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Entrada à guerreiro na Dinamarca | FC Copenhaga x Braga

Jorge Afonso · 7 min

Jogadores Braga
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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A ANTEVISÃO: DINAMARQUESES E MINHOTOS COM AMBIÇÕES NA COMPETIÇÃO PROCURAM ENTRAR A GANHAR NUM DUELO QUE SE PREVÊ MUITO DISPUTADO

Tem início esta quinta-feira (dia 15 de outubro), a sexta edição da UEFA Conference League. Sinónimo de começo da caminhada da única equipa portuguesa na competição. O Braga desloca-se à Dinamarca para defrontar o Copenhaga. Duas equipas que têm um percurso semelhante na Conference League até ao momento. Ambas tiveram acesso à mesma através da passagem de três eliminatórias, os dois emblemas venceram quatro jogos e empataram dois e procuram agora entrar na competição com uma vitória. Se Copenhaga e Braga têm ambições a fazer um percurso europeu notável, o único aspeto que separa as duas equipas a nível interno. Se uma é já uma tradicional candidata ao título no seu país, a outra ainda está um patamar atrás dos tradicionais (três) candidatos.

Entrar a ganhar na Conference League é muito importante para a equipa de Carlos Vicens começar um novo ciclo de bons resultados. Ocupando atualmente o sétimo lugar na Liga Portuguesa tendo mais jogos não ganhos (quatro) do que ganhos (três) e tendo tantos golos sofridos como marcados (oito cada), é relevante para os bracarenses reverter a situação o quanto antes. Dentro da própria equipa, a situação não aparenta estabilidade total. Se é verdade que o modelo tático é o mesmo desde a época passada e as próprias opções, que são múltiplas para cada posição, têm tido utilização regular, também é verdade que Vicens ainda não repetiu totalmente um onze de um jogo para outro. De jogo para jogo, tem existido praticamente uma alteração por setor, existindo sempre alguma incerteza nas opções e são poucos os que em condições normais são considerados “titulares indiscutíveis”.

Outro parâmetro a assinalar é o estilo de jogo da equipa. O mesmo varia consoante os jogos e as circunstâncias. Se é verdade que por vezes tem uma abordagem que abdica de ter a bola por muito tempo, apostando numa estratégia de aproveitamento das alas para criar jogadas de ataque com a participação da velocidade dos extremos e capacidade de passe (por vezes de último toque) dos médios, noutras vezes é o contrário. Também já se viu um Braga com mais posse, a ditar o ritmo de jogo e a tentar uma abordagem mais atrevida entre linhas, mas com dificuldade em encontrar espaços e em criar muitas oportunidades de golo. Além de ser uma equipa algo inconstante.

Uma situação que já se verifica desde a época passada, em que uma grande campanha europeia (semifinalista da UEFA Europa League) não foi acompanhada por uma grande campanha interna e com resultados algo dececionantes (eliminação da Taça de Portugal frente aos pés do Fafe e um quatro lugar longe dos três primeiros, com mais jogos não ganhos (18) do que ganhos (16)).

Carlos Vicens Braga
Fonte: Rafael Canejo/Bola na Rede

No entanto, a equipa minhota tem muitas condições e argumentos para sair de Copenhaga com um resultado positivo e entrar na UEFA Conference League. Uma deslocação a um campo difícil exige naturalmente concentração e uma estratégia bem definida. Tanto a nível defensivo como a nível ofensivo, o sistema tático do Braga (3-4-2-1) permite uma transição rápida de um cenário para outro através do papel dos alas, nomeadamente quando atuam Victor Gómez e Diogo Travassos (Gabriel Silva e Gabri Martínez têm um perfil mais ofensivo). Os dois alas direitos (Travassos também pode fazê-lo pela esquerda) conciliam de forma perfeitamente eficaz a sua capacidade de defender com a de sair para o ataque com visão de jogo breve e andamento para o fazer de forma mais rápida. Tal torna possível o Braga passar de um 3-4-2-1 ao taque para um 5-2-3 a defender e vice-versa, com uma elasticidade e dinâmica que o adversário terá muita dificuldade em contrariar.

Tendo argumentos em vários parâmetros, a equipa de Carlos Vicens terá capacidade de aproveitar o jogo pelas alas através dos extremos e intervenção cirúrgica dos médios (João Moutinho, Gorby ou Tiknaz) e avançados anteriores (Ricardo Horta, Pau Victor ou Dorgeles). Sendo para finalizar imediatamente (através de remates cruzados ou em arco) ou procurando o centro do ataque, assistindo o ponta de lança ou colega de outra posição que apareça em boas condições para finalizar. Igualmente pode decidir o jogo se for mais feliz nas bolas paradas e souber pautar o ritmo de jogo se conseguir uma vantagem no marcador.

No ponto defensivo, será preciso uma dinâmica que aproveite ao máximo a capacidade dos três centrais, cobrindo o espaço de forma mais curta (defesa puro com vista à marcação à zona sem subir, como é Barcia, Barisic ou Arrey-Mbi) ou mais amplo (defesa líbero avançando mais e sendo mais rápido na cobertura ao adversário, como é Vitor Carvalho, Lagerbielke ou Bajrami), em conciliação com o trabalho defensivo dos dois alas de fechar espaços nos corredores não sobrecarregando o defesa dessa faixa e correndo o risco de deixar o central líbero à mercê do ataque dinamarquês.

Do lado da equipa dinamarquesa, as circunstâncias estão mais favoráveis. Ainda que tenha perdido o jogo anterior (frente ao Midtjylland por 1-2), o Copenhaga é líder da sua Liga e conta com uma máquina ofensiva muito relevante (24 golos marcados em dez jogos de Liga e 44 golos nos 17 jogos do total de todas as competições). Para este jogo, é expectável que os dinamarqueses aproveitem ao máximo o fator de jogarem em casa e procurem ter mais posse de bola, iniciativa e tentem pressionar as (já mencionadas) lacunas da equipa bracarense. Não sendo de excluir, a possibilidade de recorrer a transições rápidas quando o Braga estiver com a posse do jogo, ou que os médios do Copenhaga (Thomas Delaney, Alex Král, William Clem ou Mads Madson) pressionem forte impedindo a equipa de Vicens em sair a jogar e busquem o espaço atrás do setor defensivo bracarense.

No campo das indisponibilidades, apenas existe uma e do lado português. Carlos Vicens apenas não conta com o defesa Sikou Niakaté, lesionado desde abril. De resto, ambos os técnicos se encontram sem qualquer constrangimento de opções para o arranque da UEFA Conference League.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. É a primeira vez que as duas equipas se defrontam.
  2. O histórico do Braga contra equipas dinamarquesas é globalmente positivo com três vitórias e uma derrota em quatro jogos.
  3. Todos os jogos dos bracarenses contra emblemas dinamarqueses foram a contar para a UEFA Europa League.
  4. O emblema minhoto tem apenas dois jogos disputados em território dinamarquês, uma vitória (Brondby 4-2 em 2019/20) e uma derrota (Midtjylland 2-3 em 2021/22).
  5. Ricardo Horta marcou nos dois jogos do Braga na Dinamarca.
  6. Wenderson Galeno foi o último jogador braguista a marcar um golo pelo clube na Dinamarca.
  7. Nas competições europeias frente a equipas portuguesas, o Copenhaga ainda só defrontou Benfica (quatro jogos) e FC Porto (dois jogos).
  8. A equipa dinamarquesa nunca venceu um clube português nas competições europeias, três empates (dois frente ao FC Porto e um contra o Benfica) e três derrotas (todas frente aos encarnados).
  9. Todos os jogos do Copenhaga contra equipas portuguesas foram a contar para a UEFA Champions League.
  10. O árbitro do encontro será o holandês Joey Kooij.

JOGADORES A TER EM CONTA

Mohamed Elyounoussi FC Copenhaga
Fonte: FC Copenhaga

Moha Elyounoussi – Numa equipa que procurará ter a iniciativa, os virtuosos fazem sempre muita diferença. Elyounoussi é um dos jogadores mais decisivos do conjunto dinamarquês (dez golos e quatro assistências em 15 jogos). É exímio no controlo de bola, capaz de combinar jogo com os companheiros em espaços mais curtos, um bom drible e eficaz nos momentos de finalização. Tendo a prática de atuar nos dois lados do ataque e como médio armador, caracteriza-se maioritariamente por ter um estilo que o faz partir da ala para o interior em busca de criar oportunidades diretamente ou servindo o avançado. Num dia bom do jogador norueguês, o Braga terá muitas dificuldades no setor defensivo.rdt4y4

Pau Víctor Braga
Fonte: Braga

Pau Víctor – Num estilo em que se aproveita ao máximo as transições em especial pelas laterais, os momentos do último toque e a finalização são muito relevantes. É aqui que está o papel chave de Pau Victor. É um avançado completo, sabendo ter um papel mais fixo ou de referência no centro do ataque, um papel mais móvel (falso nove) ou caindo para uma das faixas sem ser um extremo típico. Consoante as circunstâncias, Pau Victor é capaz de servir a equipa no setor ofensivo. É um jogador competente no primeiro toque, aproveita bem os espaços e sabe ligar jogo com os colegas. É provavelmente o maior exemplo da acutilância do ataque bracarense e já decidiu vários jogos, podendo fazê-lo do novo.

XI´s PROVÁVEIS

FC Copenhaga: Diant Ramaj, Akos Markgraf, Asger Sorensen, Felix Beijmo, Birger Meling, Thomas Delaney, William Clem, Alex Král, Thapelo Maseko, Andreas Cornelius e Moha Elyounoussi.

Treinador: Bo Svensson

«Vamos defrontar uma equipa que, na última temporada, foi quase finalista da Liga Europa. Só não foi à final porque no segundo jogo das meias-finais com o Friburgo atuou com 10 jogadores praticamente a partir do apito inicial».

Braga: Bernardo Fontes, Gustaf Lagerbielke, Vitor Carvalho, Bright Arrey-Mbi, Víctor Gómez, João Moutinho, Demir Tiknaz, Gabriel Silva, Pau Victor, Jonas Wind e Ricardo Horta

Treinador: Carlos Vicens

«Sabemos que enfrentaremos uma equipa com as ideias bastante claras e muito física. É uma equipa que pressiona alto e leva o adversário a criar erros, vamos ter de ter uma grande personalidade. É uma oportunidade para fazer um grande jogo».

PREVISÃO DE RESULTADO: FC Copenhaga 1-2 Braga

Jorge Afonso

Redação Bola na Rede · ver artigos

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