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Futebol Feminino a crescer em Portugal e no Mundo: «estamos a entrar numa fase que é muito delicada, que é a da consolidação do futebol feminino»

Diogo Ribeiro · 3 min

Portugal jogadoras
Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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Uma reflexão sobre o crescimento do futebol feminino. Este é um excerto da Antevisão da Primeira Liga Feminina 2026/27.

Para ajudar a antecipar a nova temporada, o Bola na Rede falou com Catarina Realista, média do Racing Power, e com Fernando Meira, treinador do Tadim, da 4.ª Divisão do Futebol Feminino e com passagens na formação de Braga, Vitória SC e Gil Vicente no feminino. 

Lê na íntegra o artigo Especial Antevisão da Primeira Liga Feminina 2026/27 e o retrato do Futebol Feminino em Portugal do Bola na Rede. Abaixo, um excerto relativo ao crescimento do futebol feminino.

O futebol feminino: do crescimento à consolidação

O futebol feminino já deixou de ser uma nova realidade há vários anos. Neste momento, mais do que a apresentação de um fenómeno novo, é necessário pensar em estratégias para o tornar parte integrante da vida do público.

«O crescimento do futebol feminino em Portugal está a acontecer. Mas nós sabemos que estamos a entrar numa fase que é muito delicada, que é a da consolidação do futebol feminino», destaca Fernando Meira. 

De resto, nos últimos anos, os números não mentem. Em Portugal, todos os cinco jogos mais vistos – ao vivo – no futebol feminino já ultrapassaram os 20 mil adeptos no estádio.

  1. Portugal 1-1 Chéquia, Estádio do Dragão, 29/11/2024, 40.189 espectadores
  2. FC Porto 9-0 União de Leiria, Estádio do Dragão, 01/09/2024, 31.093 espectadores
  3. Benfica 0-1 Sporting, Estádio da Luz, 26/03/2023, 27.221 espectadores
  4. Benfica 2-0 FC Porto, Estádio Nacional do Jamor, 17/05/2026, 22.258 espectadores
  5. Portugal 2-0 Ucrânia, Estádio do Bessa, 07/07/2023, 20.123 espectadores

O mundo também tem mais portas abertas para o futebol feminino. As últimas grandes competições de seleções atingiram recordes de audiências. Em 2025, mais de 500 milhões de pessoas assistiram ao Euro Feminino. Nos estádios, foram batidos recordes, com uma média de 21.203 pessoas por jogo, num total de mais de 650 mil adeptos na Suíça.

Antes, em 2023, disputou-se o Mundial Feminino, que bateu todos os recordes. No total, mais de 2 mil milhões de pessoas viram a competição pela televisão. Na Austrália e Nova Zelândia, os estádios encheram com uma média de 30.911 adeptos por jogo, num total de quase 2 milhões de bilhetes vendidos. No próximo verão, há novo Mundial no Brasil, e a convicção de que recordes voltarão a ser batidos.

Olga Carmona Espanha
Fonte: Selección Española Femenina de Fútbol

Empiricamente, há mudanças a nível financeiro e a nível pessoal impossíveis de negar e fundamentais quando o objetivo ainda passa pela profissionalização do desporto. Com o crescimento das estruturas, em quantidade e em profundidade, um salário já não é uma miragem distante. 

«Eu saio de Portugal numa altura em que só o Sporting e o Braga é que tinham jogadoras já profissionais. Já recebiam um ordenado, mas não sei até que ponto tinham contratos profissionais. Volto dois anos e meio depois para uma Liga em que já começam a haver contratos profissionais na maioria das equipas», salienta Catarina Realista.

Para lá das jogadoras e da equipa técnica, há também um crescimento cada vez maior do staff interdisciplinar que trabalha junto da equipa. Por isto, também se explica o desenvolvimento do jogo e das atletas. 

«Tens um nutricionista, tens um fisiologista, tens um psicólogo. Todas essas coisas às vezes parecem pequeninas, mas é isso que te vai potenciar a tua rentabilidade máxima», destaca ainda a jogadora. 

Diogo Ribeiro

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