Rui Borges analisou o triunfo do Sporting sobre o Alverca por 3-1, em conferência de imprensa, no Estádio de Alvalade.
O Sporting venceu o Alverca por 3-1 na 3.ª jornada da Primeira Liga. No final da partida, Rui Borges analisou o triunfo em conferência de imprensa e começou por dizer o seguinte:
«Acima de tudo, um jogo consistente, equilibrado em todos os momentos do jogo. Crescemos naquilo que é a consistência de jogo do início ao fim, que era algo que nós queríamos muito, e a equipa deu essa demonstração. É bem claro que a equipa quer e quer crescer nesse sentido, e foi notório isso. Por isso, uma primeira parte onde, aqui ou ali, entrámos muito bem, fizemos o golo, depois fomos falhando ali um ou outro passe, fomos perdendo ali alguma confiança – até individual num ou outro jogador -, numa fase de ligação importante, numa segunda linha. Mas nunca deixámos o Alverca, acima de tudo, crescer e acreditar. Controlámos o jogo. Uma segunda parte onde fomos crescendo, mesmo naquilo que era a qualidade individual e coletiva. Fomos percebendo melhor os espaços, mesmo mais cansados conseguimos estar ligados e com a energia sempre em alta, que era importantíssimo. A única vez em que baixámos um bocadinho o nível sofremos o golo, mas volto a dizer aquilo que já disse: acho que é importante, acima de tudo, errar, mas errar a ganhar. Isso é importante também para a equipa, para toda a gente que chegou de novo, mas acima de tudo enaltecer a entrega, a vontade do grupo em demonstrar aquilo que quer para o futuro e, acima de tudo, a demonstração de que percebem onde estão».
«Gonçalo Inácio no banco? Mudei três, não mudei um, mudei três da linha defensiva. Sim, mas não vou falar individualmente, vou falar coletivamente, porque é a equipa. As mudanças foram por opção técnica, por tudo aquilo que foi, ao longo da semana, perceções que tínhamos dentro daquilo que era a estratégia para o jogo. Por isso, as mudanças tiveram muito a ver com isso».
«Luis Suárez? Suárez está à procura da sua melhor forma. Fez um bom jogo, esteve com a equipa, ajudou a defender, ajudou a atacar, fez um golo – que é o normal dele, pelo grande avançado que é. É sempre importante um avançado fazer golos. Ainda para mais tem vindo a jogar o Fotis, que também faz golos. É importante ambos, e até o Nel, que também fez uma boa pré-época e nos últimos jogos de preparação fez golos também. É importante, acima de tudo, para a confiança individual deles para depois, dentro do coletivo, pelos grandes jogadores que são, serem decisivos».
«Dupla Ibrahima Ba e Zeno Debast dá mais garantias? Não, ninguém vai sair. Esta dupla foi importante na minha decisão para o jogo de hoje. Dentro daquilo que era a estratégia de jogo, dentro daquilo que nós perspetivávamos, esta dupla foi importante nesse sentido. Deu mais garantias porque os coloquei a jogar, por isso, enquanto equipa técnica, foi o nosso sentimento e por isso é que jogaram. Pela resposta que têm dado. Durante a semana deram essa resposta bastante positiva e as mudanças foram apenas e só por aí. E o Iván [Fresneda] exatamente igual, porque o Vagiannidis também fez dois bons jogos e hoje, dentro daquilo que iria ser a estratégia defensiva e ofensiva, optámos pelo Iván».
«Fotis Ioannidis não estar na ficha de jogo? Sim, não estava a 100% e optámos por não o meter a jogo. Eu disse ontem: ele está com um problema ali na parte lombar, lombar/grade costal, que o impede de ter alguns movimentos. Por não o termos a 100%, optámos – dentro daquilo que foi o diálogo também com o atleta – por não correr esse risco de o utilizar. Até porque o Luis [Suárez] está preparado, o Nel está preparado e sabíamos que dariam também a resposta dentro disso. [Ganhar] é bom, nós queremos jogar bem. Mas mesmo no jogar bem temos que ser mais consistentes. Estamos longe daquilo que queremos, estamos muito longe daquilo que queremos enquanto jogo ofensivo. Momentos bons, mas não com muita consistência. E esse crescimento vai levar tempo. Agora, o importante é, lá está, falhar, mas falhar a ganhar. Até para a confiança de toda a gente que chegou ao Sporting perceber isso. O crescimento é natural, para mim são coisas naturais e não tenho dúvidas de que vamos fazer grandes jogos no futuro. Hoje fizemos um jogo equilibrado, mas com menos consistência naquilo que é a qualidade de jogo ao longo dos 90 minutos. Em alguns momentos bem, outros mais em transição, decisões às vezes precipitadas… Faz parte do crescimento».
«Geny Catamo? O Geny está contente no Sporting, tem feito bons jogos. Claramente demonstra aquilo que é a entrega dele e a felicidade dele a jogar pelo Sporting. Sabe muito bem, desde sempre, a confiança que tem do seu treinador e da sua equipa técnica. Por isso, muito feliz com a resposta que tem dado o Geny diariamente e nos jogos. O assédio é natural: é um grande jogador. Já disse isso várias vezes, não só ele como outros. É natural falarem dos jogadores do Sporting. É sempre importante para os jogadores sentirem esse carinho, mas não tem a ver com o falarem dele sair ou não. Acho que qualquer jogador gosta de sentir o carinho dos adeptos e é importante para o crescimento até da própria confiança para o resto da época. E para ele perceber – e ele sabe disso – a importância que tem para o grupo e para o clube».
«Garantia que Gonçalo Inácio não sai do Sporting? Garantia não dou, nem do Inácio, nem de ninguém. Eles têm cláusulas. O Inácio saiu do onze por opção técnica – não sei onde é que vocês foram buscar isso da saída do Inácio -, por estratégia apenas e só de jogo. Em relação a garantias, não dou garantias de ninguém, porque todos eles têm cláusulas. Se chegar alguém e bater a cláusula, e eles quiserem sair, o clube é obrigado a deixá-los sair. Por isso é por aí».
O técnico do Sporting respondeu também à pergunta do Bola na Rede:
«Primeiro, estamos num crescimento coletivo em que, às vezes, posicionamentos ofensivos, até em termos de jogo posicional, estamos longe daquilo que queremos. Estão a tentar crescer: o Zalazar, o próprio Flávio… São dois jogadores que serão importantes e estão num crescimento também individual e coletivo daquilo que são melhores posicionamentos, até para quebrarmos muitas linhas de pressão logo no início. Foi importante também, nessa primeira parte, o Sergi [Altimira]. Acho que era quase sempre, em muitos momentos, o homem livre e o homem de ligação. Por isso, fez um belíssimo jogo: super concentrado, sempre ligado ao jogo, sempre bem posicionado com e sem bola. Por isso, em termos estratégicos, tem muito a ver com os posicionamentos mais do Flávio e do Zalazar. Às vezes, o arrastar dos centrais do Alverca com a linha de cinco, outras vezes eles não acompanhavam e queríamos que eles, em alguns momentos, fossem a superioridade. Não conseguimos ligar tanto quanto queríamos e, quando ligámos, às vezes precipitámo-nos em tomadas de decisão, tanto o Flávio como o Rodrigo [Zalazar]. O Zalazar cresceu na segunda parte nesse sentido e melhorou a equipa no processo ofensivo, nas ligações depois de atacar a profundidade. Por isso, tem a ver muito com aquilo que é o crescimento da equipa. Vamos melhorar, o tempo dirá isso e fará com que isso aconteça».

