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Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem: «Não tenho nada a esconder sobre o que quer que seja»

Diogo Lagos Reis · 6 min

Luciano Gonçalves
Foto: FPF

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Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, falou sobre vários temas associados à arbitragem portuguesa, em entrevista.

Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, deu uma entrevista à RTP Notícias, na qual falou sobre vários temas ligados à arbitragem portuguesa. Entre eles, o dirigente apresentou motivos para não suspender funções:

«O futebol tem coisas esquisitas, a forma como se trata o futebol fora das quatro linhas é algo que pouco valoriza o futebol em si e reconheço que este tema está a fazer mal à arbitragem, mas também reconheço que nada fiz para isto. Não suspendo funções por dois motivos, não é por estar agarrado ao lugar, quem vem da base, quem trabalhou como eu trabalhei… Não tenho problema em sair, se sair tenho emprego, não dependo disto para viver. Já vivi com muito menos, efetivamente hoje em dia reconheço que ganho muito acima da média nacional, cerca de 13 mil euros brutos, mas não fui eu que negociei valores. É o que é pago. E não suspendo funções também porque os estatutos da FPF não permitem suspender, a não ser por doença e se eu nunca menti, também não mentiria em relação à doença. Depois eu fui eleito há ano e meio por 70% do caderno eleitoral, e o terceiro motivo é que eu não fiz nada para estar nesta posição. Se for arguido manter-me-ei, a não ser que haja uma acusação ou fique provado, senão seria simples e um precedente gravíssimo».

Quanto a ter sido visado por Rui Costa e André Villas-Boas, Luciano Gonçalves disse o seguinte:

«Teria que os ouvir, eu acredito que ao continuar a lutar pela verdade estou a mostrar a centenas de milhares de pessoas que não pode valer tudo para se conseguir o que se pretende».

Luciano Gonçalves falou sobre Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol:

«De 79 medidas previstas, 30 concluídas, 30 em andamento e faltam as outras, foi comigo e com este Conselho de Arbitragem que passamos de nove árbitros com projeto de profissionalismo para 21, quatro árbitros assistentes no profissionalismo, recorde de árbitros internacionais e novos 1200 árbitros. Sobre Pedro Proença, a nível pessoal o presidente tem estado sempre ao meu lado, se me pergunta se gostaria que, publicamente, me tivesse vindo defender ou dar uma palavra, naturalmente que gostava».

Luciano Gonçalves falou sobre a polémica em torno de Jhon Durán:

«O árbitro condenou uma atitude, que, estando ele longe, não conseguia ter a perceção das palavras, mas entendeu que a ação provocou toda a ira dos adversários, mas mais em concreto o Conselho de Disciplina irá pedir explicações. Percebo que a justificação não foi bem explicada, mas como está distante, quis condenar toda aquela confusão, mas a forma como escreveu não foi a mais clara. Gostaria que o árbitro tivesse explicado melhor».

«Hélder Malheiro ter sabido que iria arbitrar o Moreirense x Estrela da Amadora 12 dias antes? Não sei se soube ou não soube, mas o que tive conhecimento é que ele transmitiu ao ex-diretor técnico nacional que tinha sabido 15 dias antes ou dez dias antes, mas não é possível de forma nenhuma que tenha sabido através do Conselho de Arbitragem, o processo de nomeações é sempre feito domingo a noite, após os jogos, na segunda-feira no que diz respeito ao árbitro principal é finalizado, na segunda à noite é partilhado entre os colegas do Conselho de Arbitragem que depois colocam os assistentes, VAR’s, quartos árbitros e depois, na terça-feira, esse documento segue para a direção de arbitragem, que faz a análise, volta para nós e depois validamos», disse também e prosseguiu:

«Seria impossível isso sair, mas dar a nota que tendo em conta aquilo que foi informação partilhada com o presidente do Estrela da Amadora numa reunião na cidade do futebol, transmiti que nas últimas quatro jornadas os clubes que tivessem em risco de descer, para ser campeões, ir à Europa ou para subir na II Liga, iam ter árbitros internacionais. Para mim esta partilha é normal, todos os clubes da I e II Liga têm o meu contacto. É normal que os mais jogos mediáticos vão ter internacionais e é questão de matemática: nove árbitros internacionais, dois dos mais experientes, André Narciso e Hélder Malheiro, dá 11, com as equipas que temos nessas lutas… Não estamos a falar em escolhas, aquilo que qualquer presidente demonstra é que quer que sejam os árbitros mais experientes. Enviei mensagem ao árbitro que nada tem a ver com o tema que é público. Basta ver o que ele disse em sede de conselho de justiça e diz categoricamente que não. Tinha a ver com o enquadramento da Taça de Portugal».

«A 23 de abril Hélder Malheiro estava no final da carreira, chamam-no, ele e mais três colegas e disse: ‘Vai acabar, não vamos continuar”, mas dissemos que escolhe um jogo para ser o final de carreira e o Hélder Malheiro manda-me mensagem a dizer que era na final da Taça de Portugal que gostava de terminar. Emocionalmente não fui suficientemente forte, dada a ligação de 25 anos, para lhe dizer que não havia hipótese. Foi um momento comovente e nunca mais cortei o tema da Taça, e a mensagem era a dizer que havia hipótese de ser. O silêncio tinha a ver com uma questão muito simples, tinha a ver com ele não utilizar nem existirem prints. E foi o que me fez apagar a mensagem. Não tinha nada a ver com a continuidade dele, mas para uma eventual chamada para a Taça de Portugal. Estou disponível e ansioso para que isso aconteça [entregar registos e mensagens às autoridades para que este caso seja esclarecido o mais rapidamente possível. Os meus equipamentos, os telefones, são os mesmos, está tudo disponível e não tenho nada a esconder sobre o que quer que seja, mas nem sequer fui chamado», afirmou também.

Luciano Gonçalves falou sobre a relação com Paulo Lopo, ex-presidente do Estrela da Amadora:

«A minha relação é de presidente e eu presidente, é um presidente como tantos outros e ninguém, até ao dia de hoje me pediu ou sugeriu algum árbitro de futebol. É importante que isto fique claro. Nunca estive de férias no Algarve pagas por Paulo Lopo ou qualquer outro presidente de clube, não é de todo verdade isso. Nunca estivemos juntos nenhum fim de semana no Algarve. Na Reboleira sim, no dia 25 de maio é o primeiro contacto que o Duarte Gomes faz comigo sobre este tema, a dizer ter conhecimento de uma situação irregular, grave e a 27 de maio marquei reunião com os envolvidos, às 10h00 com Hélder Malheiro e às 11h00 com o Hugo Ribeiro que era o assistente. Disseram-me que essa informação veio de um ex-árbitro assistente, mas disseram que não valorizaram porque era normal esse ex-árbitro ter esse tipo de teorias. Também assumo que após falar com os árbitros e dizer ao Diretor Técnico Nacional que iria reunir com o presidente do Estrela, mandei-lhe mensagem e ele disse que fazia bem. Não sei se houve fuga ou não. Desvalorizei, percebi que não era internamente, nenhuma irregularidade do Conselho de Arbitragem nem da minha parte, desvalorizei. Não me arrependo de ter desvalorizado, fiz todos os procedimentos corretos, ouvi todos os intervenientes, partilhei com o DTN o que era a minha leitura, não considerou suficiente e decidiu demitir-se e a partir desse momento sou eu que pego no e-mail e o envio para o Conselho de Justiça».

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Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Diogo Lagos Reis

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