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Redação Bola na Rede

Pedro Cantoneiro

355 artigos publicados · no Bola na Rede desde 2019

Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

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Benfica

Os 5 pecados de Lage

Tentou. A história precisava de um último paragráfo e há linhas assinaláveis, há pontos positivos. Houve boas emoções europeias, houve recuperação competitiva e a conquista de duas taças. Os mínimos competitivos para um clube desta dimensão, o segundo lugar no Campeonato e na Taça, dinamitaram qualquer réstia de confiança da bancada no seu trabalho. A época começaria minada e só um grande volte-face nas exibições levaria a voto de confiança da direcção. Sem tempo para grandes planeamentos ou preparações, atingiu os primeiros objectivos mas a factura física resultaria em hecatombe europeia. Não chegou a um ano a segunda aventura de Lage no Benfica mas muito haverá por contar, como disse o seu adjunto e irmão, Luís Nascimento. E a apontar? Também.

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
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Benfica

Sem tempo a perder | Benfica x Santa Clara

Regressa o rebuliço clubístico dum atarefado calendário que vai deixando adeptos do Benfica e sobretudo jogadores sem fôlego. Dedíc aterrou na Portela a cambalear, Sudakov andou a competir mesmo depois de lidar com as atrocidades da guerra, Otamendi despediu-se, junto de Messi, dos jogos caseiros da Albiceleste, e Ríos, depois de ser figura num louco 3-6 na Venezuela, chegou ao lado de Luis Suárez num jacto pago a meias pelos rivais da capital – numa ternurenta inversão do amigos amigos negócios à parte. Ao todo, foram 18 os jogadores do Benfica que Bruno Lage viu a irem embora para os compromissos FIFA, o que com certeza lhe permitiu o tão desejado tempo para repensar abordagens e ajustar as ideias - ou talvez perceber que a decisão de tornar o Benfica, primeiro que tudo, sólido e extremamente pragmático é a melhor base para uma época bem-sucedida. O plano é que o virtuosismo e a electricidade apareçam mais tarde.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Benfica

A serenidade no inferno | Fenerbahce Sk 0-0 Benfica

Continua a revelar Bruno Lage o mais profundo dos pragmatismos: respondendo ao 3-5-2 de Mourinho, com Szymansky no apoio à parelha de latagões El-Nesyri-Durán, o Benfica actuou, no papel, num 4-3-3 de contenção; mas quando atentámos que Aursnes era sobretudo mais ala que extremo, percebeu-se que a intenção era a linha de cinco atrás, com Dedic a juntar-se aos centrais para criar a superioridade numérica. Florentino surgiu atrás da dupla habitual para meter trancas na porta – e na intermediária viu-se acesa batalha de homem a homem, desaguisado que influenciou todo o resto do jogo e o tornou num morninho duelo tático, sem espectáculo nem coisa memorável.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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Benfica

Nice 0-2 Benfica | A coisa fez-se…

O Benfica actuou na francesa Riviera em modo de treino. Se a escolha do terceiro equipamento, de cores espapaçadas e sem a chama das grandes ocasiões, não transmitiu logo esse sentimento competitivo, a postura encarnada levou a uma exibição esbatida, apenas e só de serviços mínimos. O bege, que não é Bantou mas mais a puxar o Blanc Avoiraz ou o Jaune Moreau, fascina tanto como a arquetípica personalidade francesa – a clássica caricatura do chauvinista-intelectualóide todo aperaltado, orgulhoso de si próprio e maniento até à exaustão – e essa percepção apoderou-se do futebol benfiquista, que se sabia superior e rapidamente se percebeu, para todos, que era uma questão de números, mais ainda que de tempo.

Pedro Cantoneiro · 3 min de leitura
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Benfica

Quando o dérbi entre Benfica e Sporting foi ainda mais polémico

O defeso tem a bonita particularidade de remeter os fracassos lá para o fundo. A interrupção sinaliza-nos um evidente antes e depois, e ajuda a digerir o que nos cai mal. Ora, num ano sem Verão, e atafulhado com mais uma competição encaixada no único slot temporal possível, aos benfiquistas restaram duas semanitas para recuperar fôlego de 11 meses conturbados, finalizados por caricata sucessão de tragédias, que se amontoaram na consciência colectiva como um balão – que inchou e em nenhum momento esvaziou por completo, por nunca a equipa ter verdadeiramente parado. O período de férias passou a correr, o pisão na cabeça continuou na agenda mediática, a discussão sobre data de realização do próximo dérbi veio por arrasto e ainda agora, na conferência de antevisão, perguntaram a Bruno Lage se colocou a hipótese de ir a jogo com a equipa B. O treinador, que no regresso aos trabalhos rejeitou no treino as bolas que se utilizarão na final desta Quinta-feira para preferir as da… Champions, motivando até sorrisos do capitão Otamendi, foi taxativo – que o maior adversário «é o tempo». Ou a falta dele.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Benfica

Os fantasmas de Bruno Lage

Ridículo não é e descabido muito menos será olhar para Bruno Lage e lembrarmo-nos imediatamente, com o sentimento de algo tão óbvio que já o devíamos ter percebido, que ali está Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, de corpo lânguido, não tão simbólico dum conceito, mas com a mesma carga caricatural. Camilo começa-nos a apresentação do Calisto por dizer que tem «hoje quarenta e nove anos, por ter nascido em 1815, na aldeia de Caçarelhos, termo de Miranda». Perguntando ao Google pela data de nascimento de Lage, surgem os mesmos algarismos. O optimismo dos valores positivos do carácter de ambos ao chegar à ribalta contrastou no tempo e no espaço com a envolvência. Riam-se de Calisto, gozavam-lhe os modos e as expressões; a roupa só apimentava o avacalho. A Lage, a sequência de vitórias logo a abrir só adiou o escárnio, que se abateu depois sobre os modos aparentemente ingénuos do treinador-pedagogo que sustentava o sucesso no bom palavrear, na boa vontade com todos, na gentileza dos gestos; o seu futebol, enquanto tão vistoso quanto eficaz, protegeu-o. Era tudo demasiado perfeitinho. Idealizavam-lhe o perfil, que, supostamente, era à inglesa. Assim que a coisa começou a dar para o torto e o tempo permitiu discernir-lhe os inevitáveis e humanos vícios, veio o regabofe. A Igreja Lagiana perdeu o propósito; Lagiola passou a ser dito com um sorrisinho sarcástico.

Pedro Cantoneiro · 6 min de leitura
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Recordar é Viver

Recordar é Viver: Carlos Gomes, o homem mais livre

Difícil é para nós, crianças do Portugal livre e Europeu, imaginar sobreviver sem os direitos democráticos que para os nossos avós não passavam de mordomias e luxos. Mais difícil será, para estas crianças, imaginar os seus ídolos da bola, dum futebol tão cheio de si e de dinheiro, prisioneiros políticos. Contratos das Árabias podem indiciar um outro tipo de prisão – mas em 2025, não metemos em causa a segurança física dum desses craques da nossa Liga, por mais impertinente ou disruptivo que seja. A crescente polarização da nossa praça não se pode comparar ainda com o retrato do Portugal do século XX, acorrentado a um canto da Europa, embebido em memórias duma grandeza que o tornavam esquizofrénico aos olhos dos verdadeiros protagonistas. Carlos Gomes nasceu muito antes do tempo a que teria direito – foi um dos precursores da liberdade enquanto cidadão e especialmente enquanto futebolista, uma década antes de António Simões e Artur Jorge sequer imaginarem um projecto como o Sindicato de Jogadores.  «Acabara de me estrear pelo Barreirense e um senhor veio ter comigo a felicitar-me por ter assinado pelo Sporting. Mas como assim Vossa Exª? Era mesmo assim, os clubes decidiam pelos jogadores, não havia respeito nenhum. Estava claríssimo que o meu futuro seria mais negro que o fumo de todas as chaminés da CUF[1]« relatava certo dia no Jogo de Vida, o seu livro de memórias. Claro que, com o seu feitio revolucionário, Carlos teria que ser filho do independentíssimo Barreiro. Rezam as lendas espalhadas por quem teve a sorte de o ver e conhecer que nasceu Keeper, sempre se dissociando das tendências juvenis de ataque à baliza adversária – como bom rebelde, de carácter imaculado na defesa dos seus próprios interesses, percebia que havia mais caminho a percorrer no artificio de evitar o golo, ainda mais que fazê-lo. E percebeu também desde cedo que para perceber a ciência por trás da coisa, seria obrigatório ver o que faziam os melhores: e por isso não perdia um jogo caseiro do Barreirense, pondo-se atrás da baliza de Francisco Silva – o suplente da Selecção – a anotar todos os pormenores. A observação criou admiração. Antes de ir para os jogos, começou a roubar laranjas para dar ao “Ti Chico” nas pausas. Quis o destino que, uns anos depois, fosse Carlos o suplente dum já experiente Ti Chico e com ele treinasse todos os dias…

Pedro Cantoneiro · 9 min de leitura
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