A derrota do AC Milan contra o Benfica na Europa League fez mossa. Imprensa italiana debruça-se sobre os problemas da equipa de Ruben Amorim.
Depois da derrota do Benfica diante do AC Milan (0-2), a imprensa italiana colocou todo o universo rossoneri em debate e questionamento. A equipa de Ruben Amorim foi analisada a fundo e, num artigo da Gazzetta dello Sport, é feito um retrato do arranque de época do clube de Milão.
«Do futuro de Amorim ao mercado de janeiro, passando pelo caso Modric: o fracasso do Milan, 5 perguntas e 5 respostas», é o artigo de Marco Pasotto, jornalista da Gazzetta dello Sport.
Podes ler o artigo na íntegra. Em baixo, apresentamos a tradução das cinco questões e soluções para entender o momento do clube.
Eis as 5 perguntas em questão
O que é que não está a funcionar?
«Simplesmente: tudo. Ou melhor, nada está a funcionar. Neste momento, o problema grave é a ausência de algo concreto a que nos possamos agarrar para tentar recomeçar. Amorim terá de mobilizar todas as suas energias mentais e físicas como se fosse o primeiro dia, porque faltam as bases. O Milan, neste momento, não sabe atacar, não sabe defender e não tem coragem. A inércia dos jogadores, quando a bola está nos seus pés, é emblemática do medo de errar. E também de um jogo que, em comparação com há algumas semanas, já não existe. A equipa tornou-se incapaz de criar jogadas ofensivas, o avançado central vagueia à procura desesperada de uma bola jogável e a atitude agressiva, aquele domínio sob a forma de pressão exigido por Amorim, durou apenas o tempo de dois jogos».
O Amorim corre riscos?
«A resposta é categórica e não admite «se» nem «mas»: não, não corre riscos. Não neste momento. Por uma longa lista de motivos. Primeiro: é o treinador com quem a RedBird celebrou o contrato mais longo durante a sua gestão. O que, obviamente, não é garantia absoluta de permanência, mas insere-se no contexto de um projeto a longo prazo que seria contraproducente interromper após poucas semanas. Segundo: a direção já tinha previsto as dificuldades na transição de um estilo de futebol para outro diametralmente oposto. Terceiro: Cardinale empenhou-se pessoalmente, apoiando e defendendo publicamente Amorim ao longo do verão. Quarto: pensar numa demissão equivaleria a confirmar o fracasso da enésima tentativa de recomeço. Dito isto, é evidente que foi pedido ao treinador que acelerasse o ritmo nos resultados, para não comprometer a época já em setembro».
Em janeiro, o Milan vai fazer transferências?
«Em geral, mais provavelmente não do que sim. Em parte porque a direção considera que já investiu o suficiente durante o verão, com contratações financeiramente significativas. E também porque a nova filosofia no mercado prevê agir apenas na presença de jogadores realmente úteis, realmente capazes de elevar o nível do plantel. Encontrar estes perfis no mercado de inverno é complexo, embora não impossível».
Por que é que o Amorim faz escolhas «estranhas» no onze inicial?
«Basicamente, o Amorim tem uma visão muito «democrática» do plantel: o seu objetivo é tentar colocar todos mais ou menos ao mesmo nível. Outro objetivo é ter mais jogadores, para cada posição, capazes de executar o esquema tático. Dito isto, as suas escolhas para o onze inicial baseiam-se também muito no que observa ao longo dos treinos. Como já teve oportunidade de sublinhar, o «peso» dos nomes não lhe interessa. E, por fim, confia muito nas substituições em curso de jogo, como bem demonstram as segundas partes dos rossoneri. O problema é que, ao juntar todos estes fatores, o treinador acabou por penalizar jogadores em ascensão. Por exemplo, todos aqueles que entraram na segunda parte contra a Lazio. Além disso, há jogos em que se deveria alinhar a equipa com os jogadores de melhor qualidade, independentemente de todas as outras considerações. O jogo contra o Benfica foi um desses casos».
O Modric está a tornar-se um problema?
«As genuflexões são, sem dúvida, evitáveis, mas falar do Modric nos termos precipitados usados pelo Amorim parece um pouco injusto. Está bem que o coletivo se sobreponha ao indivíduo, está bem o «todos úteis, ninguém indispensável», mas não se deve esquecer que o Luka voltou a escolher o Milan como um ato de fé e de afeto. Para ajudar na tentativa de voltar a ser grande: ele não se impôs a partir do pedestal da sua Bola de Ouro e do seu palmarés. De qualquer forma, a gestão do croata por parte do treinador terá de ser particularmente criteriosa: a mudança do 3-5-2 para o 3-4-2-1 tirou a Luka a proteção e atribuiu-lhe mais metros de campo para cobrir. Amorim já deixou claro que, em jogos baseados na corrida, isso será praticamente impossível para ele. Mas este Milan, desarmado e instável, sem mudanças drásticas, enfrentará sempre jogos baseados na corrida. O risco é ver o croata em campo apenas quando a posse de bola parecer um fator garantido».

