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André Villas-Boas e o golo decisivo de Oskar Pietuszewski na Madeira: «Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo»

Dinis Jacob · 4 min

André Villas-Boas FC Porto
Foto: FC Porto

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André Villas-Boas recordou o golo apontado por Oskar Pietuszewski na vitória do FC Porto por 2-1 no terreno do Marítimo.

André Villas-Boas, presidente do FC Porto, abordou vários temas no editorial da edição de outubro da revista Dragões. Entre eles, o líder dos azuis e brancos abordou o golo decisivo de Oskar Pietuszewski na Madeira:

«Na Madeira, foi preciso um golo legal do FC Porto para ofender a “verdade desportiva” desejada pelos mesmos. Um centímetro em jogo é golo em qualquer lado do mundo, seja qual for a tecnologia, mas, na realidade virtual em que habitam, o golo legal do FC Porto não o deveria ter sido. “Investigue-se”, “é preciso perceber o que se passa”, dizem eles, porque a influência do FC Porto deve ser tal que até domina os centímetros. A conclusão estava escolhida antes de se desenharem as linhas: se o FC Porto ganhou, alguma coisa terá de estar errada. O problema não é o golo; é quem o marcou. E, quando os factos lhes retiram os argumentos, passam ao insulto pessoal».

André Villas-Boas criticou a reação dos comentadores desportivos ao lance:

«Depois de Mário Figueiredo, jornalista e ex-atleta do Benfica, surge agora João Queiroz, assumido benfiquista e presença conhecida na BTV, a comparar o Presidente do FC Porto a Pinochet e a Fidel Castro. Importa enquadrar a comparação: falamos de governantes de regimes autoritários associados à tortura, a execuções políticas e à supressão de liberdades fundamentais. É a este ponto que chega o comentário televisivo. A palavra “supostamente” não serve de detergente para a comparação. Pedir rigor não é censurar, responder a falsidades não é reprimir e defender uma Instituição de Sócios não é exercer uma ditadura. A liberdade de expressão que tanto invocam parece ter uma regra muito própria: eles podem ofender, mas o FC Porto não pode responder. E quem não aceita ficar calado ganha imediatamente um lugar na galeria dos ditadores. É mais fácil desqualificar quem exige respeito do que justificar a falta dele. As duas intervenções deram origem a participações à ERC, envolvendo os conteúdos e as responsabilidades de quem os proferiu ou difundiu. Não pode valer tudo na televisão portuguesa».

Ainda sobre o golo, o presidente do FC Porto acrescentou:

«Voltemos, porém, ao golo na Madeira, porque teve outro mérito: parece ter despertado o Conselho de Arbitragem do sono profundo em que as nossas propostas tecnológicas permaneciam. Discutem-se finalmente um calendário de implementação e o investimento necessário no fora de jogo semiautomático e na tecnologia de linha de golo, quando o FC Porto reclama melhores meios há duas épocas. Bem hajas, Pietuszewski: talvez tenhas sido a chave para abrir as portas do futuro a um futebol que teima em viver no passado. Esperamos agora decisões, financiamento e execução. Já perdemos demasiado tempo entre apresentações e intenções para aceitar que tudo volte a adormecer quando passar a polémica».

André Villas-Boas apelou a maior «coerência nas decisões e nas explicações»:

«Mas a modernização não se faz apenas com equipamentos; exige também coerência nas decisões e nas explicações. A comissão técnica de arbitragem decidiu validar a atuação de João Pinheiro e do VAR no SC Braga–Sporting CP, perante uma mão na área que, para todos os especialistas e analistas de arbitragem, exigia a marcação de grande penalidade. Ao novo Diretor Técnico Nacional, pedimos a lisura e a clareza necessárias para vir dar explicações sobre todos os incidentes envolvendo todos os clubes ou, para não repetir o caminho do anterior responsável, cujas explicações tantas vezes confundiram os árbitros em vez de os orientar, remeter as discussões para sede própria, evitando lançar ainda mais dúvidas quando os casos são por demais evidentes. O problema de Braga não termina no penálti que ficou por assinalar: prolonga-se em justificações que, em vez de esclarecer, lançam confusão sobre os próximos lances. Que critério deverão os árbitros aplicar amanhã? O das decisões anteriores ou o da explicação que agora convém?»

Por fim, deixou críticas à postura do Presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves:

«Enquanto isso acontecia, o Presidente do Conselho de Arbitragem estava na televisão a defender o seu bom nome. Um clube beneficiava de uma decisão errada da equipa de arbitragem e o responsável máximo do setor dividia-se entre o exercício do cargo e a sua defesa pessoal em canal aberto. Mas que normalidade é esta? O direito de defender o bom nome é inquestionável; o que contestamos há muito tempo é que o faça mantendo o pleno exercício das suas funções. O FC Porto pediu, e pede, uma suspensão temporária de funções do Presidente do Conselho de Arbitragem: a Instituição FPF e a credibilidade das competições assim o merecem. Mas essa medida não foi tomada e o clima de instabilidade mantém-se. A permanência neste quadro é insustentável e a passividade do Presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do Presidente da Liga de Clubes agrava ainda mais o descrédito. O futebol português precisa de lideranças fortes e de confiança, não de ver cada polémica de campo acompanhada por uma crise institucional que ninguém parece disposto a resolver»

Lê todo o seu editorial.

Oskar Pietuszewski e Jan Bednarek, FC Porto
Fonte: Pedro Figueira / Bola na Rede

Dinis Jacob

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