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Vasco Seabra e Ricardo Silva falaram aos jornalistas para antever o Rio Ave x Famalicão, jogo da 9.ª jornada da Primeira Liga.
Vasco Seabra, recém chegado ao comando técnico do Rio Ave, fez a antevisão ao duelo da nona jornada da Primeira Liga, entre Rio Ave e Famalicão. O treinador de 43 anos comentou as dificuldades de preparar um adversário após uma mexida de treinadores, tal como sucedeu nos famalicenses, com a saída de Carlos Carvalhal:
«Nunca é bom preparar um jogo quando as equipas estão instáveis, cria uma volatilidade no grupo. No entanto, não sei se o Ricardo vai continuar com os mesmos processos. Tem convicções maiores em detrimento de outras, seja do ponto de vista do jogo, seja das escolhas ou dos jogadores. De qualquer das formas, é importante ter foco em nós, que temos que estar na melhor situação possível olhando, a partir daí, para o adversário».
Ainda sobre a mudança de cadeiras no Famalicão, Vasco Seabra salientou as possíveis benesses de uma mudança:
«A leveza emocional que os jogadores acabam por ter quando sai um treinador é clara, há sempre um clique que se acaba por dar, novas escolhas de jogadores, até porque um líder não comunica da mesma forma. Esperamos uma equipa mais solta. Mas o Carlos Carvalhal é um treinador com muitos créditos e muito competente. Quando assim é, não é fácil desligarem-se dos processos em cinco ou seis treinos. Vai ter muitas coisas do Carlos, mas algumas questões emocionais mais libertas e uma ou outra introdução de processos que o Ricardo, com certeza, irá fazer».
O ex-treinador do Arouca comentou a evolução da equipa na assimilação dos seus processos:
«Chegar à perfeição será sempre difícil, mas sentimos que o grupo está perto de chegar à forma com que tem de estar. É inadmissível para mim criticar quem esteve cá, não tenho dúvidas de que o Sotiris Silaidopoulos quis tanto ganhar como eu quero, tudo o que ele fazia era para vencer. Mas eu sou diferente em termos de ter outro tipo de convicções, outro tipo de liderança e quero sentir o grupo de forma diferente. Quero acreditar que as relações com os jogadores é diferente, acredito que daqui a uma semana estaremos melhores do que hoje e, daqui a um mês estaremos melhores. Quero uma exigência maior no plantel».
Por fim, Vasco Seabra, num registo relaxado, abordou o bom arranque (duas vitórias em dois jogos) e o ambiente positivo nos Arcos:
«Espero que a relação continue saudável (risos). Temos as nossas discussões, como é natural, mas temos confiança que estamos a crescer. Tem aumentado em termos de confiança e o plantel no treino. Temos de nos manter ligados e a exigência vê-se na atitude em campo. Ganhar, naturalmente, cria um ambiente de maior serenidade, mas isso também tem de criar essa responsabilidade».
Ricardo Silva, adjunto da casa que ficou no comando interino do Famalicão após a saída de Carlos Carvalhal, não esqueceu o experiente treinador, deixando primeiramente palavras destinadas ao antigo líder dos famalicenses:
«Quero começar por deixar uma palavra de gratidão ao mister Carlos Carvalhal e à sua equipa técnica. Já o fiz pessoalmente, mas faço questão de fazê-lo aqui também. Sou muito privilegiado pela forma como ele me integrou na sua equipa técnica. Acolheu-me totalmente, senti-me um elemento da sua equipa técnica. Partilhámos tudo, opinei sobre tudo e estou muito grato pela forma como passámos este período»
O treinador cabo-verdiano não escondeu a exigência emocional de ver um ciclo terminar e o seu papel de interino:
«Para os jogadores há sempre uma sensação de tristeza, há uma quebra, sente-se que as coisas não estão a ligar e não está a chegar-se onde se quer, pelo que os jogadores também sentem a sua parte de responsabilidade. Tal como eu, inclusivamente. Eu também sou parte do que aconteceu. Compete-me, agora, enquanto treinador interino e porque tenho esta missão de conduzi-los até ao próximo jogo, perceber de que forma é que tenho de tirar este peso de cima deles e otimizar as ideias que sabem. É mostrar-lhes que têm valor e conduzi-los ao caminho do sucesso para este jogo. Tal como disse, eu vou conduzir a equipa até este jogo, amanhã não sei. Amanhã até posso não acordar e se calhar nem a equipa levo a este jogo [risos]. O que foi para nós importante foi aliviar um bocadinho o peso dos jogadores. Levá-los a sensações de conforto. Esse foi o principal foco. Se isso passaria por alterar situações estratégicas e nomes de jogadores, isso fica para mim e para a nossa estrutura. Chegámos ao fim da semana e sentimos que estão ligados e que estão capazes de responder ao desafio que será o jogo com o Rio Ave»
Apesar do momento inspirado do adversário, Ricardo Silva mostrou-se confiante:
«O Rio Ave estará num momento anímico muito acima do que poderá ser o nosso. Têm um treinador novo, ganharam os dois jogos que disputaram e claro que estão com boa embalagem. Mas a verdade é que nós esta semana também conseguimos coisas dos nossos jogadores. Tenho este sentimento e estou até tranquilo perante as respostas que deram ao que nós lhes propusemos».
Interino pela segunda vez ao serviço do Famalicão, depois de um jogo na época 2024/2025, na sequência da saída de Armando Evangelista e entrada de Hugo Oliveira, Ricardo Silva admitiu estar disposto a servir o clube mas relembrou que já tem a licença para mais:
«Vou responder com muita franqueza: há dois anos disse de forma taxativa que não queria ser treinador principal. Com o passar do tempo acontecem coisas diferentes e hoje não consigo dar essa mesma resposta de forma tão vincada. O tempo convenceu-me também que a minha função dentro do clube, sendo um treinador interino, faz parte das minhas funções estar preparado para a possibilidade de ter de liderar com esta situação. O que mais quero e o que é o mais importante para mim é que a nossa administração, que é extremamente competente, tome uma decisão confortável e sem pressa. O que podem contar de mim é que estarei aqui para fazer face ao que tiver de ser feito até eles terem conforto de tomar uma decisão, seja ela qual for. Entretanto já fiz o UEFA PRO e estou devidamente qualificado para estar aqui. Até à decisão da administração, seja ela qual for, estarei aqui para segurar o leme da embarcação, digamos assim».
O jogo entre Rio Ave e Famalicão está marcado para o próximo domingo, 25 de outubro, pelas 18h00.














