Catarina Realista perspetivou a nova temporada. Este é um excerto da Antevisão da Primeira Liga Feminina 2026/27.
Para ajudar a antecipar a nova temporada, o Bola na Rede falou com Catarina Realista, média do Racing Power, e com Fernando Meira, treinador do Tadim, da 4.ª Divisão do Futebol Feminino e com passagens na formação de Braga, Vitória SC e Gil Vicente no feminino.
Lê na íntegra o artigo Especial Antevisão da Primeira Liga Feminina 2026/27 e o retrato do Futebol Feminino em Portugal do Bola na Rede. Abaixo, um excerto relativo à experiência de Catarina Realista, que se preparar para começar a quarta temporada da carreira no Racing Power.
A experiência de Catarina Realista
Em 2023, depois de dois anos e meio entre Finlândia, Itália e Roménia, na segunda odisseia pelo estrangeiro, Catarina Realista regressou a Portugal para encabeçar o projeto do Racing Power, um clube particular no panorama do futebol português.
«Aqui no Racing foi tudo começado do zero. A Mariana e o Ismael, o pai dela, decidiram criar uma equipa feminina e exclusivamente feminina. Sempre foi um ponto dito. Queriam chegar à 1.ª Divisão e torná-la uma equipa de referência nacional», conta Catarina Realista.
Em 2019, Mariana Duarte, na altura no Paio Pires, queria continuar a jogar futebol, um sonho extensível ao pai, Ismael Duarte, empresário e CEO da RPower Energy Drink. Do sonho ao papel e do papel ao relvado foi rápida a evolução e o crescimento do clube, que chegou a andar com a casa às costas até se fixar em Setúbal. Agora, Mariana Duarte já não joga. Desde 2025, a principal das razões para o nascimento do projeto tornou-se a sua líder, assumindo a presidência do clube e deixando as emoções do relvado para outras jogadoras, entre as quais, Catarina Realista.
Nas três temporadas de Catarina no clube, todas na Primeira Liga, houve espaço a um 3.º, a um 6.º e a um 7.º lugar. Apesar do investimento e do crescimento, a diferença na classificação tem um motivo evidente.
«O “problema”, entre aspas, é um bom problema. As equipas já se tornaram todas mais competitivas e todas começaram a investir. Já ninguém treina à noite ou ao final da tarde, a maior parte das pessoas treinam talvez de manhã, há rotinas de treinos, ginásios e nutrição pelas equipas quase todas», destaca a jogadora.


Sobre a nova temporada, que se prepara começar – na primeira jornada, o Racing Power visita o terreno do Benfica – há a noção de que a pré-época preparou o terreno para meses que se esperam positivos.
«As estrangeiras que vieram todos com um perfil muito tranquilo e trazem boa vibe. As portuguesas também são brincalhonas, e mesmo que não falem inglês, tentam e arranjam sempre formas de comunicar. Temos atividades que fazemos na pré-época e é para isso também que a pré-época serve. Não é só para a parte tática, mas também para criação de grupo, porque o grupo que nós estabelecemos agora, e as ligações que estabelecemos neste mês e meio, são as ligações que vamos ter para o resto da época. São ligações que temos de criar de forma a que sejam sólidas, e que, mesmo nos maus momentos consigam prevalecer», destacou Catarina Realista, antes de olhar para a forma como as dificuldades têm de ser encaradas.
«É a parte mais difícil. Quando está tudo bem, somos todos felizes e melhores amigos, mas na vida, quando as coisas estão mal, a culpa também nunca é nossa. É sempre mais fácil empurrar para o lado. Temos de tentar que o grupo seja o mais sólido possível e o mais unido possível, mesmo quando as coisas não correrem mal, porque faz parte. Não é tudo um mar de rosas, e há dificuldades. Na realidade, é na dificuldade que nós crescemos, mais do que na felicidade. Não que eu goste, mas obviamente que eu acho que aprendo mais de uma derrota do que de uma vitória», salientou a jogadora.
Aos 31 anos e a iniciar a quarta temporada no clube, há poucas manhas que Catarina Realista ainda tem por conhecer. No Racing Power, apenas Laura Luís, internacional portuguesa chegada neste mercado, tem mais anos de vida. Se o gosto pelo futebol é independente do ano na certidão de nascimento, há diferenças geracionais que podem sustentar o crescimento, quer das mais novas, quer das mais experientes.
«Tento incutir o melhor da minha geração nelas e incutir em mim o melhor que da geração delas. Há maior preocupação com a alimentação e na minha altura isto nem era um tema. Parece que foi há 50 anos atrás, mas não foi. Do meu lado, tento passar que à mínima dor não é para desistir», assume a média.
