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Pepa é o mais recente entrevistado do Bola na Rede. O treinador abordou o seu despedimento do CD Feirense, as suas ambições mas também recordou os momentos que passou com a camisola do SL Benfica e a lesão que o afastou do relvado.
Pepa: Não tive problemas com ninguém, antes pelo contrário. Apenas não posso controlar as decisões de quem manda. Apenas controlo o meu trabalho diário e aquilo que posso ou não fazer. Fui apanhado de surpresa e custou-me bastante. Mas é futebol, como se costuma dizer. Mas volto a reforçar que jamais tive qualquer problema nos dez meses de trabalho.
BnR: Esperava estar a lutar pela subida no primeiro ano à frente do CD Feirense?
Pepa: O objectivo era lutar para subir no segundo ano, mas nunca tive dúvidas de que iríamos conseguir surpreender já no primeiro ano e aliar a esse objectivo um futebol organizado e com grande mobilidade no processo ofensivo. A minha única dúvida era se seriamos campeões ou se subíamos em segundo.

Fonte: CD Feirense
BnR: O que o levou a assinar pelo CD Feirense?
Pepa: A grandeza do clube, as condições que oferecem aos seus profissionais e todo o seu historial no futebol.
BnR: A Segunda Liga é conhecida pela grande competitividade. Qual é que acha que é o seu segredo?
Pepa: Equilíbrio emocional de todos os intervenientes no processo, desde equipa técnica, jogadores, staff e toda a estrutura do futebol. Existem sempre ciclos menos positivos e é importante estarem todos cientes disso e acreditarem no trabalho. Depois é a qualidade do trabalho diário, a exigência e ter um plantel com qualidade e quantidade equitativa para o grande volume de jogos que existe nesta segunda liga.
BnR: Há bons talentos na Segunda Liga?
Pepa: Sem dúvida! Há jogadores que seriam mais-valias na Primeira Liga. Até porque na Primeira Liga conseguem ter mais espaço, e espaço no futebol é tempo e isso no futebol é a capacidade para poder decidir melhor e definir melhor todas as opções.
BnR Quando acabou a carreira de jogador já queria ser treinador?
Pepa: Sim, sempre tive uma capacidade muito grande de liderança e uma personalidade muito vincada. Tudo aconteceu com naturalidade.
BnR: Quais são as suas inspirações como treinador?
Pepa: A paixão que tenho pelo futebol. Isso faz com que queira ser sempre melhor amanhã do que que aquilo que era ontem.
BnR: Quais são as suas ambições enquanto treinador?
Pepa: Tenho objetivos a curto-médio prazo, que passam por chegar à Primeira Liga, à Liga dos Campeões e ao Estádio do Jamor.
BnR: Qual é o próximo passo agora que saiu do CD Feirense?
Pepa: Abraçar um novo projeto com a mesma paixão de sempre e colocar as minhas ideias de novo em prol de um futebol organizado e dentro daquilo que muito defendo e acredito.
BnR: Treinou as camadas jovens no Benfica. É o seu sonho treinar o Benfica? Ou voltar à estrutura do clube?
Pepa: Não vivo obcecado com o quer que seja. Acredito que tudo acontecerá com naturalidade se continuar a trabalhar como tenho trabalhado.
BnR: Foi jogador do Benfica e na estreia pela equipa principal marcou um golo. O que correu mal para não vingar na Luz?
Pepa: Não tive a maturidade suficiente para lidar com aquele êxito. Deslumbrei-me e não soube aproveitar as oportunidades.
BnR: Já mostrou estar arrependido por ter saído do Benfica naquela altura. Porquê?
Pepa: Porque ainda tinha quatro anos de contrato e seria muito melhor para mim se tivesse continuado no Benfica e talvez ser emprestado para crescer e ganhar maturidade.

Fonte: SL Benfica
BnR: Que treinador o marcou como jogador?
Pepa: Vários, mas identifico-me muito com o Paulo Sérgio e o Luís Nascimento.
BnR: Como recorda a sua estreia pelo Benfica?
Pepa: Foi o culminar de um sonho/objetivo que todos os jovens da formação ambicionam.
BnR: O que o levou a ser jogador de futebol?
Pepa: Sempre andei em campos de futebol porque o meu pai foi jogador. Isso fez com que andasse sempre a pensar em futebol.
BnR O que seria se não fosse jogador de futebol?
Pepa: Não consigo responder a essa questão. Talvez professor de Educação Física.
BnR: Como surgiu a alcunha de Pepa?
Pepa: Bebia muita Coca-Cola e Pepsi e dai apareceu a alcunha Pepa.
BnR: Teve uma experiência no estrangeiro, no Lierse. Como recorda essa passagem pelo futebol belga?
Pepa: Estive longe do crescimento que deveria ter tido, longe de casa, família e de um clube que me fosse dando oportunidades de forma sustentada.
BnR: A sua relação com o empresário Paulo Barbosa conheceu altos e baixos. Acha que também ele é culpado pela sua saída no Benfica?
Pepa: Sim, porque se não existirem movimentações (saídas e entradas) os empresários não ganham dinheiro.
BnR: Por que razão Paulo Barbosa não quis saber de si depois da sua lesão?
Pepa: Porque se calhar percebeu que a “fruta” já não iria dar mais sumo.
BnR: O que sentiu quando percebeu que não podia jogar mais futebol?
Pepa: Grande mágoa e dor. Foi uma semana muito complicada, mas saí ainda mais forte .
BnR: Confirma que existiram pessoas que não tiveram o melhor comportamento no Olhanense depois da sua lesão?
Pepa: Não. Apenas pensava que iriam acompanhar e apoiar mais a minha recuperação para o futebol e para a vida, mas das pessoas de Olhão nunca tive nada a apontar a não ser aquilo que referi anteriormente.
BnR: O que se passou então entre o Pepa e Emanuel Reis, médico do Olhanense? Que críticas lhe faz?
Pepa: Esse senhor foi para os jornais dizer que eu estava acabado para o futebol. Essa era uma notícia de sigilo e foi de uma grande indelicadeza.
BnR: Aonde é que foi buscar forças depois da lesão?
Pepa: À minha família, nomeadamente aquela mais próxima: mulher, filhas e pais.
BnR: Lembra-se do lance? Explique a sua lesão.
Pepa: Sim. Foi uma entrada por trás do central Paulo Alexandre (GD Chaves) num jogo GD Chaves-Olhanense.

Fonte: SL Benfica
BnR: Na altura em que esteve nas camadas jovens do Benfica, já achava possível esta aposta na formação por parte do clube da Luz?
Pepa: Sim, claro que sim. Principalmente porque existem grandes talentos na formação em Portugal.
BnR: A sua primeira experiência como treinador principal foi com a AD Sanjoanense, onde elevou o clube e venceu a Supertaça da Distrital de Aveiro. Que memórias guarda dessa passagem?
Pepa: Foi fantástico ser campeão no primeiro ano como treinador principal. Grande grupo de trabalho, grande massa adepta e um balneário fantástico. Subir duas vezes num espaço de 3 anos é algo incrível (Sanjoanense e Feirense).
BnR: O que tem achado do campeonato?
Pepa: Equilíbrio forte para definir o campeão, equipas que vão disputar a Liga Europa e até nos clubes que lutam pela permanência.
BnR: Finalmente, como descreve o trabalho de Rui Vitória?
Pepa: De grande resiliência devido ao que passou no período pré-competitivo. Foi de uma grande lição de humildade e acima de tudo de competência.
Fonte: AD Sanjoanense
Artigo revisto por Bárbara Mota













