Premier League esclarece situação do Manchester City em comunicado e já recebeu resposta: «O Manchester City violou significativamente os limites de despesas tanto da Premier League como da UEFA»

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Novidades no que toca às acusações de violação financeira por parte do Manchester City. Eis três comunicados que marcam o dia.

O Manchester City foi declarado culpado de 114 das 115 acusações de violações financeiras que estavam a ser analisados pela justiça. O caso promete demorar-se, mas já motivou reação da Premier League, num comunicado, de Richard Masters, CEO da Premier League e, consequentemente, uma resposta do próprio clube.

Até dia 2 de outubro, os cityzens poderão recorrer da decisão, algo que se prepara para acontecer, o que motivará um adiar do desfecho do processo. Ainda é incerto qualquer tipo de culpabilização, devido a esta possibilidade, bem como quais as possíveis consequências, quer em termos financeiros, quer em termos desportivos.

Abaixo, fica com os comunicados das três partes envolvidas.

Eis o comunicado da Premier League:

«O Manchester City celebrou contratos ‘fictícios’ (que deturpavam o verdadeiro acordo entre as partes) com vários dos seus parceiros comerciais, além de se basear em acordos ‘fictícios’ com outras entidades, para inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir os seus custos.

O clube apresentou contas com informações incorretas e ocultou a verdadeira situação financeira aos seus auditores e às entidades reguladoras do futebol.

O Manchester City violou significativamente os limites de despesas tanto da Premier League como da UEFA.

Durante a investigação da Premier League, o Manchester City cometeu múltiplas violações dos seus deveres de cooperação e de máxima boa-fé para com a Liga (três das quatro alegadas violações foram confirmadas).

A Comissão independente concluiu que o Manchester City celebrou acordos comerciais ‘fictícios’ com vários dos seus patrocinadores durante esse período, os quais faziam parte de um esquema de financiamento dissimulado, ao abrigo do qual essas empresas eram obrigadas a pagar apenas uma parte das taxas de patrocínio relevantes. O restante era financiado pela Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), proprietária do clube. No âmbito deste esquema, foram celebrados outros acordos ‘fictícios’, financiados pela ADUG, para permitir que o clube registasse despesas operacionais inferiores às que realmente incorreu, bem como um acordo circular ‘fictício’ com a Fordham, uma entidade que adquiriu os direitos de imagem dos jogadores do clube, que foi financiado pela ADUG.

Constatou-se que o objetivo destes esquemas era inflar artificialmente as receitas do clube e reduzir os seus custos em mais de 900 milhões de libras durante o período em causa, de modo a dar a impressão de que cumpria as regras financeiras. A consequência disso, tal como constatou a Comissão, foi que o clube apresentou contas com informações incorretas e ocultou a verdadeira situação das suas finanças aos seus auditores e às entidades reguladoras do futebol. A Comissão concluiu que «com a sua conduta, o clube pretendia claramente contornar as Regras da Premier League.

Consequentemente, o Manchester City não comunicou com precisão as suas receitas e despesas para efeitos das Regras de Rentabilidade e Sustentabilidade da Premier League e das Regras de Licenciamento de Clubes e de Jogo Limpo Financeiro da UEFA. A Comissão concluiu que, caso todos os acordos relevantes tivessem sido comunicados com precisão nas contas do clube, este teria violado os limites de despesas tanto da Liga como da UEFA num montante muito substancial.

Além disso, ao longo da investigação de quatro anos conduzida pela Premier League, o clube cometeu múltiplas violações dos seus deveres de cooperação e de máxima boa-fé para com a Liga. A Comissão concluiu que o clube tinha «envidado esforços concertados para impedir e frustrar a investigação da Premier League».

Eis o comunicado de Richard Masters:

«A decisão principal apura os factos relativos ao que aconteceu no Manchester City durante este período. Descreve em pormenor como o clube infringiu sistematicamente as regras da Premier League durante quase uma década.

Confirma também a decisão da Premier League de levar por diante este processo contra o Manchester City. Embora o processo até à data tenha sido longo e difícil, a Liga manteve-se determinada a que os factos fossem apurados de forma independente.

É uma responsabilidade fundamental da Premier League garantir que as regras, aprovadas pelos próprios clubes, sejam respeitadas para proteger a integridade da competição. É primordial que a Liga se mantenha competitiva e justa para todos os clubes e para os adeptos. Levamos esse papel extremamente a sério.

Este processo disciplinar e esta decisão são os mais significativos da história da Premier League. Há elementos do caso que ainda estão por decidir, incluindo, e isto é importante, a sanção que deve ser aplicada por estas infrações. Agora que temos a decisão da Comissão, estamos empenhados em avançar rapidamente com o resto do processo, para proporcionar certeza à Liga, aos nossos clubes e aos adeptos».

Eis o comunicado do Manchester City:

«O Manchester City FC está simultaneamente desapontado e surpreendido com o parecer da Comissão da Premier League, publicado hoje.

O Clube é inocente das acusações feitas pela Premier League e existe um conjunto abrangente de provas irrefutáveis que sustentam todas as suas posições relativas a este caso. Por conseguinte, o Clube será implacável e, sempre que necessário, proativo, em todos e quaisquer fóruns regulamentares e jurídicos apropriados.

O processo da Premier League continua em curso, com elementos significativos ainda por concluir. O Manchester City FC irá agora recorrer às vias de recurso à sua disposição, com base no facto de o parecer conter erros materiais evidentes, tanto de direito como de princípio e de facto, e de não ser fiável.

O clube respeitou diligentemente o devido processo legal durante oito anos, partindo do princípio de que o Conselho de Administração e a Direção Executiva da Premier League agiriam como uma entidade reguladora independente, imparcial e justa, isenta de influências partidárias.

O clube está, obviamente, limitado no que pode dizer até que todos os procedimentos futuros estejam concluídos».

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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