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Benfica

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Opinião

A praia onde o Benfica se está a habituar a atacar é a mesma onde ficou perto de morrer e outras lições de agosto

As últimas horas de agosto trouxeram os raios de sol que escassearam há umas semanas, quando a chuva e o frio se apoderaram do verão português. Se há coisa que qualquer português rejeita é que lhe tirem o verão. Uma aragem mais forte, uma água que comece a cair do céu, um termómetro que termine os dias a tornar obrigatório andar com um casaquinho e está tudo estragado. Ora, se quisermos, e pegando na liberdade criativa que defrontar o Estoril Praia oferece, entre o areal e o mar, o Benfica vive pleno verão. O problema, esse, é quando o Zéfiro incomoda, quando a chuva apelidada carinhosamente como "molha-parvos" se sente e quando o casaquinho surge em versão invernal, já com pêlo para resistir ao mau tempo. Se quisermos, o mês de agosto de 2026 é perfeito para descrever o Benfica de Marco Silva. No geral, foi um mês de verão, de praia, piscina e muito calor. Também o futebol do Benfica foi risonho, com envolvimento ofensivo, deixando para trás as amarguras da estreia oficial na Suíça e apresentando uma versão com várias goleadas e vitórias saborosas. No entanto, em vários jogos, sentiu-se uma aragem suficiente forte para abanar os ramos das árvores e fazer olhar para a tonalidade do céu e das suas nuvens. Por vezes, não foi mais que fogo de vista, que um jogo de cores e sensações que o clima, cada vez mais rebelde, provocou. Contra o Estoril Praia, por exemplo, foi precisamente este o fenómeno que aconteceu quando Yanis Begraoui - a palavra fenómeno (não pensando em Ronaldo Nazário, mas em alguém fenomenal à escala canarinha) não é inocente - decidiu, do nada, marcar um golo. O problema, esse, foi o que se sucedeu contra o Académico de Viseu. Essa memória é distante, mas foi a chuva de agosto do Benfica. E que, nem que por uns segundos, todos recordaram quando Begraoui fez escurecer as nuvens do céu.

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
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