O Paços de Ferreira tem agendada uma Assembleia-Geral Extraordinária para dia 31 de agosto. Futuro do clube altamente influenciado.
O Paços de Ferreira vive um arranque de época turbulento, mas fundamental para o futuro do clube. O início da caminhada na Liga 3 dificilmente poderia ser pior: foram três derrotas nos três jogos inaugurais da prova que resultaram no despedimento de Nuno Silva, técnico contratado no verão, entretanto substituído por Vítor Paneira, já oficializado como novo treinador dos pacenses.
Além do que é jogado dentro de campo, numa época de profunda transição após a descida de divisão, o futuro do Paços de Ferreira joga-se também fora do relvado, com uma Assembleia-Geral Extraordinária agendada para o dia 31 de agosto de profunda importância.
Abril de 2026: a votação apertada que deveria ter permitido a entrada de investimento na SAD


A 24 de abril de 202, realizou-se uma Assembleia Geral extraordinária no Paços de Ferreira, que votou a entrada na SAD de um investidor brasileiro, o grupo PMK liderado por Paulo Assis.
Foi votada, na altura, a entrada do grupo PMK na SAD do Paços de Ferreira. Até ao final da época 2025/26, em cima da mesa estava a entrada em cena de 500 mil euros, que entraram no clube de forma adiantada, para lá de 750 mil euros adicionais a ser incorporados no decorrer da temporada, bem como a assunção do passivo até 5,6 milhões de euros, estando o calendário de pagamentos definido.
Em troca, o grupo assumiria 49,9% do capital da SAD. O Paços de Ferreira manteria a presidência, com posição minoritária na estrutura executiva. O acordo previa ainda a possibilidade da participação da PMK Sports na SAD aumentar até aos 80%, bem como um plano alternativo em caso de descida de divisão.
A votação foi apertada e obrigou a recontagem. Com a participação de 544 associados, valores históricos para o clube, a entrada do grupo foi validada com apenas 13 votos de diferença: 1.823 votos a favor, 1.810 votos contra, nos quais se incluem os votos em branco e nulos. No entanto, apesar desta votação, a entrada em cena da PMK não foi tão linear assim.
Sabe o Bola na Rede que, embora a entrada tenha sido aprovada, esta está suspensa. O dinheiro que deveria entrar no clube, bem como as questões relacionadas com o pagamento das dívidas, aguardam nova votação e nova Assembleia Geral extraordinária.
Ameaças nos tribunais e a marcação de uma nova Assembleia Geral Extraordinária


Em resposta a este processo, o ex-presidente Fernando Sequeira e José Manuel Magalhães e Moreira Lobo, antigos dirigentes do clube, entraram em cena com um processo na justiça a contestar a legitimidade do processo.
Numa carta aberta dirigida aos sócios, em resposta às «graves dúvidas levantadas quanto ao processo de votação, contagem e apuramento dos resultados», os antigos dirigentes pacenses exigiram a marcação de uma nova Assembleia Geral Extraordinária com vista a voltar a discutir a entrada do PMK na SAD, um pedido que não foi atendido pela direção pacense.
«Perante este bloqueio total e a ausência de alternativas credíveis, não restou aos signatários outra opção senão recorrer aos Tribunais, como último recurso, para defesa da legalidade, da transparência e dos direitos de todos os associados», destacaram no comunicado, deixando aberta a possibilidade de levantar as ações judiciais impostas. «Convocada que seja uma nova Assembleia Geral Extraordinária, comprometemo-nos, desde já, a pôr termo imediato a todas as iniciativas judiciais em curso», reitera a carta aberta, na íntegra abaixo.
Com o aumento da contestação, traduzida nesta manifestação, foi mesmo marcada uma nova Assembleia Geral Extraordinária. Nesta, voltará a ser discutido o futuro do clube e a entrada em cena do grupo PMK com uma participação na SAD.
Eis a carta aberta na íntegra:
«Caros Associados,
Dirigimo-nos a todos vós com sentido de responsabilidade, mas também com profunda preocupação e tristeza. Após a Assembleia Geral Extraordinária de 24 de abril de 2026, e perante as graves dúvidas levantadas quanto ao processo de votação, contagem e apuramento dos resultados, os ora signatários encetaram todos os esforços possíveis para que a situação fosse resolvida de forma interna, transparente e digna da história do nosso Clube. Nesse sentido, promovemos reuniões com a Mesa da Assembleia Geral, enviámos diversas comunicações formais e, acima de tudo, apresentámos um pedido de convocação de uma nova Assembleia Geral Extraordinária, subscrito por um número significativo de associados, com o único objetivo de permitir que todos os sócios pudessem ser ouvidos e que a verdade fosse apurada de forma clara e inequívoca.
Infelizmente, todas estas diligências foram ignoradas ou indeferidas pelos órgãos sociais competentes, que não demonstraram a capacidade nem a abertura necessária para resolver internamente um problema que exige transparência, rigor e respeito pelos associados. Lamentamos profundamente que assim tenha sido. Lamentamos, sobretudo, que os órgãos sociais do Clube não tenham estado à altura da responsabilidade que lhes foi confiada, nem tenham sabido encontrar, dentro da própria instituição, uma solução que evitasse a exposição pública e o recurso a meios externos. Perante este bloqueio total e a ausência de alternativas credíveis, não restou aos signatários outra opção senão recorrer aos Tribunais, como último recurso, para defesa da legalidade, da transparência e dos direitos de todos os associados. Esta decisão não foi tomada de ânimo leve.
Foi ponderada, refletida e assumida com a plena consciência de que representa um momento difícil para o Clube. Mas foi também tomada com a convicção de que, acima de tudo, importa preservar a verdade, a confiança dos sócios e o futuro da instituição que todos partilhamos. Mantemo-nos, contudo, confiantes de que irá imperar o bom senso e que os órgãos sociais do Clube convocarão uma nova Assembleia Geral Extraordinária, em horário adequado e com um processo de escrutínio transparente, rigoroso e acompanhado pelos sócios, permitindo dissipar definitivamente as dúvidas suscitadas quanto à votação e ao apuramento dos resultados da última Assembleia Geral Extraordinária.
Fiéis aos princípios democráticos que regem a vida associativa do Clube, respeitaremos integralmente o resultado que vier a emergir da livre e legítima expressão da vontade dos sócios, seja ele qual for. Nesse sentido, convocada que seja uma nova Assembleia Geral Extraordinária, comprometemo-nos, desde já, a pôr termo imediato a todas as iniciativas judiciais em curso. Apelamos, por isso, à união, à participação ativa e ao sentido crítico de todos os associados neste momento determinante. O Clube pertence aos seus sócios – e só com o seu envolvimento poderá garantir-se que as decisões que moldam o seu futuro são legítimas, esclarecidas e verdadeiramente representativas da vontade coletiva.
Com respeito e espírito construtivo,
Os sócios José Fernando Leitão Sequeira e José Manuel de Magalhães Moreira Lobo»
A nova Assembleia Geral Extraordinária


Está agendada, então uma nova Assembleia Geral Extraordinária. O contexto do Paços de Ferreira é diferente, mas o objetivo é o mesmo de abril: avaliar e determinar a entrada de participação estrangeira na SAD.
Até ao momento, apurou o Bola na Rede, todo o processo aguarda por esta Assembleia Geral Extraordinária, que discutirá e discernirá sobre os pontos abaixo. A entrada do dinheiro no clube está, portanto, dependente dos resultados desta.
Eis a ordem de trabalhos apresentada pelo Paços de Ferreira:
«Ponto Único: Prestação de informações e esclarecimentos por parte dos órgãos sociais sobre a execução da deliberação aprovada na Assembleia Geral Extraordinária de 24 de Abril de 2026, designadamente quanto aos seguintes pontos:
a. Estado atual do processo de transformação da SDUQ em Sociedade Anónima Desportiva e da conversão dos créditos do Clube sobre a SDUQ em capital social e respetivos impactos patrimoniais.
b. Estado atual de execução dos acordos celebrados ou previstos com a PlayMakers Sports Business e demais entidades envolvidas.
c. Calendário previsível para a conclusão e implementação integral da operação aprovada pelos sócios e, designadamente, qual a data previsível para a celebração da escritura pública.
d. Estrutura acionista prevista para a futura SAD e modelo de gestão acordado.
e. Concretização das entradas de capital e demais investimentos anunciados e previstos no âmbito da operação aprovada.
f. Existência ou não de circunstâncias jurídicas, administrativas e judiciais suscetíveis de afetar a execução da deliberação aprovada e respetivas consequências para o Clube.
g. Situação financeira atual da SDUQ e do Clube, incluindo a evolução do passivo apresentado aos associados na Assembleia Geral de 24 de Abril de 2026».

