Cristiano jogou muitos anos no Real Madrid e há interesse no que lhe vai acontecer. Em Espanha, surgiram lendas, sobre as quais muito se escreveu, como o Raúl ou o Sergio Ramos, mas qualquer comparação com o caso do Cristiano está a anos-luz de distância.

Pablo Fuentenebro Diario As
Fonte: Arquivo Pessoal de Pablo Fuentenebro

Ricardo João Lopes

Redação Bola na Rede · ver artigos