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Jorge Jesus anunciou a convocatória de Portugal. Em conferência de imprensa, o treinador explicou as escolhas.
Jorge Jesus anunciou a 1.ª convocatória enquanto selecionador nacional. O técnico, que rendeu Roberto Martínez após o Mundial 2026, fez a revelação dos jogadores escolhidos para os confrontos da Liga das Nações e, em conferência de imprensa, explicou as escolhas, que podes conhecer na íntegra.
«Novidades? Tirando o Fábio Silva, foi o único que não trabalhou comigo. Samuel, João Palhinha e Nuno Tavares já me conhecem e eu já conheço. Tirando o João, são jogadores na faixa dos 20 e poucos anos, jogadores de presente e futuro. Principalmente pelo que estão a fazer nos clubes».
«Ataque e Cristiano Ronaldo? Cada treinador tem as suas ideias de jogo. É normal, eu tenho a minha ideia de jogo para a seleção. Acredito na qualidade dos jogadores e no que temos feito ao longo destes anos. Falar no segundo avançado, dentro da minha ideia de jogo, normalmente existe mais um segundo avançado que um terceiro médio. Para lá do João Félix há jogadores para a posição, o Bruno Fernandes, Francisco Trincão, Rafael Leão. Conheço as características e posso adaptar à ideia de jogo. Foi com essa lógica. É a minha ideia. Em relação ao Cris, está convocado. Todos os convocados estão à minha disposição e podem jogar. São 25 e não 30 ou 44 como o meu colega [Jurgen Klopp]. Com jogos de três em três dias, normais na carreira de treinador, há modificações dos jogadores. Depois dos jogos avaliamos a condição física dos jogadores para termos as nossas ideias. A partir daí tomamos decisões em função de cada momento».
«Convocatória alargada como Jurgen Klopp? Não quero alongar-me muito em relação ao que o meu colega fez. É a ideia dele. Todos os treinadores fizeram uma pré-convocatória e a nossa tem 46 jogadores. No primeiro período temos 25 jogadores. Ter 44 jogadores na segunda fase da Liga das Nações, não sei se algum jogador está lesionado e têm de haver alterações. Para mim não tem lógica nenhuma».
«Golo 1.000 de Ronaldo? Acredito que tenha de o fazer mais no Al Nassr que na seleção portuguesa».
«António Silva? Só convoquei quatro centrais. Poderia ser um dos quatro, mas optei por dar continuidade. Dos quatro centrais, dois já trabalharam comigo, o que é muito importante para mim. Os outros começarão a trabalhar comigo, como o António seria. Optei por dar continuidade a quem estava na seleção».
«Fábio Silva? Tem umas características diferentes de todos os outros avançados. O Gonçalo Ramos, o Cris, são jogadores que não sabem puxar o jogo. Entre os outros dois que poderiam ser, do André Silva e do Paciência, tem características completamente diferentes. Tem 24 anos. Todos os convocados podem ser titulares».
«João Palhinha e assobios em Alvalade? Estou a convocar para a seleção portuguesa, não estou preocupado com Benfica, Sporting ou qualquer clube. Vale a qualidade do momento e do jogador. O clube não é importante. Não posso responder à pergunta. Eles estão lá a representar Portugal».
«Rafa Silva? Os 25 jogadores convocados foram os que pensei. Não tive conversa com nenhum, sem ser com aqueles que fizeram parte da seleção no Mundial. Não tive conversa com o Rafa».
«Cristiano Ronaldo? Vale o desempenho dele. O passado não conta para lá do historial. O desempenho é que me diz a mim que decisões tomar nos jogos e treinos. Ele e o João Félix. Nesta convocatória estão 13 jogadores que já trabalharam comigo e isso ajuda. A equipa vai começar a jogar. Dentro deste perfil, há jogadores que foram importantes para a minha escolha. Ele é um jogador como os outros. Tem rendimento joga, não tem não joga. Tem um estatuto diferente? Tem. A carreira dele é diferente, tem cinco Bolas de Ouro. Não conta para a minha decisão».
«Seleção a jogar à imagem de Jorge Jesus? A consciência e certeza que tenho é que tenho de acelerar o processo para que os jogadores se possam identificar mais facilmente com o que quero. Tem mais componentes além do treino de campo. Tenho treino de campo e treino de sala. Não faço palestras. Dentro da aceleração deste processo, acredito na inteligência e qualidade dos jogadores. Têm de resolver por eles as situações do jogo».
«Diagnóstico do futebol português? Era importante ver vários jogadores no jogo. O último que vi foi em Madrid. Fui ver o Bernardo Silva. Hoje à facilidade para ver vários jogadores sem estarmos presentes. Apesar da equipa técnica estar distribuída por vários jogos, não havia hipóteses para ver todos. Posso fazer ajustes com estes jogadores em relação às minhas ideias».
«Continuidade na convocatória e ausências de Rodrigo Mora, Flávio Gonçalves, Mateus Fernandes, Matheus Nunes? Não é uma equipa assim tão… Falámos de quatro novidades. O facto de serem na maioria os mesmos jogadores não tem nada a ver com a ideia do treinador. Ele tinha uma e eu tenho outra completamente diferente. Esses jogadores estão a ser observados e tenho falado várias vezes com o meu colega dos sub-21, o Luís [Freire]. Achei por bem, neste momento, que fossem ao escalão mais jovem. Ainda não é a oportunidade deles. Interessa-me o presente e o futuro».
«Gestão do meio-campo e o papel do 6? Posso falar das características, não vou dizer quem vai jogar. São jogadores de características diferentes. Normalmente as minhas equipas têm um médio mais posicional, com um conhecimento do jogo pelas duas faces, ofensivo e defensivo. Normalmente, são jogadores com muita responsabilidade tática. Falou do Palhinha, não falou do Rúben Neves, que também faz e bem essa posição. Foi comigo que jogou no Al Hilal. É uma característica de sistema e de modelo de jogo das minhas ideias. Tens de ter modelo de jogo, modelo de jogador e modelo de treino».
«Dúvidas na lista? Olhei para a lista do Mundial. Não fazes duas equipas ao mesmo nível em Portugal. Nem na Alemanha fazes e ele escolheu duas equipas. Olhei para a qualidade dos jogadores, para os que estiveram no Mundial e para a ideia de jogo que pretendíamos para a seleção. Foi por aí que me guiei».
«Renovação e avançados? Entre ter jogadores mais jovens. O Samuel é um guarda-redes com 24 anos. Tirando o Diogo Costa, os outros dois, o Rui Silva e o José Sá, que eram convocados, quisemos incorporar um terceiro guarda-redes mais jovem. O João Félix tem umas características que entram dentro da minha ideia de jogo. Não é jogador para jogar numa ala. Não são as características dele, embora possa acontecer. Será sempre um segundo avançado e um primeiro avançado. Com o tempo vai ser um primeiro avançado, não tenho dúvidas nenhumas. Capacidade de criação e de finalização de qualidade. O Rafael Leão, comigo, nunca foi jogador de faixa. Contra o FC Porto lancei-o como primeiro avançado e fez um golo pelo Sporting. Ajusta as características e posso pô-los em posições diferentes».
«Gonçalo Inácio e Rafael Leão? O Rafael Leão é um jogador que conheço perfeitamente, não precisava de o ver a jogar. Só precisava que jogasse, senão era difícil ser convocado. O Gonçalo Inácio pelo que tem feito na seleção e na sua equipa. Disse que não está num bom período, mas é uma opinião. A minha é diferente. Caracterizo os jogadores pela qualidade. Acredito nas características dele e que ele comigo vai jogar bem».
«Primeiros meses como selecionador? Não é uma mudança complicada em nada. Temos um período de treino. Nos clubes às vezes temos bi-diário, mas tenho-me adaptado fácil. Continuo, nas manhãs, todos os dias a trabalhar e a criar ideias para o treino e fora do treino».
«Roberto Martínez? Não falei com o meu colega. Até hoje não falei com ele».
«Novidades para o espaço de seleção? Não vou surpreender ninguém. Vou tentar que possamos ter alguma modificação de ideias de jogo. Para isso, tenho de acelerar o processo. Vem com o treino. A realidade são jogos de três em três dias, o Klopp também não tem a base. É o dia a dia, o jogo a jogo. Faz parte do processo e não há volta a dar. Não será por aí que vai haver problema».
«Poucos portugueses a jogar nas equipas da Primeira Liga? Não é muito preocupante. Vais ver as equipas portuguesas jogar e têm dois, três jogadores portugueses. Eu também já estive fora, noutras equipas, e sei que o grande problema não é esse. O grande problema é não ter qualidade de formação e, felizmente, não temos esse problema. Os clubes e a seleção como complemento têm muita qualidade de trabalho. Todos os anos se fabricam jogadores, mesmo que não jogam em Portugal, jogam fora. Não é problema. Às vezes até é melhor saírem porque encontram outras formas de jogar e realidades».
«Falar com João Palhinha e Cristiano Ronaldo? Já falámos desse caso e é sempre subjetivo. Se perguntar à minha equipa técnica para convocarem 25, fazem todos convocatórias diferentes. Decidi pelo que acho que é o melhor para a seleção. Achei que não tinha de falar com o João Palhinha. Já foi meu jogador. O Cris é um jogador com quem não preciso de falar. Ele conhece as minhas ideias e eu conheço as dele. Não havia razão para falar particularmente com o João ou com o Cris».
«Laterais? Primeiro, é preciso olhar para as características individuais dos jogadores. Temos quatro laterais ofensivamente muito fortes, dois à esquerda, dois à direita. Olho para o jogo para ter laterais ofensivamente com resposta e confiança e certeza de termos jogadores com essa qualidade. Não podemos olhar para o jogo só para a frente. A maior parte do jogo, os jogadores não têm bola. É preciso olhar para as duas vertentes do jogo. Dos quatro, não são todos iguais. À esquerda, temos dois super ofensivos. O Nuno Mendes no PSG não é um lateral ofensivo, é um terceiro jogador que dá equilíbrio, só entra ofensivamente quando o colega ou ele tem bola. Tem um treinador que acha que, dos dois laterais, ele dá posicionamento e equilíbrio na perda da bola. Eu vejo o jogo de maneira diferente com o mesmo jogador. Tem a ver com as características do jogador e do treinador».
«Comparação entre futebol português e futebol saudita? Para mim, não é muito importante caracterizar onde há mais qualidade, se na Arábia Saudita ou Portugal. A maioria dos jogadores não jogam no campeonato português na convocatória. Haverá outros jogadores com qualidade em Portugal. Aqui estão três do Benfica, o Tomás, o Palhinha e o Samuel, um jogador do FC Porto [Diogo Costa] e dois do Sporting [Gonçalo Inácio e Rui Silva]. Quanto mais qualidade, mais fortes serão os campeonatos. Ontem o Torreense da Segunda Divisão ganhou o primeiro jogo na Europa League. Transmite que a nossa qualidade de futebol é muito forte. Uma equipa da Segunda Divisão ganhou um jogo importante e internacional. Quando eu estava lá ou se estivesse num clube, entrava em pormenor, assim estou preocupado com a seleção».
Na primeira paragem de seleções da nova era da seleção, Portugal tem encontro marcado com País de Gales (24 de setembro), Noruega (27 de setembro), Dinamarca (1 de outubro) e novamente Noruega (4 de outubro).











