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Os 5 principais tópicos do Football Talks 2022

Afonso Viana Santos · 8 min

Foto: Diogo Cardoso / Bola na Rede

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O Bola na Rede marcou presença no evento Football Talks 2022, organizado pela Federação Portuguesa de Futebol na Cidade do Futebol, dos dias 5 e 6 de setembro. O objetivo foi a discussão do estado do futebol e do desporto, em Portugal e na Europa, em 2030.

Neste artigo abordamos os cinco principais tópicos que foram discutidos no evento, por personalidades como Aleksander Ceferin (Presidente da UEFA), Nasser Al-Khelaifi (Presidente do PSG), Rui Vitória (Selecionador do Egito), Luís Godinho (árbitro profissional de futebol) e Nadine Kessler (Diretora do Futebol Feminino da UEFA), entre muito outros.

Terminaremos este artigo ao divulgar a participação de Jurgen Klopp, treinador principal do Liverpool FC, no evento.

5. CENTRALIZAÇÃO DOS DIREITOS TELEVISIVOS

Em Fevereiro de 2021, o Governo nacional aprovou a centralização dos direitos de transmissão da I Liga Portuguesa, a iniciar-se a partir da época 2028/29, tendo o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, explicado o desenvolvimento desse processo:

“Até 2025/26, tem de ser apresentado um modelo, da parte do governo, da centralização desses direitos e a partir da época 2028/29 tem de estar em curso a comercialização centralizada desses direitos”.

O membro do Governo indicou também os dois objetivos que se pretendem alcançar com esta medida, sendo o primeiro “aumentar a receita dos direitos televisivos e multimédia dos clubes” e o segundo “diminuir a desigualdade entre quem recebe mais e quem recebe menos no futebol”, exemplificando que essa diferença pode chegar a ser de 15 vezes.

Aliado a esta discussão, o Presidente do SC Braga, António Salvador, marcou presença na zona mista do Football Talks, afirmando que olha para esta centralização “com alguma expectativa”, defendendo que “se deve discutir a divisão para a distribuição mais justa e equilibrada”.

Também João Presa, “Chief Technology & Product Officer” da Eleven Sports, defendeu esta medida, afirmando que a centralização dos direitos televisivos é “o ponto de alavancagem para uma liga mais competitiva, que leva a maior interesse, maior número de consumidores, mais patrocinadores e mais dinheiro”.

4. TEMPO ÚTIL DE JOGO

Num painel totalmente dedicado a esta temática, composto por Rui Vitória, Luís Godinho, Tarantini (Treinador-adjunto do FC Famalicão) e João Marcelino (Diretor Geral de Conteúdos da FPF), foram apresentados pontos de vista diferentes sobre a otimização do tempo útil de jogo e a redução de atos de desperdício de tempo.

Luís Godinho apontou que o Conselho de Arbitragem deu duas instruções claras: quando um jogador é assistido pela equipa médica dentro de campo, dá-se em média um minuto de descontos, por cada paragem para substituição, dão-se 45 segundos.

Rui Vitória discordou um pouco destas medidas, defendendo que a amostragem de cartões (e consequente discussão com o árbitro), a marcação de pontapés de baliza e o festejo de golos é que perdem mais tempo – “não podemos focar a atenção só nas substituições”.

Em relação à consulta das imagens do VAR por parte do árbitro principal, Godinho diz que a indicação é que esse tempo seja adicionado na íntegra aos descontos. Depois, para além de pausas para hidratação, “depende da perspetiva e do bom sendo da equipa de arbitragem” o tempo de descontos a dar no final do tempo regulamentar.

Luís Godinho ainda acrescentou um pedido relevante:

“O Conselho de Arbitragem pediu um compromisso imenso para o tempo útil de jogo. Há uma instrução dada para deixar o jogo fluir e decorrer, não marcar qualquer contacto como falta. Uma falta não pode ser assinalada a meio campo e depois não ser assinalada na grande área”.

Tarantini, que jogou 20 épocas de futebol sénior em Portugal, defende que “o tempo útil não deve nem pode passar ao lado dos jogadores” enquanto que João Marcelino gostaria que o jogo de futebol passasse a ser cronometrado – “é importante mudar a imagem do nosso campeonato como um onde se joga pouco. Seria adepto do jogo cronometrado”.

Para contrapor esta última opinião, Aleksander Ceferin, na sua intervenção, deixou bem claro que, na sua opinião, o futebol com tempo cronometrado “é uma má ideia”, “os árbitros deviam castigar as perdas de tempo e fazerem-no mais eficazmente. Ao parar o tempo, o futebol deixaria de ser futebol”.

3. IMPORTÂNCIA DO FUTEBOL FEMININO

Numa conferência intitulada “O Big Bang do futebol feminino”, Nadine Kessler expressou satisfação e otimismo com o estado do futebol feminino, na atualidade e para o futuro, começando por enaltecer o recente Europeu da modalidade.

Quando questionada neste Football Talks sobre como repetir o sucesso da competição, Nadine disse que “já há cinco federações que querem organizar o Euro 2025, o que é muito bom”.

A Diretora do Futebol Feminino da UEFA traçou também um objetivo muito claro para o futebol feminino em 2030, afirmando que espera ver 10 campeonatos profissionais da modalidade na Europa.

Por seu lado, Aleksander Ceferin abordou a oportunidade de investimento que o futebol feminino representa hoje em dia:

“Se queres ter sucesso, tens que investir (…) vale a pena investir no futebol feminino, até para as emissoras e os patrocinadores, é relativamente barato. Qualquer investimento [no futebol feminino] seria muito bom”.

Esta é uma posição com a qual o Presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, concorda, mas com uma ressalva. Admite que o investimento no futebol feminino trará retorno, no entanto, afirma que se tem que ser realista e perceber que tal vai demorar tempo – “Agora precisamos de ser pacientes, mas também temos de estar focados”.

Ainda sobre este tema, João Paulo Correia, numa visão mais abrangente, acrescentou que “as modalidades que mais crescerão até 2030 serão aquelas com uma maior aposta no desporto feminino”.

2. O PAPEL DA TECNOLOGIA NO DESPORTO

A tecnologia foi um dos temas mais discutidos no Football Talks, tendo Nicolas Evans (“Head of Football Research & Standards na FIFA) começado por dizer que é importante entender a tecnologia como uma viagem:

“A próxima mudança de paradigma na tecnologia em serviço do futebol depende do próprio futebol, das suas necessidades e problemas que possam surgir”.

Sam Lloyd, Vice-presidente e Diretor Geral da Hudl (uma empresa norte-americana de software para análise de performance desportiva) salientou a importância da tecnologia na saúde dos atletas, afirmando que, graças à sua evolução, lesões no joelho que, em alguns casos, poderiam significar o fim da carreira, agora podem ser recuperáveis em poucos meses.

Sobre o aspeto monetário da tecnologia alterar o consumo de futebol, João Presa afirmou:

“A nível comercial, o grande objetivo é adquirir e manter usuários, por isso o engajamento é importante – criação de resumos dos jogos, por exemplo.  O direto é o mais importante, e quanto mais diretos existirem, mais usuários serão captados”.

Já sobre a forma de ver futebol, João indica que “nada vai substituir a ida ao estádio” e que se tem que continuar a “criar e a gerar conteúdo, mas a melhorar também a ida ao estádio”.

No mesmo tópico, Luís Parafita (CEO da 7egend) acrescenta que “o acesso ao estádio é dantesco” e nota-se que a tecnologia ainda não chegou a muitos clubes em Portugal. Como tal, para que esses clubes possam evoluir, é preciso que renovem os seus recursos humanos. Luís terminou a sua contribuição com a seguinte mensagem: “É preciso que não haja medo de arriscar e medo de falhar e diversificar o mercado com conteúdos diferentes”.

5. O DESPORTO EM PORTUGAL EM 2030

Começando pela grande questão que envolve Portugal, desporto e 2030, Aleksander Ceferin foi muito claro, acreditando que a candidatura de Portugal e Espanha a organizarem em conjunto o Mundial 2030 será a vencedora.

Ceferin ainda acrescentou que tem planos em como ajudar esta candidatura e que está na hora da Europa voltar a ser palco de um Mundial (a última vez que tal aconteceu foi na Alemanha, em 2006).

Neste Football Talks, João Paulo Correia também afirma que esse é um dos grandes objetivos do Governo e ainda acrescentou que, em 2030, deseja que Portugal tenha perto de um milhão de praticantes federados em todas as modalidades. Já Luís Sobral (CEO da FPF) afirma que o objetivo da FPF é, no mesmo ano, existirem 400 mil futebolistas federados (atualmente, esse número é um pouco inferior a 200 mil).

Sobral também quer que as competições portuguesas de futebol tenham uma média de 60% de tempo útil de jogo, afirmando que tal “é possível porque só depende de nós, da nossa mentalidade, dos árbitros, dos jogadores, dos treinadores e também dos adeptos”. Concluiu ao afirmar que esperava, para 2030, ver uma taxa de ocupação de estádios e pavilhões, em jogos futebol e de futsal, tanto masculinos como femininos, de pelo menos 50%.

JURGEN KLOPP

Num vídeo previamente gravado, o treinador do Liverpool também contribuiu no Football Talks 2022.

No que toca ao tempo útil de jogo, Klopp concorda com Ceferin, afirmando que parar o tempo a toda a hora quebraria muito o ritmo de jogo. A sua solução passaria por castigos mais severos e veementes a comportamentos de desperdício de tempo, sobretudo através da amostragem de cartões amarelos – “penso que isso seria a melhor educação”.

Sobre o impacto da tecnologia, Klopp aprecia a sua utilidade, recordando que não deve ser esquecido que deve ser usada sempre da forma correta.

Em relação ao apelo no futebol português, Klopp, com um sorriso na cara, revelou a sua admiração pela educação futebolística do nosso país:

“A formação em Portugal é de topo (…) Eu fui um jogador mediano e se tivesse tido a formação do Bruno Fernandes ou do Cristiano Ronaldo, decerto teria sido melhor jogador.

Terminou a sua participação ao dizer que em Portugal “há bons atletas, treinadores incríveis nas camadas jovens, alguns dos melhores jogadores do mundo, o que é muito impressionante”.

Afonso Viana Santos

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