Guillermo Abascal passou pelo Spartak Moscovo durante duas temporadas, numa fase em que a Rússia já estava em guerra com a Ucrânia.
Guillermo Abascal representou o Spartak Moscovo durante duas temporadas como treinador, num período em que a Rússia já estava em conflito com a Ucrânia. O treinador espanhol, em entrevista ao Bola na Rede, confirmou que a guerra afetou o futebol e a sua própria carreira:
«Afetou muito. Acho que a situação bélica de conflito que existe afetou o país. Passaram a existir muitas restrições. O campeonato ficou afetado, tratava-se de uma liga com uma grande capacidade económica, com um patamar muito alto, mas numa fase em que os clubes russos podiam disputar as competições europeias. Como não existe essa possibilidade, os jogadores ficaram desmotivados. Atualmente, os clubes russos estão a pagar mais dinheiro ao atleta local, mas os jogadores possivelmente não têm qualidade para receber tal ordenado. A justificação? Evitar que os atletas rumem à Europa, onde iriam ganhar menos dinheiro, mas podiam participar de provas continentais. É uma situação que não é fácil para os jogadores russos jovens. Para mim e para a minha carreira, também não foi simples. Ficámos em terceiro no primeiro ano e poderíamos jogar Europa League. Com 30 e poucos anos era uma grande oportunidade. Com a guerra, este sonho não foi cumprido. Afetou a minha progressão na carreira. Mas o futebol na Rússia tem qualidade, existe muito talento. Infelizmente, trata-se de um talento bloqueado».
O espanhol assumiu que a situação é complexa:
«No final da segunda época ocorreu o atentado do Crocus, foi algo muito duro para todos. Eu já tinha um filho, ele nasceu em Moscovo, a minha mulher também estava comigo. Era uma situação complexa. Inicialmente era tranquilo, mas foi complicando ao longo do tempo. Muitas vezes íamos jogar a Krasnodar e demorávamos 15 horas, uma vez que não podíamos ir em avião. Não é possível existir um voo normal. O Sochi hoje em dia tem jogos cancelados devido aos drones. É uma situação em que tens de avaliar muitas coisas. Hoje em dia, voltaria atrás, o Spartak tratou-me de forma incrível, deu-me tudo de bom. Tenho muitos amigos lá, mas era uma situação que afetou a minha progressão».
Podes ler a entrevista completa.

