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A edição 2026/27 da UEFA Europa League marca o regresso do Celtic a Portugal, em especial à cidade de Lisboa. Onde já foi feliz e conquistou o maior título do seu palmarés: a Taça dos Campeões Europeus 1966/67. O momento é ainda mais histórico quando se olha para o histórico dos bhoys no nosso país. O Celtic jogou no nosso país por 13 vezes (12 contra equipas portuguesas) e venceu por três ocasiões. Duas das mesmas foram contra equipas lusas, ao Boavista (1-0 em 2002/03) e Vitória SC (2-1 em 1998/99). Na capital foi sempre derrotado por Benfica (quatro vezes) e Sporting (duas vezes). A exceção foi mesmo no dia 25 de maio de 1967.
Perante um Portugal ainda assombrado pela ditadura do Estado Novo, mas ainda assim anfitrião da final da competição, foi no Estádio do Jamor que se presenciou uma das mais épicas finais de sempre da Taça dos Campeões Europeus. Frente a frente com o Celtic estava o Inter de Milão. O estatuto de ambos não podia ser mais diferente. Enquanto os escoceses estavam numa final da Taça dos Campeões pela primeira vez, os italianos já eram bicampeões (venceram a competição em 1964 e 1965). Tal como era a primeira vez que uma equipa britânica estava na final, em contraste com os italianos que já a tinham vencido por três vezes (AC Milan em 1963 além das duas eterno rival da mesma cidade).

O percurso de ambos os emblemas até ao duelo final, também tinha sido distinto. O Celtic deixou para trás Zurique, Nantes, Vojvodina e FK Dukla Dejvice. Já os nerazzurri eliminaram Torpedo, Vasas (tinha eliminado o Sporting por 7-0 nas duas mãos da primeira eliminatória), Real Madrid (detentor do troféu) e CSKA Sofia, além de ter apenas uma derrota durante as quatro edições anteriores (Real Madrid na época anterior). No Jamor, entraram de verde e branco às ordens de Jock Stein: Ronnie Simpson, Tommy Gemmell, Billy McNeill, Jim Craig, John Clark, Bobby Murdoch, Jimmy Johnstone, Bertie Auld, William Wallace, Bobby Lennox e Stevie Chalmers.
Do lado italiano, Helenio Herrera coloca em campo: Giuliano Sarti, Armando Picchi, Giacinto Facchetti, Tarcisio Burgnich, Aristide Guarneri, Gianfranco Bedin, Mario Corso, Angelo Domenghini, Sandro Mazzola, Renato Cappellini e Mauro Bicicli.
O Inter chegou cedo à vantagem, através de uma grande penalidade convertida por Mazzola aos seis minutos. Não tendo havido mais golos no primeiro tempo, foi durante o mesmo que se começou a observar uma tendência que deu origem a um facto estatístico inédito numa final europeia.
No segundo tempo, não só o conjunto hoop faz uma reviravolta com os golos de Gemmell aos 63 minutos e Chalmers aos 84, como termina o jogo com 42 remates, dos quais apenas 16 não foram enquadrados com a baliza. Em relação ao Inter, apesar de se ter mantido fiel ao estilo de futebol defensivo e organizado, o mítico catenaccio, foi completamente destronado pela máquina ofensiva de uma equipa que seria a primeira do Reino Unido a vencer a competição e ficava na história mais conhecida pelos “Lisbon Lions“.
Um conjunto que se destacava dentro de campo pela pressão, iniciativa e criatividade, liderada por Jock Stein. Um técnico que se tornaria uma lenda dos leões de Glasgow por ter levado onze rapazes, maioritariamente oriundos da cidade a campeões europeus.
Assim, ficou para a história um dia em que o maior troféu do futebol europeu foi conquistado (e merecidamente) pelo futebol espetáculo, de persistência de iniciativa e de nota artística.









