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Taça das Confederações ’17 (Magazine): Alemanha

João Valente · 8 min

Taça das Confederações ’17 (Magazine): Alemanha
Muller apontou um hat-trick Fonte: Eurosport

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Cabeçalho Futebol Internacional

No dia 17 de Junho começa-se a jogar a Taça das Confederações, prova organizada um ano antes do campeonato do mundo e que terá como país anfitrião a Rússia, também ela organizadora do Mundial 2018. Doze anos depois a Alemanha está de volta à prova.

A última vez que os alemães participaram na prova foi em 2005, ano em que receberam o torneio. Nessa altura estava em voga uma nova Alemanha que queria afastar a péssima prestação do Euro 2004, onde ficou pela fase de grupos, e despoletar rumo àquilo a que seria uma boa campanha no Mundial de 2006. A jovem geração de Lahm, Frings, Schweinsteiger e Podolski fez boa figura em ambos os casos, mas hoje em dia, é seguro dizer que não tem a mesma preponderância que a Alemanha dos nossos tempos.

Figuras da Selecção

Joachim Low surpreendeu. Talvez por encarar a prova como uma preparação para o que aí vem, o seleccionador alemão deixou algumas das principais figuras da equipa de fora. Neuer, Ozil e Kroos são alguns exemplos de como a máquina alemã terá de depender de outras forçar para conseguir cumprir os mínimos a que nos tem habituado. Sendo assim, os papéis principais caem em cima de outros nomes. Não estamos tão habituado a ouvir falar deles, mas fazem parte da linhagem iniciada em 2005 aquando do processo de renovação e repensar do futebol alemão.

 

Timo Werner

O jogador do RB Leipzig pode afirmar-se como internacional Fonte: Marcadorint
O jogador do RB Leipzig pode afirmar-se como internacional
Fonte: Marcadorint

Nascido, criado e formado em Estugarda, o gaiato de 21 anos faz a sua estreia em provas FIFA com a camisola da mannschaft na Rússia. Low é conhecido por apostar na juventude desde que esta apresente qualidade que lhe garanta resultados, como a conquista do Mundial 2014 que será abordada mais à frente. Fê-lo com Thomas Muller e agora fá-lo com Werner. Em 31 jogos feitos esta temporada, o avançado alemão apontou 20 golos ao serviço do surpreendente RB Leipzig, equipa sensação que terminou em segundo lugar na Bundesliga. Boa parta do sucesso deve-se a este rapaz que em conjunto com Keita e Poulsen fizeram as delícias dos adeptos e encheram as medidas ao seleccionador ao ponto de o convocar. Quase de certeza que será o protagonista na frente de ataque da Alemanha, onde irá dividir esforços com Leroy Sané, do Manchester City, e Sandro Wagner, do Hoffenheim.

Emre Can

O alemão de origem turca pode desequilibrar as coisas a favor dos germânicos Fonte: SkySports
O alemão de origem turca pode desequilibrar as coisas a favor dos germânicos
Fonte: SkySports

Tal como Toni Kross, este é mais um dos que foi formado no gigante Bayern de Munique, mas que prosseguiu os estudos no Bayer Leverkusen. O senão, é que Kroos retornou à Baviera para depois rumar a Madrid e Can ficou na equipa da farmacêutica até ir para a cidade dos Beatles. Começou como defesa-central, mas cedo se percebeu que quem saía a jogar daquela maneira tinha capacidade para mais. Quando chega ao Liverpool, Brendan Rodgers adapta-o a médio-centro e as coias não podiam ter corrido melhor. O Liverpool não tinha um médio daqueles, Lucas Leiva assustava a jogar naqueles terrenos e a Alemanha ganhou um novo polivalente. Mais do que bom com a bola nos pés, Can é dos melhores que os germânicos terão para dividir lances de cabeça e tem um pé direito que mete respeito quando remata. Talvez nesta convocatória onde não há Khendira, esta seja a oportunidade para Emre Can mostrar que pode ser o novo 6 da Alemanha.

Kevin Trapp

Trapp pode ser um digno sucessor de Neuer Fonte: YouTube
Trapp pode ser um digno sucessor de Neuer
Fonte: YouTube

Kahn, Neuer, Trapp. Parece ser esta a sucessão de guarda-redes na baliza dos campeões do mundo. A vida de guardião na Alemanha não é fácil. Não porque a defesa alemã é má, porque simplesmente não é, mas porque a qualidade dos outros candidatos ao trabalho é tão boa ou melhor. Neuer não foi convocado para a Taça das Confederações, mas tem a titularidade no mundial assegurada, a menos que algo imprevisto aconteça. Assim sendo, Low levou consigo os outros 3 que lhe podem ficar com o lugar no futuro, Leno e Stegen, para além de Trapp. Contudo, Trapp leva vantagem sobre os outros dois. Stegen cometeu alguns erros durante a época e não tem o amor dos fãs do Barcelona. Já Leno é dos mais completos a jogar na Bundesliga, mas a temporada também não foi fácil. Por isso, sobra Trapp. Formado no Kaiserslauten, deu nas vistas quando chegou a Frankfurt. De tal forma que o PSG puxou dos galões e levou-o para Paris. É bom entre os postes e sabe usar os pés, algo que dá muito jeito ao jogo da Alemanha e que o aproxima de duas características também presentes em Neuer.

A Taça das Confederações é a prova onde todos os campeões e alguns vice-campeões, caso da Itália em 2013, se juntam e abrem as hostilidades no palco que servirá para receber o Campeonato do Mundo. É esse estatuto do de campeã que permite à Alemanha estar na Rússia em 2017.

Percurso

Alemanha apurou-se para as Confederações depois de vencer o Mundial do Brasil Fonte: FIFA
Alemanha apurou-se para as Confederações depois de vencer o Mundial do Brasil
Fonte: FIFA

Para se qualificar para a Taça das Confederações de 2017, a Alemanha teve de ganhar o Mundial de 2014, no Brasil. Depois de um percurso sem derrotas na fase de qualificação europeia, os germânicos mediram forças com Portugal, Gana e Estados Unidos na fase de grupos do Mundial. Logo no primeiro jogo um duelo com Portugal. Nas fases a eliminar a história era amiga dos alemães, basta para isso recordar o Euro 2008, vitória por 3-2 nos quartos-de-final, e o Mundial 2006, vitória por 3-1 no jogo do terceiro lugar, mas em fases de grupo, nem tanto, visto que no Euro 2000, Portugal tinha ganho à Alemanha por 3-0. No entanto, as coisas mudaram e um hattrick de Muller e outro golo de Hummels ofereceram um triunfo de 4-0 frente a Portugal. Depois disso veio um 2-2 com o Gana e uma vitória por 0-1 diante dos EUA.

Nos oitavos-de-final a coisa subiu de tom. A surpreendente Argélia confirmou o estatuto de equipa sensação e complicou a tarefa à turma de Joachim Low, forçando a Alemanha a ir buscar o triunfo ao prolongamento por 2-1. Nos quartos-de-final veio a França e um golo solitário de Hummels resolveu o problema. Chegadas as meias-finais veio o jogo dos jogos, o Brasil. A jogar em casa, os canarinhos tinham alguma vantagem, mas isso acabou por não chegar. A máquina alemã esteve no seu melhor para mal dos brasileiros e um expressivo 7-1 catapultou-os para a final. No estádio Jornalista Mário Filho, Maracanã, foi a Alemanha contra Messi e companhia. O jogo durou e foi bem disputado, mas Low fez saltar do banco o homem que aos 118 acabou com as dúvidas, Gotze. 1-0 Para Alemanha e o erguer de uma taça que já fugia desde 1990, em Itália, curiosamente também contra a Argentina, mas de Maradona. A conquista do quarto título mundial valeu o apuramento da Alemanha para a Taça das Confederações deste ano.

Há duas coisas que garantem o sucesso de uma equipa, a qualidade do plantel ou a qualidade do seu treinador. No caso da Alemanha há um pouco dos dois.

Seleccionador

Joachim Low é o líder da turma germânica Fonte: Federação Alemã de Futebol
Joachim Low é o líder da turma germânica
Fonte: Federação Alemã de Futebol

Depois do Mundial 2006, organizado em solo alemão, houve uma mudança. Jurgen Klinsmann era o seleccionador da Alemanha num staff técnico onde estava Joachim Low, então adjunto de Klinsmann. Low conhecia bem a estrutura e o que a federação pretendia no que ao futuro dizia respeito, por isso, foi sem surpresa que em 2007 ele foi escolhido para comandar o destino da selecção. Os resultados começaram a saltar à vista, desde logo, a melhoria das prestações nos campeonatos da europa. Em 2008 a Alemanha foi a finalista derrotada frente à Espanha, em 2012 perde nas meias-finais diante da Itália e no ano passado voltou a ficar pelo mesmo caminho desta vez frente à França. Já em Mundiais a conversa é outra. Em 2010 perdeu de novo frente aos espanhóis, desta vez nas meias-finais, e em 2014 venceu. A política de Low parece bastante simples apostar na juventude e ir renovando a equipa aos poucos. É assim que têm surgido nomes como os de Ozil, Gotze, Kroos e mais recentemente os de Werner e Can. Apesar de jovem, a equipa mantém uma componente de jogadores que ainda que não estejam perto da reforma, têm mais experiência como é o caso de Neuer, Boateng ou Khedira. A Alemanha parece levar uma equipa B para a Taça das Confederações, mas não se iluda quem pensar que isso será garantia de menor qualidade.

Palmarés

Um grupo com dinâmica de vitória Fonte: UEFA
Um grupo com dinâmica de vitória
Fonte: UEFA

A Alemanha é a equipa em prova com mais títulos conquistados. Soma um total de 8 provas internacionais ganhas distribuídas por uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1976, três campeonatos da europa (1972,1980,1996) e quatro campeonatos do mundo (1954,1974,1990,2014). Se o factor história for decisivo, coisa que às vezes é, os alemães são os principais candidatos à conquista da Taça das Confederações, onde apesar de já terem estado presentes várias vezes, o melhor que conseguiram foi um terceiro lugar em 2005.

Se juntarmos tudo o que foi exposto até aqui percebemos que a equipa orientada por Joachim Low é o principal alvo a abater. O que nos leva ao nosso último tópico.

Expectativas

Alemanha procura voltar a vencer a prova, depois de o ter conseguido em 2005 Fonte: FIFA
Alemanha procura vencer a prova pela primeira vez
Fonte: FIFA

Os germânicos estão no grupo B da prova. Com eles estão também a Austrália, os Camarões e o Chile. À partida estes parecem ser o conjunto de jogos mais aliciantes e o mais complicado.

A Alemanha começa a prova dia 19 frente aos australianos que dividem com os camaroneses o título de equipa secundária do grupo. Os campeões da zona asiática, ex integrantes da Oceânia, são presença assídua no campeonato do mundo e também eles estão a passar por um processo de renovação. Apesar de ainda contaram com alguns nomes de peso como é o caso de Bresciano ou Tim Cahill, a Austrália deposita as suas esperanças no jovem Robbie Kruse, que curiosamente foi até á pouco tempo jogador do Bayer Leverkusen.

Depois segue-se o Chile. De longe o mais difícil dos adversários e aquele, que a par de Portugal, tem o estatuto de candidato à vitória final. Os chilenos são bicampeões sul-americanos e mesmo depois da saída de Sampaoli para o Sevilha, mantiveram a boa forma. Foi já sob o comando do ex-jogador do Futebol Clube do Porto, Juan Antonio Pizzi, que os chilenos ergueram a segunda Copa América e que chegam à Rússia com vontade de continuar a fazer história. Alexis Sanchéz, Eduardo Vargas e Aránguíz são algumas das setas apontadas à baliza da Alemanha naquele que promete ser o jogo de maior cartaz.

Finalmente na fase de grupos temos os Camarões. A equipa do ex-Porto, Aboubakar, chega de forma discreta à prova. Não realizou uma CAN espectacular, mas o certo é que fez o suficiente para levar a melhor sobre os restantes opositores. Contudo, parece ser a equipa mais frágil deste grupo.

Tudo o que vier daqui para a frente já dependerá um pouco da sorte. Não que a Alemanha se guie por aí, até porque apresenta argumentos para vencer a prova, mas porque será o destino a ditar, caso se confirme, se o Alemanha vs Portugal se joga nas meias no na final. Para muitos esta será a final desejada resta apenas saber se ambas as equipas correspondem às expectativas.

Foto de Capa: Eurosport

João Valente

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